O Natal do Avesso

Lições sobre a vida na história mais fantástica do Natal

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Estamos nos aproximando do natal, data em que o mundo cristão comemora a vinda do Filho de Deus ao nosso mundo, para salvar a todos aqueles que o Pai lhe deu. Por isso, creio ser propício meditar em um dos textos que contam a história desse encontro de Jesus com a humanidade perdida.

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No capítulo 1 do evangelho de João, Jesus Cristo é apresentado como sendo O Verbo,que aqui é a tradução das palavras gregas hó logos, um pequeno detalhe que é cheio de significado.

Devemos ter em mente que nessa época, João residia em Éfeso, que ao escrever seu evangelho, tinha em mente uma audiência grega, e que os gregos tinham uma história com esta palavra. No ano 560 a.C, ali mesmo na cidade de Éfeso, um filósofo chamado Heráclito desenvolveu sua principal tese.

Segundo ele, tudo o que existe está em um constante estado de fluxo. Para ilustrar este fato, ele costumava dizer o seguinte: “Se você entrar em um rio agora e se banhar, você se banhou em um rio. Mas se você voltar a entrar na água, já não será o mesmo rio, porque a água fluiu em seu curso, então este é um rio diferente”.

Heráclito percebeu que as coisas estão sempre fluindo para algum lugar. Então ele se perguntou: “Se tudo está sempre em constante movimento, porque então a vida não é um caos? Por que as coisas simplesmente não colidem? Como pode haver ordem em um mundo cuja existência consiste em fluir e mudar?”. Ele então concluiu que todo esse fluxo não era casual, mas sim controlado por algo que ele chamou de logos, e que definiu como sendo “o princípio racional que rege o universo”.

O logos seria, portanto, o sustentáculo do mundo. Sem ele, o mundo entraria em colapso; astros e estrelas colidiriam. Sem o logos, nada do que existe poderia existir. Contudo, este logos não podia ser conhecido ou visto. Tudo o que podemos ver é a ação dele no mundo.

Seiscentos anos depois, o evangelista João, agora pastor da igreja cristã na cidade de Éfeso, escreve que aquele logos que permitia e garantia que o mundo continuasse sendo o mundo e a quem todos deviam tudo, decidiu entrar no nosso mundo:

O verbo se fez carne.
O eterno mortalizou-se.
A graça se mostrou em verdade.
Deus se tornou em nós.

É exatamente isso que comemoramos no natal: Nós relembramos a entrada do logos no nosso mundo. E para entendermos um pouco mais sobre aquilo que o natal significa, eu gostaria de propor a análise de alguns versículos que estão no primeiro capítulo do evangelho de João.

Curiosamente aqui, nós não encontramos referência a magos, nem a pastores. Não há manjedoura, estrela de Belém, nem a aparição do anjo a uma virgem, mesmo porque quando João escreveu seu evangelho, já tudo isso havia sido contado pelos outros evangelistas.

João então vai nos apresentar o outro lado do natal. Ele nos mostra o avesso da história, a história que geralmente não é contada.

No capítulo primeiro do seu evangelho, João nos presenteia com o que seria uma versão transcendente do natal, e  faz uma série de afirmações sobre Jesus, das quais se desprendem importantes lições.


Primeiramente, Jesus é retratado como Deus pré-existente e não criado. João escreve: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus” (1,2).

É praticamente impossível ler estas palavras e não pensar em Genesis 1.1: “No princípio criou Deus os céus e a terra”. E aqui temos uma revelação:

Aquele que era o primeiro dia para a criação, não o era para Jesus. Na qualidade de Deus criador, ele existia antes de todas as coisas. A terra ainda era sem forma e vazia, caótica, mas como teorizou Heráclito de Éfeso, lá estava o logos para colocar ordem no caos e sustentar todas as coisas com a sua sabedoria infinita.

Essa verdade também é recorrente na literatura sapiencial. Em Provérbios 8.27-30, por exemplo,encontramos o seguinte:

“Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo;
Quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo,
Quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra. Então eu estava com ele, e era seu arquiteto; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo”

Jesus estava no princípio com Deus!

Na verdade, o texto grego sugere que o verbo estava cara a cara com Deus (prós ton theos), face a face, significando que entre Jesus e Deus Pai existe a comunhão mais estreita, a amizade mais íntima, o amor mais puro e perfeito.

Esse verbo que estava diante de Deus também compartilhava da sua natureza. Isso não significa que Jesus era o Pai. Tratam-se de pessoas distintas. Contudo, Jesus possui a mesma substância, os mesmos atributos, o mesmo sentir, e o mesmo poder que o Pai.

Para deixar clara aos seus leitores a divindade de Jesus, João diz que o verbo era Deus, ou como sugere a tradução literal do texto grego: “Deus era o verbo”. Acredito que o Espírito Santo inspirou João a colocar as palavras nessa ordem no texto grego para deixar bem claro para os grupos heréticos do passado e do presente que Jesus é Deus.

Após explicar aos seus leitores que Jesus é o Verbo, a Palavra divina, João começa a descrever a sua ação na criação. Ele diz: “Todas as coisas foram feitas por ele”.

Jesus estava com Deus, não apenas no sentido de estar familiarizado com os conselhos divinos, mas também estava ativo nas operações divinas. No salmo 33.6, nos é dito que os céus foram feitos pela Palavra de Deus. Em Hebreus 1.2, o escritor bíblico nos diz que o mundo inteiro foi feito por meio de Jesus.

Tendo dito isso, João prossegue argumentando, agora em tom redundante: “e sem ele nada do que foi feito se fez”:

Nada existe sem Jesus. Desde o anjo mais elevado até o verme mais inferior. O autor e fundador da fé cristã é também o criador do mundo, e isso torna o cristianismo superior aos demais sistemas de crença.

Logo, o João nos diz que Jesus tinha a vida em si mesmo. “Nele estava a vida”.

Isso significa que, diferente de nós, Jesus não deve sua existência a ninguém, e que ele tem plenos poderes sobre sua própria vida. Nós não temos plena potestade sobre a nossa vida, porque recebemos a vida das mãos de Deus como um empréstimo. Mas Jesus não tem a vida como um empréstimo, ou como uma concessão. Ele tem vida em si mesmo. Ele não depende de ninguém além de si, para continuar existindo. “Ele é Deus de Deus, luz de luz”, como diz o credo Niceno.

E o que a luz faz? Ela faz aquilo que ela sabe fazer. Ela brilha! Ela resplandece! E foi isso que Jesus fez. Ele entrou em nosso mundo e resplandeceu em amor, em bondade, em justiça e em verdadeira santidade.

O verbo se vestiu de carne, mas mesmo vestido de nós, ele não deixou de ser Ele. Vestiu-se de homem, mas não deixou de ser Deus. As duas naturezas, a divina e a humana, coexistiram à plenitude em Jesus.

Ele era Deus encarnado em homem limitado.

O versículo 5 diz que essa luz que resplandece nas trevas não pôde ser ofuscada. Herodes, Pilatos, o Sinédrio, Fariseus e Saduceus, todos se uniram contra a luz, porque ela revelava o que havia de errado com o mundo.

É por isso que o cristianismo é hostilizado. Porque ele ilumina. Jesus é luz, e no calor da sua luz e na claridade da sua presença, vê-se a nossa feiura. Nos aproximamos de Jesus, e de pronto enxergamos a penumbra da nossa alma, descobrimos que nosso coração está sujo, e isso nos irrita. Por isso os homens odiavam Jesus.

Sua existência ameaçava o modo de vida judaico e romano. Sua pregação confrontava não apenas aqueles que eram conhecidos como grandes pecadores, mas também os bastiões da moralidade se viram afetados por ele, porque diante dele, ninguém parecia justo, bom ou perfeito. Então eles perseguiram a Jesus, mas não puderam de forma alguma triunfar sobre ele.

Nos versículos 10 e 11, João diz ainda que o Verbo, que Heráclito entendia como sendo “a razão que ilumina todo homem que nasce neste planeta”, finalmente veio ao mundo (ao seu mundo!), mas os seus não o receberam. Aliás, este é um tema recorrente nas peças de natal: José e Maria buscando onde hospedar-se, mas não se acha lugar para eles. Maria está prestes a dar à luz, mas não encontra um lugar decente onde recostar-se, e assim, o Verbo Encarnado nasce  e é colocado em uma humilde manjedoura.

Veja que mudança: De estar rodeado de anjos e glória, Jesus agora rodeia-se de animais. Ele cerca-se de feno, de palha.

Aliás, há algo aqui que me chama a atenção na história do primeiro natal.

Naquela noite, o maior tesouro do universo não estava no palácio, mas dentro da humilde manjedoura.

Na verdade, o primeiro natal foi um evento humilde. Não houve ceia, nem mesa farta, nem vinho para alegrar o coração. Não havia amizade, exceto a que unia aquela família. Não houve celebração ou júbilo, exceto o daquele sofrido casal.

Jesus ingressou no nosso mundo da forma mais modesta que poderia fazer, e aqui está também o paradoxo do evangelho:

Se te dissessem que, pela primeira vez, você poderia ver a Deus, como você o imaginaria? Certamente você pensaria em Deus rodeado de gloria, de carros, de anjos, de fogo. Mas embora ele esteja para além das glórias que nós podemos imaginar e atribuir, não foi assim que Ele se manifestou. João diz que “O Verbo fez-se carne e habitou entre nós”.

Jesus veio ao mundo participar da nossa natureza humana, para que nós pudéssemos participar da sua natureza divina.

Jesus se humilhou em sua divindade, para que nós pudéssemos ser exaltados em nossa humanidade.

Jesus foi um como nós, para que nós pudéssemos, pela participação no seu Espírito Santo, ser um como ele.

Jesus empobreceu-se na terra, para que nós pudéssemos herdar os tesouros do céu.

O rei do universo entrou no nosso mundo como um plebeu, para que nós, a plebe do mundo, pudéssemos entrar nos céus como herdeiros do rei, co-herdeiros com Cristo.

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”(versículo 12).

Deus preparou tudo de antemão e enviou seu Espírito para certificar-se de que alguém o receberia, e é por isso que em qualquer lugar onde este evangelho é pregado, ele sempre é acolhido por alguns corações.

E por que isso acontece? Por causa da vontade da carne? Por causa da vontade do homem? Por causa do querer inerente à criatura caída e depravada? Não! O verso 13 diz isso claramente: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.

Não se trata de um querer carnal, mas de uma vontade renovada pelo Espírito Santo e habilitada a crer e confessar, a arrepender-se e a seguir, e João testifica isso com alegria, para então apresentar seu resumo da história do natal:

Para João, não se trata apenas da história de um menino que dormiu na manjedoura; não se trata apenas de magos do oriente, nem da visita dos pastores. Não se trata apenas da estrela de Belém cruzando o céu. Se isso fosse tudo o que aconteceu naquele dia, ele ainda não seria um dia especial.

A beleza do natal não está construída sob a mera narrativa de um incidente de uma mãe e um bebê. Até porque muitos bebês nascem pobre, e em qualquer época, muitas mães infelizmente não têm um lugar decente onde dar à luz.

A beleza do natal não está na apenas na história da perseguição ao bebê. Muitas crianças são perseguidas ainda hoje, em muitas nações, seja por tradições culturais, ou por causa do controle social e de natalidade, como acontece hoje na China comunista.

A beleza do natal reside no fato de que “o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a – sua – glória” (14).

Ao olhar para Jesus, os apóstolos viam glória.
Os pecadores viam glória.
Os publicanos viam glória.
As prostitutas viam glória.

Mas o que resplandecia não era sua mera aparência, e sim a luz dos seus atributos.

O natal é o natal porque nós vimos a sua glória, “como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. Nós vimos e cremos, e por isso comemoramos com alegria o natal.

Bem, essa foi uma breve exposição do texto. Mas ainda precisamos olhar para esse texto e perguntar: Que lições práticas essa narrativa pode legar às nossas vidas?

1. A primeira lição que podemos aprender deste texto é de cunho missiológico, e é a seguinte: A mensagem do evangelho é imutável, mas aforma de transmitir essa mensagem deve ser sensível ao tempo e à cultura.

Para pregar o evangelho do Cristo aos gregos, João recorreu ao conceito de logos, de Heráclito, a partir do qual ele ensinou que todo ser que vive, e até mesmo as criaturas inanimadas, devem sua existência a Jesus, e é somente por causa dele que o nosso mundo não colapsa. É ele é quem ilumina a mente dos homens para que conheçam a verdade, e é dele que procede a vida de todas as criaturas, portanto, a única resposta correta a tamanha bondade demonstrada pelo Verbo seria acolhê-lo em nosso mundo. Contudo, ao invés disso, os homens maus não o receberam, condenando a si mesmos com suas ações. Aqueles, porém, que o acolheram, foram feitos filhos de Deus.

Assim, João conseguiu ser ao mesmo tempo fiel a Deus e ao evangelho, e relevante para a cultura grega.

Ele encontrou em Heráclito uma ponte cultural através da qual ele pode atravessar com o evangelho, adaptando sua mensagem sem comprometer o seu conteúdo.

Essa contextualização do evangelho é comum em todos os sábios pregadores do Novo Testamento:

Para os judeus que aguardavam ao Messias, Mateus falou sobre o Rei dos Judeus, descendente de Davi. Para os Romanos, cuja população era formada maioritariamente por escravos, Marcos apresenta Jesus como o Servo Obediente. Para os gregos admiradores da sabedoria, Lucas apresentou o Jesus das parábolas.

Observe que nenhum deles modificou a mensagem. Eles apenas fizeram a leitura do contexto e perguntaram: “Como o evangelho pode responder aos anseios mais profundos da cultura anfitriã? ”. Eles foram bem sucedidos porque aceitaram a priori que não importa quais forem as angustias de uma sociedade e a compreensão que ela tenha de suas próprias necessidades, o evangelho sempre será a resposta.

Jesus tem tudo o que qualquer cultura realmente precisa. Para os países em guerra, ele é tanto o Senhor dos Exércitos quanto o Príncipe da Paz. Para os cristãos perseguidos ele é o poder para resistir e a força para ser fiel, inclusive no martírio. Para as sociedades materialistas que consomem sempre e nunca se saciam, Jesus é a plena satisfação. Para o operário, trabalhador da indústria, ele é o empático carpinteiro das mãos calejadas. O fato é que a resposta para as angustias sociais sempre estará em Jesus.

Não existe pergunta da nossa sociedade para a qual o evangelho não seja resposta. Por isso, eu ouso dizer que o problema da igreja cristã evangélica não é que ela não tem a resposta. O problema da igreja é que ela tem tanta pressa que nem sequer dedica um tempo a ouvir as perguntas. Saber que o evangelho é a resposta é importante, mas não será suficiente, a menos que você conheça as perguntas. Para tanto:

É preciso ouvir a cidade.
É preciso entender a cidade e dialogar com ela.
É preciso descobrir quais são os profundos desejos do coração da cidade, e de que maneira ela está errando ao tratar de saciar estes desejos.

Seja a busca da liberdade, de aceitação, de proteção, de satisfação, o fato é que para cada uma dessas inquietações da alma humana, apenas o evangelho é a resposta.

João foi extremamente relevante ao escrever o quarto evangelho e continua sendo até os nossos dias, mas talvez ele não soaria tão atual se tivesse escrito apenas para o seu pequeno e seleto grupo de discípulos. Mas ao invés disso, o último apóstolo escreveu um evangelho de caráter universal. Ao fazê-lo, ele não pensava apenas em si, ou nos seus, mas no mundo.

Quando nós planejamos nossos cultos, nosso sermão, quando decoramos nossa igreja, quando idealizamos os ministérios, em quem estamos pensando? A quem queremos alcançar?

A maioria das decisões estéticas e do planejamento arquitetônico das igrejas são tomadas com base nos gostos e preferencias dos membros, e quase nunca contemplando as necessidades do mundo perdido, e a meta de quase toda igreja é ser um porto seguro para seus membros, quase nunca uma catapulta de envio.

Nós nos organizamos com base naquilo que julgamos importante, e no topo da pirâmide sempre estamos nós, quando na verdade, o tempo todo a nossa preocupação deveria ser Deus e o mundo.

Se você realmente ama a Jesus e quer estar em missão agradando ao Senhor, a primeira coisa que você fazer é esquecer de você. 

A igreja não existe para você em primeiro lugar; ela existe para Deus e para a missão, e você como parte da igreja, só é igreja de fato quando vive para Deus e para a missão.

Todas as decisões da igreja devem ser tomadas com base na gloria de Deus e no êxito da missão.

Vivemos em cidades sedentas, e nós temos a água viva que mata a sede dessas pessoas, mas para alcançar as cidades nós não podemos cometer o erro de ser uma igreja egoísta e ensimesmada. Precisamos preocupar-nos menos com a gente (os de dentro) e pensar mais nos de fora. Pensar na glória de um Deus que nos deu a missão de alcançar cidades.

Você por acaso sabe quais são as grandes perguntas da sua cidade? Você sabe qual a narrativa do evangelho ideal para elas: Queda e redenção? Escravidão e liberdade? Alienação e pertencimento? Exclusão e aceitação? Todas estas são formas bíblicas e legítimas de apresentar o evangelho, mas cada uma delas está relacionada a uma ansiedade e um contexto.

Como a igreja deve ser para alcançar os não convertidos desta cidade? Como uma instituição burocrática e altamente engessada cujas decisões lembram as nossas repartições públicas que nunca funcionam? Como um sindicato de trabalhadores que se digladia por cargos e para impor suas opiniões? Como um clube de sócios onde você paga a cota mensal e espera que todos trabalhem para você?

Ou como uma agência missionária que envia seus membros ao mundo para compartilhar o amor de Jesus? Ou ainda como um organismo vivo onde cada parte entende seu vital valor e trabalha de maneira ordenada e constante, tal como os órgãos do nosso corpo trabalham para nos manter vivos e em desenvolvimento? Ou talvez como uma grande família com muitos irmãos onde todos se sentem responsáveis uns pelos outros e se esforçam para que todos recebam cuidado? Ou ainda como uma grande casa onde todos são bem vindos, e independente de sua história, do seu passado, terão uma oportunidade de ouvir sobre a vida de Jesus e se aconchegar nesse lar?

Repito: A mensagem do evangelho é imutável, mas a forma de transmitir essa mensagem deve ser sensível ao seu tempo e ao lugar onde a igreja está implantada.

O conteúdo permanece inalterável! Ainda que o céu e a terra passem, nem um til deste evangelho pode cair. Mas ser uma agência proclamadora no mundo de hoje requer a renúncia de gostos pessoais no que diz respeito à forma de ser igreja, e um grande apego a glória de Deus na proclamação do evangelho de Cristo.

2. A segunda lição deste texto tem cunho teológico e é a seguinte: O Deus do universo, criador e sustentador de todas as coisas, só pode ser realmente conhecido na face de Cristo.

Em João 1:18 está escrito:“Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou”. Se este texto é verdade como nós acreditamos ser, então você não verá a Deus em nenhum outro lugar neste mundo, a não ser em Jesus, e somente vai conhecer a Deus na mesma proporção em que conhecer a Jesus.

Cada grupo religioso sobre este planeta, xamanista, budista ou muçulmano, alega ser o portador da verdade sobre Deus. Acontece que a verdade sobre Deus não pode ser dissecada pelo ser humano. Deus, pela própria definição, é infinito e transcendente, por tanto, não pode ser conhecido por ninguém, a menos que ele mesmo se revele, e é isso que aconteceu naquele primeiro natal:

“O verbo encarnou-se.
Deus se fez homem e veio viver com a gente, comer com a gente, e mostrar pra gente como Deus realmente é”

Depois disso, homens inspirados pelo Espirito Santo registraram o que Jesus fez e falou, e é graças a este registro fiel que nós podemos conhecer a Deus, o que nos leva ao supremo valor que as Escrituras Sagradas devem ter para nós.

Não existe nenhum outro escrito inspirado onde Deus se revele. Apenas na Bíblia sagrada, você pode conhecer a Deus. Somente nas páginas da Escritura é que você pode discernir quem Deus é e como ele se relaciona conosco. Somente na Bíblia você pode ver Deus na face de Jesus, e aprender como ele realmente é e o que ele pensa.

Quer saber o que Deus pensada religião? Veja o capítulo 3 de João, o diálogo de Jesus com Nicodemos, e você vai descobrir.

O que Jesus pensa do casamento? Veja João 2, e você vai ver Deus feliz, se deleitando e suprindo uma boda em Canã.

O que Deus pensa sobre a adoração e os lugares sagrados? Leia o capítulo 4 de João e você vai descobrir que para Jesus a forma e os lugares importam menos que a espiritualidade do ato e a expressão vívida da fé.

E você pode prosseguir…

O que Deus sente em relação à fome? Leia João 6!

O que Deus pensa da morte? Leia João 11, e você vai ver Deus chorando diante do túmulo de um amigo.

O que Deus acha do engano da falsa religião? Leia João 2 e você verá Deus brandindo um azorrague, enfurecido,e expulsando os mercadores do templo.

Se você quer conhecer a Deus, você precisa se familiarizar com Jesus, porque Jesus é Deus.

Infelizmente, o próprio nome de Jesus está cada vez menos presente nos púlpitos evangélicos e quando aparece, é um mero acessório no sermão, e quase nunca a parte central ou o clímax da mensagem cristã.

E onde Jesus não é lembrado, Deus não pode ser conhecido, nem servido e nem honrado.

Jesus revela Deus. Se você quer conhecer a Deus, leia o evangelho de João, discernindo a glória de Deus na face de Jesus.  Leia sua Bíblia, mas leia com atenção, com paciência. Deleite-se em cada diálogo de Jesus, como se ele estivesse falando com você. Tente discernir as ações, as palavras e as intenções de Jesus nos evangelhos, e assim o coração amoroso do Pai vai se revelar a você.

3. A terceira lição deste texto e de cunho prático: João 1 nos ensina que as vezes, as bênçãos mais importantes são encontradas nos lugares menos prováveis.

Naqueles dias, Deus pegou o bem mais valioso do universo e colocou no ventre de uma mulher adolescente e caipira. Mais tarde, precisamente na noite de natal, o Verbo de Deus foi colocado para descansar em uma humilde manjedoura.

Você já parou para pensar nisso?

Você sabe quantos palácios existiam naquela época? Mas naquele dia, nem todos os palácios do mundo reunidos se comparavam ao valor do menino Deus que dormia docemente naquela manjedoura.

Ali estava o maior tesouro, no lugar menos provável.

Onde é que você tem procurado riqueza? Onde você tem procurado tesouros? Lucas 12:15 diz:“Acautelai-vos e guardai-vos da ganância; porque a vida do homem não consiste na quantidade de bens que ele possui”.

Eu quero terminar o sermão de hoje te lembrando que as coisas mais preciosas que você tem, não podem ser compradas:

A sua vida.
A sua saúde.
Sua esposa.
Seu esposo.
Seus filhos.

“Os maiores tesouros quase sempre chegam a nós envoltos em simplicidade”.

Um lar feliz não pode ser comprado com dinheiro. O amor de uma mulher, o respeito da família, esses tesouros nos acompanham o tempo todo, mas nos esquecemos deles ou o ignoramos por completo porque estamos sempre em busca de mais.

Mas Deus hoje está te lembrando que aquilo que você precisa está bem perto de você, e é isso que precisa ser valorizado.

Este ano eu quero desejar a você um feliz natal. Eu quero que você passe com a sua família.  Abrace-os e, se possível, faça uma oração com eles. Agradeçam juntos pelo nascimento do nosso Salvador. Curtam este dia juntos.

Vivam a alegria do natal coma certeza de que as maiores bênçãos – aquelas que não podem ser compradas nem por todo dinheiro do mundo – costumam ser concedidas por Deus em graça, e geralmente estão mais perto do que nós imaginamos.

___________________

Por Léo Gonçalves, Bacharel em Teologia e Missiologia; Mestre em Teologia com concentração em Teologia Sistemática e Missões Transculturais.

Sermão de natal, pregado no dia 23 de dezembro de 2018, na Igreja Batista Vida e Paz, em Ouro Branco, MG.

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