Gari leva pão e água potável a usuários da cracolândia em SP

O gari José, morador de Embu das Artes (região metropolitana de SP), leva pão e água a usuários da cracolândia há um ano

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Uma fila de usuários se forma no fluxo da cracolândia da rua Helvétia com a alameda Cleveland, região central de São Paulo, por volta das 14 horas, no dia seguinte à reocupação da área pelas centenas de dependentes químicos que, desde 21 de maio passado, estavam na praça Princesa Isabel, a 400 metros dali.

Organizada, a ponta da fila apresenta um homem pardo, de chinelo, roupas simples, boné surrado e a voz forte que grita, entre uma palavra e outra de conforto a quem se dirige a ele, um “olha o pão! Olha a água, irmão!” entrecortado por expressões religiosas.

Na última quinta-feira (22), quando a cena –que se repete todos os dias há um ano –foi presenciada pela reportagem, havia algo a mais: “Não deu tempo de passar manteiga: hoje o pão vai com goiabada”. Os usuários aplaudem –e pedem que a conversa da repórter não interrompa a entrega do alimento. “A gente tá fritando aqui no sol, pastor!”, berra um rapaz de pouco mais de 20 anos que aguarda a vez.

“Pastor” é o apelido que o gari José Carlos Rodrigo de Matos, 47, ganhou nesses 12 meses em que tem se dedicado a levar água potável e pão aos dependentes químicos da cracolândia. “Não sou evangélico, sou católico, mas sempre trago uma palavra da Bíblia para eles”, diz, com o livro debaixo do braço.

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Matos é morador de Embu das Artes, na Grande São Paulo, mas é contratado da varrição de rua em São Paulo, onde atua, todos os dias, no bairro nobre de Moema, na zona sul da capital. Nas horas vagas ou depois do trabalho, ele conta, corre em busca das doações de pães e água para levar aos usuários. Em média, garante, são três sacos de pães –cerca de 300 unidades – e alguns galões de água com canecas plásticas retornáveis (também doadas) por dia.

Até a operação pela remoção do fluxo na região, dia 21 de maio passado, ele ia às quintas e sábados. Com a transferência à praça, passou a ir todo dia.

“São sempre as mesmas pessoas que ajudam com as doações de pão e água. É um caminho longo até chegar aos irmãos da cracolândia, mas é um caminho que vale a pena –a generosidade é algo que sempre vale a pena a quem pratica e a quem recebe”, define.

Matos não tem carro nem moto: faz o transporte todo em ônibus –usa três linhas, desde Embu, localizada a cerca de 30 km da capital.

Como surgiu a vontade de ajudar um público que, não raro, desperta sentimentos diversos da solidariedade em outras pessoas? “Foi há pouco mais de um ano, quando vi irmãos moradores de rua serem tirados da praça da República [também na região central] com crianças que tinham fome”, afirma.

 

Com informações UOL
Imagem: reprodução

 

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