Âncora de segurança em um mar de incertezas

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Por João Rodrigo Weronka
Texto base – Jo 17.1-21
Como é reconfortante saber que Jesus, tão próximo de sua entrega à morte de cruz, nos momentos finais e decisivos de sua existência em carne (pois Ele é Deus Filho e existe desde sempre e para sempre) proclamou a conhecida Oração Sacerdotal pelos Seus discípulos e por extensão por Sua igreja. Se você nunca teve a oportunidade de meditar nestas palavras, recomendo que antes que prossiga na leitura desta meditação que leia o texto de João 17.1-21.

Naquela noite, ao findar a Ceia, o mestre saiu daquele lugar para o encontro com os algozes. A cruz o esperava. A minha, a sua, a nossa cruz que Ele tomou sobre si. Antes deste encontro que selaria por toda a eternidade o rumo de todas as coisas, Jesus lançou a âncora de segurança sobre o mar de incertezas da vida, como resume Carson:

Ele ora para que o curso no qual entrou traga glória para seu Pai, e que seus seguidores, em consequência de sua morte e exaltação, sejam preservados do mal pelo privilégio sem preço de ver a glória de Jesus, que imita completamente, em seu próprio relacionamento, a reciprocidade de amor manifestada pelo Pai e pelo Filho. [1]

É bem certo que o ser humano pode espernear, teimar, passar a vida dando socos em ponta de faca e assim como Paulo resistir ao aguilhão (At 9.4-5; 26.14), porém o único meio de encontrar quietude e satisfação plena de alma é em Deus. A solução para o mal e os efeitos do pecado está somente em Deus. Tão somente em Deus é preenchida e encontrada a razão da existência. Assim como disse Santo Agostinho “Por que nos fizeste para Ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti”. Confissões 1,1

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Não quero ser reducionista nem mesmo simplista, porém ao contemplar o estado caído do homem e da criação num todo mergulhada no caos, guerra, doença, miséria econômica e moral, guerra, violência familiar, violência urbana, ou mesmo nas reações de pessoas diante de liquidações no comércio [2], fica patente que estamos numa jornada desenfreada motivada pelo pecado. O pecado está nos bastidores da tragédia humana. O “não conhecimento” de Deus e a negação de Sua glória conduzem a vida niilista, narcisita e hedonista, e em nenhuma destas cosmovisões teremos respostas satisfatórias e seguras.
Qual a solução? Jesus em sua oração começa falando sobre a glória de Deus e sobre a glorificação do Filho, cujo propósito final está no versículo 3: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, que enviaste”. Em suma a solução ecoa na eternidade – para que sejamos seres humanos completos, precisamos conhecer a Deus.
Neste ‘lugar’ é possível entender que pecar contra Deus é mais que ter um sentimento autocontemplativo negativo, é mais que olhar para si no espelho e sentir-se mal. A igreja se torna mais que uma simples comunidade terapêutica em que se reúnem pessoas que querem se sentir bem. Se sentir bem ou mal tem relação alguma diante do conhecimento de Deus e do reconhecimento do pecado. Ao conhecermos a Deus para a vida eterna entendemos que o pecado ofende e desagrada profundamente a Deus e isso faz toda a diferença. Não existe real felicidade fora de Deus e sem a busca pela santidade.
Entre os versículos 4 e 7 observamos pelas Escrituras as riquezas da glória de Deus apresentadas pela vida do Filho. A glorificação do filho através da obra de redenção, a totalidade do governo, soberania, domínio e plena honra tributadas tão somente ao Deus Trino.
Ressalta-se em relação ao Filho de Deus sua posição de eternidade e a clareza do Evangelho em relação à Verdade. A Verdade do Evangelho é fundamental para:

   a) Conduzir no caminho da salvação: “Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nessas coisas. Dessa forma, salvarás tanto a ti mesmo como os que te ouvem”. 1Tm 4.16

   b) Conduzir no caminho da sabedoria: “pois desde a infância sabes as Sagradas Letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus”. 2Tm 3.15

  c) Conduzir na contramão dos ventos de doutrina: “para que não sejamos mais inconstantes como crianças, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela mentira dos homens, pela sua astúcia na invenção do erro”. Ef 4.14

Quando lemos os versículos 8 e 9 fica patente que somente Deus pode ser nossa fonte segura e verdadeira. A Palavra transmitida pelo Senhor e que chega até a igreja em nossos dias pela Bíblia é acolhida por aqueles que são de Cristo (seus eleitos), não do mundo. Aliás, o mundo sempre procura zombar, escarnecer e perseguir (seja fisicamente, economicamente, politicamente, psicologicamente) os seguidores de Jesus, mas nossa segurança está nas palavras do Mestre em que Ele roga pelos Seus: “Eu rogo por eles. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus”. Jo 17.9
O texto bíblico de João 17.10-19 nos mostra um amplo panorama. Em toda a Oração Sacerdotal observamos Jesus falando sobre a sua glorificação, ou seja, a Paixão de Cristo, Seu sacrifício e ressurreição trata do maior milagre e intervenção divina que ecoa neste plano natural e por toda a eternidade. Deus conhece nossas limitações. Deus conhece a minha e a sua fraqueza. Deus nos traz a segurança eterna nEle diante da glorificação do Senhor Jesus. O domínio sobre todas as coisas a Deus pertence e aqueles que Ele atraiu para Si não serão perdidos. Estamos diante das adversidades do mundo e as consequências de sua perversidade, mas em Deus estamos seguros para a eternidade pela conquista de Jesus através de Sua obra. Sobre o versículo 15 (“Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno”), comentou Calvino:
Ele mostra em que consiste a segurança dos crentes; não que sejam isentos de todo e qualquer aborrecimento e que vivem no luxo e vida mansa, mas que, em meio aos perigos, eles continuam em segurança através da assistência de Deus. Pois Ele não chama a atenção do Pai para aquilo que deva ser feito, mas, ao contrário, faz provisão para a fraqueza deles, para que, mediante o método já prescrito por Ele, restringissem seus desejos, os quais são propensos a ir além de todos os limites. Em suma, Ele promete a seus discípulos a graça do Pai; não para poupá-los de toda ansiedade e dificuldade, mas para muni-los com força invencível contra seus inimigos e não permitir que sejam esmagados pelo pesado fardo das contendas que haverão de enfrentar.

Se, pois, quisermos ser guardados segundo a regra que Cristo estabeleceu, não devemos desejar isenção dos males, nem orar a Deus que imediatamente nos ponha naquele estado de bem-aventurado repouso, mas devemos descansar satisfeitos com a infalível certeza da vitória; e, no ínterim, resistir corajosamente a todos os males dos quais Cristo orou a seu Pai que desfrutássemos de feliz resultado.
Em suma, Deus não tira seu povo do mundo, só porque Ele não quer que sejam fracos e indolentes; mas Ele os livra do mal, para que não sejam esmagados; pois Ele quer que lutem, porém não permite que sejam mortalmente feridos. [3]

Na reta final das palavras de Jesus na oração sacerdotal nos mostra a importância ao apego à Palavra. Ele nos deu a Palavra, a Palavra é Verdade, a Verdade nos afasta do erro do mundo. Através da Palavra de Deus somos levados ao convencimento gerado pelo Espírito Santo sobre aqueles que foram regenerados, que nasceram de novo. “Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade” Jo 17.17.
Deus é santo, dentro de seus atributos observamos a transcendência, a separação, o “outro”, Aquele que é separado da criação, aclamado pelos anjos como Santo! Santo! Santo! (Is 6.3; Ap 4.8). Por consequência da santidade de Deus, tudo aquilo e todo aquele que estão ao seu serviço, que creem e amam a Deus, são chamados para a separação (santidade). Enxergamos então o que:


…pode significar que o meio pelo qual Jesus espera que seu Pai santifique os seguidores do Filho seja a verdade. O Pai imergirá os seguidores de Jesus na revelação de si mesmo em seu Filho; ele os santificará enviando o Paracleto para guiá-los a toda verdade (Jo 15.13). […] Em termos práticos, ninguém pode ser ‘santificado’ ou separado para o uso do Senhor sem aprender os pensamentos de Deus e pensar em conformidade com ele, sem aprender a viver em conformidade com a ‘palavra’ que ele graciosamente deu. [4]

A unidade da Igreja (Jo 17.20-21) só pode ser verdadeira definida por aquilo que a Palavra diz e a comunidade de crentes que não tem apego pela Palavra e pela meditação teológica certamente estará insegura. Vivemos tempos de incerteza e o apego conjunto nos levará a esta unidade proclamando a glória de Deus e fazendo a obra de Cristo Jesus conhecida, no poder do Espírito Santo. Vivendo desta forma, norteados pelos princípios que Jesus estabeleceu e garantiu nesta Oração Sacerdotal, certamente teremos segurança e a firmeza de estarmos ancorados no Senhor diante da agitação do mar da incerteza deste mundo e da fragilidade da existência humana.
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NOTAS
[1] Carson, D.A. “O Comentário de João”. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. p. 552
[2] Para que não fique qualquer dúvida em relação ao que o homem é quando pensa individualmente, pesquise no YouTube pela expressão Black Friday Briga.
[3] Calvino, João. “O Evangelho Segundo João”. Vol2. São José dos Campos: Editora Fiel, 2015. p.195-196
[4] Carson, D.A. “O Comentário de João”. p. 567
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