A apologética contemporânea na perspectiva pressuposicionalista – parte 02

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Por Maurício Montagnero
Parte 1
3.2. Os Tipos[1] de Apologéticas Existentes – Resumo
Existe dentro da apologética o método dedutivo/sintético que é voltado para racionalidade e filosofia. Este método parte da causa ao efeito, ou seja, do criador a criação. Em contraponto ao método dedutivo existe o método indutivo/analítico que é voltado para o experimental/histórico que parte do efeito a causa, ou seja, da criação ao criador. A revelação cristã é comprovada por fatos e experiências históricas ou arqueológicas.[2]

Dentro dessas perspectivas surge à apologética evidencialista, como o próprio nome sugere, trabalha com evidências para provar racionalmente a fé Cristã com outras linhas, como: [3]
  1. Clássica: Comprova a existência de Deus com diversos argumentos de cunho cosmológico (Deus a causa do mundo existente), teleológico (propósito e base para existir a vida), ontológico (o homem idealiza em seu ser que existe Deus) e moral/axiológico (se há ideia do certo e errado é porque um ser transcendente implantou isso).
  2. Histórica: Documentos históricos, testemunhas oculares, arqueologia e outros fatores são usados para sustentar a validade plena da fé cristã.
  3. cientifica: Usa-se verdades cientificas, por exemplo, o argumento Kalam ou o design inteligente para dar autoridade para bíblia.
  4. Profética: Trabalha com os cumprimentos das profecias bíblicas como evidências da veracidade da fé cristã.

Essas apologéticas vistas, portanto, parte do pressuposto de quê a razão antecede a fé, isto é, para que o indivíduo possa crer ele necessita compreender – ideal da teologia escolástica e natural. Depois de tudo ser explicado e passar pelo teste da razão é que poderá vir à crença. Desta forma partem das evidências a fim de chegar à revelação.
Todavia, esse presente estudo não dá credibilidade primária a essas linhas, pois o ser humano em si perdido no seu estado pecaminoso será contaminado e corrompido com todos os sistemas científicos e filosóficos de compreensão porque está suprimido o conhecimento (Rm 1), todavia até então tem-se utilizado tal nos tempos presentes. 
3.3. Apologética Pressuposicionalista – Vertentes
Antes de falar do pressuposicionalismo precisa salientar outro tipo de apologética, a experimental. Nessa se vê a defesa da fé cristã em cima de experiências religiosas pessoais. É uma apologética popular – Ex: Saulo de Tarso em At 9.[4] Alguns colocam essa linha dentro da apologética evidencialista, porém está sendo examinada separadamente e o motivo será visto no próximo tópico.
A linha pressuposiocionalista ensina que a apologética precisa de uma pressuposição/cosmovisão para construir sua sentença, mesmo que não comprovados evidencialmente, e depois ser examinado. A maioria dos apologistas pressuposiocionalistas acompanham a validade das críticas teístas de Davi Hume e Immanuel Kant, ainda mais, se juntam a ateus e agnósticos na rejeição das evidências acerca da existência de Deus. Essas evidências não têm validades, pois sempre serão interpretadas sobre a perspectiva peculiar da cosmovisão da pessoa em si, não há pureza nos fatos a serem interpretados dessa forma[5] – conforme ensinou Derrida sobre a intepretação impura. Também acerca dessa pode notar tal excerto:


Afirmam que cada visão de mundo age como uma grade pressuposicional que filtra fatos adicionais e tenta encaixá-los na ideia no indivíduo de como o mundo funciona… O apologista depende da obra do Espírito Santo para mostrar o fracasso da visão de mundo do indivíduo e estimular o conhecimento inato.[6]

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Conforme afirma C. Stephen C. Evans[7], essa linha apologética é direcionada ao teólogo e apologista Cornelius Van Til. Contudo, Van Til só tem uma vertente que é a revelacional: o Deus trino pela fé nas Sagradas Escrituras (argumento transcendental), tendo sua preposição na revelação de Deus e na legitimidade das Escrituras porque se revelou nela antes de se revelar na história, no universo, na linguajem ou na vida. No lugar das evidências usam-se os argumentos da transcendência de Deus expostos nas Sagradas Escrituras. Entretanto existem ainda outras vertentes, a saber: [8]
  1. Racional: de Gordon Clark, o qual utiliza a aplicação da lei da não contradição para diferir o cristianismo de outras religiões.
  2. Prático: de Francis Schaeffer, o qual articula que todos os sistemas não cristãos não podem ser vividos, só o cristianismo, portanto, a vivência é o teste da verdade.
  3. Consistência Sistemática: de Edward John Carnell, o qual tem três testes para autenticar a verdade pressuposicional: 1) Racionalmente coerente; 2) Incluir de forma abrangente todos os fatos; e 3) Relevância existencial, isto é, o sistema deve suprir todas as necessidades básicas da vida do ser ai – dasein.

Apesar de qual linha se siga, todas acreditam que para compreender é necessário crer (fideísmo agostiniano), isto é, a fé antecede a razão – fides praecedat rationem. Isso exclui a necessidade das provas tradicionais ou evidenciais da existência de Deus. É uma revolução copernicana na apologética onde a fé em Deus vem para o centro, e as evidências e o homem vão girar em volta.[9] Nota-se que a fé não é irracional, porém suprarracional, isto é, o trilhar o caminho da fé não tira a compreensão, mas leva a compreender.
Essa atitude de fé pode ser também conotada como atitude de esperança. Assim precisa-se olhar novamente para 1 Pd 3.15 para melhor compreensão.
Qual é o motivo pelo qual as pessoas devem estar preparadas para defender racionalmente (responder)? Para responderem àqueles que pedirem a razão da esperança que há nos cristãos. A palavra esperança refere-se à expectativa da crença ou ao fundamento e motivo do cristianismo. Tem o sentido de fé. Aqui no texto é um substantivo genitivo feminino singular comum, no grego. Em outros termos se refere a uma palavra que designa a existência abstrata de algo que defini a natureza e a qualidade de nossa crença, além de ter o sentido de posse.[10]
A palavra para esperança aqui é elpij/elpis, buscando um sentido mais profundo do quê já foi tratado acima, tal palavra tem sua raiz no grego clássico com a formação da raiz vel (desejar), não tem o sentido de esperança em si, mas, de aguardar ou antecipar por eventos futuros de todos os tipos. Contudo, Teóginis disse: Enquanto viveis a honrarem os deuses, apegai-vos à esperança! Horácio vai definir essa palavra conforme fé.[11]
No Antigo Testamento algumas palavras hebraicas definem esperança, dentre elas tem o “qawah” com o sentido de “esticado” ou “prumo”, isto é, “esticar-se em direção a” e “ansiar por”. Esse era o traço da nação de Israel expressado por Deus: Pois Tu és a minha esperança, ó Soberano Senhor (Sl 71.5a). Jeremias defini Deus assim, como a Esperança de Israel. No judaísmo pós-vétero-testamentário havia uma expectativa escatológica pela vinda do Messias. [12]
No Novo Testamento a ênfase dessa palavra recai sobre a literatura paulina que vai ser utilizado no mesmo sentido pela literatura petrina. Porém, o significado geral da esperança neotestamentária como sua doutrina pode ser resumida no excerto abaixo: [13]

Nunca indica uma antecipação vaga ou temerosa mas, sim, sempre a expectativa dalguma coisa boa… O benefício objetivo da salvação na direção da qual se dirige a esperança (Gl 5.5; Cl 1.5; Tt 2.13)… A esperança é uma parte fundamental da posição cristã, que esta pode se descrever como sendo o novo nascimento para uma ‘viva esperança’ (1 Pe 1.3). Havia, naturalmente, ideias dentro do paganismo, quanto a um futuro metafísico, mas nenhuma esperança que oferecesse consolação e a liberdade do medo da morte (Ef 2.12; 1 Ts 4.3). O significado se esclarece mais pelo fato de que, juntamente com a fé e o amor, forma parte da tríade cristã primitiva (1 Ts 1.3; 1 Co 13.13)… A fé, sem a esperança, seria vazia e fútil por si só (1 Co 15.14, 17)… Seu conteúdo se define como sendo a salvação (1 Ts 5.8), a justiça (Gl 5.5), a ressurreição num corpo incorruptível (At 23.6, 24.15), a vida eterna (Tt 1.2; 3.7), ver a Deus e conformado com a Sua semelhança (1 Jo 3.2 – 3) e a glória de Deus (Rm 5.2)… Sua base não depende das boas obras, mas, sim, da obra graciosa de Deus em Jesus Cristo ‘nossa esperança’ (1 Tm 1.1; Cl 1.27)… Aqueles que esperam, portanto, são consolados e confiantes (2 Ts 2.16)… Assim como o navio fica seguro quando está no ancoradouro, nossa vida se firma na esperança que nos liga a Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote que entrou no santuário (Hb 6.18 – 19).

É nesse discurso de esperança que o Apóstolo Pedro apresenta em sua epístola. A fazer um exame mais cuidadoso de todo o contexto dessa ver-se-á que no contexto integral:[14]

Que ela é descrita como “Epístola da Esperança”, “Espístola da Coragem” e “Epístola da Esperança e Glória”… Sua lições mais distintas são 1) que os verdadeiros filhos de Deus estão sujeitos a sofrimentos imerecidos , mas que apesar dessas perseguições, por meio da graça e do poder de Deus, permanecerão firmes… Pedro insta os cristãos dispersos à coragem, paciência, esperança… A esperança escatológica é mantida em um foco nítido, com o “horizonte da glória pairando sobre os santos sofredores à medida que continuam sua perseguição”.
As mesmas grandes doutrinas das epístolas de são Paulo são aqui aplicadas aos mesmos propósitos práticos. Esta epístola é notável pela doçura, a bondade e o amor humilde com que está escrita. Dá um resumo, breve embora claro, das consolações e das instruções necessárias para estimular e dirigir o cristão em sua viagem ao céu, elevando seus pensamentos e seus desejos a essa felicidade e fortalecendo-o em seu caminho contra a oposição procedente da corrupção interior e das tentações e aflições exteriores.[15]

Essa esperança que está na salvação foi concedida em Cristo (1.3 – 12, 17 – 21), e tal ideia se completa na enfatização dos sofrimentos de Cristo que é relatado na Epístola.[16] Complementando a ideia precisa pensar nessa esperança como o “agora, mas ainda não”:[17]


Os textos verificados que tratam da obra salvífica de Cristo mostram bem claramente que a salvação é algo que se possui no presente. Os crentes já se purificaram (1.22); nasceram de novo (1.23). Mas a salvação também ‘está preparada para revelar-se no último tempo’ (1.5); ‘o fim de todas as coisas está próximo (4.7)’. Os leitores são informados sobre o dia da visitação divina (2.12) e lembrados da ‘coroa da glória’ que receberão “logo que o Supremo Pastor de manifestar”.

Diante de toda essa análise da esperança teologicamente, especialmente na Epístola petrina, cria-se a ponte com a apologética pressuposiocionalista conforme visto.
__________________________________
NOTAS: 
[1] Existe um vasto material sistematizando esses tipos de apologéticas, porém o presente autor desse artigo tomou a liberdade de sistematizar parcialmente tanto esse ponto (2) como o próximo (3) inusitadamente.
[2] MARTINEZ, João Flávio; SILVA, Paulo Cristiano. Apostila de Introdução a Apologética. Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP), 2010, p. 26 e 27.
[3] Ibid, p. 33 e 34 (material não publicado); e GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. Tradutor Lailah de Noronha. São Paulo: Vida, 2002, 932 p 63.
[4] MARTINEZ, João Flávio; SILVA, Paulo Cristiano. Apostila de Introdução a Apologética. Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP), 2010, p. 35 (material não publicado).
[5] GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. Tradutor Lailah de Noronha. São Paulo: Vida, 2002, 932 p 182.
[6] Ibid, p. 183.
[7] EVANS, Stephen C. N. Dicionário de Apologética e Filosofia da Religião Editora: Vida, 2002, p.113.
[8] Op. Cit, p. 183; MARTINEZ, João Flávio; SILVA, Paulo Cristiano. Apostila de Introdução a Apologética. Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP), 2010, p. 35 (material não publicado).
[9] BAHSEN, Greg L. Apologética Pressuposicional: Apresentada e Definida. Disponível em: http://www.monergismo.com/felipe/apologetica-pressuposicional-apresentada-e-defendida/ p 1.
[10] BERGMANN, Johannes; REGA, Lourenço Stelio. Noções do grego bíblico. São Paulo: Vida Nova, 2004, p. 68.
[11] COLIN, Brow; LOTHAR, Coenen. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Tradutor Gordon Chown. 2° Edição. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 705.
[12] COLIN, Brow; LOTHAR, Coenen. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Tradutor Gordon Chown. 2° Edição. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 706 – 707.
[13] Ibid, p. 708 – 711.
[14] EARLE, Ralph; MAYFIELD, Joseph. H. Comentário Bíblico Beacon. Tradutor Degmar Ribas Júnior. Volume 7. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 205 – 208.
[15] HENRY, Mathew. Comentário Bíblico do Novo Testamento. Tradutor: Daniela Raffo (espanhol para português). São Paulo: Semeadores da Palavra, 2008, p 292.
[16] CARSON, D.A; MOO, Douglar J; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. Tradutor Márcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 467.
[17] Ibid, p. 478.
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