ENSAIO SOBRE A SOBERANIA DIVINA E A EXISTÊNCIA DO MAL

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Por Léo Gonçalves
A crença na soberania divina, embora ofereça algum conforto, nada tem a ver com a crença tola de que todas as coisas irão bem para nós. Ter um Deus soberano não implica viver confortavelmente, nem na isenção dos pesares que atingem os outros mortais. Nosso mestre, embora guiado todo tempo pelo designo divino, pranteou tantas vezes, viveu momentos de intensa agonia, experimentou uma profunda depressão no Getsêmani e se despediu desta vida humana sofrendo terrivelmente. Em sua obediência, paixão e morte, Jesus nos ensinou que designo não significa ausência de dor, embora possa significar triunfo “apesar” da dor.


As experiências que passamos, decepções, traumas, abandono, solidão, todas estas crises imprimem em nossa alma uma marca profunda. Tal como o ferro incandescente marca o gado, assim também a vida, através dos seus muitos declives, imprime caráter. Para o cristão, o sofrimento é uma teopraxis: “Por muitas tribulações nos convém entrar no reino de Deus”. Ele não é uma exceção, mas a regra. “No mundo tereis aflições”, disse Jesus.

O hedonismo, a idéia de que o objetivo final desta vida é obter prazer e fugir da dor, é incompatível com o ideal cristão. A razão da nossa existência não é a comodidade, realização de sonhos e projetos pessoais, ou experimentar tantas delícias quanto nos seja possível, mas a preparação para a eternidade. Deus está preparando-nos para algo sublime, no céu, e as vezes usa a dor para imprimir em nós a sua imagem perfeita. “trago em meu corpo as marcas de Cristo”, disse o apóstolo.

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Ter um Deus soberano não significa que jamais sofreremos, embora signifique que em meio ao sofrimento, Deus permanece no controle. Ele jamais abdicou da sua soberania. O trono celeste de onde Deus governa todas as coisas jamais esteve vazio.
Na encarnação, Cristo experimentou cada uma de nossas mazelas. Até mesmo a alienação decorrente do pecado foi sentida por Jesus. “Eli, Eli, lema sabactani” [Meu Deus, Meu Deus, porque me desamparaste?], foi o grito da alma de Cristo, quando nele se personificava o nosso pecado. Porém, embora tragicamente dolorosa, sua morte não foi um evento fortuito, mas um ato soberano: “ninguém pode tirar a minha vida; eu voluntariamente a dou”.
Este é o Deus que eu amo e prego: o Deus que tem as rédeas nas mãos, e que embora permita o mal, é suficientemente poderoso e inteligente para incluí-lo no seu designo, de modo que “todas as coisas cooperem para o nosso bem”. Ora, se até a “morte de Deus”, o maior dos males, foi redimido por ele e convertido em esperança de vida, em graça abundante para a humanidade, como posso duvidar que, das nossas mazelas cotidianas, Deus pode extrair um bem maior?
Eu jamais poderia crer em um Deus “não-soberano”. Uma pseudo-divindade que se abre a um futuro desconhecido por todos, e até por ele mesmo, é tudo que a igreja não precisa. Este “Deus” é pequeno demais. Não é Deus, é “deus”, uma divindade feita sob medida para ateu, fruto da vã tentativa de justificar o Justo, inocentando-o diante do mal.
Este Deus dos “teólogos” abertos eu abomino. Deus me livre de crer num “deus” assim! Eu tenho muito “medo” dele! Como confiar em um “deus” tão incompetente, uma caricatura semi-soberana que faz tudo errado e depois fica torcendo pra gente acertar?
Eu quero o Deus soberano, o Deus bíblico, que mata e faz viver, que age e ninguém impede, que conhece o fim desde o princípio, que chama o homem desde o passado eterno e infalivelmente predestina. Sim, é este que eu adoro: este que faz a luz e cria o mal, e faz o ímpio para o dia da ruína, mas que por sua graça elege o vil, santificando-o e amando-o com tal intensidade, ao ponto de por ele morrer. Um Deus que sacrificou seu filho antes da fundação do mundo, e para quem a queda não foi um “imprevisto”, mas parte de um designo eterno a revelar-se no tempo oportuno. Um Deus supralapsariano, monérgico, déspota… Opa, peraí? Déspota? Sim, o Kyrios Despotes, Soberano Senhor, cuja vontade não pode se contestada, e cujo projeto jamais será frustrado.
Para meditar: “Da perspectiva da soberania divina, aquilo que nós chamamos de mal muitas vezes é apenas um recurso pedagógico, através do qual o Sumo Professor nos instrui para a vida e a eternidade”
Soli Deo Gloria!
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Pensado por Leonardo Gonçalves, no Púlpito Cristão
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