O Seminarista e os Livros

1
1122
Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.
Por Thomas Magnum
O objetivo desse texto é
uma tentativa de elucidar com conselhos simples aos estudantes de teologia (com
uma preocupação inicial a seminaristas), sobre a importância de um cabedal de
conhecimento amplo, que ajudará o pensador teológico a compreender e aplicar a
teologia cristã a outras esferas de conhecimento.

Quais as vantagens de um
amante da teologia ter um maior repertório de leituras não teológicas?
1 – Uma compreensão mais
larga sobre questões sociais e políticas o levarão a uma reflexão teológica que
responderá a questões antropológicas, psicológicas, sociais e filosóficas.
Ao lidarmos com essa
questão devemos ter alguns cuidados, mas, não devemos ser alienados do mundo
nem do que acontece em nosso contexto. Temos o perigo de estudantes que se
deslumbram com outras áreas do conhecimento humano e acabam pautando seu
trabalho teológico por visões da filosofia, sociologia, psicologia e afins. A
importância de termos uma leitura mais ampla em relação a questões sociais não
é para que leiamos a teologia com outras lentes, mas, que a teologia seja a
lente usada para ler outras disciplinas do conhecimento humano. A graça comum é
um ponto a ser ressaltado, podemos encontrar bom material em autores de outras
áreas e em autores não cristãos. No entanto é necessário o estudante ter um bom
repertório teológico. Conhecer as doutrinas bíblicas, ter um bom conhecimento
das confissões de fé da igreja e um potencial conhecimento de interpretação
bíblica. Com esse fundamento ele poderá discernir o que é bom ou não em
literatura pagã.
 
2 – Uma leitura mais
atenta e profunda das obras clássicas da literatura e crítica literária levará
o estudante a um exercício intelectual vantajoso para um treinamento aguçado em
escrita e leitura.
É admirável estudantes de
teologia não terem apreço por literatura, não que sejam obrigados a ter, mas,
no estudo teológico já somos introduzidos a riqueza literária da Bíblia, então
uma apreciação de autores consagrados como C.S. Lewis, Tolkien, Dostoyevski,
William Shakespeare, T.S. Eliot, Northrop Frye, Rodrigo Gurgel – os três
últimos escritores e críticos literários e culturais – será de grande valia
para o estudante que deseja ter um maior arsenal de conhecimento. Ao estudarmos
grandes nomes como Abraham Kuyper, Herman Bavinck, Herman Dooyeweerd, Hans Rookmaaker,
Francis Schaeffer, Gordon Clark, Cornelius Van Til, entre outros, notamos
claramente a grande influência de outras áreas de conhecimento em suas
teologias, contudo, apenas como somatória e não como linha de interpretação
teológica, que no caso de todos os citados eram reformados calvinistas. É
perceptível aos leitores desses autores calvinistas que eles tinham uma larga
compreensão do seu tempo e aplicaram a teologia reformada ao seu momento na
linha do tempo, seu trabalho teológico respondia questões presentes em sua
época.
3 – Perceber que a graça
comum de Deus é manifesta nas obras de escritores não cristãos, que podem
contribuir muito com o trabalho de um estudante de teologia.
Não podemos ignorar a
graça comum dada por Deus a muitos produtores de conteúdo culturais como
escritores, poetas, historiadores, sociólogos, cientistas, literatos. Leituras
dessa espécie nos ajudarão a termos um repertório de linguagem e expressão mais
vasto e uma compreensão mais larga do que tem sido produzido por pessoas que
tinham muito a dizer sobre várias áreas de conhecimento.
4 – A leitura de clássicos
da filosofia, literatura ficcional, literatura narrativa e escritos consagrados
na história nos situam no tempo e podem nos ajudar a fazermos úteis
correspondências e pontes com a história do cristianismo e o desenvolvimento
histórico e teológico do pensamento cristão.
Comumente o estudante de
teologia se enclausura em um mar de literatura teológica que o afoga em um
mundo literário. Isso tem um lado bom e ruim. O lado positivo é que nosso
conhecimento em teologia cresce, mas, isso não quer dizer que amadurece.
Evidentemente a leitura de livros não teológicos não é sinônimo de
amadurecimento intelectual por parte do estudante, mas, pode contribuir para
uma visão de mundo mais precisa do ponto de vista intelectual e do que tem sido
dito e debatido de várias formas nas artes. 
A leitura de Dostoyevski pode nos levar a uma fantástica compreensão de
uma crítica política através de um romance. Considerando também o crescimento
cultural do leitor em transitar pelas linhas de um pensador e notar como ele
enxergava o mundo e os homens.
5 – Tais leituras poderão
ser instrumentos secundários úteis na formação intelectual de um teólogo. O
amadurecendo em questões filosóficas e políticas que lhe darão condições de
responder através da teologia de forma responsável, madura e verdadeira.
Considero esse último
ponto importante pelo fato de instrumentalizar o teólogo intelectualmente, o
levando a um amadurecimento horizontal em seu pensamento filosófico, gostaria
de mencionar uma breve leitura que fiz do não muito conhecido filósofo brasileiro
Mário Ferreira dos Santos que refletiu profundamente em questões sociais e não
foi consumido pela filosofia esquerdista que impera em ciclos acadêmicos. Mário
deve ser lido por pensadores teológicos e acredito ser de grande utilidade.
Vivemos em no calor das descobertas de pensadores holandeses no Brasil como
Dooyeweerd e Kuyper, mas, não devemos desprezar outros filósofos que podem
contribuir para um crescimento e amadurecimento de um pensar teológico que
possibilite versar e transitar pelas ciências e debates antropológicos,
sociais, científicos, políticos e filosóficos. A teologia mesmo não tendo a
proposta de ser um mecanismo de determinação cientificista, nos guia a uma
cosmovisão bíblica para uma análise epistemológica cristocêntrica em todas as áreas
de conhecimento.
Espero que essa breve
reflexão sirva de incentivo a estudantes de teologia, pastores e professores de
seminários teológicos. E é interessante também notificar e recomendar o livro
de dois teólogos importantes publicado no Brasil: O Pastor como Teólogo Público
de Kevin Vanhoozer e Owen Strachan que trata muito bem sobre isso que estamos
falando. Por fim, a Palavra de Deus nos é suficiente, mas, isso não exclui
nosso dever de sermos preparados intelectualmente para o bem do povo de Deus e
da sociedade que nos cerca. Essa questão deve também nos ser lembradas como
cumprimento das duas tábuas da lei que são resumidas em amarmos a Deus e
amarmos o próximo.
***
Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

1 COMENTÁRIO

SUA RESPOSTA

Por favor, faça seu comentário
Por favor, coloque seu nome aqui