O gosto amargo da teimosia

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Por Mauricio Zágari
Minha esposa trouxe-me uma xícara de café. Abri um largo sorriso; afinal, que marido não gosta de um paparico? Mas, então, pus a xícara na boca e fui invadido por arrepios: o café estava amargo de dar dó. Virei-me para ela e disse:

– Amor, você se esqueceu de pôr o adoçante. 
Ela fez uma cara de irritada e respondeu:
– Claro que não esqueci. Tenho certeza absoluta de que pus o adoçante.
Será que eu estava errado? Experimentei um segundo gole. Eca. Amargo. 
– Amor, tenho certeza de que esqueceu. Está amargo demais. 
Ela franziu a testa e rosnou:
– Já disse que não esqueci. Eu pus um saquinho inteiro. Tenho certeza. Posso ter esquecido de mexer, mas o adoçante está aí. É só mexer, deve estar no fundo da xícara. 
Eu costumo tomar algumas xícaras de café por dia, por isso sei bem o que é um café adoçado e o que não é, mesmo não mexido. Eu estava seguro de que ela tinha se enganado, mas resolvi dar-lhe o benefício da dúvida. 
– Tenho certeza de que não tem adoçante, mas, já que você diz, vou lá mexer. 
Levantei da cama e fui até a cozinha. De fato, havia um saquinho de adoçante aberto em cima da pia. Estaria eu errado? Mexi o café e tomei outro gole. Eca. Amargo. Voltei para o quarto. 
– Amor, já mexi e continua amargo. Você com toda certeza não pôs o adoçante. 
Aí ela se enfezou. 
– Olha só, Maurício, eu tenho certeza de que pus o adoçante. Cer-te-za! Se estou falando é porque pus! Que coisa! 
– Mas eu mexi e continua amarguíssimo! Estou dizendo, acredite em mim, não está com adoçante! Faz o seguinte: já que você não acredita em mim, prove você mesma. 
E estendi a xícara para ela. Que fez uma cara de birra e respondeu:
– Não vou provar nada. Se eu tenho certeza, pra que provar?
Estava estabelecida uma daquelas típicas discussões ridículas de marido e mulher, sabe como é? Foi quando tive uma epifania. Voltei para a cozinha e olhei dentro do saco de adoçante que estava em cima da pia. E, lá dentro, estava todo o conteúdo dele. Sucralose branca, reluzente e gloriosa. Sim, minha esposa tinha aberto o saquinho mas, distraída, se esqueceu de derramar o pozinho na xícara. O que antes era óbvio para minhas papilas gustativas agora era óbvio para os olhos. E para a razão. 

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Depois que esse episódio até mesmo engraçado passou, fiquei pensando na teimosia da minha esposa. Eu tinha provado o café e afirmado que ele estava sem adoçante. Não seria óbvio acreditar no que eu estava falando? Para que eu inventaria aquilo? Eu amo café e, se estivesse bom, eu tomaria com prazer. Tudo deixava claro que eu tinha razão. Mas ela cismou que eu estava errado, e isso porque ela “achava” que tinha posto a sucralose na xícara. Porém, ela em momento algum disse que “achava”, sempre afirmou que “tinha certeza”. E estava errada. Temos de tomar cuidado com nossas “certezas”.
Você pode pensar que minha esposa é muito cabeça dura, que não custava nada ter acreditado em mim ou, na dúvida, pelo menos provado meu café para eliminar a cisma. Que mulherzinha teimosa, não é? Bem… permita-me defendê-la. Porque o que ela fez comigo todos nós fazemos com Deus. 
Deus sabe o que diz. Ele “provou o café” da eternidade e pôs nas páginas da Escritura todas as informações necessárias, para o nosso conhecimento. Mas eu e você, seres humanos teimosos e cabeças-duras, cismamos em questionar o que ele afirma, mesmo sabendo que o Senhor tem todo conhecimento de causa. 
Deus nos manda não levantar falso testemunho, mas nós, volta e meia, estamos soltando uma mentirinha. Deus deixa claro que os arrogantes não têm parte com ele, mas vemos as igrejas repletas de gente altiva. Deus manda não devolver mal com mal, mas qual de nós não aprecia uma vingançazinha, não é mesmo? Deus diz no décimo mandamento que não devemos cobiçar nada do nosso próximo, mas a inveja é nossa companheira constante. Deus manda amar o inimigo, mas o que mais vemos são cristãos detonando quem pisa no seu calo. Deus diz que não devemos andar ansiosos por coisa alguma, mas a ansiedade não sai de nosso lado. Deus nos manda negar a nós mesmos e preferir os outros em honra, mas vivemos pondo o nosso ego e nossos interesses no pináculo do templo. Deus quer que sejamos amáveis, mansos e pacificadores, mas adoramos uma discussão sobre política ou religião que seja irada, agressiva e com palavras duras ou sarcásticas nas redes sociais. Deus fala, mas nós, teimosos, cismamos em nossas falsas “certezas”. Não seria melhor, mais sensato e mais óbvio confiar no que ele diz?
Deus conhece o gosto amargo do pecado, mas cismamos em desobedecer-lhe. Batemos pé que o amargo é doce. Afinal, tudo bem que Deus diz tal e tal coisa, mas… Repare bem nesse “mas…”. Ele é o grande problema. Nossas objeções à verdade bíblica são as maiores causas de enfiarmos os pés pelas mãos. A cisma em priorizar a nossa certeza acima da certeza de Deus é o que nos faz viver quebrando a cara. Afinal, te-mos-cer-te-za-de-que-a-do-ça-mos-o-ca-fé! Só que o café está amargo! Cabeças-duras que somos. 
Meu irmão, minha irmã, creia: Deus sabe o que diz. Não duvide das verdades bíblicas. Não procure tergiversar e dar explicações alternativas para o que é claro. Não tente afirmar que o amargo é doce ou que a doce é amargo. Se viver com coerência e confiança inabalável nas palavras do Senhor, você experimentará uma fé sólida, autêntica, fiel e verdadeiramente bíblica. 
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Do blog do autor, Apenas
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