Leonardo Gonçalves: a pausa, a fama e a canção

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Por Antognoni Misael
Eu só ia escrever isso:
 “ O mundo gospel é a venda do sacrifício no templo corrompido. Os cambistas são os artistas. Os “adoradores” são os financiadores. Os “Jesus’ses” são… aqueles “desafinados” que não curtem a harmonia herética e por isso fazem cacofonia com Verbos e chicotes.
Será se ele assistiu atônico aquela cena repaginada para os dias de hoje? (devaneei sobre a notícia “Leonardo parou”).
(…) ‘o mestre derribava as mesas, a cadeiras iam ao chão, os pombos voavam livres e as pancadas do azorrague davam um novo compasso a canção….’ [sobre Mt 21.12]
Leonardo parou”.

Feito isto, para não ser demasiadamente justo ou exageradamente injusto, o texto segue:
Eu sempre achei o Leonardo Gonçalves um artista de nível elevado, muito embora sabendo muito pouco sobre a sua fé. Conheci seu trabalho através de João Alexandre, outro grande mestre da música cristã.

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Há alguns anos, acompanhando a sua ascensão em fama, contemplava a grandeza de suas canções à sombra da desconfiança ao vê-lo na estante do mercado da fé. Isto porque a diferença de uma celebridade contemporânea e um famoso de décadas atrás é que a fama costumava ser resultado da genialidade. Daí, falando-se no aspecto arte, encontrar um erudito no meio de “manequins do gospel” abria para mim uma possibilidade de aceitar que o mercado evangélico estandardizava, em menor escala, bom conteúdo.
Leonardo era minoria. Isto porque artistas do gospel são fabricados, geralmente em série… e a arte deles também. Não dava para eles criarem vários “Leonardos”.
Em entrevista a Veja, o cantor admitiu ter sido a fama o principal fator para que ele desse um tempo em sua carreira.
“A cultura do selfie é algo que me incomoda profundamente, por razões diversas. (…) Sei que a gente vive no mundo da imagem. Mas me incomoda o fato de que hoje em dia a gente vê musica, não ouve.” [disse Leonardo a Veja]
Como relatei acima, a fama no passado estava ligada, mesmo que frouxamente, a habilidade, conquista ou trabalho. Contudo, ao que parece, o Leonardo se viu engolido por uma cultura pop onde sua arte, consciência e devoção pouco passaram a importar diante de uma self, um programa de tv, ou mesmo de uma turnê hiper-rentável –  “será se eles entendem o que eu canto?”, quem sabe seja um dos maiores conflitos para quem entra no Mainstream, mas ao mesmo tempo não quer deixar sua visão missionária diante da arte.
Ter a sua própria imagem maior do que a mensagem que se propaga com sua arte é uma das muitas incompatibilidade que o mundo pop gospel gera perante um público que, em sua imensa maioria, assiste mais a Globo do que lê a Bíblia.
Mas quem entra na “chuva do gospel” é impossível não se molhar de tentação.
A primeira tentação ocorre na própria arte (leia-se na corrupção da alma). Artistas verdadeiros não abrem mão da validade de sua arte em troca fórmulas e modismos que diminuem suas intenções… quanto mais se falando de artistas cristãos (os quais tudo fazem por devoção a Deus por saberem que tudo vem dEle e volta para Ele).
Canções para Deus não são mercadorias medidas por técnicas de semiótica  em detrimento do sucesso aliado ao bem estar do homem (“Remove a minha pedra…”; “Você é precioso, mais raro que ouro”…; “Hoje o meu milagre vai chegar…”). Sendo bem arcaico no bom sentido, Eusébio, já no século III nos ensinava sobre como a música para Deus deveria ser:
“Nós cantamos o louvor de Deus com saltério vivo (…) Nossa cítara é a totalidade do corpo, cujo movimento e ação a alma canta hinos adequados a Deus”[1].
Hinos adequados a Deus. Isto é, a primeira motivação de um cantor cristão é fazer uma arte que se adeque, primeiramente, ao consenso de Deus e não ao gosto do mercado, às suas licenças poéticas ou o seu plano pessoal de fama.
Mas, voltando ao gospel… este sim, trata a música como uma mercadoria que mais amplifica o kit pop (shows, grifes e mídia televisiva) do que se compromete com a adoração e doutrinação do público consumidor (os evangélicos).
A segunda tentação decorre da imagem que o artista passa a ter de si mesmo. É interessante o que o Steve Turner fala a respeito do estrelismo:
“O estrelismo tende a inflar o ego das pessoas, mas o público também quer celebridades com egos inflados, pois as torna interessantes. Humildade e autocontrole não fazem boas histórias, mas arrogância e imprudência, sim. As pessoas querem que suas estrelas sejam maiores que a vida. Querem que elas façam coisas que sempre sonharam, mas que não têm coragem, dinheiro e oportunidade para fazer.” [1]
Uma das características da fama contemporânea é que não importa o que leva você até ela, o importante é chegar lá (e essa mesma dinâmica tem atraído os candidatos a entrarem no mundo gospel). Observe as lágrimas de muitos candidatos em show de talentos, eles choram por que veem sua salvação se esvaindo. Acreditam que só serão valorizados se forem famosos e, portanto, quando a fama se vai eles se sentem destruídos.
No Gospel é assim! A imagem é o carro chefe! O homem é o centro! O Hit é o que fatura, e adoração é só a consequência, por tabela.
Voltando. Eu ia terminar o texto apresentado no início assim:
“Eu acredito que Deus não criou nenhum ser humano para ser famoso, para parecer mais importante que o outro. Somos todos iguais.” [Leonardo Gonçalves]”
Findo sem saber, de fato, o que representará na verdade “Leonardo parou”. Vamos esperar?
***
[1] Adoração na Igreja Primitiva [Ralph Martin]
[2] Engolidos pela Cultura Pop [Steve Turner].
Misael é escritor e colaborador do Púlpito Cristão
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1 COMENTÁRIO

  1. Ótima reflexão!
    As pessoas "adoradoras" esqueceram-se de que o foco de toda a sua vida é o próprio Senhor, e principalmente na música vejo que Deus deixa ser entronizado, Ele é substituído pelo homem fazedor de "hit".
    Prefiro canções que falem ao coração, que nos conduzam a uma comunicação íntima com o Dono de Tudo, e isso não é ser retrógrado, isso é não aceitar na nossa adoração a profanação do louvor.

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