Sobre os bons, os maus, e o paradoxo da Nova Criação de Deus

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Por Léo Gonçalves 

Eu até entendo o conceito atual de bondade e maldade propagado e defendido por alguns crentes evangélicos, mas tenho que dizer que essa conceituação é humana e difere muito do modo como a bíblia nos trata. Deus trata conosco em sua Palavra em termos de pecado e redenção, excluindo de modo apriorístico toda a bondade humana no que tange à sua salvação. Ora, se alguém fosse bom no sentido absoluto da Palavra, esse alguém sequer precisaria vir a Cristo. Para quê tenho que receber o perdão dos pecados, se eu sou bom? Os bons não estão por aí em busca de perdão. Aliás, é por isso que existem muitos “bons” pais de família, “bons” cidadãos, tudo “gente boa”, mas que não querem compromisso com Cristo. Segundo eles dizem, o evangelho é para os bêbados, as prostitutas e os drogados, e é por isso que o inferno estará cheio de “gente boa” (pode ter certeza).

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Acerca dos “maus”, essa é a classificação geral da humanidade. Todos pecaram, não há um justo sequer, todos igualmente quebrantaram as leis de Deus e se tornaram inuteis. O próprio Deus encerrou a todos debaixo do pecado para com todos usar de misericórdia. Paulo reconhecia ser no passado “o maior dos pecadores”, e depois da conversão “o menor de todos os santos”. Ele sabia que Deus, por meio da regeneração, não lhe deu auréolas para a cabeça, e que dentro dele ainda havia uma dualidade. Mesmo Paulo, o apóstolo, desagradava constantemente a Deus e “não fazia o bem que ele queria, mas o mal que ele não queria fazer, esse ele fazia”. Tal era a consciência de sua maldade intrínseca que ele exclamou: “Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo dessa morte?”. Que grande ironia: o maior plantador de igrejas da história do cristianismo e o maior teólogo crente que já existiu foi um homem miserável.

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Temos um verdadeiro tesouro dentro de nós, mas o transportamos em “vasos de barro”. Os maiores homens de Deus não são aqueles que louvam suas virtudes, mas sim aqueles que reconhecem suas fraquezas. “Ai de mim que vou perecendo, pois sou um homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de lábios imundos, e meus olhos viram o Senhor!”. Reconhecer os próprios defeitos é uma virtude aos olhos de Deus, é algo que ele admira.

Quanto à bondade humana, ela é nulidade. Jesus disse ao jovem rico: “porque me chamas bom? Só há um realmente bom”, e podem ter certeza que esse “um” não sou eu. Eu, Leonardo, sou pecador ainda, e o que me diferencia dos demais é apenas o fato de que fui redimido. Claro que não pratico os “grandes” pecados da idolatria, adultério, fornicação, roubo, etc. Mas será que aos olhos de Deus existe esse negócio de pecado maior e pecado menor? Essa divisão entre pecadinhos e pecadões é uma doutrina católica, que propõe uma classificação entre os pecados “veniais” e “mortais”. A bíblia fala de pecado, e só.

Aos olhos de Deus somos todos pecadores, e a única razão pela qual Deus nos chama bons é porque a bondade de Cristo nos foi imputada. Nossas “boas” obras são como trapos imundos diante de Deus. É em Cristo que está toda a nossa bondade e justiça.

Faz dois meses que eu preguei um sermão sobre ministério, e concluí dizendo que a única razão pela qual Deus me escolheu foi o fato de ele não ter encontrado ninguém mais ignorante, mais perverso e mais pecador. Não havia ninguém menos eloquente e com menos chance de se tornar seu representante, então Deus me escolheu. Eu sou a eleição da loucura de Deus! Sou a loucura que anula a sabedoria, a fraqueza que vence a força, sou a voz da vileza e do desprezo. Eu sou aquele que não é, e confundo os que já chegaram a ser. Sou a sarça insignificante que queima com o fogo de Deus. Sou a rocha da qual Deus fez brotar água, contrariando todas as leis da ciência e da vida. Eu sou a pedra que feriu o gigante, e a queixada que derrotou os aqueles mil soldados. Eu sou aqueles cinco pães que alimentaram a grande multidão. Sou o barro sem forma, que é trabalhado nas mãos do Oleiro. Sou o nada que tudo confunde. Eu sou o grande paradoxo da Nova Criação de Deus!

Obrigado Senhor, pela minha insuficiência, minha fraqueza e ignorância, que não me deixam esquecer nem por um segundo que toda honra e toda glória pertencem a ti.

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Editor e escritor do Púlpito cristão

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