Que Deus nos ajude a não jogar a toalha

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Por Antognoni Misael
Tenho vivido dias de tempestades. Já são 17 anos de evangelho e o sofrimento parece só ter aumentado. Isto porque me ensinaram precocemente a tal de uma “arte de pensar”. Aí comecei a me achar um “pensador”, principalmente depois que me disseram que tinha recebido a mente de Cristo. 
Então o que antes era um exercício para auto-edificação, aos poucos foi se tornando o meu próprio fardo –  isto porque limpei as sujeiras de minhas lentes pelas quais via as coisas, mas infelizmente não pude fazer o mesmo com muitos que me rodeiam.


Concordo piamente com o que disseram certa vez: “o mais corajoso dos atos ainda é pensar com

a própria cabeça” (Coco Chanel).

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Ando pecando muito. Confesso. Por isso estou invejando aquele simples cristão que mora no campo; que passa o dia abraçado com a criação de Deus lidando diretamente com a natureza e as mais variadas formas de plantas, pássaros, riachos, rios, vento, sombra… Quanta simplicidade!
Invejo o cristão humilde daquela igrejinha simples, que a noite se reúne com os irmãos num templo pobre, sem som, iluminação, sem amplificadores, sem instrumentos eletrificados, sem projetores – apenas a Bíblia, a voz, a viola do campo envelhecida e a maravilhosa presença de Jesus.
Invejo o cristão que não sabe nada sobre o academicismo teológico, o qual tem reproduzido gente que diante de tanto conhecimento acaba se desnaturalizando  e perdendo a beleza do ser e existir.
Invejo os que nunca ouviram falar em shows gospel e nunca souberam das falcatruas dos seus astros que, por amor ao dinheiro, têm adorado a falsos deuses, dentre eles, mamom.
Invejo o cristão que nunca acessou uma internet e nunca teve noção do estado da igreja brasileira. Que ele nunca assista a esses vídeo onde cristãos mais parecem insanos, loucos e des-racionalizados. (Sim a loucura do Evangelho, mas nunca a loucura dos evangélicos).
Invejo o cristão que nem sonha que existem milhares de pseudo-líderes escondendo a cruz de Cristo e faturando grana em detrimento de um falso evangelho.
Os invejo porque sei que estão regozijados e satisfeitos plenamente em Cristo e poupados das tantas loucuras deste mundo.
Estamos diante de um conflito sistemático que nos inquieta. Tudo está em cheque: nossa fé, missão e relevância. E ao notar que as engrenagens do sistema o qual estamos inseridos está enferrujada, não nos cabe mais a fuga, mas sim o doloroso enfrentamento por amor a Deus e a sua Igreja. Daí notamos que “pensar” tem nos gerado sofrimento porque automaticamente esta ação faz com que não nos conformemos com a loucura corrupta deste mundo, e isso ao mesmo tempo nos torna perseguidos por uma outra “fé”, outra “missão” e outra “relevância”.
Outra fé. A fé do evangelho conveniente. A fé do mistério, da prosperidade, da cura, do decreto, da barganha.
Outra missão. A missão de ser feliz a todo custo. A missão de ser destaque neste mundo, ser cabeça, ser filho do Rei e ter direito ao melhor desta terra.
Outra relevância. A relevância de ser um povo separado, longe e distante do pecador.
Sendo perseguido por estas “outras” citadas e denunciado-as como incoerentes com os valores do reino, automaticamente tornamo-nos os perseguidores. E neste prisma, alguns embates surgem como proposta para nosso recuo:
1) Somos acusados de dividir o reino
2) Somos acusados de tocar nos “ungidos do Senhor”
3) Somos acusados de rebeldes e intolerantes
4) Corremos o grande risco de que alguns crentes se afastem de nós
5) Corremos o grande risco de nos tornarmos uma espécie de intruso na igreja
Contudo, ‘pensar’ ainda tem sido uma arma para igreja nestes tempos – por isso é de se estranhar uma igreja que diz ter a mente de Cristo, mas ao mesmo tempo odeia usá-la.
Pensar. Não é proibido pensar. Aliás, “É proibido proibir” de pensar.
Mas vamos logo sabendo que quem pensa muito, descansa menos. Entretanto, o nosso chamado é para não nos conformarmos, mas nos transformarmos pela renovação da mente. Isto é, penso, logo sigo a Jesus, em Rm 12.2.
Termino pedindo misericórdia e Graça a Deus, pois as “invejas” citadas acima, e que tanto sinto, na verdade podem ser uma evidência de que estou cansando. E cansar pode gerar em mim (ou em nós) a covardia de viver um “Let It Be” religioso, como se ter a mente de Cristo não fosse algo honroso, uma vez que nos faz sofrer, ser mal interpretado, injustiçado e perseguido.
Que Deus me (e nos) ajude a não jogar a toalha!
Soli Deo Gloria
***
Do blog do autor, Arte de chocar
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4 COMENTÁRIOS

  1. Cheguei nesse mesmo estágio e a saída para me salvar foi ir para uma igreja que mantém um centro de recuperação para viciados em álcool e drogas, um projeto que atende 70 crianças numa comunidade carente todos os sábados e um restaurante que alimenta física e espiritualmente 100 moradores de rua,pobres e desempregados… Fui curada e recuperei a alegria de servir e congregar porque mudei meu foco, parei de olhar para os problemas e me propus ser parte da solução… Hoje em Cabo Frio estamos agora para abrir uma casa lar… Não há tempo mais à perder

  2. Cara, enquanto vocês seminaristas continuarem com este fanatismo de "resolverem o problema da igreja brasileira" ao invés de simplesmente pregarem o evangelho e manterem uma vida íntegra, garanto que a única coisa que vocês vão conseguir fazer é se afastar do criador

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