Agostinho e o problema do mal – O Maniqueísmo

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Por Matheus Negri
Se no ensaio passado eu comecei instigando o leitor sobre perguntas complexas sobre o problema do mal e apresentei de forma breve a resposta de Agostinho. Neste ensaio apresento também de forma breve os primeiros anos de sua vida e a sua passagem pelo maniqueísmo e como isto lhe influenciou para a formação de sua resposta ao mal.

Aurelius Augustinus nasceu em Tagaste, uma província romana no norte da África, no dia treze de novembro do ano de trezentos e cinquenta e quatro da era cristã. Filho de mãe cristã, Mônica, que desde cedo o ensinou o caminho da fé cristã e faleceu no ano de quatrocentos e trinta em Hipona como Bispo. Não foi um bom aluno, nem gostava dos estudos, no que o próprio apresenta em suas Confissões tinha as aulas como um peso (AGOSTINHO, 2004, p. 50,51):
“Neste período da infância, cujo perigo temiam menos para mim do que o da adolescência, não gostava do estudo, e tinha horror de ser a ele obrigado. Por meio da coação faziam-me um bem – embora eu procedesse mal –,pois não aprenderia se não fosse constrangido. […] Com relação a mim, que não queria aprender, utilizáveis da minha falta para me dardes o castigo com que eu, tão pequenino e já tão grande pecador, merecia ser punido”.
Iniciou seus estudos em Tagaste e com esforço de seu pai e a ajuda de seu amigo Romaniano, continuou-os em Cartago, onde completou o ensino superior numa educação liberal.
Sua vida pode ser dividida em duas fazes, antes e depois de sua conversão ao cristianismo. Antes da conversão trabalhou como professor, lecionando em Tagaste, Cartago, Roma e Milão. Após sua conversão, dedica sua vida monástica em Tagaste, depois torna-se presbítero e na sequencia bispo em Hipona, onde falece.
Sobre sua vida Agostinho deixa uma importante obra intitulada, Confissões, na qual em forma de uma confissão a Deus, interpreta toda a sua história de vida, começando na infância até a vida adulta. Este importante relato inaugura o estilo literário da autobiografia, e nela Agostinho não só conta a sua vida como também apresenta a evolução de seu pensamento filosófico-teológico.
O problema do mal está presente em grande parte das obras citadas e em sua obra, O Livre Arbítrio, afirma que desde muito jovem se preocupava com tal questão (Cf. AGOSTINHO, 2011, p. 28). Suas reflexões sobre o tema estavam muito ligadas com a sua própria experiência de vida, o que fica muito claro quando o próprio Agostinho (2004, p. 68) reflete sobre o caso do roubo de peras no qual esteve envolvido e infere que não roubou pela necessidade de comer as peras, mas simplesmente pelo prazer de roubar e cometer o pecado. Porque, diz o próprio Agostinho:
“O furto é punido pela vossa lei, ó Senhor, lei que, indelevelmente gravada nos corações dos homens, nem sequer a mesmo iniquidade poderá apagar. Ora, que ladrão haverá que suporte outro ladrão, se até o rico não perdoa o indigente que foi compelido ao roubo pela miséria? E eu quis roubar; roubei, não instigado pela necessidade, mas somente pela penúria, pelo fastio da justiça e pelo excesso de maldade. Tanto é assim que furtei o que tinha em abundância e em muito melhores condições. Não pretendia desfrutar do furto, mas do roubo em si e do pecado”.
Via assim que o pecado estava ligado às paixões, à vontade humana de praticar tal ato e se satisfazer e alegrar com o que fez, uma busca por prazer nas coisas sensíveis, no desejo de alcançar certas coisas ou no medo de perdê-las. Este seria o norteamento da vida dos homens: a busca pelo prazer e a fuga da dor.
Seu pensamento mais agudo sobre o problema do mal e a relação com a sua própria vida se dá já na juventude, aos dezenove anos de idade, quando se depara com uma obra de Cícero, Hortensius, da qual se conhece poucos fragmentos. A obra apresenta uma exortação ao estudo da filosofia. Segundo Agostinho (Ibid., p. 83) “não era o estilo, mas sim o assunto tratado que me persuadia a lê-lo”, desta persuasão nasceu em si o amor pelo estudo e pela busca da sabedoria.
Mesmo que Agostinho nesta época não seguisse fielmente a fé cristã, ela estava em seu coração e carregava a necessidade por Cristo. Então começa sua leitura das Sagradas Escrituras e neste momento da vida não encontra apreço por tal, achando-o simples demais comparado a Cícero, já que buscava resposta para suas questões de reflexão filosófica. Seus sentimentos quanto a Bíblia em palavras: “O que senti, quando tomei nas mãos aquele livro, não foi o que acabo de dizer, senão o que me pareceu indigno compara-lo à elegância ciceroniana. A sua simplicidade repugnava o meu orgulho e a luz da minha inteligência não lhe penetrava no intimo” (Ibid., p. 84). Então na sua busca pela resposta ao problema do mal Agostinho procura em Cícero e nas Sagradas Escrituras a resposta, porém neste tempo a Bíblia não lhe foi satisfatória para responder a tal questionamento. Eis a razão pela qual ele adere à seita dos maniqueus.
A entrada de Agostinho no maniqueísmo é de suma importância para sua filosofia-teologia e principalmente para sua construção da resposta ao problema do mal. Em busca por respostas encontra nas doutrinas de Mani, inicialmente uma resposta ao mal, e permaneceu neste grupo por nove anos.
Segundo G. R. Evans (Cf. 1995, p. 29), em seu livro intitulado, Agostinho Sobre o Mal, a seita maniqueísta foi fundada no século III pelo profeta Mani, que dissera receber revelações diretas sobre a natureza de Deus e do universo. Mani, nome atribuído a si mesmo que significa espírito luminoso, o fundador da seita, filho de persas que nasceu na Babilônia no ano de 216, faleceu condenado à morte depois de anos como peregrino e pregador em 272. Ele se autoproclamou mensageiro da verdade de Deus (Cf. SILVEIRA In: AGOSTINHO, 2005, p. xix). Suas ideias tiveram amplo aceitamento no império romano, vindo de encontro com outras seitas gnósticas, que, segundo apresenta, chegaram ao norte da África no ano de 297 e atraíram muitos adeptos e no século VIII até a China.
Evans (Cf. 1995, p. 29, 30) afirma também que em uma carta intitulada, Sobre o Proveito de Crer, escrita por Agostinho no ano de 391, o santo coloca os motivos de sua entrada para a seita. Esses motivos eram o caráter obscurantista da seita que lhe afirmavam não ser ele, Agostinho, um tipo comum de pessoa, oferecer também um caminho para Deus a partir da razão, sem precisar estar abaixo de nenhuma autoridade e ainda que as almas não fossem somente espirituais, mas também divinas. Todas as questões de um espírito juvenil, arrogante e impaciente que não deseja estar subordinado a nada e a ninguém.
O maniqueísmo apresenta o bem e o mal como uma questão chave para a compreensão do universo, ao invés de evitar tal problema. Da matéria fizeram algo cósmico, colocando nela o problema do mal. Assim, Agostinho via nessa questão que o perturbava, a luta da alma com o corpo, como sendo também a luta entre o bem e o mal no universo (Ibid., p. 31). Como afirma Agostinho (2004, p. 174):
“Todavia, não tinha uma ideia nítida da causa do mal. Porém, qualquer que ela fosse, tinha assente para mim que de tal modo a havia de buscar, que por ela não fosse constrangido a crer, como mutável, um Deus imutável, pois, de outra maneira, cairia no mal cuja causa procurava. Por isso, buscava-a com segurança, certo de que não era verdadeira a doutrina que estes homens pregavam. Fugia deles com a alma, por que, quando eu indagava a origem do mal, via-os repletos de malícia que os levava a crerem antes sujeita ao mal a vossa substância do que a deles ser suscetível de o cometer”.
Muito do que se sabe da doutrina maniqueísta está presente nos escritos de Agostinho, que na forma de um grande apologista refuta e combate tamanhas heresias. De seus livros para este trabalho foi escolhido A Natureza do Bem, que por ele foi escrito por volta do ano 399/400 da era cristã, com o objetivo de refutar a ontologia do mal proposto pelos maniqueus (Cf. Ibid., p. xix). Sua refutação se dá na base de uma exclusão externa, visto que participou do grupo e agora luta contra ele.
A doutrina de Mani que Agostinho apresenta em seu livro consiste da existência de duas naturezas, uma boa chamada Deus e outra má chamada de matéria ou Satanás, que Deus não criou. Estas duas naturezas, coeternas, estariam presentes em todas as coisas criadas, o que fazia com que os maniqueus caíssem em grande erro por atribuírem alguns bens para a natureza má e alguns males para a natureza boa, fazendo assim uma grande confusão sobre as coisas criadas. Nas palavras do próprio Agostinho (Ibid., p. 53):
“No que chamam de natureza do sumo mal eles menos supõe, concomitantemente, muitos bens, a saber: a vida, o poder, a saúde, a memória, a inteligência, a temperança, a força, a riqueza, o sentimento, a luz, a suavidade, a medida, o número, a paz, o modo, a espécie, a ordem; e, ao contrário do que chamam o sumo bem supõe numerosos males: a morte, a doença, o esquecimento, a loucura, a perturbação, a impotência, a pobreza, a insipiência, a cegueira, a dor, a iniquidade, a desonra, a guerra, a destemperança, a deformidade, a perversidade”.
Nesta sua obra Agostinho (Cf. Ibid, p. 59, 67) diz que os maniqueus possuíam alguns escritos que continham a sua doutrina, uma carta chamada de Fundamento e um compêndio de livros chamado Tesouro, que pelos menos continha sete livros.
Na carta, Fundamento, afirma que algumas almas eram da mesma substância que a de Deus, e que estas não havia pecado livremente e que tinham sido subjugadas pela natureza má, como aconteceu na criação de Adão, onde ele foi criado pelo príncipe das trevas para reter a luz, luz referente à alma humana, que é da mesma substância de Deus. Segue parte do fragmento citado pelo bispo de Hipona (Ibid., p. 73-75):
– “Que achais desta altíssima luz que nasce? Vede como ela move o polo e abala uma multidão de potestades. Por isso é conveniente que eu comece pedindo-vos a parte da luz que conservais em vosso poder, a fim de que com ela reproduzir a imagem desse Grande que surge com toda a sua glória – com ela poderemos reinar e libertar-nos da morada das trevas. […] Ele estimulou-os a copular entre si; nesse coito, estes lançaram a semente, e aquelas foram fecundadas. Os rebentos assemelhavam-se aos progenitores, e recebiam, como primícias, a maior parte dos dotes dos pais. […] Procedeu como príncipe formador da natureza corpórea, o qual vemos utilizar as forças daquela natureza má para com elas moldar mais e mais. […] Tomou para si, por ato conjugal, uma esposa de sua estirpe, e, copulando com ela, fecundou-a com os abundantes males que devorara; […] Sua companheira tudo acolhia, tal qual uma terra excelente trabalhada costuma receber semente. Nela se construíram e compuseram as imagens de todas as virtudes celestes e terrenas, para que, como claramente se pode ver, aquilo que se formava reproduzisse o universo inteiro”.
Estas duas naturezas estariam em um confronto eterno, onde a natureza má causaria dano à natureza boa e a natureza má sofreria dano pela natureza boa. Sobre esta batalha entre as naturezas e o temor de que a natureza boa passava em poder perder a batalha, Agostinho (Ibid., p. 59) apresenta a fragilidade deste conceito de Deus e cita o texto do Fundamento onde se encontra as seguintes reflexões:
“O Pai da luz bem-aventurada, prevendo a imensa ruína que havia de surgir do seio das trevas para ameaçar seu santo império, compreendeu que tinha que opor-lhes um poder divino imponente, que fosse capaz de superar e destruir a estirpe das trevas, para que, extinta essa estirpe, aos habitantes da luz pudessem gozar de um repouso eterno”.
Assim o que dá a parecer o reino da luz é suscetível ao fracasso ante o reino das trevas, não sendo de mesmo poder, mas sendo mais fraco, pois como já foi observado possuíam o medo de perder para o reino das trevas.
Segundo Agostinho (Ibid., p. 61), referindo-se aos maniqueus, os habitantes da luz, as almas que são da mesma natureza de Deus, amaram as coisas das trevas e por isso estão presas ao mesmo lugar onde se encontram a coisas das trevas. Como cita “aderirão àquelas coisas que amaram, abandonadas na mesma esfera das trevas de que elas tornaram-se merecedoras por merecimento próprio”. E por isso “padeceram a separação de sua primitiva e luminosa natureza”. Aqui o bispo de Hipona mostra a incongruência do pensamento maniqueísta, pois segundo eles o pecado é parte da natureza, é coisa criada, e não deveria apresentar nenhum castigo pela escolha da livre vontade como aparece no escrito de Mani.
No compêndio intitulado, Tesouro, Mani afirmava que o mal era uma substância, e que, estava presente na natureza criada, como também a natureza divina estava presente em todas as coisas, como já foi apresentado, e para se libertar desta natureza pecaminosa as faculdades da luz tornavam-se homens e mulheres para se o por a raça das trevas onde pelo ato sexual suas naturezas eram libertas do mal, e não só pelo ato sexual, mas também pelo comer e beber libertavam a natureza divina deste mal que a aprisiona. Segue parte do fragmento citado por Agostinho (Ibid., p. 69):
“Essas santas virtudes logo revelam a sua figura de virgens formosas. Por outro lado, quando se apresentam diante das fêmeas, abandonam a espécie de virgens e mostram-se como rapazes nus. Ante tal visão de beleza, crescem-lhes o ardor e a concupiscência, dissolvendo-se assim o vinculo de seus detestáveis pensamentos, e a alma viva, que estava dominada pelos membros, escapa, apenas se dá a ocasião, e mescla-se com o ar puríssimo. Aí se purifica e ascende a te as luminosas barcas, preparadas para seu transporte e travessia até a pátria”.

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Resumidamente, e de acordo com o que foi apresentado, se pode dizer que a doutrina maniqueísta consiste na existência de dois reinos opostos, luz e trevas. No reino da luz Deus é o senhor e no das trevas, Satanás, o senhor do mundo material. E dado momento este senhor das trevas Satanás decidiu invadir o reino das luzes e o subjulgou de tal forma que aprisionou as luzes na matéria misturando as duas. Disso a criação dos seres humanos, um modo de espalhar a luz presa na matéria.
Assim, a doutrina maniqueísta responde à questão da origem do bem e do mal isentando o ser humano de toda a responsabilidade, e atribuindo a existência desses dois princípios contrários, bem e mal, que estão em constante luta e são coeternos. São duas naturezas, a boa e a má, da luz e das trevas elas estão em constante luta e a causa desta luta se dá pela inveja que reino das trevas tem do reino da luz.
Então, como foi apresentado pelo filósofo africano, no maniqueísmo o homem não é responsável pelo mal. Pois o mesmo faz parte da sua natureza, isto é, é a natureza má presente na criação. Como já afirmei Agostinho passa somente nove anos nesta seita e sua saída se dá por não saciar-se totalmente com as respostas dos maniqueus, vejamos agora como isto aconteceu.
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3 COMENTÁRIOS

  1. Emblemático a Epístola de Santo Agostinho: O Livre Arbítrio e a Origem do Mal" que resolve a questão maniqueísta com seu contendor Evódio, no Cap. ver. 1 a 10:
    Evódio: Será Deus o autor do mal? Me diga.
    S. Agostinho: A que mal te referes, pois habitualmente, tomamos o termo "mal" em dois sentidos: Um, dizemos quando alguém efetivamente pratica o mal; outro, quando alguém acaba por sofrer um mal, mas que tem como causa ato justo, perfeito e bom." Deus não pratica o mal. Se dizemos que "Ele é Justo em essência, seria blasfêmia listá-lo na autoria do mal. Mas a Justiça de Deus, implica na recompensa aos obediência, e disciplina aos réprobos.

  2. O post coloca bem a refutação aos maniqueus, mas não explica como o Santo Doutor resolve pela Revelação Apostólica, a luta entre o espírito neutro e a carne humana degenerada. Ele esclarece que a Vitória luta contra a Carne nos foi dada pela Encarnação do Verbo e a Onipresença da Natureza Humana de Cristo, presente na Economia dos Sacramentos:“A Natureza Humana de Cristo se faz ONIPRESENTE na fé da Economia dos Sacramentos. Negá-los seria negar os efeitos da própria Encarnação: “Ele vos reconciliou PELA MORTE DE SEU CORPO HUMANO, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai. (Col. 1,22)”
    E ainda Santo Tomás: Lemos que em razão do pecado original, o homem voluntariamente se afastou de Deus. Mas pela Divina Providência, temos em Cristo o Salvador da criatura decaída, implicando que o Espírito do Criador NÃO AGIRÁ diretamente no homem para lhe ministrar a salvação, senão através de Mediação. E esse único Mediador, que é três numa só pessoa, possui duas Naturezas distintas e sagradas, que não se confundem ou anulam, antes se comunicam: Ele é Deus e Homem; Espírito e Matéria. O Espírito é o elemento incriado que sempre existiu; ao passo que a Matéria que Ele toma, transforma e DIVINIZA quando se Encarna é retirada da própria criação, precisamente do elemento adâmico, que o liga aos antigos Patriarcas. Daí constatamos: primeiro — por vontade de Deus, a obra da regeneração da criatura (e que procede do Espírito Divino), não alcança o homem diretamente, senão por Mediação; segundo — o Mediador não é exclusivamente espiritual, mas Espírito e Matéria, porquanto toda regeneração em favor do homem é depositada na Matéria do Cristo Encarnado, e só depois nos é comunicada pelo Corpo Sacrificado (Col. 1, 22); terceiro — Deus se comunica com o homem por completo; e sendo o homem espírito e matéria, essa comunicação ocorre nos dois elementos.
    Disto tiramos que: primeira — convinha o Verbo se fazer Carne, para que todas as coisas invisíveis e sobrenaturais de Deus, de maneira direta e reflexa, pudessem se tornar visíveis e acessíveis ao homem natural; segundo —  sendo o homem atingido por inteiro, no corpo e no espírito pelo pecado, a Graça que o salvará no espírito é também para o corpo; terceira — o homem necessita se comunicar com Deus não só em espírito, mas em matéria; e sendo indivisivelmente criado corpo e espírito, o que lhe atinge na matéria, atingirá logo após no espírito, como disse o apóstolo: “Se HÁ UM CORPO ANIMAL, também há um ESPIRITUAL. (I Cor. 15,44) — “Mas NÃO É O ESPIRITUAL QUE VEM PRIMEIRO, E SIM O ANIMAL; o espiritual vem depois. (I Cor. 15, 46)”

  3. Por isso, o início do processo de remissão do homem na Graça COMEÇA PELA CARNE, para depois alcançar o espírito: “Se HÁ UM CORPO ANIMAL, também há um ESPIRITUAL. (I Cor. 15,44) — “Mas NÃO É O ESPIRITUAL QUE VEM PRIMEIRO, E SIM O ANIMAL; o espiritual vem depois. (I Cor. 15, 46)”
    Ensina Santo Tomás: “A graça de Deus é causa suficiente da salvação humana. MAS DEUS DÁ A GRAÇA AOS HOMENS SEGUNDO O MODO QUE LHES É PECULIAR. Por isso os sacramentos são neces­sários aos homens, para conseguir a Graça. (Suma Teológica, Q 61, art. 1º, de Aquino)”. É nesse sentido que a fé apostólica desde seus primórdios, é, e sempre será eminentemente sacramental e fideísta, e não apenas intelectual. A Encarnação do Verbo nos transmitiu uma verdade autêntica da fé que na matéria esconde o Espírito:
    “VERDADEIRAMENTE um DEUS SE ESCONDE EM TUA CASA, o Deus de Israel, um Deus que salva! (Isaías 45, 15);
    Esses sinais ou sacramentos, onde repousa a Onipresença da Natureza Humana do Cristo, são antídotos que canalizados na matéria natural nos protegem contra todas as mazelas espirituais, nos tornando-se campos férteis para os frutos do Espírito Santo: “tu SELASTE como num saco OS MEUS CRIMES, puseste um SINAL sobre minhas iniquidades. (Jó 14, 17)”
    Esse é o complemento do post que faltava dentro da Teologia Agostiniana, e sua bifurcação tomista.

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