Aquele culto de Rua cuja amplitude do som é o limite do agir de Deus

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Por Antognoni Misael

Sabe aquela noite em que você chega morto de cansado depois de um longo dia todo de trabalho? Daí você toma um banho, janta com a família e fica na dúvida entre assistir um filme ou ler um bom livro na varanda. Pois bem, de repente um som estrondosamente absurdo começa a passar canções horríveis que fazem mais menção ao diabo do que ao próprio Deus. Então algum rapaz com voz de vendedor de confecção inicia mesmo com o tocar das canções estranhas uma espécie de avaliação do som usando o microfone e dizendo: “teste, um, dois, três, aleluia”; “ok, som, um, dois, trêsss, glórias ao Senhor”.


Nem mais filme, nem mais leitura… Na verdade, parece que um trio elétrico invadiu sua casa.

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Então desisto do descanso, do filme, da leitura e começo a ouvir o que se passa naquela rua de cidade de interior, daquelas onde nas noites as calcadas são ao mesmo tempo praça, parque e sala de encontro.
É um culto de rua. E ao que parece, para aqueles, quanto maior for o raio de alcance sonoro, maior é o poder do Deus. Só que não… Mas o som era de rachar até ovo de pardal, acredite.
Começa a sessão de hinos – horríveis e com as mesmas temáticas: batalhas, provações, vitórias, inimigos do dia-dia, “mar se abrindo”, “martelo subindo”, “sobrenatural de Deus”.
Eu não tenho opções. Ou vou ao culto, ou oro pra que tudo ocorra bem. Acabo ficando com a segunda opção.
A palavra é passada para vários obreiros. Cada um ler um versículo e conta uma vitória. Outro diz um testemunho fantasioso. Outro fala em línguas e outro dá profecias pra todo mundo e ao mesmo tempo pra ninguém.
Finalmente chega a hora da pregação da palavra. O pregador percebe que muita gente da rua está incomodada com aquela reunião estrondosamente insuportável, pios os moradores começaram a entrar em suas casas por terem suas atividades frustradas. Mesmo assim ele solta a voz intrépida e diz: “vocês que estão guardando suas cadeiras e entrando em casa, vocês estão fugindo de Deus; Ele veio aqui pra falar com vocês, mas vocês querem ir para inferno. Pois bem, vocês escolheram o inferno, mas eu vim aqui pra dizer o que ele mandou e não to nem aí se vocês não querem ouvir”. De repente o som é aumentado, parte dos fieis começam a orar em voz mais alta e a falarem em línguas estranhas, e o culto perdura em mais de uma hora. 
A essas alturas eu já estava extasiado, perturbado com tantos decibéis nos tímpanos. Esperei o término do culto, fui para a cozinha da casa, liguei no som uma bossa nova bem baixinho pra acalentar a turbulência…um pedaço de queijo, uma taça de vinho e depois fui dormir triste, cansado e decepcionado.
***
P.S.: Esses “causos” são situações relativamente verídicas que ocorreram no meu dia-dia.
Antognoni Misael, colaborador do Púlpito Cristão.
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3 COMENTÁRIOS

  1. Realmente um texto nada edificante e carregado de preconceito, não acredito que em um culto com esse perfil Deus não venha falar com alguém.
    Só pra falar que toma vinho e escuta bossa nova, grande coisa, odeio bossa nova.
    A fé que tens guarda-a contigo mesmo diante de Deus.

  2. era exatamente assim que os "sabidos"faziam quando João Batista pregava, quando Estêvão testemunhava!…continue com seu queijo e seu vinhozinho…Baco vai te ajudar na hora da dificuldade enquanto os irmãozinhos lá fora terão ajuda do Deus Vivo!

  3. Amado irmão.
    Faço parte destes que realizam estes cultos, e acredite vc ou não, DEUS se faz presente.inclusive com muita convicção relato que sinto-me realizado em colaborar com essa zuada abençoada,pois é mais proveitosa que escultar Bossa Novas e tomar vinho,mesmo que seja no aconchego do lar, afinal, a bíblia ainda nos manda pregar o evangelho a tempo e fora de tempo,mas amado irmão, continue contribuindo orando, e peça a DEUS que envie pessoas capacitadas, preparadas e corajosa como Vossa Excelência, para auxiliar esses abnegados crentes na propagação do evangelho.Ademais acho que o senhor poderia da próxima vez dispor-se a ajuda-los, a ganhar almas, pois entre trancos e barrancos esta é a intenção deles.AMEM?

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