Missionários Breaking Bad

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               Breaking Bad é uma série que
estreou em 2008 nos Estados Unidos e no Canadá. Walter White, o personagem
principal, é um professor de química cuja esposa está grávida, e ele já tem um
filho adolescente com paralisia cerebral quando descobre que está com câncer no
pulmão,a partir daí sofre um colapso então junta-se a um ex-aluno e começam a
produzir e vender meta-anfetaminas para assegurar o futuro financeiro de sua
família. O termo “breaking bad” é
uma gíria do Sul que significa que alguém desviou-se do caminho
correto e passou a fazer coisas erradas. Assim acompanhamos a história de um
pacato e patético professor de química do ensino médio, que lentamente vai se
transformando num gênio do crime, bem ao estilo de “O médico e o
Monstro”. Bem, dizem que a arte imita a vida, ou a vida imita a arte…

               
Temos um processo semelhante ao de Breaking Bad ocorrendo na igreja hoje.
Quando olhamos oque aconteceu aos nosso músicos, penso que o processo já foi
concluído e estabelecido. Claro, felizmente nem todos se sujeitam, mas o
processo de apodrecimento que começou com o levita na casa de Mica já atingiu
sua maturação. A igreja miserável criou o músico mercenário. Você pode não
gostar quando ouve falar do cachê de uma certa elite da música gospel. Mas como
você trata o músico em sua igreja? Você sabe quanto custa um jogo de cordas?
Por acaso você financia as aulas de técnica vocal para os ministros da sua
igreja cantarem sem criar calos nas cordas vocais? Ou nem faz ideia de quanto
custa financeiramente estar num backing vocal? Está sempre pronto a dizer, com
desprezo, que o “louvor estava sem unção”, mas nunca visitou a casa
dos irmãos pra saber como está a vida deles ou se eles tem oque comer. Como
você serve aqueles que te servem? É muito bonito falar que o músico serve a
Deus, mas a tecla SAP no seu coração diz a verdade: “não tenho que
colaborar em nada para o sustento deste músico, Deus o chamou pra isso, Deus o
sustenta”.
                Os
músicos servem a Deus, mas servindo a Deus, servem ao pastor, servem a toda
igreja, é assim que tem que ser: uns aos outros. A princípio, é por amor e
empolgação. Mas depois, só por dinheiro mesmo, afinal pra igreja miserável
dinheiro é o que importa. Vou te falar uma coisa, leitor, a igreja miserável
merece. Os pastores legalistas usam Malaquias 3:10 para pregar e vociferar na
frente dos fiéis que estes são ladrões quando não dão o dízimo, mas se você
questiona-los porque Números 18 caiu em desuso, fecha o tempo. Não estão
igualmente debaixo da Lei? Nessa hora,

músico é músico, e,
levita é levita, convenientemente.

                Mas
este artigo não é sobre os músicos, esta é só a preliminar. Na realidade estava
refletindo sobre o futuro dos missionários no Brasil. Temo que, assim como criou
o músico mercenário, a igreja miserável está criando o missionário corporativo.
Como nasce um missionário corporativo? Imagine que um missionário descubra sua
vocação, comece a investir em seu chamado fazendo algumas das melhores escolas
de missões por aí, se capacita para se adequar a Missio Dei, ferve de amor
pelos perdidos, e então…
1 – Sua igreja não desenvolve um
ministério de missões.
2 – O ministério de missões é
coordenado por quem não tem chamado missionário.
3 – O investimento em missões é
irrisório e ele descobre que vai ter que financiar sozinho seu trabalho
ministerial porque financeiramente não pode contar com sua igreja.
4 – O pastor começa a afasta-lo
dos outros membros porque ele é uma ameaça a ordem.
               
                 Estas premissas geram
consequências:
– O missionário sai da igreja
onde está e procura uma outra igreja que se envolva com missões;
– Fica sentado esperando, inútil
e com medo de ser lançado fora como a figueira;
– A burocracia típica de quem não
é  missionário sufoca seu chamado e ele esfria;
– Ele cria seu ministério de
missões independente na sua igreja;
– o missionário desvia do foco e
se “desigreja” porque descobre que o que sua igreja vive não é o
“Evangelho Verdadeiro” (mas ele também não sabe oque é, do contrário
congregaria numa outra igreja);
É
neste último ponto onde começa o “momento Breaking Bad” na vida do missionário. Onde está o amor da igreja
pelos seus? Onde está a igreja cuidadora de Atos 14:20, que zela e ampara seus
missionários onde quer que estejam? Nem sinal dela. Uma igreja hoje quando
recebe missionários geralmente os trata como cães. É o cara excessivamente
livre que vai influenciar pessoas a ir para as ruas, mas deixar as quatro
paredes para anunciar o Evangelho é impensável para muitos. O missionário parece ter um daqueles cartazes de filmes escrito nas costas: “me trate mal” ou “chute-me”. Sim, porque esta é a lógica de
muitas igrejas: “você faz missões não é? Come qualquer coisa, tem que sofrer”. No senso comum, missionário come qualquer
porcaria (veneno, comida vencida), dorme em qualquer pulgueiro, e trabalha como
boi de carga, pra isso ele serve, e serve também como macaquinho de circo para
show na igreja onde conta as mazelas do mundo missionário. A mesma igreja que
sustenta o mercenário como se realeza fosse, trata o missionário da pior forma
possível, sequer uma carona após os tão famosos e inúteis “cultos
missionários”. Ah, sim, os cultos missionários. Me lembro de uma vez que
meu marido e eu passamos a madrugada na rua, pois a “carona” foi só
até a estação do trem, que tinha encerrado suas atividades e ninguém lembrou de
avisar. Pelo menos nos divertimos parodiando Bruno e Marrone:
                “Seu
guarda, eu não sou vagabundo, eu não sou delinquente, sou um missionário
carente, eu dormi na praça
“.
                Cultos
de uma vez por mês com a dupla função de “levantar recursos” para
missões e para “incentivar” pessoas ao ministério de missões. Aí o
missionário vem, conta suas histórias, você chora, geme, ri e dá sua oferta, se
a pregação for boa, e o missionário torce pra ver ao menos uma parte dela. Se o
culto de missões é para despertar o chamado missionário, porque apenas uma vez
ao mês? Se o culto é para Deus, não para missões, então por que exaltar a ação
humana? Uma vez que decide-se segmentar o público e escrever a agenda divina,
ainda deve-se perguntar pra que serve o culto de missões. Igreja que não tem um
ministério de missões atuante pretende exatamente oque com um culto desses?
Cumprir um protocolo? Um culto não substitui o desenvolvimento ministerial, não
substitui o envio e sustento (financeiro, emocional, mental, social e
espiritual) de missionários para o campo. Nessas condições, este culto é apenas  palha.
Ou pior, se a igreja não se envolve em missões, é notório que o culto
missionário é apenas um “cala a boca” aos missionários inutilizados
em sua igreja ou é só pras outras igrejas não pensarem que ela está em
falta. 
               Corporativismo: Quando o missionário percebe que sua igreja
está apenas cumprindo protocolos ou fazendo culto-palha de missões, ele
desenvolve seu ministério sozinho, onde ele manda, ele capta recursos e se
autofinancia. Também acho que em princípio todo missionário deva ser
autossuficiente e que ninguém é obrigado a sustentar ninguém porque no Reino de
Deus nada é feito por imposição e o missionário de verdade é um empreendedor
nato, com capacitação dada por Deus. Mas isto não é desculpa para não financiar
missionários e nunca será. E ainda que um missionário desenvolva seus recursos
, e se torne independente, como fica a sua relação com seus pastores? No campo,
o missionário é bombardeado, tentado, perseguido. Lembro-me das palavras de
Paulo:”Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não
destruídos” (2 Coríntios 4:9). Temos hoje um grande contingente de
missionários desamparados. é um ciclo sem fim que se repete e fica mais forte a cada vez que volta ao início: >> igreja abandona missionário >> missionário independente>> igreja abandona missionário porque é independente>> missionario corporativo>> igreja abandono missionário porque é corporativo>> missionário mercenário…
                Em
Breaking Bad, o professor certinho e responsável enlouquece quando percebe que
o sistema em que está inserido vai, simplesmente, deixá-lo morrer; e no Reino
não é diferente, uma vez que o missionário percebe que mesmo em sua igreja de
500 membros, está sozinho para comprar passagens ou até para pagar um almoço no
dia das missões (o tradicional macarrão com salsicha à moda missionária, quem
nunca?), ele começa a ficar corporativo. Necessita divulgar sua
“marca”, seu blog ministerial, suas camisas, e se torna um vendedor
para suprir as necessidades ministeriais. Justificável? Talvez.
                Hoje
em dia ninguém estranha mais um ministério, que atua numa cracolândia, se
vestir com camisas que tenham sua logomarca no peito. Estão divulgando a marca.
Sério? Para a população da cracolândia, do lixão ou de onde quer que estejam?
Não, queridos, estão divulgando sua marca a quem quer ver serviço, a fim de
conseguir recursos. Aí começamos a ter um missionário que é tão preocupado com
as almas quanto com a publicidade disso nas redes sociais. Mas, mais um degrau
à frente e teremos um cara que não vai fazer missões se a logomarca dele não
estiver em destaque no cartaz virtual. Ou temos o missionário que cobra cachê,
ou os missionários de vigília, gente que nunca saiu em campo, mas tem o título
nas costas e a carteirinha de missionário no bolso, invariavelmente, a única
evidência de algo que se relaciona a missões em sua vida. Tudo isso porque a
igreja local negou apoio. Se a igreja local bastasse, seria necessária a
publicidade? Pra quê? Provar quem é, aos que melhor te conhecem?
                Então
vemos missionários feridos, cheios de dissensões, orgulhos e ressentimentos em
campo. Missionários que acham que a igreja deve girar em torno de seu
ministério e não entendem mais a responsabilidade dos seus pastores para com
outros irmãos. Quem foi ignorado vai aprender a se importar com os outros? Como
eles poderiam ter uma noção de corpo se foram excluídos desde o início? O
missionário hoje, como Walter White, está chutando o balde; é o “filho
pródigo”, que numa atitude arrogante acha que pode viver sozinho, mas come
comida de porco. Resta saber se quando voltar para a casa do Pai terá acesso
livre como na parábola ou se o irmão mais velho vai lhe barrar o caminho.
                Bem,
precisamos pregar o Evangelho… e abraçar os missionários feridos. Aos pastores e líderes, fica a dica: esqueçam os “cultos missionários”, tenham uma igreja missionária, produz muito mais impacto e o Reino agradece. Parem de fingir que abençoam os missionários : cuidem dos missionários que Deus enviou a sua igreja.  
                  Aos missionários, se apresenta o caminho do corporativismo, e independência seguida de prostituição ministerial, ou a opção de procurar uma igreja que os traga de volta à vida, que os ame, ampare, cuide de suas feridas e os prepare para exercer seu ministério. Acredite, elas existem e tenho provas disso.
                Bem,
tudo oque posso dizer é que a Babilônia, a Grande Prostituta, é a mãe de todas
as prostituições, e corporativismo certamente é um de seus filhos.
Lya Alves, missionária e fundadora do Ninho das Águias.
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