Damasco

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Esgotamento IV: breve ensaio
sobre solução para o Esgotamento do obreiro cristão, considerando o profeta
Elias como exemplo.
Por José Bernardo
A situação de Elias no quarto estágio do Esgotamento não
era boa. Sempre caminhando para o sul, desde Jezreel, ele saira dos domínios de
Israel, do alcance de Jezabel, atravessando todo o reino de Judá. No limite do
deserto cortara seu último vínculo com o Corpo, deixando o jovem que o ajudava
para trás e caminhando mais um dia para dentro do deserto, sem água e sem
comida. Exausto, sem possibilidade de voltar, deitou sob um arbusto. Sede, fome
e calor fariam o resto. Era o fim, e ele ainda orou uma dessas orações que Deus
não ouve, que não são conforme a vontade dEle: “Já tive o bastante, Senhor. Tira a minha vida; não sou melhor do
que os meus antepassados.”
1Rs 19:4. Essa oração mostra um agora sem
alegria quando diz “Já tive o bastante”,
um antes sem valor, “Não sou melhor do
que meus antepassados”
, e um depois sem esperança, “Tira a minha vida”. O sentimento de frustração de Elias era tão
intenso que toda sua história, desde os antepassados, fora reinterpretada em
sua mente: seus antepassados eram fracassados e ele também. Adormecido no
deserto, de dia ou de noite, Elias não duraria muito mais. Era o que ele
pensava, mas Deus pensava diferente. A depressão pode levar um obreiro além do
ponto de retorno, quando somente a intervenção divina pode salvá-lo. Isso é
interessante, porque de um modo ou de outro, o Esgotamento acontece por causa
da soberba em tomar sobre si a obra de Deus, ao ponto de sentir ciúmes por
Deus, como se a obra fosse sua. Entregue à mais completa depressão, Elias não
podia ajudar nem a si mesmo. Quando Elias dependia totalmente de Deus, o
Senhor, sempre fiel, agiu até restaurá-lo.
O socorro divino no nível físico. Que tal ser acordado no
meio do deserto por um anjo e encontrar pão recém assado e água fresquinha? Isso
provocaria um grande impacto em qualquer um. O estado de prostração de Elias
era tão grande que nem isso o animou. Ele virou para o lado e dormiu novamente.
Então o anjo insistiu e ele recebeu mais alimento e mais água. Embora 40 dias
possa ser um número simbólico, certamente indica muitos dias, e Elias foi
suprido por todo esse tempo enquanto caminhava ainda para o sul através do
deserto do Neguebe e da península do Sinai, rumo ao Monte Horebe, local onde
Deus dera a Lei a Moisés séculos antes. Com certeza Elias foi provido também de
locais para o repouso e havia uma caverna esperando por ele quando chegou ao
Horebe. Embora básico, o cuidado físico com sono, alimentação e exercício
físico, não significa muito na superação do Esgotamento; a marcha mecânica de
Elias, sem mudança em sua disposição, confirma isso. Muitas pessoas receitam
férias, sombra e água fresca aos obreiros atingidos pelo Esgotamento, na
expectativa de que isso resolva milagrosamente o problema, mas nem por milagre
é suficiente. Elias precisava de mais.
O socorro divino no nível psíquico. Uma vez no Horebe,
lugar em que Moisés, também em atitude desistente e depressiva, viu a sarça
ardente e foi completamente mudado, Deus falou com Elias. Talvez fosse a
primeira voz que escutava nos últimos quarenta dias, a primeira oportunidade de
conversar com alguém, de abrir o coração e de arrazoar sobre a situação em que
estava. Deus, que sempre tem o que dizer, primeiro e por duas vezes fez uma
pergunta: “O que você está fazendo
aqui, Elias?”
1Rs 19:9, 13. O Senhor certamente sabia porque Elias
estava ali, afinal Ele mesmo mandara um anjo ir busca-lo quarenta dias antes. A
pergunta deveria provocar uma auto avaliação sincera e transparente, passo
importante para a cura da alma. Elias deveria lembrar-se da última vez que Deus
falara com ele, cerca de dois meses antes, quando disse: “Vá apresentar-se a Acabe, pois enviarei chuva sobre a terra”
1Rs 18:1. Elias deveria lembrar-se de tudo o que fez além daquilo, de como quis
converter Israel na marra, como o intento foi frustrado, o medo que sentiu então,
sua fuga apressada, o abandono da orientação do Senhor e das pessoas que
deveria guiar. Mas, ao invés disso, Elias se justificou. Apresentou o ciúme que
teve pelo Senhor como se fosse algo positivo e deu um relatório com argumentos
que foram logo mais contestados. Do fundo de sua depressão Elias generalizou,
exagerou e idealizou uma situação que não correspondia perfeitamente à
realidade. Nesses dias dependemos muito da psicologia e conversar sobre os
problemas faz parte de nossas receitas populares. De fato, aprender a lidar
objetivamente com a realidade é outro passo básico para a recuperação do
obreiro atingido pelo Esgotamento, mas isso nem sempre é eficaz e não funciona
por si só.
O socorro divino no nível espiritual. O egocentrismo
produz um equívoco sobre quem é Deus e o seu modo de agir. Vendo os eventos
espirituais apenas em relação a si mesmo, o entendimento que o crente tem do
divino é dominado por antropomorfismos e antropopatismos – Deus se torna um
outro ser humano que se visita ou que eventualmente é visitado. Os atributos
divinos como onipresença, onisciência, onipotência e amor são ignorados e o
universo passa a girar em torno do crente, resumindo-se a onde ele está, ao que
entende, ao que pode ou deseja fazer. Um indício dessa perturbação da verdade
está na dificuldade de entender que Deus podia e estava agindo mesmo enquanto
Elias ascendia em euforia ou afundava em depressão. Deus não estava agindo
apenas quando falou com Elias, nem apenas quando enviou fogo sobre o
sacrifício, chuva depois de três anos e meio de seca ou quando encheu Elias de
poder para correr à frente da carruagem de Acabe. Deus estava agindo também
quando Jezabel fez ameaças ou quando foi impedida de cumpri-las. Mesmo quando
Elias sentiu medo e fugiu o maravilhoso amor de Deus o acompanhou. Deus estava
agindo em Berseba e no deserto, quando Elias desistiu o plano de Deus
continuou, enquanto Elias fazia uma oração equivocada ou insistia em que não
havia mais nenhum crente em Israel, Deus ainda tinha um programa em marcha.
Ao falar com Obadias no capítulo 18 e com o próprio Deus no
capítulo 19, nos versos 10 e 14, Elias se refere ao Eterno pelo título de
Jeová, Senhor dos Exércitos. Isso deveria indicar a fé em um Deus que domina
sobre tudo e sobre todos, mas, o que parecia ser verdade no Monte Carmelo, se
torna apenas um título quando Elias se queixa de Israel ter abandonado a
aliança com Deus, ter profanado o culto a Deus e ter matado os escolhidos de
Deus. Ao ouvir o profeta, pode parecer que Deus não pudera evitar aquilo, então
o Senhor mostra a Elias seu poder sobre o ar, sobre a terra e sobre o fogo,
depois se volta para o profeta com voz suave e tranquila e, mesmo assim, Elias
não percebe mais o domínio de Deus e insiste em seu relatório pessimista. Orar,
jejuar, cultuar, é a terceira receita que sempre se dá a quem sofre o
Esgotamento. Novamente, isso é muito importante, mas pode não produzir o devido
efeito quando a fé em Deus é tão afetada. A dor é péssima conselheira!
O socorro da Palavra de Deus. O Esgotamento em Elias
resistia ao socorro em todos os níveis: físico, psíquico e espiritual. Então
veio a Palavra de Deus: “Não é a
minha palavra como o fogo”, pergunta o Senhor, “e como um martelo que
despedaça a rocha?”
Jr 23:29. A Palavra de Deus reorientou Elias para fora
do Esgotamento, mostrando-lhe: onde ir – além das fronteiras; o que fazer –
além dos limites pessoais; que resultado obter – além de sua expectativa humana.
A Palavra de Deus corrigiu as distorções causadas pela depressão, mostrando a
Elias que o Senhor dos Exércitos estava onde ele não podia estar, sabia o que
ele não conseguia ver e era capaz do que ele não podia realizar. A Palavra de
Deus que criou os céus e a terra também impulsionou Elias para um novo e
glorioso tempo em sua vida e em seu ministério, de modo que o escritor bíblico
diz: “Então Elias saiu de lá e encontrou
Eliseu, filho de Safate.”
1Rs 19:19. Elias viajou sempre para o sul desde
que saiu de Sarepta. Quando chegou ao limite, teve um encontro com a Palavra de
Deus que mudou completamente a sua perspectiva, entendimento e motivação. “O Senhor lhe disse: “Volte pelo
caminho por onde veio.”
1Rs 19:15. A Palavra de Deus o levou a uma
conversão, de tal forma que a última coisa que ele fez antes de entrar no deserto
em depressão foi deixar o jovem que andava com ele, e agora, saindo do deserto,
a primeira coisa que fez é restabelecer seu vínculo com o Corpo, ligando-se ao
jovem Eliseu, isso um pouco ao sul de Jezreel, onde começara sua fuga, dois
meses antes. A restauração de Elias é testemunho do superior poder da Palavra
de Deus: “Pois a palavra de Deus é viva e
eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto
de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e
intenções do coração.”
Hb 4:12. É nessa Palavra que podemos confiar para
superar a Síndrome do Esgotamento Ministerial.
Elias não ungiu Hazael e Jeú, foi Eliseu quem fez isso. Mesmo
sendo o terceiro a ser ungido, a terceira linha de contenção no plano divino,
Eliseu foi encontrado primeiro na caminhada para o norte e se tornou o
instrumento divino para a restauração de Elias, parte dele e seu sucessor. Gosto de ver esse jovem
saudável como membro no mesmo Corpo espiritual que Elias. Ele estava longe do
Esgotamento: longe da euforia, dividia o trabalho de doze juntas de bois com
sua equipe; sem aversão, aceitou rapidamente o chamado de Deus quando a capa de
Elias caiu sobre ele; sem tendência para se isolar, festejou com a família e os
amigos a nova etapa em sua vida; Eliseu serviu a Elias com persistência e isso
resultou-lhe em um ministério duplamente abençoado. “Juro pelo nome do Senhor e por tua vida, que não te deixarei ir
só”
2Rs 2:2 – Que bênção foi esse jovem na vida de Elias, não deixou o
velho profeta se isolar novamente ou desistir. Eliseu soube evitar o
individualismo e isso contou para abençoar os outros e para o sucesso de seu
próprio ministério.
…….

Leia todos os artigos da série:

Carmelo: as características do Esgotamento

Assine o Blesss
Damasco: a cura do Esgotamento
Breve
Nazaré: o questão relacional do Esgotamento

Roma: terminando bem
…….

José Bernardo é pastor, pesquisador, escritor, estrategista de evangelização e conferencista. Fundou e preside a agência missionária de mobilização evangelística AMME Evangelizar.
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