Série Cristão Radical – Semelhante a Cristo

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Por Ruy Cavalcante

Pois aqueles que de antemão conheceu, também
os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele
seja o primogênito entre muitos irmãos
“. (Rm 8:29) 


E todos nós, que com a face descoberta
contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo
transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito
“. (2Co 3:18) 

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Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não
se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar,
seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é
“. (1Jo 3:2)

Ao
criar o ser humano, é nos dito que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Obviamente
isso não significa uma semelhança física, como muitos já sugeriram na história,
mas uma semelhança daquilo que compõe nosso caráter. Deus é todo santo, justo,
puro e absolutamente correto em tudo o que faz. Nós não éramos iguais a Ele,
mas tínhamos um caráter semelhante, não agíamos por maldade, por ganância, por
egoísmo ou vaidade, mas isso durou apenas até a queda.
Após
a queda tudo se perdeu, não éramos mais parecidos com Deus, já fomos capazes de
mentir, de nos envergonhar de nossa nudez e até mesmo de matar, e não apenas
matar, mas matar por um sentimento totalmente diferente do contido em Deus, a
inveja.
Muito
pouco restou no ser humano de semelhante a Deus, e mesmo esse pouco era
imperfeito, passageiro. Essa ínfima semelhança é o que hoje costumamos chamar
de Graça Comum, ou seja, um pouco da Graça de Deus presente em todo ser
humano, o suficiente para que o mesmo, em alguns momentos, faça algo
proveitoso, mesmo sendo um ser caído, totalmente depravado. Você não acha
realmente que Deus se pareça com pessoas pecadoras como nós, acha?

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No
entanto, uma das virtudes da Obra realizada por Cristo na cruz é que, na mesma
medida em que nos faz inconformados com o mundo, nos conforma à imagem de Si
mesmo. Assim, uma vez alcançado e regenerado pela Graça de Deus, o próximo
passo é a ação do Espírito Santo em nós, de forma a nos tornar, a cada dia,
mais semelhantes a Cristo e é justamente isso que Paulo e João ensinam nos
versículos acima.
Primeiro
Paulo afirma aos Romanos que um dos propósitos eternos da salvação é o de, literalmente, nos conformar à imagem do Filho de Deus (Rm 8:29). Em seguida, aos
de Corinto, não mais usando a perspectiva de propósito eterno (predestinação),
mas de ação presente, ensina que o Espírito Santo nos transforma segundo a
imagem do Senhor (2Co 3:18). Por fim, apontando para o futuro, para a conclusão
da Obra de Cristo, João ensina que de fato seremos, como na criação,
semelhantes a Ele (1Jo 3:2).
Todo
cristão genuíno é um radical, e uma das características dessa realidade é que
Ele encontra-se em constante trabalho para ter e viver nesta terra com um
caráter semelhante ao de Jesus, seja por propósito eterno, por ação presente do
Espírito, ou por atitude (Ef 5:1) motivada por uma esperança futura.

Aquele que afirma que permanece nele, deve
andar como ele andou
“. (1Jo 2:6)

Não
importa qual das perspectivas abraçamos (propósito divino, ação presente
divina, ou promessa escatológica), a verdade é que para sermos cristãos
radicais, precisamos andar como Cristo andou. Não basta falar de amor, temos de
amar, não basta ensinarmos sobre perdão, precisamos perdoar, não é satisfatório
fazer exposições inspirativas sobre servir, precisamos servir, não é suficiente
ensinarmos e combatermos por uma pureza doutrinária, temos de ser, assim como
Cristo foi, exemplos práticos dessa doutrina, precisamos ser a própria palavra
em ação.
Percebem
como não se tratam de simples ações transloucadas? Percebem como tudo está
conectado a coisas comuns, normais, porém espirituais e eternas? Ser cristão radical
não é agir loucamente por Cristo, é ser semelhante a Cristo!
E
por fim, é preciso falar ainda que rapidamente, sobre outra questão, outra
semelhança com Cristo que devemos possuir: Precisamos ser semelhantes a Cristo
em seu sofrimento!
Jesus
nos dá muitas dicas a respeito disso. Ele fala, por exemplo, para tomarmos
nossa cruz (Mt 16:24), ou sobre as aflições que teremos no mundo, o mesmo mundo
que Ele venceu (Jo 16:33), e que venceremos se formos semelhantes a Ele.
Vou
resumir: O verdadeiro cristão, o cristão radical, não desistirá quando as
coisas ficarem difíceis, ele não esmorecerá quando todos estiverem contra ele,
ainda que os da sua própria casa (Mt 10:34-36), pois todas estas aflições são
inevitáveis para os que vivem piedosamente, radicalmente, em Cristo (2Tm 3:12).
O
cristão radical persevera mesmo em meio a mais horrível perseguição, pois sua
força e consolo estão em Cristo!

Pois assim como os sofrimentos de Cristo
transbordam sobre nós, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação
“. (2Co 1:5)

E
então, você se identifica com um genuíno cristão radical? Você é semelhante a
Cristo? Ou apenas se mascara de crente extravagante, ignorando ou negando a existência
das aflições da cruz?

Referência Bibliográfica
STOTT, John. O discípulo Radical. Viçosa, MG: Ultimato, 2011.
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