Pastor ou super-star?

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Por Daniel Clós Cesar

Vejo a igreja brasileira passando por dois processos distintos. Um processo, inclusive neste blog é bastante retratado, é o inchaço que a igreja institucionalizada brasileira atravessa, fruto de uma pregação díspar ao Evangelho, pior que isso, contrária a Palavra em quase todas as suas manifestações e que distorce as Escrituras em prol da construção de impérios pessoais de líderes megalomaníacos e sedentos por fama e riqueza. Um outro processo é o inverso deste. Uma igreja que se levanta, inclusive dentro dessas mesmas instituições onde o caos espiritual se instalou, e que diz não ao paganismo gospel, o abandona e condena, e defende um retorno a um Evangelho estritamente bíblico.

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No entanto, como escrevi em meu texto, Novos Reformados meio deformados, um grande número de auto-proclamados cristãos reformados, têm pregado um Evangelho tão distorcido e egocêntrico quanto aquele que se vê no decadente movimento gospel. Alguns textos, piadas (piadas pseudo-reformadas são as mais estúpidas que encontro na internet) e vídeos, são a prova final de que ali há ausência de Teologia Cristã sadia e excesso de ignorância doutrinária e estupidez humana.
Um tempo atrás, viajando a outro Estado, conheci um pastor que liderava uma pequena comunidade cristã que se apresenta como reformada. No entanto, a única coisa reformada que encontrei em sua igreja foram as instalações. Sua pregação era uma mistura de tudo e em pouco mais de uma hora de discurso (aquilo estava longe de ser uma pregação), ele falou de política, economia, moda, indicou séries de TV e até leu um texto bíblico. Contudo, sua pregação nada mais era do que um discurso do seu ponto de vista do mundo.

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Isso me abriu os olhos para começar a ver e ler alguns vídeos e textos na internet, ainda que de blogs e sites auto-proclamados reformados, de uma forma um pouco diferente. Não pensando exatamente o que aquele texto queria ‘dizer’ mas o que seu autor ‘queria’ com aquele texto. 

O que comecei a perceber ao ver e ler vídeos e textos em alguns blogs e nas redes sociais, é que alguns estão esperando apenas “likes” e comentários. A máxima de pregar o que a igreja quer ouvir, tão profundamente emaranhado na teologia da prosperidade, é realizada com muito sucesso também no pseudo meio reformado. São ávidos em produzirem material “polêmico”, sem nenhum argumento e que nada produz em quem lê ou vê senão ódio e revolta. Criticam outros pastores apenas baseados em uma percepção pessoal e não em fundamentação bíblica profunda. São excelentes papagaios imitadores de pregadores reformados estadunidenses vistos no Youtube, mas péssimos cristãos vistos no dia-a-dia. Chocou-me ler em um texto, um rapaz que afirmava preferir ler Mark Driscoll a John Piper, pois aquele era mais moderno que este. Não foi o gostar mais de um ou de outro pastor (preferências são naturais ao ser humano, eu tenho mesmo minhas preferencias), mas porquê sua avaliação estava fundamentada em um aspecto superficial e não bíblico ou espiritual.
Percebo também, muitos que algum tempo atrás estavam em seu momento infantil do Evangelho, e que hoje produzem textos e vídeos melhores, que aparentemente amadureceram e reorientaram sua pregação, vejam, minha crítica não é a quem faz isso na internet, eu mesmo escrevo na internet e nas redes sociais. Minha crítica é aos que tem usado isso com os mesmos objetivos dos líderes neopentecostais. Minha crítica é aqueles que insistem em um modelo que parece estar dando certo com “desigrejados”. Uma pregação pautada em uma dura crítica a sociedade cristã brasileira, mas que não avança além disso; jovens que são capazes de atacar o neopentecostalismo, mas não defender o Evangelho. São profundos em perceber os equívocos doutrinários dos tele-pastores, mas superficiais em perceber a ausência de doutrina bíblica em seus discursos e vidas.

Nós precisamos ser mais criteriosos e rígidos nas nossas definições do que é uma Teologia cristã reformada e realmente fundamentada na Palavra de Deus, ou corremos o risco de sermos acusados (se já não somos), de ser tão diferentes de Cristo quanto o movimento gospel e suas “teologias” deturpadas são. 
Soli Deo Gloria. Sola Scriptura.

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Daniel Clós Cesar… atualmente mais preocupado com os ‘deformados’ do que com os neopentecas.
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