O CULTO FORMAL

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por Daniel C. Cesar

Um tempo atrás, quando mudei de igreja, ouvi de alguém a
frase: “você vai para aquela igreja? Eles são tão formais!” O ‘formais’ foi na
verdade um eufemismo para frios, pois de fato, está impregnado na cultura do culto
contemporâneo a necessidade da agitação corpórea, da excitação mental e de manipular a congregação a um sentimentalismo coletivo.

Pois bem, independente do que me diziam e afirmavam, que incluía enterrar meus dons, troquei
de igreja, e apesar de muitos anos fora de uma igreja com uma liturgia digamos,
mais tradicional, não tive dificuldades em me (re)adaptar rapidamente ao
novo/antigo ambiente. Com o tempo tive a percepção de que aquele ambiente era menos
formal que poderia ser o ambiente de qualquer outra denominação não
“tradicional” ou histórica do qual eu já tivesse participado.
As igrejas contemporâneas têm a tendência em tornar o culto
que elas julgam ser movido pela liberdade do Espírito Santo, em uma liturgia
repleta de ícones e simbolismos que tornam aquele ambiente extremamente formal – por vezes bem bagunçado e desordenado, mas formal.
O período de louvor é o ápice dessa liturgia, com a missão de encaminhar toda a
coletividade num mover de que “o mundo ficou lá fora e aqui esquecemos todos os
problemas”, com letras de músicas antropocêntricas e um som muitas vezes
desmedido para os metros quadrados que dispõe a congregação.
Segue-se a estes momentos o da oferta, que não raras vezes é
precedido de uma palavra de alerta àqueles que dão ‘brecha para o devorador’ em
suas vidas e que é procedida de uma oração que ‘repreende a mão do devorador’ sobre
os que ofertaram. Há também o momento do apelo final ou oração final onde, sem
nenhuma conexão com o sermão da noite, as pessoas são encaminhadas à frente do
altar para receberem imposição de mãos e unção com óleo. Não parece, mas tudo
isso é extremamente formal.

Onde reside a formalidade? Tire isso de um único culto nessas
igrejas, apenas um desses elementos litúrgicos, e o pastor ouvirá durante toda a semana
que aquele foi um culto ruim, foi um culto onde Deus não agiu e não se viu a
obra do Espírito Santo. Acontece que, após o louvor “esqueça o mundo lá fora”,
essas pessoas reencontram o mundo lá fora exatamente como o deixaram, após a
imposição de mãos aquela dor persiste e após ofertar o que não se tinha e a oração
forte que repreendeu a mão do devorador, na segunda-feira aquele homem ou
mulher descobre estar demitido. Entenda, eu creio no poder da oração, no Deus
que cura, na oferta como adoração e no louvor ao Senhor… então não é contra isso que estou falando (ou escrevendo).

Veja, este texto não é contra o período de louvor, contra a
oferta ou contra a oração com imposição de mãos, se alguém até aqui está lendo
e interpretando isso, comece a ler novamente. Minha crítica é ao que isso se
tornou na igreja. O louvor tomou o espaço em importância e relevância da Palavra de Deus na Igreja, novos e velhos crentes têm seus conceitos cristãos e teológicos
construídos sobre o frágil alicerce de letras de músicas, muitas (muitas mesmo) delas
sem nenhuma condição espiritual de serem entoadas por um cristão. A oferta,
deixou de ser um momento de adoração para ser um momento de coerção entre
pastor e ovelhas, e de barganha das ovelhas com Deus. E por fim, a oração com
imposição de mãos tem revelado o que há de pior dentro da igreja, que é o
estrelismo que alguns julgam ter sobre outros e que é alimentado por uma massa
sedenta por uma benção alcançada no melhor estilo fast-food: “pediu, pagou,
levou”.

A igreja contemporânea está a criar cada dia novos ícones e
símbolos, sejam eles ações ou palavras, e gradativamente abandona o culto
simples que tem como objetivo ensinar a igreja a ser uma conhecedora da
Palavra, imitadora de Cristo e efetivamente relevante nesta terra.
Voltemos ao Evangelho, puro e simples.

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Soli Deo Gloria
Daniel C. Cesar, voltando a ativa… aos poucos, mas voltando.
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