NOVOS REFORMADOS MEIO DEFORMADOS

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por Daniel Clós Cesar

Uns anos atrás, após um sermão em
uma igreja onde era convidado, um rapaz puxou assunto comigo logo após a reunião
e largou: “parecia o Paul Washer”. Legal né? Se você é batista e reformado,
ouvir isso pode soar com um grande elogio… ou não. Isso me lembrou uma
conversa que tive com um jovem pastor, que após uma reunião me perguntou o que
eu tinha achado, após algumas anotações fui direto: “você podia ser menos o
Mark Driscoll e mais você mesmo”.

Depois de conversar um pouco mais
com aquele rapaz que me “elogiou”, fazendo uma comparação com Paul Washer,
entendi que ele não me achava parecido na maneira de falar ou mesmo de pregar,
mas estava relacionado ao conteúdo do sermão daquela noite, que havia sido
sobre o Pecado.
No entanto, os jovens reformados
que pululam nas igrejas históricas ou não, são em parte reformados apenas nas suas declarações, nem mesmo o são em sua defesa do Evangelho. Ao conversar com
alguns jovens, de pouco mais ou pouco menos de 20 anos que já criaram
seminários, cursos de missões e igrejas, percebi que a maioria deles não tinha
nenhuma experiência sequer de vida.

Nunca fizeram uma faculdade ou
seminário teológico, alguns nem terminaram o ensino médio, não são casados,
leram poucos livros e em geral de um único autor/pastor, o “preferido”,
tem pouco ou nenhuma experiência ministerial, etc. Percebi que, ao contrário
das orientações que via nas igrejas reformadas (eu venho de uma cultura pentecostal)
de autoridades formadas e aprovadas, os novos “líderes” reformados pouco tinham
a acrescentar, senão uma série de textos e vídeos com assuntos muito mais
polêmicos do que de ensino bíblico. Seguido de uma série de criações de páginas
em redes sociais que tem como único objetivo depreciar figuras históricas do
cristianismo do passado ou contemporâneo.
Qual o problema disso? O mesmo
problema que vemos nas igrejas neopentecostais e na fragilidade de suas pregações e deformações teológicas.
Com 30 anos comecei a escrever
para blogs, pouco depois de ter conhecido a teologia reformada, com quem havia tido o
primeiro contato apenas 3 anos antes. Lembro de uma vez o Leonardo Gonçalves
(Púlpito Cristão) ter me dito que um dos meus textos era “meio arminiano, meio
calvinista”. Hoje, quando olho para alguns destes textos, reconheço inúmeros
erros teológicos em definições básicas do calvinismo. Não era por tolice ou
ignorância, tinha formação em Teologia e em História e sei como se faz uma
leitura objetiva, uma pesquisa ou mesmo uma tese. Acontece que meus erros
estavam muito mais ligados a percepções pessoais que eu tentava moldar a
Palavra, indo de encontro a Teologia da Graça que encaminha o homem a ser
conformado pela Palavra e não o contrário.
O que tenho visto nos “jovens
reformados” é o mesmo para algo um pouco pior. O Youtube e o Facebook acabaram por se tornar palanques para suas posições pessoais sobre política, economia e religião sob
a cortina de discurso reformado. Se aplicam algum conceito reformado aqui, o
abandonam no próximo vídeo ou texto para defender uma posição pessoal.
Somando-se a isso um culto a intolerância e ao ódio àqueles que discordam de
suas posições, não teológicas, mas pessoais.
É saudável e realmente renovador
para a igreja que a cada dia exista um interesse de jovens em buscar conhecer a
Teologia Reformada e vive-la. No entanto isso não é uma moda. Isso não é salto
social dentro da igreja, se você quer isso visite e congregue uma igreja
neopentecostal. Lá é o lugar para se produzir pequenas estrelas-(de)cadentes
que tem como objetivo o pequeno poder e a fama.
A Teologia Reformada é a teologia
da Soberania de Deus, da Insuficiência humana e da Glória devida somente Aquele
que criou os Céus e a Terra.
Soli Deo Gloria

Daniel Clós Cesar, “ex-novo-reformado”.
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