Não “autorizamos” nada. Quem autoriza é Deus. Ponto final

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Geremias Couto

Temos sido um terreno fértil para as heresias mais estranhas importadas dos Estados Unidos. Entre outras, as redes virtuais e os pregadores triunfalistas gritam que Deus depende da autorização do homem para interferir no mundo. Myles Munroe foi um dos primeiros a propagá-la em terras tupiniquins e Marco Feliciano comprou o pacote fechado, conforme vídeos que circulam no YouTube. A tese baseia-se em Gênesis 1.26-28, onde Deus deu autoridade ao homem para governar a terra e que, a partir daí, qualquer ação divina por estas bandas só poderá ser levada a efeito, se o homem, no caso o cristão, autorizá-la. Fora isso, nada feito. Alega-se como justificativa que Deus não pode contraditar as suas leis.

A reivindicação, de per si, já é grosseira. Ela coloca Deus como serviçal do homem, que passa a ser o senhor absoluto das coisas que acontecem por aqui. Sob esse prisma, sem o nosso sinal verde, o Criador fica de pés e mãos amarrados e nos tornamos senhor do pedaço. Só que com tantas “autorizações” dadas todos os dias, as coisas não acontecem da forma como foram “autorizadas”, gerando mil e uma explicações, algumas de fazer chorar, por aqueles que se acharam no direito de “autorizar”. Boa parte do fenômeno dos “desigrejados” explica-se por pessoas que se afastaram da igreja local por se sentirem abusadas e frustradas por essa parafernália dos “senhores da terra”.
Ora, não é preciso argumentos complexos para refutar tal heresia, que se fundamenta numa tortuosidade hermenêutica sem tamanho. Com poucas palavras, ela se desmorona tal qual um castelo de areia. Convém ressaltar, por exemplo, que o comando foi dado antes da Queda, ou seja, no estágio em que o homem desfrutava de perfeita comunhão com Deus, sem o contágio do pecado. Ademais, a ideia do texto é que ele seria uma espécie de  mordomo para administrar e zelar pelo que lhe foi confiado, um cumpridor de ordens, e não com poderes para determinar o que o seu Senhor deveria fazer.

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Prova disso se destaca logo que Adão e Eva pecam. Deus não lhes enviou um email, com assinatura eletrônica, pedindo licença para interferir no processo. Ao contrário, agiu segundo os seus propósitos pré-ordenados na eternidade. Poderia, aqui, citar outros eventos do Antigo Testamento, como no episódio da confusão das línguas, em que a Trindade confabula entre si e decide intervir, sem, outra vez, sequer enviar um SMS para pedir “autorização”. É que os defensores da tese alegam que essa “delegação” foi transferida para a Igreja e que, portanto, cada um de nós, através da oração, passou a ter esse direito de “autorizar” (ou não) as ações de Deus no mundo.
Mas se fizermos uma leitura íntegra e honesta do Novo Testamento, sem os óculos do que gostaríamos que fosse, não encontraremos nenhuma base para tal assertiva. Até naqueles textos onde pode parecer à primeira vista que, pela fé, temos essa autoridade, descobriremos que qualquer pedido que fizermos (veja que eu não disse “autorização”) precisa harmonizar-se à vontade de Deus. É ela que dará o norte e não qualquer “decreto”, “determinação”, “autorização” ou coisa que o valha que possamos declarar. O próprio Jesus, no Getsêmani, finalizou a sua oração, dizendo: “…não se faça a minha, vontade, mas a tua”. Ele, em sua humanidade, nada determinou, mas submeteu-se ao propósito para o qual veio ao mundo. Nem o irmão do filho pródigo foi capaz de determinar que o Pai não o recebesse em casa.
Paulo, em suas epístolas, onde quer que leiamos, reforça a soberania de Deus e a nossa plena dependência de seu agir. Embora sejamos seus cooperadores, somo-los na condição de instrumentos em suas mãos e não de senhores que determinam ao instrumentista que partitura tocar. É ele quem opera tanto o querer quanto o efetuar. Isto quer dizer, então, que não temos o direito de apresentar nossas súplicas a Deus? Absolutamente! Só que mais do que usar a oração para pedirmos coisas e coisas – ou “autorizarmos” que ele haja – ela é um meio de ajustar a nossa sintonia de tal maneira que nenhum ruído nos impeça de compreendermos qual seja a sua santa, perfeita e agradável vontade para cada um de nós. 
Em suma, não “autorizamos” nada. Quem autoriza é Deus.
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1 COMENTÁRIO

  1. Plenamente de acordo pr. Somos servos de Deus, e Ele é o único Soberano sobre todo o universo. Chegará o dia em que Ele em sua soberania intervirá sobre todas as questões do mundo conforme lemos em Apocalipse. Por isso, prostremo-nos em submissão a Ele reconhecendo a nossa fragilidade e total dependência dEle.

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