Lutero “fora do Castelo” e o Padre Paulo Ricardo fora da Bíblia

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Por Antognoni Misael

Esta semana um grande amigo compartilhou comigo o vídeo de um padre católico chamado Paulo Ricardo, onde ele tenta discorrer sobre o tema da santidade. Nos seus argumentos, o religioso usa alguns pensamentos extraídos da obra de Tereza D’Ávila “Livro das Moradas” para falar de santidade.
O assunto do vídeo abaixo (que você poderá assistir agora antes de continuar a ler) resume-se na ideia de que: para a Santa Tereza, o ser humano seria bom; enquanto que para Lutero, o ser humano seria mau.

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Ao observarmos a obra “Castelo Interior”, a autora faz uma comparação da alma humana com um castelo e afirma que no centro do coração do homem – o que ela chama de sétima morada, por assim dizer -, habita a Santíssima Trindade. Lá o brilho de luz do coração humano só é encoberto por causa do pecado. A fraqueza humana seria para ela como que um véu a acobertar a grandeza da alma. Contudo, não é isso que aprendemos nas Sagradas Escrituras. Tanto Tereza, quanto o Padre Paulo Ricardo estão contundentemente equivocados.
O padre Paulo Ricardo, observe, tem uma boa oratória, mas demonstra raciocínios confusos e falazes. Ele confunde suas próprias colocações e desconhece os significados teológicos defendidos pelos protestantes reformados.
Logo no início do vídeo ele questiona,
– “Por que para os protestantes um ser humano nunca vai ser santo?”
Ora, o padre desconhece (ou aparenta não saber) a confissão de fé dos protestantes. Nós não afirmamos que o homem nunca será santo, pelo contrário, nós temos a doutrina da Perseverança dos Santos crida e defendida por nós. A compreensão bíblica nos outorga que a salvação em Cristo Jesus abarca que somos declarados justos e recebidos como SANTOS diante de Deus pelos méritos de Cristo aplicados em nós, selados então pelo Espírito Santo. Por isso o apóstolo Paulo se dirigia aos fiéis de maneira geral chamando-os de santos, note: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos SANTOS que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus” [Ef 1:1]. Em sua epístola aos Romanos 1.7, ele dá outra demonstração de que ser santo não significa alguma hierarquia clerical, mas sim um selo advindo do novo nascimento, “A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados SANTOS: Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”. Logo, para nós, crentes em Cristo Jesus, todo fiel que confessa a Cristo como salvador é declarado SANTO.
Voltando ao vídeo, o padre, ancorado no livro de Tereza d’Ávila, afirma que no coração do ser humano encontra-se a Santíssima Trindade e declara que o pecado é um véu que encobre essa realidade, isto é, “no fundo da alma humana habita o bem”. O que podemos aproveitar dessa declaração é apenas uma pequena parte dela com uma séria retificação – isso ao conceber que uma vez que o homem nasce de novo pela obra do Espírito santo (no panorama pelo qual Deus elege, Cristo redime, e o Espírito Santo sela), nele passa habitar, sim, o Espírito Santo – mas a Trindade, não! Isso não é Bíblico! Observe qual pessoa da Trindade habita no homem:
“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. [Rm 8.9]
“Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito.” [Jo 14.26]
Em seguida, ainda relacionado ao vídeo, ele classifica Lutero com uma espécie de analista superficial da natureza humana. Para o padre, o ex-monge teria sido um pessimista quanto ao homem ou talvez um pobre equivocado a respeito da alma humana. Ou seja, ao afirmar (Lutero) que o ser humano é pecador e sua natureza humana, por causa da queda, é corrupta, e que só a fé em Cristo encobre a miséria humana, condicionando-o então a se apresentar diante de Deus como justo, Lutero estaria, segundo o padre P.R. fazendo o caminho inverso de Tereza D’Ávila.
Revise:
Em Tereza, o ser humano seria bom, mas o véu do pecado encobriria a sua grandeza. Em Lutero, o ser humano seria pecador, mas o véu da fé em Cristo encobriria do pecado. Bem, eu estou com Lutero porque ele está ancorado no que diz as Sagradas Escrituras.
Não sei ao certo se Tereza D’Ávila tentava pintar um quadro de que homem apesar de corrompido pelo pecado, ainda traria consigo a imagem e semelhança de Deus. Neste aspecto, se assim o fosse, concordaríamos nesse ponto sem dúvida alguma. Isso por que devido a queda do homem, no primeiro Adão, “todos pecaram e destituídosficaram” (grifo meu) da glória de Deus” [Rm 3.23]. Contudo, obviamente isso não furtou a imagem de Deus no homem – mas note, é a imagem, e não essência de bondade! O Rev. Hernandes Dias Lopes comenta que “o pecado, porém, não destruiu a imagem de Deus no homem, mas deformou-a. Agora, por causa do pecado, não refletimos com toda clareza a imagem de Deus. Somos como um poço de águas turvas que não refletem mais a beleza da lua”. Então, fica-nos bem didático que o homem não possui bondade interior, nem tampouco na sua alma habita o bem, ou a Santíssima Trindade. Na verdade, em seu mais profundo ser e na sua essência habita só o pecado!
Jesus Cristo apresentado um raio-x do interior do homem disse que “é do interior, do coração [ou do fundo do Castelo como articula P.R. em Tereza d’Ávila] dos homens, que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios, a cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez; todas estas más coisas procedem de dentro e contaminam o homem”. [Mc 7.21-23]
O apóstolo Paulo, confirmando que no seu próprio ser não havia condição alguma de desejar alguma bondade, ou percorrer algum caminho para dentro do seu “castelo de luz” disse, “não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus” [2 Co 3.5]. Em outra passagem ele se enxergava como “o pior dos pecadores” [1 Tm 1.15], e ainda dizia a respeito de si mesmo “miserável homem que sou”! [Rm 7.24]
Ora, onde encontramos bondade, luz ou a Trindade no âmago de nossa própria natureza?
Ao prosseguir com seus argumentos, o padre comete mais um equívoco. Desta vez ele já não fala que a alma do homem contém bondade. Agora ele diz que é a “alma do justo”. Veja:
“Deus encontra na alma do justo o jardim das delícias. Deus gosta de habitar na alma do justo”. [3:40 min]
Ora, o padre anteriormente – observe! – falava do homem: “que o homem era bom”! Mas agora dirige seu raciocínio ao justo – “alma do justo”. Bem, há uma enorme diferença entre o “HOMEM COMO CRIAÇÃO DE DEUS” destituído da glória de Deus e o JUSTO – o homem justificado em Cristo. Entretanto, o que a bíblia diz sobre o homem ser justo? Leia esta declaração do apóstolo Paulo:
“Como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só”. [Rm 3.10-12]
Então não há justo? A resposta é não e sim. O NÃO está relacionado à própria justiça do homem. Isto é, ele por si só nunca será declarado justo, pois em seu coração, alma e/ou interior não habita bem algum proveniente de si mesmo. No entanto, as Escrituras agraciam os fieis salvos em Cristo – estes SIM são justos, não por sua bondade, ou por entrarem no “Castelo das Sete Moradas”, mas pela obra perfeita de Cristo na Cruz.
Veja:
“Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” [Rm 6.1].
Ou seja, o homem que outrora se encontrava em inimizade com Deus, debaixo de sua ira, agora, após justificado pela fé em Cristo, alcança a paz diante de Deus.
O padre P.R. continua sua distorcida argumentação afirmando que “quando nós pecamos nós estamos alheios a nós mesmos”. A Bíblia diz o contrário: “Porque todos pecaram e DESTITUÍDOS estão da glória de Deus” [Rm 3.23]. Ou seja, nós pecamos porque estamos separados de Deus e não de nós mesmos.
É muita miopia teológica para um só clérigo!
Por fim, o padre conclui, voltando ao pensamento relacionado a Lutero, de que este só chegara à conclusão de que o ser humano é ruim porque ele entrou (ou mergulhou) pouco na alma humana. Eu, humildemente diria que o padre pensa desta forma porque, ele do contrário, foi quem mergulhou de forma muito rasa nas Escrituras Sagradas!
Em seu site,ele ainda justifica sua tese dizendo que,
Note que ele se apoiou na “teologia tereziana” e na tradição católica. Este fato explica claramente o motivo pelo qual ele não usa as Escrituras para legitimar tal argumentação, pois elas contrariam veementemente o que foi defendido por ele.
Lutero permaneceu “fora do castelo” porque ao invés de uma experiência mística de si mesmo ele preferiu acreditar no que as Escrituras diziam a respeito dele e nós todos. Nós não somos bons no fundo de nossa alma, nem tampouco por fora! Nossa natureza é má! Lutero acertou em cheio quando percebeu isso e declarou que o justo viverá pela fé (em Cristo), na perfeição de Cristo, pois nEle somos perfeitos!
Deus não está lá no profundo da alma escondidinho esperando que o homem vasculhe o Castelo e O encontre lá! A justiça de Deus se revela no Evangelho e através das coisas criadas, pelas quais todos são indesculpáveis. O homem é mal![Rm 1]
Se próprio Jesus se dirige ao homem com a expressão “Vós que sois maus” [Mc 7.11] (e não vós que estais maus), quem somos nós para acreditar que lá no fundo do “nosso castelo” habitará a partir de nós mesmos alguma bondade?

***

Antognoni Misael, colunista do Púlpito Cristão.

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6 COMENTÁRIOS

  1. Só uma pergunta… você já leu a Obra ? Se não leu, acho que os comentários sobre o Pe não conhecer a teologia protestante também se aplica a você…por não conhecer a obra…
    Sobre a morada da Trindade, você desconsidera João 14, 23 (Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos morada nele.)
    Abraços,

  2. Amigos, eu entendo assim:
    O interior do homem é perfeito e puro, pois ele é a imagem e semelhança de Deus amoroso.
    Bíblia registra que os seres humanos foram criados na sua essência boa. Gn 1:31, mas que a bondade foi manchada pelo pecado de Adão e Eva.
    Nos humanos fomos manchados e envolvidos pelo pecado.
    Mas o seu interior é bom, é como se o pecado fosse uma casca em volta na essência divina.
    Uma vez que essa casca sai, pela graça e misericórdia de Deus, o homem se torna um com a Trindade (por isso Santa Teresa fala das moradas, dos castelos)
    Esse estado de santidade é a última morada.
    Quando a pessoa aceita a Cristo, não somente com a boca, mas no seu íntimo, começa se processar uma reforma íntima diária.
    Jesus vai operando a obra de retirar o envoltório do pecado, para que o íntimo do homem que é bom apareça, pois foi criado a imagem e semelhança de Deus, e Deus é bom e perfeito.
    2º Cor 5:17 : "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo."
    Porque aí o "ouro que estava escondido" dentro do íntimo do homem, vai sendo limpo.
    Através da santificação que Deus vai operando na nossa nova natureza, é um processo contínuo, conversão diária.
    Mas isso só pode ser possível porque o interior do homem é bom. Só estava envolto no pecado. Jesus nos limpa de todo o pecado .

  3. Nossa compreensão antropológica é diferente, isto é fato. Lutero e Santa Tereza estão em lados opostos. A chave de interpretação para alguns trechos do livro da autora pode ser distorcida se não soubermos o seu contexto.

    Santa Tereza escreve para as freiras de seu convento, ou seja: Para pessoas já batizadas, já viventes na fé. Talvez este seja o motivo pelo qual ela não tenha se preocupado com certas minúcias teológicas, visto que sua obra não tinha o objetivo de ser propagada pela cristandade católica.

    Então, faz todo sentido entender que quando ela fala que a 'trindade habita na alma humana', quer dizer a alma do justo, do batizado, ao qual Deus habita pela graça santificante.

    "Se alguém me ama, guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos a ele e nele faremos nossa morada"(Jo 14,23).

    "Deus é caridade, e o que vive em caridade permanece em Deus, e Deus nele" (1 Jo,4,16).

    "Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?"(1 Cor3,16).

    Ora, se a palavra 'trindade' não está na bíblia, é lógico que isto não está explícito, mas onde está o espírito, está também o pai e o filho, é uma união indissolúvel, não compreendemos desta forma? Então, isto também faz todo o sentido.

    Resta lembrar também que as obras de Santa Tereza passaram, logicamente, pelo crivo da inquisição, ao qual não a perdoaria caso tivesse escrito alguma heresia.

    Nossa compreensão antropológica se difere, creio, pela compreensão de Gênesis:

    Selem (imagem) e demut (semelhança) não são vocábulos sinônimos; contudo em Gên l,26s, justapostos como se acham, exprimem uma única ideia.

  4. elem costuma designar no Antigo Testamento «a imagem material, esculpida», muitas vezes mesmo «os ídolos»; cf. Am 5,26; 4 Rs 11,18; Núm 33,52; 2 Crôn 23, 17; Ez 7,20; 16,17; 23,14. Pois bem; o texto do Gên afirma que o homem foi feito à imagem de Deus (besalmenu)…; a preposição a (beth, em hebraico) parece designar aqui (como, aliás, em outros casos da língua hebraica) a própria essência do indivíduo mencionado, ou seja, a essência do homem. Ela significa, por conseguinte, que o homem foi feito «como imagem de Deus»; o conceito de «imagem de Deus» vem a ser destarte inerente ao de «homem»; pode-se dizer então que foi para exprimir a sua perfeição que Deus concebeu a perfeição da natureza humana.

    Ao lado de selem (imagem), o vocábulo demut (semelhança) parece exprimir certa restrição. Com efeito, demut (semelhança) ocorre frequentemente no livro de Ezequiel, significando que entre dois objetos há analogia e proximidade, sim, mas não há identidade. Assim, o profeta vê uma «semelhança de seres vivos» (1,5), uma «semelhança de homem» (1,26), . uma «semelhança de firmamento» (1,22)…; em tais casos, o objeto percebido assemelha-se a um ser vivo, a um homem, ao firmamento, mas não é tal.

    Aplicando-se estas noções a Gên 1,26, conclui-se que o homem traz, entre as suas notas constitutivas, algo que muito o assemelha a Deus, mas certamente não o iguala ao Senhor. Aliás, o caráter restritivo da expressão demut é reforçado pela partícula ki, conforme, que a precede: «Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança».

    Eis, em poucas palavras, a análise das expressões características de Gên 1,26s. Permitem-nos concluir: o homem é imagem que muito se aproxima do seu protótipo, Deus.

  5. Não é por seus traços corpóreos que o homem imita a Deus. Os israelitas, embora fossem dados aos antropomorfismos (modos de falar que assemelhavam Deus ao homem), tinham consciência de que o Altíssimo não possui corpo, nem pode ser adequadamente representado por alguma criatura material; cf. Is 40, 18; 46,5; SI 88,7; Dt 4,15s.

    Além disto, considerando-se diretamente o texto de Gên 1, verifica-se que o autor sagrado nutria um conceito muito elevado da transcendência divina (Deus produz os seres pela sua palavra soberana, sem ter que plasmar ou modelar, como os homens fazem). Note-se outrossim que, conforme o escritor, o homem, criado à imagem de Deus, foi criado «varão e mulher» (cf. Gên 1,27); a mulher é, portanto, como o varão, imagem de Deus. Ora não há dúvida, os israelitas jamais pensaram em admitir alguma divindade feminina (a língua hebraica não possui sequer uma palavra própria para dizer «deusa»).

    É, portanto, pelo seu espírito ou por sua alma que o homem se assemelha a Deus.

    Em toda a narrativa de Gên 1, Deus é caracterizado por sua inteligência e sua vontade: com uma palavra sábia, Ele dá origem e ordem harmoniosa a todas as criaturas; a sua vontade mostra-se plenamente eficaz e, ao mesmo tempo, cheia de bondade para com cada ser. Ora o homem possui uma alma caracterizada precisamente por inteligência e vontade. É, por conseguinte, mediante a sua inteligência e a sua vontade que o homem se assemelha a Deus. Em outros termos: já que inteligência e vontade são os constitutivos característicos da personalidade, deve-se dizer que o homem é imagem de Deus por ter uma personalidade que se aproxima da personalidade do Altíssimo (Deus certamente não é substância neutra, impessoal, identificada com a natureza).

  6. «Quod homo ad imaginem Dei factus dicitur, secundum hominem interiorem d'ci, ubi est ratio et intellectus. — A Escritura diz que o homem foi feito à imagem de Deus, levando em conta o homem interior, sede da razão e da inteligência» (Santo Agostinho – De Genesi contra Manichae- os I XVII 27).

    Soma-se isto ao fato de que Jesus era igual a nós em tudo, com exceção do pecado. Ou seja, embora nós tenhamos sim, uma natureza caída e concupiscente pela herança do pecado original, não me parece que deixamos totalmente de ser o que éramos, senão Jesus não se assemelharia de nós em nada.

    Grande abraço! Deus abençoe.

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