Estado Islâmico deixa quase 80 mortos no Iêmen

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O grupo militante Estado Islâmico, que tomou grandes áreas do território do Iraque e da Síria, reivindicou a autoria de ataques com homens-bomba em duas mesquitas usadas por muçulmanos xiitas no Iêmen nesta sexta-feira (20), de acordo com uma publicação no Twitter.
Pelo menos 126 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas nas explosões na capital Sanaa. Ambas as mesquitas são conhecidas por serem majoritariamente usadas pelo grupo muçulmano xiita Houthi, que tomou o controle do governo iemenita.

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Uma testemunha disse ter escutado duas explosões consecutivas em uma das mesquitas, em um bairro central da capital.

Hospitais de Sanaa estavam pedindo por doadores de sangue para ajudar no tratamento de um grande número de feridos.

Os huthis fazem suas orações nessas mesquitas e entre os mortos está o imã da mesquita de Badr e importante líder religioso da milícia, Al-Mourtada ben Zayd al-Muhatwari, segundo uma fonte médica.
Em frente às mesquitas, vários corpos jaziam em poças de sangue, enquanto os fieis transportavam os feridos para hospitais próximos.
A ascendência ao poder do grupo Houthi, apoiado pelo Irã, desde setembro do ano passado, aumentou as divisões da complexa rede política e de alianças religiosas do Iêmen, e deixou o país excluído do mundo exterior.
Aumento da força dos milicianos xiitas
Desde a insurreição popular de 2011, no âmbito da Primavera Árabe, que levou à queda do presidente Ali Abdullah Saleh, o poder central foi marginalizado por dois potentes grupos militares-religiosos que souberam aproveitar os acontecimentos para aumentar sua influência.
O primeiro, o movimento Ansarullah, recruta novos membros dentro da comunidade zaidita, um braço do xiismo que representa um terço da população do Iêmen.
Confinado no norte do país, nasceu como um movimento de protesto contra a marginalização dos zaiditas por parte do poder e pelo proselitismo sunita do partido islamita Al-Islah no norte do país.
Este grupo, inspirado no Hezbollah libanês e suspeito de receber o apoio do Irã, se concentrou em Sana em setembro de 2014 e estendeu sua influência ao oeste e ao centro do Iêmen. Se apoderou da capital em 6 de fevereiro.
Dirigido por Abdel Malek al-Huti, é suspeito de querer estabelecer o regime real do imanato (dirigido por imãs) zaidita abolido em 1962.
Arábica (AQPA), fruto da fusão em 2009 dos braços saudita e iemenita da rede sunita, é considerada pelos Estados Unidos um dos grupos jihadistas mais perigosos.
Muito presente no sul e no sudeste, a AQPA multiplica os atentados e ataques, provocando muitas perdas no exército. O grupo também capturou diversos estrangeiros. 
A AQPA reivindicou o atentado de 7 de janeiro contra a redação da revista satírica francesa Charlie Hebdo.
Apesar dos esforços das forças de segurança e dos ocidentais, a Al-Qaeda está se confirmando cada vez mais como a única força capaz de frear o avanço do Ansarullah.
Recrutando sunitas e agindo às vezes em cooperação com tribos hostis ao Ansarullah, a AQPA reivindicou desde setembro diversos atentados contra xiitas.
As esperanças de solucionar a crise através de um diálogo apoiado pelo emissário da ONU no Iêmen, Jamal Benomar, quase desapareceram.
O país está praticamente dividido desde que o presidente Abd Rabo Mansur Hadi se instalou em Aden, principal cidade no sul do país, depois de ter conseguido fugir de Sana, onde estava sitiado pela milícia xiita. 
Hadi, que havia sido forçado a renunciar em 22 de janeiro junto com o governo de Khaled Bahah pela pressão dos huthis, ainda é considerado pela comunidade internacional como o presidente legítimo do Iêmen. 
Nos círculos políticos, cada vez fala-se mais de um risco de guerra civil ou de uma divisão do país.
Como uma amostra deste risco, violentos confrontos foram registrados na quinta-feira em Aden entre os partidários de Hadi e as unidades das forças especiais de um general rebelde, que tentaram tomar o controle do aeroporto, enquanto um bombardeio foi lançado contra o palácio presidencial da cidade, sem atingi-lo. Hadi denunciou uma tentativa de golpe de Estado.
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