Série : Replantando hoje a igreja de amanhã – Parte 8

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Por Alessandro Miranda Brito

 
Com base nos capítulos
anteriores pergunto: será que a vida de uma igreja local, como um
grupo de pessoas, localizada no tempo e no espaço, possui características
semelhantes as de um organismo vivo que, consequentemente, sofre as mesmas ações
do tempo? A Bíblia nos diz que sim, pois: “Para tudo há uma ocasião, e um tempo para
cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de
plantar e tempo de arrancar o que se plantou”. [1]
 
Neste capítulo não
pretendemos analisar um movimento, como fizemos nos anteriores, mas buscar
entender o que alguns estudiosos chamam de ciclo de vida de uma igreja.[2] Mas o que é o
ciclo de vida de uma igreja?
Charles Arn nos ajuda a
entender isso dizendo o seguinte: “O ciclo de vida de uma igreja é normal e
previsível. Como a gravidade, é uma lei que simplesmente existe. E, goste
(você) ou não, todas as igrejas, incluindo a sua, estão sujeitos a ela…
”.[3]Claro que isso
não é aplicado à igreja universal, pois esta viverá eternamente. Porém a igreja
local, assim como um organismo vivo, passa por diversas fases vitais durante a
sua existência: nasce, cresce, amadurece, se reproduz, envelhece e morre.
Em 1962, um sociólogo da
religião, David Moberg, expressou por meio dos termos e etapas de
desenvolvimento de uma organização, o que trataremos aqui como o ciclo de vida
da igreja. Para Moberg as igrejas também passam pelos mesmos estágios de uma
organização: 1) A Organização
Incipiente, 2) A Organização Formal, 3) A Fase de Eficiência Máxima, 4) A Fase
Institucional, e 5) Desintegração.
O processo através do qual
uma instituição se desenvolve pode ser chamado história natural. Estudo de
muitas igrejas revelam um padrão típico através do qual elas passam à medida
que surgem, crescem, declinam e finalmente morrem. Fora da última pode vir a reorganização ou a
repetição de um ciclo semelhante dentro da mesma igreja ou em uma outra que
surge a partir de suas ruínas.
Ichak Adizes, gestor de mudanças, a fim de auxiliar CEOs e
equipes de gerenciamento a entenderem de forma eficaz as transições do ciclo de
vida escreveu o livro, Managing Corporate Lifecycles, onde disse: “Crescer não significa conseguir vencer todos os
problemas. Crescer significa ser capaz de lidar com problemas maiores e mais
complexos
.”[5] 

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Em um outro livro publicado em 1990, Adizes, explorou as
fases do desenvolvimentos de uma organização dizendo que ela vai de uma
determinada ascensão até à sua queda. Baseando-se nestas ideias várias relações
foram realizadas entre organizações e igrejas.

Martin F. Saarinen,
baseando-se nos mesmo padrões organizacionais de Adizes e Moberg realizou uma significativa
mudança na abordagem ao dizer que a igreja local possui não só fases de desenvolvimento organizacionais como também de
organismos vivos. Ou seja, seres vivos naturalmente nascem,
crescem, atingem um determinado platô, deterioram e fatalmente morrem. 
Porém para Saarinen isso não
se baseia nas etapas de um período cronológico e sim na presença ou ausência de
certas características identificadas por “estrutura genética” da vida de uma
igreja local:
Devemos entender, já de início, que o ciclo de vida de
uma congregação tem pouco, ou nada, a ver com o tempo cronológico. Um
calendário não pode ser utilizado para prever o aparecimento de uma fase
particular do ciclo de vida. Tem a ver com o relacionamento e equilíbrio de
certas “estruturas genéticas” comuns à vida congregacional
. [6]

A fase da vida de uma igreja
é determinada levando em consideração a força ou a fraqueza de quatro genes
básicos: energia, programa, administração e inclusão.[7] Mas o que isso
quer dizer?
Segundo o Saarinen o gene
“E” de energia inclui coisas como visão e esperança, emoção e entusiasmo, e uma
sensação de potencial e potência. Este gene é responsável por produzir o poder
e força necessários para o ministério. O gene “P”, programa, inclui o culto,
ensino, serviço, gestão e os programas como um todo da igreja. Este gene é o
que está localizado de forma externa, ou seja, visível. A administração, ou
seja, o gene “A” é aquele que determina a utilização eficaz e eficiente dos
recursos. Ele é o gene responsável pela coordenação que limita e define os
limites. O gene “I” de inclusão é o gene que integra, cria relacionamentos,
participação, resoluções de conflitos, autoridade e confiança na liderança. Ele
é o gene que fornece um sentido de posse num sentido de fazer parte de algo.
Os quatro fatores foram
considerados por Saarinen como as estruturas genéticas da congregação que se
combinam de forma diferenciada com os estágios do ciclo de vida da igreja. Dois
estágios caracterizam este ciclo: crescimento e declínio como ilustrado
abaixo. 


Nestes dois estágios quatro
fases descrevem o crescimento e quatro o declínio de uma congregação. Para
Saarinen certos princípios que
se aplicam ao ciclo de vida precisam receber um atenção especial, antes de
prosseguirmos com a descrição de cada etapa:

Em primeiro lugar, parece ser uma lei natural o progresso
de crescimento e o declínio de estágio para estágio. A experiência tem mostrado
que uma vez que na fase de crescimento, uma congregação irá progredir desda
Infância até Prime através do estágio da Adolescência, da mesma forma, uma vez
que a congregação está na fase de declínio, ele vai passar da Maturidade para a
Burocracia pela fase da Aristocrática.
Em segundo lugar, desenvolvimento e declínio não
progridem de forma ininterrupta de estágio para estágio. A passagem de uma
etapa para outra é marcada por um processo cíclico de morte e elevação, no qual
as forças de “E” predominam na fase de crescimento e as forças de
“A” na fase de declínio.

Terceiro, o crescimento pode ser abortado e declínio pode ser detido em
qualquer fase respectivas da cibernética. O crescimento pode ser abortado por
sucumbir às forças sedutoras da presunção (“isso não poderia acontecer
conosco”) ou desespero (esgotamento). Declínio pode ser detido por tocar
de novo as fontes inerentes da história do nascimento da vida da congregação
(ou seja, como ele veio a existir) ou na descoberta de um novo sentido de
missão na mudança de contexto (ou seja, estendendo seus ramos em um espaço novo
e alocando às suas raízes em seu novo solo). Situações de risco de morte para
uma congregação muitas vezes são oportunidades para redescobrir ou
reimaginar-se como ilustrado:


Em quarto lugar, o processo cíclico envolvido no
movimento de estágio para estágio contém as tarefas de implementação,
avaliação, prevenção e planejamento. Como a congregação executa essas tarefas
no contexto de cada momento (de crescimento) ou inércia (declínio) determina o
seu movimento de estágio para estágio.
Finalmente, é impossível encontrar um tipo
perfeito de congregação, cujas características coincidem com os de um
determinado estágio de desenvolvimento. Dada a qualidade dinâmica
da vida congregacional, a mudança é a única constante. Congregações, em
qualquer ponto dado no tempo, estão em transição de uma fase para outra e
fatores característicos de mais do que um estágio irão ser comisturados e em
tensão.[8]
Alice Mann, talvez influenciado por Saarinen,
por também trabalhar no mesmo instituto, Alban Institute[9], escreveu um
livro onde analisou o ciclo de vida da igreja em 1999:
Nada
na Terra vive para sempre. Talvez a criação pudesse ter se desenrolado de outra
forma, mas isso não aconteceu. Nenhum organismo vivo dura para sempre. Ao invés
disso, a vida se expressa em ciclos de vida do nascimento à morte, emerge e
declina.
A conservação de uma espécie não é assegurada pela manutenção de uma
amostra individual, mas sim pela capacidade de cada geração para semear as
sementes da próxima
.[10]
 
Mark Driscol, em artigo escrito para o ministério
Resurgence, apresentou algumas fases do ciclo de vida de uma igreja: 
Existem muitas estações na vida de uma igreja.
Saber qual é a temporada de sua é crucial para a sua saúde, longevidade e, o
mais importante, para o maior avanço do evangelho. As seguintes nove estações
da vida da Igreja vêm de minhas observações com o plantio da Mars Hill Church e
por ter auxiliando centenas de outras plantações de igrejas por meio do Acts
29
.
 
1. GESTAÇÃO – Nesta fase, a visão é plantada.
Deus chama um líder (ou líderes) para começar uma nova igreja e esclarece as
especificidades de sua visão. Um núcleo inicial de pessoas se juntam, um local
de reunião é fixado, alguns ministérios começam a se formar, e fundos são
adquiridos.

2. NASCIMENTO – Durante esta estação a igreja
deixa de ser um conceito para ser uma realidade. Ele se abre para convidar a
comunidade em geral e centra a sua atenção na evangelização, o crescimento, a
implementação de novos sistemas e formação de novos líderes.

3. INFÂNCIA – Infância é o período de tempo em
que a participação se estabelece em um padrão um pouco estabilizado,
planejamento de longo prazo começa, novos programas são adicionados, e as
estruturas administrativas crescem para se preparar para o crescimento numérico
e evolução da visão.

4. ADOLESCÊNCIA – Nesta estação, a frequência da
igreja começa crescer em posições de liderança, o governo começa a se formar, e
a frequência e a donativos começam a aumentar.

5. MATURIDADE – Quando a igreja começa a
amadurecer, novos líderes são acionados, a igreja ganha confiança e agora tem
estabilidade suficiente, o governo e liderança são solidificados e e a
frequência e a donativos se tornam mais fortes. A igreja agora é independente, autogovernada, e autofinanciada. Também é comum para as igrejas desta época
comprar suas próprias instalações.

6. PARENTAL – Parental é o momento em que a
igreja está pronta para reproduzir-se, entregando a liderança e verbas com o
objetivo de iniciar um novo ciclo de plantação de igrejas. Isso resulta no nascimento
de uma nova congregação. O único elemento aqui é que a igreja (as) patrocinadora de uma nova igreja tem um grande interesse em orar por e prender
o novo trabalho, uma vez que se sacrificaram por ele.

7. GRANDPARENT (Avós) – Esta época na vida de uma
se dá quando eles plantaram igrejas suficientes para começa a ver a de terceira
e quarta geração de igrejas nascerem.

8. MORTE – Quando uma igreja não é saudável, ela
morre. Uma igreja não é saudável quando não mais experimenta o crescimento por
meio da conversão ou atrai jovens líderes. Neste ponto a igreja enfrenta um
dilema fundamental. Um, ela pode negar a sua morte iminente, vender seus ativos
para prolongar a sua morte, redefinir sua missão de defender a sua morte, e
simplesmente sobreviver à medida que a lenta e dolorosamente morte e reescrever
os melhores anos de sua história para se sentir importante e bem sucedida.
Dois, ela pode abraçar a sua morte iminente como uma oportunidade para
ressuscitar.[11]
De
acordo com Stephen C. Compton, consultor de igrejas que auxilia
congregações em declínio, a morte é algo inevitável e natural:
Inevitavelmente,
algumas igrejas, (que foram) uma vez fortes e vitais em seus ministérios e
influência morrem. Certamente, esta é uma ocasião infeliz para os membros
remanescentes da igreja e para aqueles que apoiaram em seus anos de declínio.
Mas, quando visto em termos dos benefícios ao longo da vida proporcionada pela
igreja aos seus membros e sua comunidade, seu fim não tem que ser um evento
totalmente triste. Um fim natural da vida é a morte. O mesmo pode ser verdade
para uma organização ou movimento. Genialidade de Deus é exibida no fato de que
a vida e a morte são naturais e necessários para a perpetuação do sucesso da
criação
.[12]
Várias
igrejas hoje a fim de não serem categorizadas como enfermas, buscam o sucesso
por meio do crescimento ou lutam para a sua autopreservação. Bonhoeffer, porém,
disse o seguinte quanto a falta de uma visão correta sobre a missão das
igrejas: 

Nossas
igrejas, que têm lutado nesses anos apenas para sua autopreservação, como se
isso fosse um fim em si mesmo, são incapazes de levar a palavra de
reconciliação e redenção para a humanidade e para o mundo. Nossas palavras
anteriores são assim destinadas a perderem a força e cessarem
.[13]
Entendemos
que o ciclo de vida de uma igreja local vê a igreja como um organismo vivo que
também passa por todas as fases do ciclo: nasce, cresce, reproduz e morre. Assim
a plantação, crescimento e revitalização das igrejas são tentativas
justificáveis de se evitar a morte, porém não evitarão algo que é natural e
determinado por Deus. Ou seja, a igreja local é um organismo vivo que não
existe indefinitivamente. Assim podemos concluir este capítulo defendendo a
tese de que toda igreja local, inserida no tempo e no espaço, diferente da
Igreja universal, inserida na eternidade, nasce para um dia morrer.

Confira outros capítulos 

 

Notas 

[1] Eclesiastes 3.1-2
[2]Hernandes Dias Lopes diz que:
“A igreja é um organismo vivo. Ela cresce naturalmente”Ver em, LOPES, H. D.
& CASIMIRO D. A., Revitalizando a igreja: Na busca por uma igreja viva,
santa e operosa. São Paulo: Hagnos, 2012, p. 11 
[3] CHARLES Arn, How to Start
a Second Service: Your Church Can Reach New People. Grand Rapids:Baker, 1997,
p. 31-32 
[4] DAVID O. Moberg, The
Church as a Social Institution. Englewood: Prentice Hall, 1962, p.
118-123 
[5] ADIZES, Ichak. Corporate
Lifecycles: How and Why Corporations Grow and Die and What to Do About It. The
Adizes Institute, 1990. P.6 
[6] SAARINEN,
M. F. The Life Cycle of a Congregation. Bethesda: Alban Institute, 1986, p.4 
[7] Ibid, p.4-5 
[8] Ibid, p.6-8  
[9] O Instituto Alban fortalece
congregações através da realização de pesquisas sobre as questões mais urgentes
e críticas enfrentadas pelas congregações, recursos de publicação, oferecem
eventos de educação e formação, fornecendo serviços de consultoria para
congregações em suas comunidades locais. Mann, Beth e Saarinen publicaram as
suas pesquisas e ideias por meio do Alban Institute.  
[10] MANN, Alice. Can Our
Church Live? Redeveloping Congregations in Decline. Bethesda: Alban Institute,
2000, p.1 
[11]
http://theresurgence.com/2012/06/11/the-9-seasons-of-a-churchs-life 
[12]
http://www.alban.org/conversation.aspx?id=2404  
[13] David
Bosch, Transforming Mission: Paradigm Shifts in Theology of Mission. Maryknoll, N.Y.: Orbis, 1991, 518-519
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