Série : Replantando hoje a igreja de amanhã – Parte 4

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                                                                                                              Por Alessandro Miranda Brito 

Diante dos ditames do pragmatismo,
uma infinidade de igrejas cresceram, e ainda crescem, mas o que esse
crescimento quer dizer? Para o Movimento de Crescimento Saudável da Igreja,
MCSI, nem todo crescimento é algo positivo e em alguns casos não passa de um
“inchaço”?. Assim o problema enfrentado
pelas igrejas em declínio não está simplesmente relacionado a falta de
crescimento numérico, mas ligado a falta de integridade doutrinária em que
muitas igrejas se encontram hoje. Uma igreja enferma espiritualmente, pode até
crescer por um tempo, entretanto, consequentemente declina e fatalmente morre
quando se torna sincrética ou liberal. Em ambos os casos a Escritura ou sofre
subtrações ou adições que alteram a verdade. 
Apesar dos
esforços do Movimento de Crescimento de Igrejas a sua influencia começou a
diminuir por conta de uma infinidade de críticas que surgiram contra o
movimento, principalmente em relação a ênfase no crescimento numérico ao invés
de um crescimento “espiritual”.[1] 
HISTÓRIA DO MOVIMENTO E SEUS
PRINCÍPIOS
 
Em meados
dos anos 90, vários líderes que haviam sido, de certa forma, influenciados por
Donald McGavran, insatisfeitos com os resultados do pragmatismo do MCI,
apresentaram um nova explicação para a morte da igreja e defenderam uma forma
de se evitar a estagnação, declínio e morte da igreja. Para este grupo, igrejas
que não são saudáveis morrem, assim o problema para estes não está do lado de fora, mas sim do
lado de dentro da igreja. Todo o evangelismo e esforço para alcançar os que
estavam do lado de fora da igreja resultaria em um acréscimo numérico, mas
enfermo. [2]
Uma Igreja com Propósito  
Em 1995, por
exemplo, Rick Warren, um seguidor dos princípios de McGavran[3], publicou o conhecido livro, The Purpose
Driven Church, dizendo que:
O problema de muitas igrejas é que começam com a pergunta
errada. Eles perguntam: O que fará a nossa igreja crescer? É um mau começo. A
certa é: O que está impedindo o crescimento de nossa igreja? Quais barreiras
estão bloqueando as ondas que Deus está colocando em nosso caminho? Quais
obstáculos e empecilhos que não permitem que o crescimento aconteça?… Todas
as coisas vivas crescem, não sendo necessário um trabalho especial para fazer
com que isso ocorra. É um processo natural em seres vivos saudáveis. Não
preciso mandar meus três filhos crescerem, por exemplo. Eles crescem naturalmente.
Desde que eu tire certos obstáculos, como má alimentação ou ambientes
inadequados, o crescimento deles será automático…. O crescimento de uma
igreja é o resultado natural de sua saúde. Uma igreja somente pode ser sadia
quando sua mensagem é bíblica e sua missão equilibrada
. [4] 
McIntosh diz que
alguns dos percussores do MCSI, diferente de Rick Warren, a fim de não se
assemelharem ao MCI, realizaram críticas mais severas, porém ainda assim
seguiam vários de seus princípios:
Como o movimento de crescimento da igreja entrou no
vigésimo primeiro século, os princípios de crescimento da igreja de McGavran
tinha sido enxertado no pensamento da maioria das igrejas e denominações
protestante norte-americana. Princípios de crescimento da igreja são
valorizados, respeitados e amplamente ensinada em teologia pastoral e cursos de
missiologia. Infelizmente, a confusão continua a surgir sobre o Crescimento da
Igreja, como ilustrado em um livro, best-seller, de 1997, Fresh Wind, Fresh
Fire, por Jim Cymbala. Cymbala faz crítica em seu livro sobre Crescimento da
Igreja, mas os leitores vão descobrir que ele está realmente seguindo muitos
princípios do Crescimento da Igreja, como a oração, espiritualidade apaixonada,
compromisso com a autoridade das Escrituras, e relevância cultural, em sua
igreja, mesmo não reconhecendo-os como princípios de crescimento da igreja
.[5]
Desenvolvimento Natural da Igreja
Surgiu na
Alemanha, Christian Schawrz, talvez um dos maiores críticos do MCI que em 1996
publicou uma obra em uma clara oposição ao pragmatismo. Para Schawrz os
princípios de crescimento deviam seguir as leis de Deus na natureza e não
modelos mecânicos e sem “espiritualidade” do MCI: 
Princípios são valores universais que estão presentes em
toda a Igreja de Cristo, independente da localização geográfica, ou qualquer
outro fator, enquanto que modelo, e um molde arbitrário de valores
convencionados e não divinos, que se deva seguir, é uma imitação dos
procedimentos, quando princípios, se baseiam nos valores
.[6]
Sua pesquisa
foi bastante extensa e exaustiva a fim de não repetir o erro cíclico de se
analisar apenas um local, extrair um modelo e querer inserir uma realidade
local em outro. Segundo Schwarz os seus dez anos de pesquisas em mais de 1.000
igrejas espalhadas em 32 países funcionavam realmente, ao contrário do
Movimento de Crescimento da Igreja, pois a igreja cresce naturalmente quando
implantada sob condições e qualidades necessárias.[7] Ele deixa isso claro ao dizer:
Muitos cristãos que têm um desejo profundo por
crescimento, cujos corações estão ardendo pelos perdidos e que estão dispostos
a avaliar criticamente a sua própria forma de trabalho, nunca se identificam
com o movimento do crescimento de igreja. Eles têm a impressão de que nesse
movimento sempre são apresentadas receitas simples que, na prática, não
funcionam.
[8]
Nove Marcas de uma Igreja Saudável
Uma outra
oposição ao MCI foi realizado por Mark
Dever e Matt Schmucker da Capitol Hill Baptist Church, em Washington, DC. Ambos
tinham estado em uma congregação em declínio durante várias décadas, quando
Dever e Schmucker começaram a “reformá-la” (termo utilizado por eles) no início
de 1990 eles não seguiram a convencional literatura do MCI, mas focaram na
edificação bíblica da igreja.[9] Dever posteriormente escreveu um livro
intitulado, 9 Marcas de uma Igreja Saudável, onde destaca nove características
chaves de uma igreja saudável.[10]
 
Este livro
representou um contraste em relação aos livros que surgiram na década de 90
sobre o tema da saúde da igreja, com destaque para o livro, Uma Igreja com
Propósitos. Mesmo o livro de Warren afirmando ter como tema a saúde da igrejas,
acabou tendo como foco o crescimento. No livro 9 Marcas, Mark Denver foi capaz
de separar a saúde do crescimento, e os princípios dos modelos. O foco foi
sobre como “ser” igreja ao invés de se “fazer” igreja, tendo uma preocupação
com a santidade da igreja acima dos números ou relevância cultural. Nesta obra, Denver revela uma sua
profunda preocupação com a enfermidade vivida pelas igrejas e propõe nove princípios,
ou como o autor chama, marcas: “…abordar algumas
marcas que distinguem as igrejas saudáveis de igrejas verdadeiras, porém
enfermas…”.[11]
PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS
De acordo
com McIntosh, mesmo Schawarz sendo uma clara oposição ao movimento de
Crescimento da Igreja muitos de seus princípios já eram estudados e
disseminados por todo mundo muito antes das pesquisas desenvolvidas pelo
Desenvolvimento Natural da Igreja. Ele diz o seguinte:
Outro caso interessante é o uso recente do termo igreja
saudável, em vez de crescimento da igreja. Pessoas em alguns círculos têm ido
em direção a aceitação da nova terminologia e o novo paradigma da saúde da igreja.
O mais popular livro do movimento igreja saudável é o livro Desenvolvimento
Natural da Igreja por Christian Schwartz. A posição do autor em seu livro é uma
rejeição ao Crescimento da Igreja, mas depois vai apresentando as conclusões a
partir do que é relatado ser o maior estudo das igrejas já concluídos. Para
leitores conhecedores ​​da literatura do Crescimento da Igreja, as oito
qualidades essenciais de Schwartz da igreja saudável são
simplesmente
afirmações dos resultados dos estudos anteriores do Crescimento da Igreja
apresentados no anos 70 e 80. Um crítico escreveu: ‘Na minha opinião, se os
líderes da igreja abraçarem o Desenvolvimento Natural da Igreja, adotarão o
coração de Donald McGavran sobre o pensamento sobre o crescimento da igreja.’ Curiosamente,
a maioria dos pastores e líderes denominacionais que adotaram Desenvolvimento
Natural da Igreja acham que têm rejeitado o pensamento do Crescimento da Igreja
e adotado pensamento da igreja saudável. Princípios de crescimento da igreja
tornaram-se tão profundamente arraigados que os líderes não percebem que eles
estão realmente usando ideias de crescimento da igreja! [12]
O MCSI, foi
de suma importância para evitar a morte da igreja local durante os últimos 40
anos. Várias obras surgiram sob a influencia destes movimentos. A Revitalização
de Igrejas é um bom exemplo dos benefícios que surgiram, a partir da influencia
do MCSI, pois restaurar a saúde espiritual da igreja é o foco principal da
revitalização, diz um de seus principais líderes, Harry Reeder, em seu livro,
From Embers to a Flame:
O que acontece quando uma igreja não progride mais, está
estagnada, morrendo ou declinando? Ou, que problemas você deve evitar para
impedir que a igreja caia em ineficácia e desapontamento? É claro que uma queda
na frequência aos cultos e na arrecadação geralmente é sinal de enfermidade.
Porem, há outros sinais, menos óbvios, que observei em igrejas que precisam de um
ministério de revitalização…O conceito de ‘recuperação’ é usado na área da
medicina, o que o torna apropriado à revitalização de igrejas, pois nosso
objetivo deve ser uma igreja saudável… O objetivo não deve ser o crescimento
da igreja, mas a saúde da igreja, pois o crescimento deve proceder da saúde
.[13]
Livros
publicados no Brasil sobre revitalização de igrejas expressam a mesma opinião:
“A igreja é um organismo vivo. Ela cresce naturalmente. Se não cresce é porque
está doente e, se está doente, precisa ser revitalizada. Uma igreja pode
adoecer e até morrer”, disse Hernandes Dias Lopes.[14] Existe até mesmo um curso de
Pós-Graduação em revitalização de igrejas no Brasil oferecido pelo Centro
Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. O curso visa especializar pessoas
com vistas à condução do processo de revitalizar igrejas estagnadas ou em
declínio.[15]
O que não
pode deixar de ser pontuado é que este movimento, mesmo com uma série de
resultados positivos, não foi capazes de atingir 100 por cento de seus
objetivos iniciais, pois continuamos a ver igrejas em declínio. Aubrey Malphurs publicou um livro em
1994, Vision  America, dizendo o seguinte: “O problema da igreja na década
de 1980 transitou para a década de 1990. A igreja como um todo continua a
experimentar declínio e o aumento de pessoas sem igreja.”[16]
Dottie Escobedo-Frank analisa a
revitalização da seguinte forma:
Algumas igrejas ainda estão vivas,
mas declinando rapidamente. Algumas estão próximas da morte, agarradas naquilo
que foi a esperança de um futuro. Como resultado de uma óbvia experiência de
morte da congregação, estruturas denominacionais estão buscando caminhos para
“revitalizar” igrejas. Revitalização significa pegar algo que existe e torná-lo
vivo novamente. Tende a usar a liderança corrente, compreensões correntes do
que significa ser uma igreja, localização corrente e estilos de adoração correntes.
Revitalização faz a suposição de que o que é já foi vital antes e, pode ser
vital outra vez, se fizermos o mesmo, só que melhor. Então, igrejas aumentam
programas, dólares gastos e fórmulas adotadas, a fim de trazer a re, em
revitalização. O prefixo re, significa “de volta ao lugar de origem.”
Revitalização implica voltar no tempo para recuperar um período em que o papel
da Igreja na sociedade era vital. A busca de revitalização da igreja
normalmente não faz muito mais do que o mesmo, mas de uma forma mais empolgada
.[17]
As setes
igrejas da Ásia, mencionadas no capítulo 2 e 3 do livro de Apocalipse,
receberam consultoria do maior especialista sobre a saúde da igreja. Jesus
Cristo mostrou claramente que existia enfermidades sérias dentro das igrejas.
Entre as sete igrejas, podemos destacar a igreja de Laodiceia, uma igreja
ortodoxa, ou seja, com a doutrina equilibrada, mas que mesmo assim recebeu a
maior censura por parte de Jesus. Uma igreja ética e sem problemas morais,
mas que ainda assim não resistiu ao tempo, pois todas as sete igrejas morreram e o que
resta hoje são ruínas que relembram um passado de glória. A antiga Ásia Menor,
hoje a região da Turquia possui pouco mais de 1% da população composta por
cristãos.
Concluímos este capítulo dizendo que
a busca por um crescimento saudável é absolutamente necessário, assim como a
revitalização de igrejas também é fundamental. Porém observamos, hoje, segundo
os últimos relatórios estatísticos, que mesmo com todo o trabalho de se
implantar um processo de edificação saudável, ou um processo de revitalização
de igrejas saudáveis, ainda não se evitou o declínio ou morte de várias
igrejas. E quanto às sete igrejas da Ásia, será que se negaram a realizar as
mudanças propostas por Jesus? Qual seria o problema e consequentemente a
solução para o declínio e morte da igreja então? 

Notas

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[1] WILBERT, S. R. Write the Vision.
Valley Forge: Trinity Press International, 1995, p.43
[2]Karl Barth anos antes do surgimento
do movimento dizia: “Um crescimento que é meramente abstratamente extenso não é
o crescimento [da comunidade] como a communio sanctorum. Assim, ele nunca pode
ser saudável se a Igreja pretende crescer apenas ou predominantemente neste
sentido horizontal, com vista a um maior número de adeptos”. Ver em: BARTH, Karl. Church Dogmatics.
Edinburgh: T. & T. Clark, 1957
[3]WARREN, Rick. The Purpose Driven
Church
: Growth Without Compromising Your Message & Mission, Michigan:
Zondervan, 2004 p.29
[4]WARREN, Rick. The Purpose Driven
Church
: Growth Without Compromising Your Message & Mission, Michigan:
Zondervan, 1995, p.49
[5]
McINTOSH, G. L. Evaluating the Church
Growth Movement
: 5 Views.Michigan: Zondervan, 2004 p.22
[6]SHWARZ, Cristian A. O Desenvolvimento
Natural da Igreja
. Curitiba: Editora Evangélica Brasileira 1996, p.15-17
[7] O desenvolvimento natural da igreja de Shwarz baseou-se
em princípios universais onde oito marcas foram  destacadas. Marca número
1. Liderança capacitadora; 2. Ministérios orientados pelos dons; 3.
Espiritualidade contagiante; 4. Estruturas funcionais; 5. Culto Inspirador; 6.
Grupos familiares; 7. Evangelização orientada para as necessidades; 8:
Relacionamentos marcados pelo amor fraternal. A pesquisa mostrou que existe uma
correspondência altíssima entre a capacidade de amar de uma igreja e o seu
potencial de crescimento. Isso implica em tempo de relacionamento fora das
programações da igreja. Ver em: SHWARZ, Cristian A. O Desenvolvimento
Natural da Igreja
. Curitiba: Editora Evangélica Brasileira 1996
[8]Ibid, p.6
[9] Disponível em: 
http://www.9marks.org/about/who-9marks/.  Acesso em: 07 jan. 2014.
10:30:00
[10] As marcas de uma Igreja Saudável segundo Denver são: 1.
Pregação expositiva; 2. Teologia bíblica; 3. Compreensão bíblica do Evangelho;
4. Compreensão bíblica da conversão; 5. Compreensão bíblica da evangelização;
6. Compreensão bíblica da membrazia; 7. Disciplina bíblica da igreja; 8.
Promoção do discipulado; e 9. Uma compreensão bíblica da liderança da igreja. Ver em: DEVER, Mark & PLATT,
David. Nine Marks of a Healthy Church Crossway, 1997
[11] Ibid,
P.24
[12] Ibid, p. 22
[13] REEDER III, Harry L.: A Revitalização da sua Igreja
segundo Deus
. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2011, p.12, 38
[14] LOPES, H. D. & CASIMIRO D. A., Revitalizando a
igreja:
Na busca por uma igreja viva, santa e operosa. São Paulo: Hagnos,
2012, p. 11
[15] Disponível em: http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/swf/index.html#.
Acesso em: 07 jan.
2014. 10:30:00
[16] AUBREY Malphurs. Vision America: A Strategy for Reaching a Nation.
Grand Rapids: Baker Books, 1994, p. 62
[17] ESCOBEDO-FRANK, Dottie. Restart Your Church.
Nashville: Abigdon Press, 2012, p.6
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