Série : Replantando hoje a igreja de amanhã – Parte 3

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Por que igrejas morrem? No livro Autoridade e Poder, destaquei
várias comunidades cristãs que foram vítimas do exercício despótico do poder,
durante a história, todavia a perseguição parece não ser a única causa da morte
de algumas igrejas.[1] No Congresso Internacional para
Evangelização Mundial realizado em 1974 em Lausanne, Suíça, a perseguição não
foi, nem ao mesmo vista, como a causa principal da morte da igreja local, mas
uma tempestade permitida por Deus para disseminar a semente da Palavra e
espalhar os semeadores e ceifeiros por muitos campos.
Muitos estudiosos defenderam neste congresso que o problema do
declínio da igreja, hoje, era algo que ia além das perseguições sofridas pelas
igrejas locais,[2] pois existe uma maior tolerância e
liberdade religiosa na maioria dos países, principalmente aqueles que assinaram
a Declaração Universal dos Direitos Humanos na Assembleia Geral da ONU em 1948.
Como, tentam, alguns movimentos evitar essa morte em tempo de paz? Como
explicar a morte da Igreja Local?
HISTÓRIA DO MOVIMENTO E SEUS PRINCÍPIOS 
Estudiosos liderados por Donald McGavran[3], apresentaram[4] outros fatores para explicar os reais
motivos da morte da igreja local. Uma pergunta levantada por eles, conhecidos
hoje como parte do Movimento de Crescimento da Igreja, norteiam os estudos: Por
que algumas igrejas crescem, enquanto outras igrejas não? Pergunta realizada
frente ao fenômeno observado de que em alguns campos missionários as igrejas
crescem rapidamente, mas em contra partida outras crescem lentamente ou
declinam e morrem. Para o Movimento de Crescimento da Igreja, que a partir de
agora tratarei como MCI, a falta de um evangelismo, precedido de pesquisas e
métodos pragmáticos, é o problema do declínio e morte da igreja local.[5]
Alguns de seus estudiosos buscaram então reverter o declínio da
igreja, evitando consequentemente a morte da igreja local, por meio de suas
pesquisas e métodos realizados principalmente no campo acadêmico. Em 1965 já
havia sido estabelecido o School of World Mission no Fuller Theological
Seminary.[6] Winfield C. Arn foi um dos alunos de
McGavran, responsável em estabelecer o Instituto de Crescimento da Igreja
Americana em parceria com McGavran em 1973. Em 1988 Arn publicou um livro
intitulado, The Pastor’s Manual for Effective Ministry, chamando a atenção para
uma nova realidade nos EUA. Neste livro Arn demonstra como a América havia se
tornado um campo missionário, ou seja, ao invés de enviar missionários deveria
pregar para seus próprios conterrâneos.[7]
O núcleo central do MCI possui mais de 150 princípios que
possivelmente levam uma igreja a crescer segundo os autores que surgiram nos
últimos 30 anos. Porem sete conceitos podem ser destacados a fim de entendermos
melhor o que realmente vem a ser este movimento, conforme apontou Gary L.
McIntosh, líder especialista, da segunda geração do movimento, em um de
seus artigos:
Movimento de Pessoas. “As pessoas gostam de se tornarem cristãos sem ter que
cruzar barreiras linguísticas, raciais ou de classe” (Wagner 1986, 17). Nenhum
conceito de crescimento da igreja tem recebido tanta atenção quanto a este
princípio fundamental. Conhecido popularmente como princípio de unidade
homogênea, foi mal entendido por ser um princípio de exclusão, quando na
verdade, é um princípio de inclusão: como trazer mais pessoas para Cristo.
Pesquisa Pragmática. Um distintivo da teoria do crescimento da igreja é o baseado em
pesquisa pragmáticas. Os praticantes usam questionários, entrevistas,
observações de campo e análises históricas em seus projetos de pesquisa.
“Crescimento da Igreja tem uma abordagem pragmática ferozmente na
avaliação dos resultados, utilizando dados para determinar a fidelidade e
eficácia nas missões da Igreja “(McGavran 1980, 335).
Pesquisa Científica. Vendo toda a verdade como a verdade de Deus, os pesquisadores do
crescimento da igreja aproveitam todas as disciplinas científicas que possam
ajudá-los a cumprir a comissão de Cristo. Os líderes da igreja estudam a
ciências sociais, a antropologia e a sociologia, a fim de aprenderem sobre a
dinâmica e as tendências culturais. Essa informação é colocada em uso de forma
que possa auxiliar o crescimento de uma congregação local.
Relacionamento. Estudos sobre o crescimento da igreja descobriram que o
cristianismo se espalha mais rapidamente ao longo das redes naturais de pessoas
e em suas unidades sociais, em vez de através das redes. Abordagens mais
populares de evangelismo, tais como evangelismo estilo de vida, o evangelismo
da amizade, e evangelização das famílias, traçam suas raízes para essa
percepção.
Receptividade. Uma descoberta precoce de investigação do crescimento da igreja
percebeu que as pessoas são mais sensíveis à mensagem do evangelho, quando eles
podem vir a fé, sem ter que atravessar barreiras linguísticas ou culturais.
Estratégias evangelísticas, então, devem se concentrar em grupos específicos de
pessoas, com recursos direcionados para aquelas que parecem ser as mais
sensíveis.
Prioridade. Os cristãos devem estar envolvidos em “discipulado” e
“aperfeiçoamento”. Esses termos são basicamente sinônimos de “evangelizar” e
“nutrir”, e ambos devem ser aspectos importantes da igreja
ministério. 
Propósito. O objetivo central da igreja é alcançar homens e mulheres
perdidos e trazê-los(as) para a adesão responsável as igrejas cristãs. Não é suficiente
apenas convencer as pessoas a tomarem decisões para Cristo. Proclamação e
persuasão deve conduzir a assimilação de convertidos nas congregações
pragmáticas locais, discipulado propositalmente. [8]

PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS
Várias são as contribuições que se sucederam após o
desenvolvimento dos fundamentos teóricos do movimento. Hoje sete áreas são as
que mais se beneficiaram por meio destes estudos:
A identificação dos povos
ocultos
. Mais de 16.000
alcançados grupos de pessoas foram identificadas e orientadas para uma futura
ênfase evangelística. 
A preocupação com a
plantação de igrejas
. A recente ênfase no
plantio de igreja nos Estados Unidos está enraizada firmemente no Movimento do
Crescimento da Igreja. 
A ênfase na Grande
Comissão
. O foco na continuidade
do evangelismo mundial através da análise e investigação surgiu a partir do
foco na pesquisa pragmática do crescimento da igreja. 
O estabelecimento de um
novo campo acadêmico
. A maioria dos seminários
agora oferecem uma ênfase educacional em estudos de crescimento da igreja,
particularmente em programas de Doutorado Ministerial. 
A revitalização de igrejas. Dezenas de denominações e milhares de igrejas foram alertados
para o seu declínio e têm sido dada uma ajuda específica para renovar o seu
crescimento. 
O entendimento de igrejas. Os líderes da Igreja têm agora um melhor conhecimento dos ciclos
de vida, dos padrões de crescimento, barreiras e das necessidades de tamanhos
diferenciados de igrejas
.[9] 
Em 2004 McIntosh publicou um livro intitulado, Evaluating the
Church Growth Movement, onde realizou uma avaliação em conjunto com outros
autores sobre o movimento. Neste estudo observaram que as mais diversas
especializações e sub-especializações resultaram em uma múltipla interpretação
do movimento e uma variedade de ministérios sob o rótulo de Crescimento da
Igreja. Por exemplo:
A plantação de igrejas, grupos de células, oração, guerra
espiritual, estudos geracionais, gestão de conflitos, agência de mudança,
planejamento de longo alcance, liderança, captação de recursos, e outros
ministérios têm contribuído para um mal entendimento do Crescimento da Igreja.
A esta diversificação relaciona-se o número de organizações identificadas como
parte do Movimento de Crescimento da Igreja. Por exemplo, um pesquisa descobriu
que foram mencionados como organizações de Crescimento da Igreja: Campus
Crusade for Christ, Renewal Magazine, Dallas Theological Seminary, Leadership
Network and Son Life. Cada um deste ministérios é certamente útil para a causa
de Cristo, mas eles não são diretamente parte do Movimento de Crescimento da
Igreja
.[10]
Algumas objeções foram levantadas em oposição ao Movimento de
Crescimento da Igreja vinte anos após o congresso de Lausanne. Uma das críticas
foi o foco dado de forma excessiva aos números, estatísticas, uso de
metodologias e, uma das maiores críticas, o princípio de unidade homogênea.[11] Para os críticos do Movimento de
Crescimento da Igreja todo o pragmatismo do movimento não gerou um genuíno crescimento,
mas sim uma redistribuição de cristãos entre as igrejas e até um racismo
mascarado por conta do princípio da homogeneidade.[12]
Pela observação dos aspectos analisados sobre o Movimento de
Crescimento de Igrejas somos levados a acreditar que seus princípios
impulsionaram, de certa forma, o crescimento de várias igrejas o que deixa
claro que, quando colocados em prática funcionam. Mas com o crescimento de
várias igrejas no Brasil cresceu também o número de evangélicos sem igreja. 
Segundo pesquisa realizada pelo IBGE entre 2003 e 2009 o número de
evangélicos que se disseram sem vínculo institucional passou de 4% para 14%, o
que representa quase 4 milhões de pessoas.[13] Por que o número de pessoas sem igrejas
tem aumentado? Houve um real crescimento ou somente transferência de membros em
busca de algo novo e atrativo? O mero crescimento numérico é evidência de uma
evangelização bíblica e genuína?

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Confira o capítulo 4 

Notas 

[1] BRITO, Alessandro
Miranda. Autoridade e Poder:Ensaios Interdisciplinares de História do
Cristianismo. São Paulo, Brasil: Editora Reflexão, 2013,
p. 73.
[2] On the Cutting Edge of Mission Strategy
by C. Peter Wagner in Perspectives on the World Christian Movement: A Reader
4th Edition, William Carey Library, 2009, p. 578.
[3] Donald McGavran é
considerado hoje como o pai do Movimento (moderno) de Crescimento da Igreja.
Nascido na cidade de Damoh, India em 1897, McGavran foi neto e filho de
missionários que totalizavam mais de 279 anos de serviço na India. Atuou como
missionário na Índia por vários anos. Em 1932 McGavran foi eleito secretário
executivo de sua missão na Índia onde após analise de seu campo missionário
percebeu que das 145 congregações apenas dez de suas igrejas estavam crescendo.
Frustrado com este baixo desempenho conduziu uma pesquisa a fim de encontrar os
motivos que explicassem o sucesso de algumas e o fracasso de outras igrejas em
sua área. Em 1936 deixou a sua posição de secretário executivo e dedicou os
seus próximos 18 anos em trabalhos evangelísticos. As suas ideias foram
testadas de forma real no campo missionário e em 1951 escreveu o livro Bridges
of God
, o que muitos consideram como sendo a Carta Magna do movimento.[3]
Em 1954, McGavran foi convidado para realizar estudos em nove outros campos
missionários e em 1959 publicou as suas pesquisas no livro intitulado, How
Churches Grow.
[4] Estes fatores foram
apresentados no Congresso Internacional para Evangelização Mundial em 1974.
[5] Três princípios formam o
núcleo central deste movimento segundo Donald McGavran. O primeiro princípio
fundamental é perceber que Deus quer que seus filhos perdidos sejam encontrados
e envolvidos. O crescimento da igreja explode por meio da natureza do Deus
eterno que dá vida. Jesus Cristo deu aos seus discípulos, a Grande Comissão, e
todo o Novo Testamento pressupõe que os cristãos proclamem Jesus Cristo como
Deus e Salvador e encoraja homens e mulheres para se tornarem seus discípulos e
membros responsáveis ​​de sua igreja. Descobrir os fatos de crescimento da
igreja é o segundo princípio essencial do pensamento Crescimento da Igreja.
Investigação responsável sobre as causas e as barreiras para o crescimento da
igreja deve ser conduzida. Deus nos deu a Grande Comissão, e não ousamos supor
que tudo está indo bem ou que estamos fazendo o melhor que pode ser feito. O
Senhor da colheita quer a sua ovelha perdida encontrada, e devemos prestar
contas ao seu comando. Descobrindo o grau de crescimento ou declínio e
afirmando tais fatos significativos é crucial para o fiel. O terceiro princípio
essencial é o desenvolvimento de planos específicos com base nos fatos que são
descobertos. Tomando a iniciativa de estabelecer metas e desenvolver
estratégias ousadas para ganhar pessoas para Cristo e plantar novas igrejas
deve ser o resultado prático de convicção e de investigação significativa. Ver em: McINTOSH, G. L. Evaluating the Church Growth Movement: 5
Views; Michigan: Zondervan, 2004 p.15-6
[6] Já em 1965 foi
estabelecido o School of World Mission no Fuller Theological Seminary. McGavran
reuniu nesta instituição um grupo de professores que pudessem comunicar os
princípios do movimento em volta do mundo. Entre
eles podemos citar: Alan R. Tippett, J. Edwin Orr, Ralph Winter, Charles H.
Kraft, Arthur F. Glasser and C. Peter Wagner. Como os Estados Unidos já enfrentavam um
acentuado declínio, em 1972 McGavran and Wagner iniciaram um curso piloto sobre
o crescimento da igreja desenvolvido especialmente para lideres de igrejas dos
Estados Unidos a fim de reverter o declínio e morte da igreja americana. Ver em: BERKLEY, D. J. Leadership Handbooks of Pratical Theology: Volume
Two Portland Baker Books, 1994 p. 31-33
[7] Arn apontou os seguintes
dados nesta obra: “Entre 80% e 85% de todas as igrejas na América estão
estagnadas ou em declínio.” Ele diz também que dos seus 240 milhões de
habitantes, 96 milhões (40%) não têm filiação religiosa. Outros 73 milhões
(31%) são cristãos nominais, ou seja, 169 milhões (71%) não frequentam uma
igreja regularmente. WIN ARN, The Pastor’s Manual for Effective
Ministry Monrovia, CA: Church Growth, Inc., 1988, p. 16
[8] BERKLEY, D. J. Leadership Handbooks of
Pratical Theology
: Volume Two Portland Baker Books, 1994 p.37-8
McIntosh e o filho de Win Arn, Charles Arn publicaram um livro com
outros princípios e como aplicá-los com sucesso em sua igreja. McINTOSH, G.L. & ARN, C. What Every Pastor Should Know: 101
Rules for Effective Leadership and Ministry in Your Church, Baker Books, 2013
[9] Ibid p.39
[10] McINTOSH, G. L. Evaluating the Church
Growth Movement
: 5 Views. Michigan: Zondervan, 2004, p.21
[11] O princípio de unidade
homogênea diz que as pessoas se unem mais facilmente a uma igreja quando
possuem aspectos culturais semelhantes. A frase mais clássica do princípio de
homogenidade foi dita pelo precursor do MCI, Donald Mc Gavran: “Pessoas gostam
de se tornar cristãs sem ter que cruzar barreiras sócias, linguísticas e de
classe). BERKLEY, D. J. Leadership Handbooks of
Pratical Theology
: Volume Two Portland Baker Books, 1994 p. 34-36
[12] BERKLEY, D. J. Leadership Handbooks of
Pratical Theology
: Volume Two Portland Baker Books, 1994, p. 41-42
[13] No caso dos sem religião,
eles foram de 5,1% da população para 6,7%. Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1508201102.htm. Acesso em: 07 jan.
2014. 10:30:00

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