O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Cair em Falsas Doutrinas

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Por Letícia Lima
“Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus.”
(2 Pe 1:20,21)

Depois de acolhermos essas palavras proferidas pelo apóstolo Pedro, tendo ele tratado nesse texto a respeito da origem divina e da confiabilidade das Escrituras Sagradas, podemos fazer algumas breves observações sobre questões pertinentes à sadia interpretação dos Textos Sagrados e também considerações a respeito do que temos vivenciado nos nossos dias com relação à má interpretação bíblica e suas drásticas consequências para a Igreja.
1) A BÍBLIA E SUA DIVISÃO
Quando abrimos nossa Bíblia logo vemos todos os seus livros divididos em capítulos e versículos. Essa divisão é um recurso bastante interessante que nos permite facilitar a leitura nas igrejas, bem como o encontro de uma citação bíblica, a comparação entre um texto e outro, etc; entretanto, mesmo em meio a tantos benefícios, temos que ter em mente que esse desmembramento do texto é um elemento que foi adicionado, não fazendo parte dos manuscritos originais, pois todos os livros foram escritos em forma de texto corrido.
Por que saber disso é importante? Porque embora tal divisão tenha sido um método que veio para nos ajudar, ela também teve e tem uma contribuição danosa para nós por conta de alguns que fizeram e fazem mal uso dela. Vejamos o porquê no decorrer do texto.
2) A BÍBLIA E SEU CONTEXTO
Outro fator que merece nossa atenção que cada livro da Bíblia possui suas particularidades. Embora todos eles estejam centrados na pessoa de Cristo e não se contradigam entre si, todos eles têm seu assunto principal, seu propósito, público-alvo; e é o conjunto de todo o livro que trará a correta interpretação e aplicação de cada versículo contido nele.
Louis Berkhof, em seu livro “Princípios de interpretação Bíblica” [1] discorre sobre os três principais pontos relacionados à interpretação bíblica, sendo eles: A interpretação gramatical, a histórica e a teológica. Falemos rapidamente sobre eles:
a) Gramatical: A interpretação gramatical está intimamente ligada ao estilo literário do texto. Um exemplo básico disso é o notável uso de figuras de linguagem em muitos livros das Escrituras, sejam elas metáforas, metonímias, ironias, etc. Isso é um dos pormenores não podem ser deixados de lado se quisermos entender o sentido do texto. Além de atentar para o estilo literário, Berkhof ainda dá importância à interpretação do pensamento ou a interpretação lógica, afirmando que “ela baseia-se na suposição de que a linguagem da Bíblia é, como em qualquer outra linguagem, um produto do espírito humano, desenvolvida sob direção providencial.” [2]
b) Histórico: Mesmo sendo muitas vezes ignorado, o aspecto histórico desempenha um papel valoroso na correta interpretação bíblica. As circunstâncias sociais do autor, seu propósito, o público original influenciam de forma direta na compreensão correta do texto.
c) Interpretação teológica: Embora a interpretação lógica e histórica sejam necessárias, por vezes, não são suficientes. Uma afirmação que entra nesse princípio de interpretação, por exemplo, é de que “a Bíblia é a Palavra de Deus”. Aqui é necessário mais que conhecimento gramatical ou histórico. O fato é que não se chega a conclusões como essa de todo o coração sem a ação do Espírito Santo iluminando os olhos do entendimento.
3) A BÍBLIA E SUA SUFICIÊNCIA E INFALIBILIDADE
“Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus.” (2 Tm 3:14-15)
Temos uma profunda necessidade das Escrituras. Em Hebreus 1:1 vemos que Deus, outrora, se revelou verbalmente, tendo falado por meio de profetas. Essa revelação (que compreende o Antigo Testamento) foi esporádica, progressiva e incompleta, embora tenha sido genuína. Foi em Jesus, o Filho do Homem, que Deus foi plenamente revelado (Cl 2:9; Hb 1:1-3). Cristo é a completa e perfeita Revelação de Deus! Essa revelação também foi escrita e compreende o Novo Testamento. “Isso torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar a Deus e a sua vontade ao seu povo” (CFW, I.I) [4]
A Bíblia deve ser a nossa única regra de fé e prática. Além de ser a revelação de Deus, é a forma que Ele usa para mostrar à Igreja a sua vontade. Ela nos é completamente suficiente, sendo toda inspirada por Deus e útil para ensinar, repreender, corrigir e nos educar na justiça (2 Tm 3: 16).
Partindo disto e vendo que muitos movimentos religiosos que se dizem cristãos negam a suficiência das Escrituras e acrescentam seus próprios pensamentos aos ensinamentos bíblicos, é de suma importância que nos apeguemos confiadamente às Verdades já reveladas. Como disse o reformador Lutero: “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”. Porque grandes sinais e prodígios podem ser realizados até mesmo por falsos cristos e falsos profetas (Mt 24:24), mas Aquele que pode não somente fazer grandes milagres e prodígios materiais, mas que pode convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8), a saber, o Espírito Santo de Deus, o faz, e faz por meio da Palavra de Deus (Rm 10:17).
Ao entendermos que as Escrituras são a verbalização da vontade de Deus para nós, podemos descansar e saber que Ele sempre falará conosco e nos responderá quando estivermos afogados em dúvidas. A Palavra de Deus em sua forma escrita e imutável, é tão completa que podemos, sem qualquer receio, depositar nela toda nossa confiança e esperança. Deus falou; cabe a cada um dizer, confiadamente: “Amém. Eu creio”. [3]

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CONCLUSÃO
Em suma, precisamos tomar muito cuidado para não basearmos nossas convicções em textos ou versículos isolados. Uma frase bastante conhecida diz: “Texto sem contexto é pretexto para heresia.” E é! Muitos falsos profetas têm usado da própria Escritura para criar e trazer ensinamentos que a Bíblia não traz. Usam de versos e textos isolados sem dar atenção a todos os outros que vêm antes e depois, criando interpretações que muitas vezes ultrapassam o que pode se chamar de erro doutrinário, dando origem às heresias. Com sagacidade, ludibriam toda uma gente a acreditar nas fábulas engenhosamente inventadas, como a própria Escritura as caracteriza. Fujamos desses! Corramos para Jesus Cristo!
Antes de terminar, VAMOS PROPOR UM EXERCÍCIO RÁPIDO:
Primeiro, observe esses dois versos abaixo apresentados de maneira isolada, e pense na interpretação que você já tem ou terá deles. Depois disso, encontre o texto completo na Bíblia (2 Coríntios 3) e faça a leitura. O objetivo disso é mostrar o quanto somos, muitas vezes, levados por interpretações errôneas e após isso deixar o texto explicar a si mesmo. Vamos aos textos:
Texto 1) “Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.”
(2 Coríntios 3:6)
Texto 2) “Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade.”
(2 Coríntios 3:17)
Você chegou a uma interpretação?
O propósito de ter escolhido esses dois textos foi este: Esses versículos isolados têm sido amplamente utilizados por muitos com um sentido totalmente equivocado pra justificar ações incoerentes com a Palavra de Deus. Vejamos como esses textos são geralmente interpretados:
Texto 1) “A letra mata, mas o Espírito vivifica” já virou um jargão daqueles que condenam o estudo teológico. Interpretam de forma totalmente equivocada esse texto afirmando que a teologia é a “letra”, que devemos ser guiados “apenas pelo Espírito”. Mas o que Paulo realmente quis dizer? A verdade é que ele estava condenando o legalismo judaico. Os judeus cuidadosamente observavam Lei, mas não atentavam para o Cristo que é o único suficiente para nos salvar do pecado. Eles eram mais interessados na “letra” que representa o “ministério da morte, gravado com letras em pedras” que através de Moisés foi dado aos israelitas (3:7) do que no “Espírito”, a nova aliança de Cristo com a Sua Igreja, que foi revelada e escrita nos corações através do Espírito Santo (3:3-8).
Texto 2) “Onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade”. Essa frase também tem sido inúmeras vezes usada hoje em dia, dessa vez para justificar comportamentos reprováveis no culto ao Senhor. Há tentativa de encobrir a falta de reverência quando afirmam: “Temos liberdade para fazer estas coisas, pois… Onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade”. Não preciso nem discorrer muito sobre isso, nem você fará muito esforço pra entender esse texto. Apenas voltaremos para um versículo antes desse. Começaremos a ler a partir do v.16, que diz: “Mas quando alguém se converte ao Senhor, o véu é retirado.” E a continuação… “Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade.” Não é difícil entender que liberdade o apóstolo Paulo fala. Está longe de ser uma licença apostólica para gritarias e correrias no culto! A liberdade, nesse caso, é relacionada à conversão, nada, além disso.
Diante de tudo o que foi lido, agora pare um pouco e pense nas coisas as quais você tem convicção. Qual a razão da sua fé? O que você crê tem fundamento em todo o Livro Sagrado ou apenas em textos e versos isolados? Seja sincero com você e responda: As suas interpretações sobre determinados textos vão de encontro aos demais livros das Escrituras? Se assim for, que o Espírito Santo te leve ao reconhecimento. E, ao reconhecer, que Ele te revele a Verdade. E que, depois disso, você se dobre a essa Verdade, viva por ela todos os dias e a defenda, também, sempre que necessário.
Que o Senhor coloque em nós o desejo de aprender mais sobre Ele, de estudar Sua Palavra e aplicá-la na nossa vida para o louvor da Sua glória! Somente dessa forma é que não cairemos na lábia dos falsos profetas.
Graça e Paz a todos os meus irmãos em Cristo.
[1]BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. 3 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. 142 p.
[2] p.68
[3] ROSS, Ivan. Curso preparatório para a pública profissão de fé. Parte I. Lição 2. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã. p.9.
[4] A Confissão de Fé de Westminster, Capítulo I. Da Escritura Sagrada. I.
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Letícia Lima, colunista do UMPdaQuarta.
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