Ser crente sem ser cristão

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Por Ruy Cavalcante
Tenho andado muito preocupado nos últimos anos, na verdade desde que iniciei minha graduação em teologia, 7 anos atrás. Sinceramente imaginei que encontraria por lá pessoas que, como eu, estavam preocupadas com a ortodoxia da Palavra de Deus, como o Evangelho salvífico de Cristo e com a sua simplicidade.
Mas não foi o que aconteceu. Com as devidas exceções (no mais amplo sentido desta palavra), o que encontrei foram pessoas interessadas nas mesmas fórmulas de crescimento explosivo de igrejas que tanto questiono (a foto é uma confissão de que eu já me embriaguei desta fonte um dia). Pessoas dispostas a continuar anunciando um evangelho genérico, pautado em riquezas corruptíveis, simbologias místicas, lideranças papais e carismáticas e expressões de adoração externas em detrimento de um coração transformado.
Todas as justificativas possíveis são utilizadas para que este evangelho seja anunciado pelos líderes antigos e iniciantes na “carreira”. Mesmo com bases bíblicas insustentáveis eles apelam para uma espiritualidade desligada da verdade, a fim de levar adiante esta semente “transgênica”.
O fato é que no decorrer dos anos e com a grande difusão deste falso evangelho, o povo cristão aos poucos está perdendo a essência de uma vida realmente cristã, esta conduzida pelos frutos e não pelos dons do Espírito. Aos poucos a avareza e a ganância têm tomado conta de nossos arraiais e os que antes eram servos agora desejam serem servidos. Continuamente a pureza e a santidade têm sido trocados pelo consumismo e imoralidade, pois o que determina a liderança de alguém não é mais o chamado de Deus, confirmado pela Igreja, mas as ofertas do indivíduo, seu poder de persuasão e, quando muito, a demonstração de uma super espiritualidade, que em geral, não ultrapassa o teto da mais humilde congregação.
O povo, por falta de exemplos a seguir, acaba disseminando estes conceitos, criando um círculo vicioso maligno, mas que é defendido como se fosse a última instância da revelação bíblica.
A principal característica dos líderes e igrejas que vivem esse evangelho falso é a falta de doutrinação bíblica em suas comunidades. Quando se ensina a bíblia nestes locais os estudos são temáticos, fundamentados nos interesses da liderança, geralmente baseados na teologia do medo. São exaustivos estudos sobre maldição, dízimos e ofertas, castigos divinos, respeito cego aos profetas, dentre outros. Não se estuda sobre o amor e a Graça de Deus, sobre a obra de Cristo na vida do cristão, sobre os frutos do Espírito e a conduta cristã, sobre a necessidade de arrependimento, sobre humildade, serviço e, principalmente, sobre a Soberania divina.
Isso não é cristianismo. Isso não é ser cristão.
Ser cristão é andar irrepreensivelmente e amar a justiça, é falar a verdade mesmo que isso te cause algum dano, é ser humilde e considerar os outros superiores a si mesmo, é produzir frutos dignos, que demonstrem arrependimento. Ser cristão é andar com Deus, viver por Ele, amá-lo acima de todas as coisas. É adorá-lo com sua vida e testemunho e não somente com seus lábios. Ser cristão é servir e não buscar ser servido.
O verdadeiro cristão é nascido de novo e, mesmo pecando, odeia o pecado. Ele tem o coração transformado, inclinado para as coisas de Deus. O cristão genuíno ama aos outros da forma como Cristo amou, sem o requisito do merecimento. Este indivíduo restaurado sofre perseguição por amor de Cristo, e enfrenta a espada se for preciso. Ele sofre angustia, dor, ele perde, é enganado, fica doente, mas sabe que no fim será glorificado.
Ser cristão é negar a si mesmo em favor dos outros.
Como bem disse Paul Washer, isso não é poesia, isso é o evangelho genuíno de Jesus Cristo. Não há vitória maior que a vida eterna, e muitos estão abandonando esta por uma vida de sucesso, de riquezas, de prosperidade material e não espiritual, e o que é pior, por uma vida de promiscuidade, acreditando que por um dia haverem levantado as mãos e declarado “eu te aceito Jesus” estão com a marca da promessa de vida eterna.
Por favor, não se enganem nem se deixem enganar meus queridos irmãos. Não há vida eterna sem santidade, sem renúncia, sem amor e sem perdão. Aceitar a Cristo não é declarar isto publicamente, pois nem todo que diz “senhor, senhor” será salvo. Nós é que somos aceitos por Ele, e se o seu coração ainda não foi transformado, peça que Ele o faça, pois sem isso você jamais o verá, mesmo que seu celeiro esteja abarrotado de bens.
Que Deus tenha misericórdia de nós.
***
Ruy Cavalcante é editor do Blog Intervalo Cristão e colaborador do Púlpito Cristão.
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1 COMENTÁRIO

  1. Antigamente, num tempo não muito distante, ser crente era sinônimo não só de cristão protestante mas também exemplo de honestidade, de ética, de honradez, de palavra cumprida, etc, etc. porém sem ser apenas de aparência moralista. tudo pelo conhecimento profundo da palavra e do compromisso com Cristo.
    Hoje a palavra crente "saiu" do uso e mudou o rótulo para "evangélico" que para os do mundo é um crente mais "mudernu", meio bitolado ainda, mas mudernu.
    Qualquer um, do global ao serviçal, pode ser evangélico sem maiores problemas o negócio é "vim buscar a benção" e ao sucesso !
    Cara, e ainda tem gente achando que esta não é a geração do tempo do fim……

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