ÓLEO DE MACONHA PARA UNGIR OS CRENTES

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Por Wesley Moreira

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Encorajados pelo apoio público do televangelista Pat Robertson à descriminalização da maconha várias organizações cristãs, incluindo a Igreja Presbiteriana Americana, a Igreja Metodista Unida e a Igreja Episcopal, emitiram declarações de apoio ao uso medicinal da Cannabis, de acordo com o site slate.com.
Diversos pastores dos mais variados grupos evangélicos, tem vindo a publico defender até mesmo o uso litúrgico da maconha dentro da Igreja na forma de óleo para a unção. Um pastor da Pensilvânia, Brett Hartman, da Igreja New Covenant Fellowship Church em Mechanicsburg, acredita que o óleo de maconha deve ser usado como óleo da unção, e defendeu sua posição em uma entrevista à Rede de TV Fox na qual testemunhou que um dos membros da sua igreja, uma criança de 11 anos, Anna Knecht, é curada de seus ataques epilépticos quando ungida com o óleo de Cannabis.
Outro defensor do uso litúrgico da Cannabis é o Pastor David Schlesinger que ensina, entre muitas outras

bobagens, que a nuvem que seguia os Israelitas na peregrinação no deserto era formada pela fumaça produzida pela maconha que os Israelitas fumavam. O uso de ervas, tenta explicar Schlesinger, é recomendado por médicos, cientistas e terapeutas em todo o mundo para a cura e tratamentos de uma ampla variedade de doenças físicas e psicologicas, e não podem ser ignorados pela igreja por que esta possui um chamado de Deus para curar às nações. Na igreja de Schlesinger, Suíça, seus membros alegam que as ervas permitem uma melhor experiência espiritual com Deus e citam Exodus 30:32 verso que lista os ingredientes usados na produção de óleo e incenso pelos levitas e que segundo os seguidores de Schlesinger, tiveram seus nomes modificados para encobrir o nome de possíveis ervas alucinógenas e também a Cannabis. Não podemos deixar de reconhecer a influencia do ecologismo na “teologia” dessas pessoas. O ecologismo ensina que tudo que está na natureza é santo e bom, inclusive a urtiga, o mosquito da dengue, a lombriga solitária e o vírus da AIDS.

Está claro que as pessoas usarão a Bíblia a fim de instrumentalizar o crédito moral que parte da sociedade ainda atribui à Bíblia para alcançarem seus objetivos. Mas o que há de mais perigoso nesse debate sobre o uso do óleo de Cannabis é a popularização do niilismo dentro da igreja. Usado por teologos progressistas e ministros defensores do uso da maconha que argumentam que quando os opositores à maconha afirmam que o uso da Cannabis é algo imoral não estão necessariamente afirmando que é certo ou errado, mas apenas expressando seu sentimento pessoal. O expressivismo niilista afirma que usar Cannabis é imoral por causa do estigma social, mas não é de fato errado, pois segundo eles se trata apenas uma planta criada por Deus para esse propósito, e argumentam citando Genesis 1:12 “A terra fez brotar a vegetação: plantas que dão sementes de acordo com as suas espécies … e viu Deus que era bom”, que se Deus disse que Cannabis é bom quem sou eu para discutir com Ele.
O movimento teológico simpatizante da Cannabis também ganha força no meio evangélico à medida que setores carismáticos da igreja continuam a justificar o sacramento de costumes culturais hebraicos e continuam a introduzir objetos que eram usados pelos antigos hebreus em seus cultos evangélicos, tais como o shofar, menorás e réplicas da arca. Sem saber estão abrindo uma porta para que seu argumento sobre a restauração do uso desses objetos seja também usado para convencer alguns sobre o uso do óleo de cannabis como óleo da unção.
Ora se ninguém pode orar ou profetizar antes que o shofar seja tocado, se uma réplica da arca é capaz de curar e até uma “viajenzinha” a Israel é vendida como uma experiência espiritual transcendental, (e isso para divertimento dos guias israelenses diante do místico e engraçado comportamento dos evangélicos na terra santa) qual o problema em usar o óleo de cannabis se houver de fato alguma remota evidencia de que a erva, conforme o estudo de Exodus 30 feito por Sula Benet, fazia parte dos ingredientes da receita do óleo usado pelos sacerdotes levitas no tabernáculo e no templo?
A teoria sobre o uso de Cannabis pelos antigos israelitas surgiu com uma antropóloga polonesa, Sula Benet (1903 – 1982) e foi mencionada pela primeira vez em 1930. Desde então, muito tem sido escrito sobre o assunto, mas nenhuma evidência além de uma vaga semelhança etimologica foi encontrada. Benet afirmou que a palavra hebraica “q’neh bosm”, comumente traduzida como “Cámalo” era semelhante à palavra Cannabis, esse argumento é puramente especulativo e provavelmente falso pois a afirmação de Sulah Benet nunca encontrou apoio na comunidade acadêmica, nem entre lexicógrafos e botânicos. Os dicionários de hebraico bíblico e obras de referência sobre as plantas da Bíblia Hebraica feitos por estudiosos da Universidade de Jerusalém, incluindo um botanista de grande prestígio como Michael Zohary, nem sequer mencionam a sugestão de Benet. Em nossa pesquisa sobre o tema recebemos do professor Villa do Schechter Institute em Jerusalém a seguinte resposta:

Há três livros que se relacionam com sua pergunta “Biblical Vegetation” publicado em 1957, “Nature in the Biblical Land”, publicado em 1992, and “Spice, Forest and Ornament Plants”, publicado em 1997. Kinamon ou Kinman bosem é definitivamente canela que era originalmente usada para fazer perfume e incenso e só começou a ser usado como um tempero na Idade Média. A árvore de onde vem é o Zeylanium Cinnamonum, que pode ser encontrado na Índia ou na China. O autor do livro “Biblical Vegetation”, escreve que o tipo bíblico era a espécie provinda da China. Em “Spice, Forest and Ornament Plants” o autor afirma que é o tipo indiano.
Em qualquer dos casos se trata apenas de canela.

Kneh bosem era uma fragrância cara importada de terras distantes. Em “Nature in the Biblical Land” o autor escreve que o Kneh bosem poderia ter vindo da África Oriental. Outras possibilidades são: 1) Cymbopogon schoenanthus, encontrada perto do Mar da Galiléia; 2) Cymbopogon Martini, importado da Índia; 3) Eodes Kalamos, encontrado perto do Mar da Galiléia; 4) Acorus calamus, que é traduzido para a Bíblia ocidental como cálamo aromático, mas cujo os juncos não são ocos como o kaneh deveria ser; 5) Andropogon nardus, uma especie de cana cheirosa, natural da Índia. Em toda a minha pesquisa nunca encontrei qualquer referência sobre a Cannabis.
Não há nada nas Escrituras que nos comande ou mesmo sugira que devamos usar qualquer óleo da unção, especialmente da forma como fazem hoje, ungindo porta de casa, para choque de carro, cadeira do patrão e até o bingolim dos feios encalhados. Contudo não há nada que proíba o seu uso, senão o bom senso que nos pode nos livrar de mais escândalos. A grande questão que deve ser respondida por nós os que cremos na Bíblia é: Deveria a igreja estar ungindo pessoas nos dias de hoje?
Estou preparando um texto exegético onde abordarei sobre o tema e que deverá ser postado por mim durante essa semana.
***

Wesley Moreira é graduado em Teologia pela Fundação Cristã Educativa. Atualmente mora nos Estados Unidos de onde também exerce também o ofício de tradutor, e de lá posta artigos  e notícias como esta. Wesley é colunista do Púlpito Cristão e edita o blog Wesmo.

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4 COMENTÁRIOS

  1. "E aconteceu que, quando eles uniformemente tocavam as trombetas, e cantavam, para fazerem ouvir uma só voz, bendizendo e louvando ao Senhor; e levantando eles a voz com trombetas, címbalos, e outros instrumentos musicais, e louvando ao Senhor, dizendo: Porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre, então a casa se encheu de uma nuvem, a saber, a casa do Senhor;
    E os sacerdotes não podiam permanecer em pé, para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus." [2 Crônicas 5:13-14 ACF]

    Será que vão usar esse texto para justificar o uso da maconha pelo ministério de louvor?

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