MIL IMAGENS QUE NÃO VALEM A PALAVRA‏

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Por Wesley Moreira


Um pintura vale mais do que mil palavras, talvez, isto é, quando não há quem discuta a qualidade e veracidade dessas mesmas palavras. Vivemos nos dias onde a voz da opinião pública, mesmo que errada, tem status de verdade. Quem acredita que a voz do povo é a voz de Deus que olhe outra vez para os políticos eleitos no Brasil nas últimas décadas para concluir que, a voz do povo é apenas a voz do povo, nada mais que isso.

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Alfred Austin certa vez resumiu a opinião pública a “apenas o que pessoas pensam que as outras pessoas pensam”, portanto, a maioria determina a opinião dos demais. Winston Churchill disse que “não existe opinião pública, apenas opinião publicada”, fazendo alusão ao fato das massas serem facilmente influenciadas pelos meios de comunicação através da propaganda. Ted Brader é autor de um excelente livro sobre o tema. “Campaigning for Hearts and Minds: How Emotional Appeals in Political Ads Work, Campanha pelos corações e mentes: Como Apelos Emocionais na Propaganda Politica funcionam”, aprofunda no tema desmentindo os acadêmicos que sugerem que as pessoas comuns são decisores racionais, e o faz fornecendo evidências convincentes sobre o papel das emoções na opinião pública em campanhas políticas.

A opinião pública reflete mais fielmente o lado imaturo do povo, que por sua vez respondem com mais facilidade à apelos emocionais do que o juízo dos fatos, por isso as agencias de publicidade e redes de TV usam de apelos e campanhas vitimistas para moldar a opinião pública.

Está a opinião pública evangélica suscetível ao mesmos apelos emocionais ao ponto de ignorar a razão? Vamos passar a um exemplo clássico. A opinião pública sobre Leonardo da Vinci é sempre positiva. Poucas pinturas são tão reconhecíveis ou tão acarinhadas pelos cristãos como “A Última Ceia”. O afresco icônico que descansa em uma parede na Igreja de Santa Maria delle Grazie, em Milão, na Itália, é conhecida em todo o mundo como uma captura de um dos momentos mais significativos da vida de Jesus. Infelizmente há problemas sérios com a pintura de Da Vinci que apesar da popularidade contém erros em quase todos os detalhes históricos do momento histórico que Leonardo desejou captar e eternizar.

Ao invés de descrever a ceia da noite de Páscoa celebrada por Jesus com os seus doze apóstolos judeus em Jerusalém, provavelmente na primavera do ano 30, em um quarto superior, um cenáculo, emprestado de alguém, situado em uma casa no Monte Sião, encontramos algo bem distinto à história. O que há de errado com a popular pintura?
A Última Ceia – Leonardo Da Vinci
Na pintura vemos doze europeus em roupas da renascença, e apenas um personagem com características judaicas, Judas. A arquitetura pintada por Da Vince é a de um palácio Italiano, não um quarto em Jerusalém, o horário da refeição também está equivocado, a ceia da pascoa, o seder, acontecia ao anoitecer horário em que os Israelistas se preparavam para deixar os Egito, e não uma refeição ao meio-dia como foi pintado no quadro, observe o céu azul e as nuvens. O prato principal não era peixe e pão, como na pintura, mas pão ázimo, matzá, e um cordeiro que havia sido sacrificado no templo, e que foi preparado e assado.

Na versão de Da Vinci, Jesus está sentado na posição vertical no centro de uma longa mesa linear, cercado de cada lado por seus apóstolos, de igual modo sentados eretos em bancos ou cadeiras. Na realidade, a maneira de comer festivo na época do Segundo Templo da história judaica era comer reclinado no chão em almofadas, inclinando-se para a esquerda, à maneira como homens livres comiam, em torno de um triclínio, uma mesa de três lados (em forma de u), em que o convidado de honra, neste caso, Jesus, teria sido colocado na segunda posição da extremidade direita como na figura abaixo, com João e Judas Iscariotes em cada lado, e não no centro como pintado por Leonardo, além de que, João teria tido grande dificuldade em sussurra a Pedro como ele fez, se eles estivessem sentados em extremidades opostas com na pintura. A mesa em U explica a facilidade com que Jesus lavou os pés dos discípulos e a capacidade do apóstolo João de simplesmente inclinar-se e reclinar no peito de Jesus.

Triclínio, mesa usada na santa ceia

Outro ponto totalmente ignorado por Da Vince era a ausência de crianças e familiares na ceia. As familias, inclusive as crianças eram convidadas, o que aumentaria o quadro de Da Vince de 13 para possivelmente até 70 pessoas.

Mesa errada, hora errada, arranjo errado, menu errado, roupas erradas, local errado, e podíamos continuar desmentindo a pintura de Leonardo da Vince, porém a apresentação desses fatos aos cristãos não afetaria a popularidade da pintura que apesar de retratar falsidades históricas a respeito da Santa Ceia terá seu prestígio mantido pela opinião pública cristã que se relaciona emocionalmente com a pintura.

Essa obra de Leonardo Da Vince é creditada por representar um momento histórico, representa com pouca veracidade esse mesmo momento. Igualmente a igreja de nossos dias que a sí mesma credita ser representante de Jesus Cristo na terra, salvo as poucas e isoladas exceções, dá poucos motivos para que o mundo creia nela. Nos dois casos as imagens defraudam em suas tentativas de presentar com fidelidade o propósito à que foram criadas, e nos dois casos, o propósito original foi reduzido ao de decorar e entreter.

A exposição das verdades da Bíblia deveria ser o suficiente para que a maioria das igrejas nessa geração deixassem de forma racional de adotar para si os mesmos erros que resultaram na reforma protestante, que não somente são adotados, como são protegidos pela opinião pública evangélica que sempre se dispõe a proteger os mesmos que dentro da igreja lhe causa a apostasia. Fenômeno que prova na prática a teoria do omelete cunhado por certo papa evangélico que diante dos muitos escândalos que provocou viu sua denominação crescer ainda mais, “quanto mais nos batem mas crescemos”, disse ele.

Experimentos citados por Ted Brader em seu livro deixam claro que a mistura de entusiasmo e medo em uma mensagem tem impactos extremamente maiores sobre a opinião dos ouvintes que a mera razão sequer teria. Concluindo, a opinião pública evangélica é emocional e se deixa influenciar com facilidade por imagens e propagandas vindas do púlpito, e particularmente teme uma perseguição de fora ao mesmo tempo que se deixa seduzir por títulos de grandeza, demonstrações de poder e glamour e também pelo sucesso dos líderes, este sucesso por sua vez está diretamente ligado à capacidade deles de servir um sermão emotivo, que de fato, tem efeitos claramente mensuráveis sobre a opinião pública evangélica, muito maiores do que a simples exposição bíblica teria.

Se por um lado o evangelho nos convida à voluntariamente a servir ao próximo em amor, não podemos nos permitir a ser oprimidos pela opinião da maioria, absorvendo inverdades em nome da aceitação social. A opinião pública, seja esta evangélica ou secular, não é o padrão a ser seguido, a palavra de Deus sim.

A voz do povo definitivamente não é a voz de Deus, a Bíblia é a voz de Deus e vale mais que mil imagens.

PS. O ‘não julgais’ expresso pelo povo para defender o líder evangélico é pego de calças arriadas é também uma resposta emocional, baseada em uma dívida emocial que atribui crédito ao líder a quem eles tem como principal responsável por seu bem estar, ignorado dessa forma o poder do Espirito Santo e da Palavra.


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Wesley Moreira é teólogo, tradutor, editor do Wesmo e colunista do Púlpito Cristão.
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