Encontro de Jovens com Cristo (EJC): uma análise sobre os prós e contras

7
13657
Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.
Por Antognoni Misael

Aqui no Brasil é muito comum ocorrer encontros de juventudes com o intuito de falar de Jesus e converter pessoas para o evangelho. Um dos mais conhecidos encontros é o EJC (Encontro de Jovens com Cristo). O EJC teve sua origem na Igreja Católica, espelhado no Encontro de Casais com Cristo (ECC) quando em 1970 em São Paulo, foi desenvolvido pelo padre Afonso Pastore para atender as demandas da Pastoral Familiar Paroquial.
No meu estado (Paraíba) muitas igrejas evangélicas utilizam deste encontro que há décadas vem dando certo. Não sei se no norte ou sul do país tal evento existe, e se ocorre, talvez seja com outro nome. No entanto tal evento tem nos despertado a curiosidade por causa do aparente pragmatismo e supostos resultados positivos em relação à conversão de jovens deste mundo tão perverso.
Eu nunca fiz EJC. Lembro-me que entre 2002 e 2004 alguns amigos me diziam que eu teria que fazer tal encontro, que mudaria a minha vida, que depois que fizesse eu ainda teria que trabalhar em outros encontros, pois era de grande valor para minha caminhada cristã. Nas vezes que indaguei sobre o que acontecia lá nunca fui respondido, pois como sabemos, o sigilo é quase que total por parte dos encontristas.
Aos poucos algumas histórias chegavam até mim a respeito dos momentos, das brincadeiras e pregações ocorridas em alguns EJC’s. Mas o que mais me inquietava era que também via muita gente, mas muita gente mesmo, que vivia uma vida duvidosa, e que após sair do encontro dizia-se extasiado com os momentos marcantes do evento, mas que logo demonstrava que foi apenas convencido, e não convertido.
Particularmente, o que proponho aqui não é descreditar os eventos de EJC e similares. Creio que muitos frutos podem ter sido gerados destes eventos. Se o Evangelho foi pregado, claro que pessoas podem ter sido alcançadas. Agora, não é novidade nenhuma que a igreja evangélica brasileira não tem passado por dias bons, e que muito se tem falado de Jesus, mas pouco do Evangelho de Jesus.
Diante da perspectiva de crise da igreja brasileira e da propagação de vários “Evangelhos”, e não o de Cristo, e levando-se em consideração que as igrejas têm inchado, principalmente pelo cardápio que vem oferecendo e pelos métodos utilizados, restou-nos o desejo de sondar o que alguns internautas pensam sobre os EJC’s. Será que tais encontros não tem pegado carona nos movimentos pragmáticos, carismáticos e desprovido do compromisso com a Verdade em detrimento do suposto sucesso que vem tendo? Desta curiosidade surgiu uma pequena pesquisa.
Vejamos:
a) De todos os entrevistados, 90% já fizeram EJC.
b) 80% dos entrevistados já trabalharam em EJC e 20% apenas fizeram.
c) 60% continuam trabalhando em EJC.
d) Ao perguntar se os entrevistados consideram o EJC importante para a evangelização dos “não crentes” o resultado foi: 30% disseram que sim, 30% disseram que não, e 40% disseram terem dúvidas.
e) Ao perguntar se o EJC é importante para o fortalecimento espiritual do crente, 30% disseram que sim ,20% disseram que não e 50% disseram terem dúvidas.
f) Uma pergunta contundente foi se os entrevistados consideravam que os EJC’s pregam o Evangelho de forma clara, direta em busca de convencer o jovem do pecado, da justiça e do juízo. A resposta nos impressionou, visto que apenas 30% acham que sim, 50% que não, e 20% tem dúvidas. Isto é, pelo menos a metade admite que o Evangelho não é pregado objetivamente, e no entanto 60%, como acima foi exposto, confessam ainda estarem trabalhando no EJC.
Ainda outro aspecto polêmico é sobre os pré-requisitos para se trabalhar no EJC. Até então sabíamos que a condição era apenas ter feito um encontro antes, e não necessariamente, ter sido convertido genuinamente. Perguntado aos internautas sobre o que eles acham disso, separei os seguintes comentários:

“Isso é algo terrível e que prejudica muito o EJC. O que esta acontecendo é que não crentes estão evangelizando não crentes, é a mesma coisa de um cego guiar outro cego.” [Cláudio Tessaro]

Assine o Blesss

“Acredito que para se trabalhar seria necessário mesmo o cara ter feito para que dê o andamento correto ao evento. Quanto ao ser convertido, tanto faz, daria no mesmo.” [Jessé Neto]

“Pra trabalhar precisar ter feito sim, mas convertido genuinamente não sabia disso, pois como falei acima, vi gays , pessoas não crentes etc… trabalharem.” [Baterista]

“É falsa.. para se trabalhar no EJC é necessário que o encontreiro tenha trabalhado e seja convertido. Caso ele não esteja em uma igreja ou não seja convertido. Cabe a liderança julgar cada caso. Em algumas situações o dirigente da equipe fica responsável por esta pessoa.” [Eliabe Pina]

“Eu discordaria da afirmação, mas no caso de quem trabalha no JCC, que é semelhante, tem sido exigido carta de recomendação da igreja, e não podem trabalhar nele membros que estão sob disciplina eclesiástica.”[Fox Molden]

“Analiso isso de forma bem ruim, no meu EJC senti um pouco disso, algumas pessoas com boas intenções, mas mal preparadas, no sentido das palavras e algumas atitudes, cheguei a ouvir palavrões de La. Na verdade, eu ficava mais mal pelas pessoas que não eram evangélicas e ouviam aquilo, quem já é evangélico e já participou de outros eventos sabe que é bastante difícil controlar todo mundo.” [M.R.]

g) Perguntados se o EJC precisa de uma reformulação, 80% disseram que sim. Este quesito foi importante, pois diante de tantas dúvidas em responderem as questões acima mostradas, este quesito teve um maior consenso. Isto é, para estes 80% os encontros precisam ser reformulados.
Aqui trago o depoimento de alguns entrevistados a respeito desta necessidade de reformulação:

“Ao invés de palestras, pregações bíblicas. Fora o sentimentalismo e emocionalismo, deveriam ser extintos.”[LSL, 22 anos de idade]

“Menos entretenimento, mais evangelho!” [Glerysson D. S. Verissimo]

“Acho a divisão do tempo muito aflitiva: tem muita coisa para fazer em pouco tempo, e isso prejudica um pouco que algumas pessoas possam conversar com as outras e ter um descanso entre as programações. Há apenas um momento perto do final.” [Fox Molder, 32 anos]

Ao final de tudo, questionados se concordariam com a extinção dos EJC’s, 80% disseram que não, 12% que sim e 8% disseram estar em dúvida. Deste modo, o caminho mais viável para a grande maioria seria, como notamos acima, uma reformulação.
Por fim, achei bem razoável encerrar esta matéria oferecendo algumas colocações sobre os prós e contras bem pontuadas por alguém já fez, trabalhou, organizou e tem bagagem pra abordar a questão. Leia abaixo o que um dos nossos entrevistado escreveu:

“PONTOS POSITIVOS

“Vejo o EJC e/ou ECC como uma boa tática para evangelismo e para o convívio das igrejas, uma vez uma igreja só não tem condições de realizar o EJC e/ou ECC. É necessário a participação de outras igrejas e de outros membros para apoiar financeiramente e em quantidade! Igrejas mais estruturadas como a “igreja X” [grifo nosso] e “igreja Y” [grifo nosso], etc… até que podem fazer sozinhas, porém, sempre precisam de preletores e pessoal de fora… e isso faz com que as igrejas “permitam” seus membros de apoiar ou não o evento.

No trato com a igreja que executa o evento também é outro ponto positivo. Uma vez que os membros da igreja são usados nas diversas equipes. O interessante é que cada equipe seja encabeçada por membros da igreja ou pelas igrejas que apoiam o evento. Desta forma, todos os irmãos da igreja trabalham os três dias em prol de um objetivo.



Existe muitas palestras sobre diversos temas no evento e por trás do evento têm muita oração… Campanhas de oração, jejum e consagração são realizadas para dar um apoio espiritual para o evento e principalmente para os encontristas.



Apesar dos “obas-obas” a essência é plantada na vida dos encontristas…


PONTOS NEGATIVOS




Dependendo da igreja que promove o evento, algumas coisas são deturpadas. Existe igrejas que fazem o EJC (ECC geralmente dá prejuízo ou empata financeiramente) com intuito de conseguir dinheiro. Isso já vi e participei (me decepcionei). O EJC nunca dá prejuízo, principalmente se a igreja é da “moda”. Encontreiros brigam para participar de encontros renomados como o caso das igrejas grandes… muitos encontreiros vão apenas pela badalação e para paquerar. Aí que entra o pulso forte da liderança para não deixar que isso aconteça. Mas, o que geralmente se vê são encontreiros vazios, sem igrejas, que pulam de EJC em EJC com intuito unicamente de si divertir, paquerar e se tornar estrela. Vivem vidas plásticas, sem profundidade… comem papa eternamente!
Quando o EJC é badalado… algumas equipes chegam a ter 100 a 200 membros…



O que sempre me preocupou nos EJC’s é o pós encontro… Algumas igrejas dão total apoio aos encontristas, visitando, orando e fazendo reuniões até que os novos convertidos criem raízes e não deixem o evangelho no primeiro vendaval. Outras, visam unicamente o evento. Uma coisa que observo é que as igrejas que promovem o EJC com intuito evangelístico encaminham aqueles encontreitos que moram distantes para igrejas mais perto de suas residências… não brigam para aumentar o número de membros.






É um termômetro na minha opinião para saber qual é realmente a intenção do evento.



Com relação ao nível de comprometimento com a Palavra nas palestras e nos cultos… depende exclusivamente da igreja que promove. Já trabalhei em um da Assembléia que até reteté eu vi! Outros como da PIB, Presbiteriana, Congregacional, os encontristas comem realmente a Palavra e possuem um grande apoio social e espiritual pós encontro.
Um fato interessante é que geralmente o EJC e ECC são tratados como uma receita de bolo. Trabalho com jovens há algum tempo e sei que é necessário coisas novas para atraí-los. Geralmente liderava a equipe de teatro e através de algumas estratégias e criatividades vindas dEle, conseguimos dar uma nova roupagem ao evento. Isto encheu os olhos de alguns pastores. Alguns visavam apenas o financeiro, outros o lado espiritual. Quando falava que o convite teria que ser efetuado ao meu pastor, alguns achavam ruim. Nesta hora, já via o termômetro do lado financeiro atuando.
Hoje dei um tempo neste tipo de evento. Mas no tempo que estava atuante, vi muitas vidas restauradas, seja de encontreiros ou encontristas. Na nossa equipe de teatro, todo evento era uma nova forma de Deus nos ensinar e proporcionar intimidade com Ele. Nunca íamos vazios, sempre estávamos em oração e em comunhão. Se pararmos para pensar um pouco, percebemos que o IDE é um tratar diretamente com nós. Tendo como base que o Espírito Santo é quem convence o home do pecado. Nosso papel é exclusivamente de ir e pregar a Palavra. E isto meu amigo, é a melhor coisa do cristianismo. Ser trabalhado por Deus e ver jovens serem movidos pelo Espírito.






Finalizando, acho válido este tipo de evento…. mas tudo depende da cabeça de quem está executando. Se fosse um Valdomiro ou um Edir Macedo da vida, já saberíamos o tipo de comprometimento que teríamos no evento. Mas igrejas realmente compromissadas com a Palavra só tem a acrescentar no reino.



Espero ter ajudado um pouco e qualquer dúvida pode entrar em contato comigo!



Paz!”


[E.P., 34 anos, cristão desde 1991]
Afinal, pensemos: reformulação? extinção? está tudo nos conformes? O EJC é pragmático, “oba-oba”? Ou um instrumento de proclamação do Evangelho genuíno?
Após ler a matéria, contribua com este debate, deixe a sua opinião.
(Observações: a pesquisa foi feita relacionada aos EJC’s promovidos por igrejas evangélicas; alguns dos entrevistados utilizaram pseudônimos e outros tiverem seus nomes abreviados)
***
Antognoni Misael, editor responsável do Púlpito Cristão.
Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

7 COMENTÁRIOS

  1. Falar de Jesus ou do evangelho de Cristo tem se tornado cada vez mais difícil neste momento da história da humanidade. Diante de tantos impasses sociais, as inversões de valores, o que era proibido agora se torna lícito, o jovem, o adolescente começa a conviver com essas constantes mudanças e acaba indo para o lado mais "prejudicial' aparentemente bom. Eu entendo o EJC como mais um mecanismo de, mesmo que, muitas vezes, não haja conversão, pregar a palavra de Deus, falar de Cristo. Já que muitos jovens não praticam isso diariamente, por que não aproveitar essa pequena oportunidade?. A maioria dos encontros duram três dias, são três dias que o jovem poderá decidir, ali, o rumo da sua vida. Muitos jovens têm morrido todos os dias, muitos deles sem pelo menos conhecer o nome de Cristo, sem saber quem foi de fato Jesus e que ele pode o receber como salvador. O EJC é uma OPORTUNIDADE, independentemente dos seus erros subjugados. Quando você entende que a OBRA de DEUS deve ser feita com caráter, obedecendo os mandamentos do Senhor, com respeito, com vontade e principalmente com amor vemos o resultado na mudança de vida e na recíproca dos jovens. O mundo é estratégico, nós também deveríamos ser. Almas se perdem todos os dias tendo encontro ou não. Faça a sua parte, o mundo já tem muitos desacreditados, não seja mais. Você ser canal de bençãos na vida de alguém através deste Encontro.

  2. Sinceramente nunca participei disso e sempre tive sérias dúvidas, afinal se é algo bom porque tem que ser secreto? Cara, nunca vi Jesus escondendo-se em suas reuniões, sempre foram públicas… Cada um, cada um, mas eu não acho que isso seja necessário. Quer evangelizar? Simplesmente pregue, faça cruzada, vá as ruas e pronto! O que mais me incomoda é ver pessoas dizerem que foi incrível o encontro e não apresentaram nada de produtivo, afinal como diz a Bíblia pelos frutos conhecereis as árvores, e não vi nenhum fruto em quem conheço que participou…

  3. O encontro é maravilhoso. Cristo presente na vida dos jovens. Porém tem momentos que os jovens se souberem como é a dinâmica não vivenciam por completo. Porque se blindam e não deixam ser tocadas pelo Espírito Santo. Por isso tem o sigilo. Para que não se quebre essa surpresa maravilhosa. e que os próximos jovens que venham a fazer o encontro sejam tocados da mesma forma. Vivam e se entreguem a experiência de se encontrar com Jesus Cristo

  4. Sou leiga no assunto, mas Maçonaria, e esses encontros não teriam assim tipo o mesmo contexto, claro que com uma roupagem diferente? Um evangelho emocionalmente desejável. Se é cristão se é bom, por que calar? E os não convertidos? Podem continuar não convertidos e mesmo assim trabalhar livremente em tais eventos? Acho válido a proposta até, as cartas e fotos que os convidados recebem de amigos que foram procurados antecipadamente para faze-las, a casa do convidado que é arrumado sem ele saber, um amigo de anos manda um vídeo emocionante, as brincadeiras, palestras, orações…choros, alegrias, etc.. que envolvem o encontrista…"Não falar" entendo que é para aguçar a curiosidade de quem vai pela primeira vez e tudo mais.. o envolvimento com cristo que vai estar lá esperando…Mas por que e para quê realmente o tal segredo de NÃO poder falar? Alguém me esclareça por favor, dentro de um contexto bíblico de preferência.

SUA RESPOSTA

Por favor, faça seu comentário
Por favor, coloque seu nome aqui