Deus é amor, portanto não pode odiar. Será?

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Por Paul Washer

Deus odeia? Esse ódio é, de alguma
forma, voltado contra os homens? A maioria das pessoas nunca ouviu um sermão
sobre esse assunto ou sequer já ouviu tal ideia. A questão por si só é
suficiente para causar uma controvérsia e colocar os levemente religiosos em
guarda. Mesmo sugerir a possibilidade de tal coisa contradiz muito do que os
pregadores evangélicos ensinam hoje. Contudo, nas Escrituras, o ódio de Deus é
tão real quanto seu amor. De acordo com as Escrituras, há coisas que um Deus
santo e justo odeia, aborrece, detesta e até mesmo abomina. Além disso, tal
ódio é muitas vezes voltado contra os homens caídos.

Muitos objetam o ensino sobre o
ódio de Deus com a falsa suposição de que Deus é amor e, portanto, não pode
odiar. Ao passo que o amor de Deus é uma realidade que vai além da compreensão,
é importante ver que o amor de Deus é a própria razão para seu ódio. Nós não deveríamos
dizer que Deus é amor e, por isso, ele não
pode
odiar; mas que Deus é amor e, por isso, ele deve odiar. Se uma pessoa realmente ama a vida, reconhece sua
santidade e valoriza todas as crianças como um presente de Deus, então ela deve
odiar o aborto. É impossível amar pura e apaixonadamente as crianças e ainda
assim ser neutro para com aquilo que as destrói no ventre. Da mesma forma, se
Deus ama com a maior intensidade o que é reto e bom, então ele deve com igual
intensidade odiar tudo o que é perverso e mau.
As Escrituras nos ensinam que
Deus não apenas odeia o pecado, mas também que ele volta seu ódio contra
aqueles que o praticam. Todos aprenderam o clichê popular: “Deus ama o pecador
e odeia o pecado”, mas tal ensino é uma negação das Escrituras, que claramente
declaram o contrário. O salmista, sob inspiração do Espírito Santo, escreveu
que Deus não apenas odeia a iniquidade, mas que ele também odeia “todos os que
praticam a iniquidade”[1].
Devemos entender que é impossível
separar o pecado do pecador. Deus não pune o pecado, mas pune aquele que o
comete. O pecado não é condenado ao inferno, mas o homem que o pratica. Por essa
razão, o salmista declarou: “Os arrogantes não permanecerão à tua vista; odeias
a todos os que praticam a iniquidade”[2].
E também: “O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono;
os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens. O
SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma
o abomina. Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento
abrasador será a parte do seu cálice. Porque o SENHOR é justo, ele ama a
justiça”[3].
É importante entender que os
textos acima não estão sozinhos na Escritura, mas estão acompanhados de outras
passagens que fortalecem a realidade de tal resposta por parte de um Deus
santo. No livro de Levítico, o Senhor advertiu ao povo de Israel que não
seguisse os costumes das nações que ele lançaria de diante dele, e depois
adicionou: “Porque fizeram todas estas coisas; por isso, me aborreci deles”[4].
Novamente, no livro de Deuteronômio, ele advertiu seu povo de que os canaanitas
seriam lançados de diante deles porque eram “uma abominação ao SENHOR”, e
qualquer um que participasse dos mesmos atos injustos seria igualmente uma “abominação”
para ele[5].
No livro dos Salmos, Deus descreveu sua disposição para com os israelitas
incrédulos que recusavam entrar na Terra Prometida, dizendo: “Durante quarenta
anos, estive desgostado com essa geração”[6].
Finalmente, no livro de Tito, Paulo descreve aqueles que fizeram confissões
vazias ou superficiais de fé em Deus como “abomináveis” diante dele, e João, na
Ilha de Patmos, descreve o lago de fogo como morada daqueles que são “abomináveis”[7].
O ódio divino explicado

O que significa quando as
Escrituras declaram que Deus odeia pecadores? Primeiro, o Dicionário
Webster
define ódio como um sentimento de extrema inimizade para com
alguém, considerar alguém com ativa hostilidade, ou ter uma forte aversão para
com uma pessoa; detestar, repugnar, aborrecer ou abominar. Embora essas
palavras sejam fortes, a Escritura usa a maioria, senão todas elas, para
descrever o relacionamento de Deus com o pecado e com o pecador. Em segundo lugar, devemos entender que o
ódio de Deus existe em perfeita harmonia com seus atributos. Diferentemente do
homem, o ódio de Deus é santo, justo, e é um resultado de seu amor. Em terceiro lugar, devemos entender que o
ódio de Deus não é uma negação do seu amor. O Salmo 5:5 não é uma negação de
João 3:16 ou Mateus 5:44-45. Embora a ira de Deus repouse sobre o pecador,
embora ele seja irado contra o perverso todos os dias, e embora ele odeie todo
aquele que pratica a iniquidade, seu amor é de tal natureza que ele é capaz de
amar aqueles que são o próprio objeto de seu ódio e trabalhar pela salvação
deles[8].
Em quarto lugar, embora Deus seja
longânimo para com os objetos de seu ódio e lhes ofereça a salvação, chegará um
tempo em que ele retirará tal oferta e a reconciliação não será mais possível[9]. (WASHER, Paul. O poder do Evangelho e sua mensagem. Fiel Editora. 2013, p. 157-159)


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[1]
Salmos 5:5b
[2] Salmos
5:5
[3]
Salmos 11:4-7
[4]
Levítico 20:23
[5] Deuteronômio
18:12; 25:16
[6]
Salmos 95:10
[7]
Tito 1:16; Apocalipse 21:8
[8]
João 3:36; Salmos 7:11; 5:5
[9] Romanos
10:21
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5 COMENTÁRIOS

  1. Se Deus odeia o pecador como interpretar Romanos 5:8 "Mas Deus prova o Seu AMOR para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores."

  2. Fico em dúvida, o que faço com essa passagem ?

    Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,
    Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.
    Romanos 8:38-39

    Vejo aqui uma afirmação veemente de que, absolutamente nada irá me separar do amor dEle, creio em sua justiça e sei que aqueles que forem condenados irão pro inferno, sei que o inferno foi criado por Deus, mas usar a palavra ódio acho exagero, fui procurar em alguns dicionários o significado de ódio e fiquei ainda mais apegado a essa passagem, lembrando que não descarto nenhuma das outras passagem, só entendo que a palavra "ódio" não cabe nisso!
    Um abraço e Deus abençoe.

  3. Fico em dúvida, o que faço com essa passagem ?

    Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,
    Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.
    Romanos 8:38-39

    Vejo aqui uma afirmação veemente de que, absolutamente nada irá me separar do amor dEle, creio em sua justiça e sei que aqueles que forem condenados irão pro inferno, sei que o inferno foi criado por Deus, mas usar a palavra ódio acho exagero, fui procurar em alguns dicionários o significado de ódio e fiquei ainda mais apegado a essa passagem, lembrando que não descarto nenhuma das outras passagem, só entendo que a palavra "ódio" não cabe nisso!
    Um abraço e Deus abençoe.

  4. Gosto das falas do Paul Washer, o considero acima da média em pregações e é evidente sua dedicação ao evangelho, o que sem a ajuda de Deus se torna inviável.
    Mas como todo homem nesta condição, inclusive os apóstolos, ele está sujeito a dizer coisas tiradas das próprias convicções. Isso é assim desde sempre para o ser humano e não o faz ruim ou menos merecedor de nossas considerações por ele.
    Neste texto Paulo Washer confere a Deus reações humanas, mas não é só ele, há quem diga, coração de Deus, paciência de Deus, castigo de Deus, ira de Deus e outras atribuições genuinamente humanas. Ora, se seguirmos essa linha vamos ser obrigado a compreender que Deus trata nossos assuntos para com ele como um ser humano em condição divina, e não é assim.
    Deus compreende as dificuldades humanas, nossas fraquezas, Ele sabe das agruras morais, psicológicas e existenciais que estamos sujeitos vivendo em ambiente terreno. É em meio a toda essa diversidade de problemas que precisamos achar forças, e Ele nos ajuda, para compreender quem é Ele e busca-lo.
    Então considero muito mais plausível e até bíblico, entendermos o que chamam de ódio de Deus como ausência de Deus. Se damos a Deus o atributo amor, não é conclusão logica darmos o atributo ódio, pois amor é presença, sendo Ele o que é, sua presença nos basta, assim como Ele disse a Paulo "minha graça te basta".
    Um crente consciente sabe quando Deus está presente e quando Ele se afasta e essa sensação já é por si só amedrontadora.
    Não creio na relação quase sempre circunstancial de Israel com Deus, onde Deus chora atenção, odeia e ama num vai e vem circunstanciado. Creio que Israel simboliza caraterísticas humanas de sempre e entendo que Deus esteve presente e esteve ausente em diversas ocasiões.
    Também na fala de Paulo, ira pode ser compreendida como rejeição, afastamento, mais comumente usada entre nós como a expressão raiva. Quem está com raiva de nós nos evita, se afasta.
    Mas é preciso considerar que Deus não sai ou chega a algum lugar, quem promove sua ausência somos nós, quem sai de sua presença somos nós, e se assim o fazemos nossa companhia será a pior possível na sua ausência.

    "Pois o salario do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus."

    "Buscai ao Senhor, vós todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura sereis escondidos no dia da ira do Senhor"

    "João dizia, pois, às multidões que saíam para ser batizadas por ele: Raça de víboras, quem vos ensina a fugir da ira vindoura?"

    Estes versículos deixam claro a mesma coisa. Vai chagar o dia da ira do Senhor e enquanto ela não vem Deus está presente ou ausente de nossas vidas. Está rejeitado ou clamado por nós, é amado ou odiado por nós.

  5. Não foi Paul Washer quem "inventou" isso.. ele é apenas a pessoa mais destacada que fala sobre isso hoje em dia, mas durante toda a história, especialmente com a reforma protestante, essa "ideia" esteve em voga, Jonathan Edwards que o diga. Quem não conhece sua célebre pregação intitulada "Pecadores nas mãos de um Deus irado"? E quem pode negar o que Deus fala através do salmista em Sl 5:5 e outros textos citados??

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