Explicar o dilúvio é mais fácil do que defender a igreja

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Por Wesley Moreira

É fácil criar um espantalho, chamar pelo nome do opositor, surrar o espantalho e depois sair zombando e cantando vitória. É exatamente isso que certos opositores fazem quando querem zombar da Bíblia, isolam qualquer texto milenar, de difícil exegese, e os expõe acompanhados de comentários zombeteiros. Eu chamo esse fenômeno de “o orgulho de ser ignorante”.
 
Tenho um bom amigo que é agnóstico, o Tarsis Alexandre. A posição mais sábia para quem não encontra evidências de que Deus existe, mas sabe que a ausência da evidencia não é prova da ausência, é o agnosticismo. Nos meus encontros virtuais com ateus percebi que eles são estimulados a descrer em Deus e na Bíblia pelo mau testemunho social da igreja, afinal, como pode de Deus sair tanto ensino bizarro, comportamentos contraditórios e escandalos diversos? Não estivessem minhas convicções fundamentadas na minha fé pessoal em Cristo eu seria hoje colega do Tarsis no agnósticismo, e modestia à parte, seria isto um pesadelo para cristãos a minha volta, pois no tocante a minha capacidade de apologia bíblica, quem sabe defender, o faz bem, justamente por conhecer em profundidade os pontos mais fracos. Como apologista, e em relação à igreja evangélica, me sinto como quem defende a honra do Pai das repercussões sociais e escandâlos causadas pelo comportamento da irmã insensata. Assim levo minha vida diária, apagando incêndios aqui e acolá, tentando explicar aos incrédulos que Deus e a Bíblia não tem nada haver com o safado que prega no domingo a noite e come a filha do presbítero na segunda feira a tarde.
 
Quando a igreja evangélica enxotou os mestres do seu meio, criando um monolito ministerial formado puramente por evangelistas (os macacos animadores de auditório), gente como eu ficou sem espaço para ensinar. Sem opção migramos para os ambientes da internet, os blogs, e as comunidades virtuais de onde profetizamos contra a pilantragem institucionalizada na igreja e defendemos a Bíblia desses mesmos que se auto intitulam de tudo quanto soe a poder.
 
Uma vez alguém disse que a igreja era semelhante a Arca de Noé, não fosse o dilúvio do lado de fora ninguém aguentaria o mal cheiro causado pelos animais do lado de dentro. Discordo da frase por duas razões, ao contrário da Arca, a igreja não salva ninguém, segundo, o cheiro dos animais é mais tolerável do aquilo que eu já presenciei no meio evangélico.
 
Quanto à apologia nosso trabalho é silencioso, porém poderoso, o quase anônimato nos oferece profundidade que compensa a falta do glamor eclesiástico tão comum a essa igreja secularizada. Nosso sucesso não é medido pela sacolinha de ofertas, nem pela contagem de cabeças. Por isso tenho prazer em responder à agnósticos e a ateus sempre que uma oportunidade civilizada se me apresenta. Os parágrafos que se seguem foram postados como resposta a um pedido do Tarsis para que eu comentasse algumas zombarias feitas ao relato bíblico do dilúvio. Não tomarei tempo para corrigir o texto original, quero que tudo fique assim como escrevi de cabeça, mas com o coração:
 

O relato Bíblico sobre o dilúvio é somente isso, um relato, sujeito as limitações e interpretações de quem presenciou ou ouviu de quem estava presente. Se eu pegar um livro de ciências e ler alguns capítulos na missa de domingo cairei no ridículo, cada um foi escrito com um propósito em mente, e a Bíblia não pretende em nenhum momento explicar nada, somente registrar acontecimentos.
 

Todas as civilizações antigas do mundo tem um relato semelhante ao dilúvio, desde os antigos babilônicos, os chineses, os sumérios, os egipcios, entre os mais conhecidos e cada qual empresta nomes diferentes aos personagens, porém o dilúvio está presente em todas elas. O que empresta veracidade a Bíblia pois quando culturas distintas carregam em si contos de histórias idênticas sabemos que elas derivam de um ancestral comum, e a coincidência das histórias presta veracidade, pois algo estranho aconteceu e foi passado de geração em geração e, eventualmente, inspirou o relato bíblico de Noé e de outros culturas antigas. Outro ponto é que Bíblia não especifica se o dilúvio foi global ou somente regional. Alexandre o Grande e Napoleão são conhecidos por conquistar o mundo por um tempo, porém da-se o nome de “mundo” ao mundo conhecido ou civilizado da época, não toda a superfície do globo.
 

O interessante é quem zomba do dilúvio geralmente acredita nos períodos glaciais, que causaram dilúvios e extinguiram espécies.No final de 1990, os geólogos da Universidade de Columbia William Ryan e Walter Pitman propuseram que uma grande inundação no Oriente Médio resultou da elevação do nível de água no final da última Idade do Gelo cerca de 7.000 anos atrás, data que coincide com o relato Bíblico. Naquela época, o Mar Negro era um lago de água doce e as terras ao redor dele eram agráveis. Quando as geleiras europeias derreteram, o Mar Mediterrâneo transbordou com uma força de 200 vezes maior que a do Niagara Falls, convertendo o Mar Negro de doce à água salgada e inundando a área [fonte: National Geographic].National Geographic Society explorador Robert Ballard, inspirado por Ryan e de Pitman, descobriu provas físicas, incluindo um vale de um rio subterrâneo, bem como estruturas e ferramentas da Idade da Pedra por baixo do Mar Negro. Sua equipe também desenterrou fósseis de espécies de água doce agora extintas que datam entre 7.460 a 15.500 anos.
 

A quantidade de espécies terrestres deveria levar em conta por exemplo que todas as centenas de raças de cachorros vieram do Canis Lupus de onde derivaram 39 espécies incluindo o cão domestico. Mesmo que pareça improvável é plausível que todas as espécies terrestres, que não pudessem sobrevier a inundação de uma região pudessem se refugiar da água naquele barcão. O Dr Jonathan D. Sarfati B.Sc. (Hons.), Ph.D., F.M. Physical Chemist and Spectroscopist, um ciêntista australiano tem um artigo todo voltado para o assunto aqui: http://creation.com/how-did-all-the-animals-fit-on-noahs-ark
Quem disse que Noé era branco? Estudos aponta que era negro, por um simples fato biologico, da raça negra você pode tirar todas as raças, não da branca. A biologia diz que são necéssarios apenas quatro gerações para que um grupo de pessoas isoladas em uma só região comecem apresentar as primeiras caractéristicas próprias de raça, como tom da cor da pele distinta. Somos ou não derivados de um ancestral em comum, o Homo Sapien que se micro evoluiu até o homem moderno? Não entendi o problema em aceitar essa relato (de que todos viemos de Noé) como plausível. Outro ponto que não posso deixar de fora é sobre a quantidade de pessoas, a Bíblia somente nomeia os cabeças da casa, os patriarcas, nunca a familia toda, seriam os casamentos entre primos incestos? Os estudos sobre a Mitochondrial Eve e o Y-chromosomal Adam apontam para a surpreendente revelação de que os humanos são primos de grau 50º uns dos outros, claro que sim houve muitos incestos entre primos, matematicamente falando, se cada um viesse de uma linhagem distinta, não caberiamos hoje no planeta. Link: http://io9.com/5791530/why-humans-all-much-more-related-than-you-think
 

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O ceticismo nunca foi sinal de inteligência, pessoas eram céticas a respeito da ida do homem à lua. Outros ainda não acreditam que as pirâmides foram construídas pelos egípcios dado o grau elevado de engenharia empregadam, acreditam que foram construídas por extra terrestres. Eu prefiro acreditar que o homo sapiens sempre foi muito inteligente e soube usar os recursos disponíveis, hoje apenas pisamos nos ombros daqueles que vieram antes de nós, herdamos um acúmulo de conhecimento que nos permite o luxo da ciência moderna. Duvidar da arca é duvidar da capacidade do homo sapiens de sobreviver e salvar os animais a sua volta no processo.Eis a minha proposta aos meus amigos. Duvidar do dilúvio somente por que foi relatado na Bíblia não vai lhes acrescentar nada. Existem inúmeras evidencias e teorias não relacionadas com a religião sobre o assunto. A eterna busca pelo elo perdido da evolução de Darwin trouxe mais créditos que prejuízos aos relatos bíblicos, e a geografia e antropologia sempre seguiram os passos deixados pela Bíblia para encontrar vestígios de cidades, de civilizações, de povos e culturas. Não crer na existência de um deus nunca impediu os pesquisadores do uso dos relatos bíblicos como pistas deixadas para a posteridade, eu realmente não entendo o antagonismo entre fé e ciência, se a fé é um conjunto de fenômenos que não se pode explicar, o que poderemos dizer do meu ramo da ciência favorito, a física quântica, que quanto mais se estuda, menos se explica?
 

Aqui há uma reportagem da rede ABC news sobre evidências sobre o dilúvio: http://abcnews.go.com/Technology/evidence-suggests-biblical-great-flood-noahs-time-happened/story?id=17884533
 

Até para os que creem na possibilidade de um dilúvio global há teorias de cientistas não religiosos: http://www.wnd.com/2012/06/does-science-prove-noahs-flood/
 

Se deixei algum ponto sem comentar pelo menos parcialmente peço desculpas, já é tarde, e só tirei o tempo para comentar por respeito ao meu amigo Tarsis.

Abraço a todos.
 


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Wesley Moreira é pastor, teólogo e tradutor. Escreve lá dos Estados Unidos, onde trabalha e mora há alguns anos. Confira seu blog pessoal clicando aqui. Divulgação: Púlpito Cristão.
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