‘En touto nika’

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Nesse (símbolo) você vence
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Por José Bernardo

Essa noite sonhei que estava evangelizando em uma situação em que todos os símbolos cristãos haviam sido proibidos e eu lidava com essa questão. A simbologia não preocupa os cristãos protestantes, menos ainda os evangélicos em geral e quase nada os evangélicos brasileiros. No início da Reforma, como reação ao abuso romanista, destruiu-se grande parte dos símbolos. A ênfase pietista posterior se desfez de quase tudo o que sobrou. Ao chegar ao Brasil, o cristianismo bíblico foi proibido portar símbolos religiosos e agora, na pós-modernidade, a desconstrução desnorteada vandaliza as últimas memórias. Ainda assim os símbolos têm grande importância na comunicação do Evangelho.

Como as palavras, os símbolos também são sinais ou signos que representam um significado. Porém, os sinais gráficos e sonoros de um símbolo representam realidades abstratas complexas que só poderiam ser descritas com muitas palavras. Seu significado acelera a comunicação e a torna mais abrangente. Embora o judaísmo consista em culturas mais dramáticas do que simbológicas, as Escrituras abundam em símbolos, contradizendo a sobriedade protestante e evangelical. Os símbolos são importantes e o tanque batismal, a mesa da ceia, o pão, o vinho, o púlpito, o azeite, o anel de casamento, são alguns remanescentes que testemunham dessa importância.
Assim, o evangelista em um país ou em uma situação em que os símbolos sejam proibidos, como nas escolas públicas da França, ou em países sob a ditadura do islamismo, deverá encontrar soluções para ainda utilizar os símbolos na aceleração e abrangência da comunicação de verdades espirituais. Em meu sonho eu decidi utilizar gotas vermelhas para representar o sangue de Cristo derramado para nossa remissão. Já havia feito isso quando desenhei a capa de meu livro ‘Sejam Santos’. Fitas vermelhas também funcionariam. Não é a antiguidade de um símbolo que lhe dá força, mas a convenção, isto é, a condição de que toda a comunidade o identifique como significante. O Evangelicalismo Brasileiro, por exemplo, enfrentou a proibição imperial de utilizar símbolos como a cruz, as torres com sinos ou as vestes clericais, usando a figura da Bíblia aberta para simbolizar a importância de sua leitura prática e popular – proposta fundamental.
Pensando em como o peixe foi usado pelos primeiros cristãos para enfatizar a centralidade de Jesus Cristo o Filho de Deus em nossa fé, ou como a cruz veio a ser o símbolo máximo de um cristianismo que somente começa e somente continua com a morte, os missionários devem cuidar com maior zelo do uso dos símbolos na evangelização. Nesse caso, nossos pesados púlpitos de madeira que representavam a solidez e a centralidade do ensino bíblico, quando são substituídos por diáfanas e transitórias mesinhas de acrílico para dar lugar a um cenário de show, estão comunicando que mensagem às novas gerações? Os símbolos comunicam com grande intensidade, por isso seu uso ou desuso deve ser intencional. Não podemos comunicar heresias e depois ainda reclamar do desvio.

José Bernardo é pastor, pesquisador, escritor, estrategista de evangelização e conferencista. Fundou e preside a agência missionária de mobilização evangelística AMME Evangelizar.
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