O pregador que não prega

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Por Samuel Torralbo
Não é de hoje que o oficio da pregação tem sido alvo de reflexões, aplausos, censuras e análises; quando me refiro a pregação quero dizer o anúncio verbalizado das escrituras sagradas. Porém, seria muito simplório e ingênuo afirmar que a pregação do Evangelho é apenas a comunicação inteligível da mensagem de Cristo Jesus, uma vez que, até um papagaio treinado e adestrado conseguiria realizar tal trabalho. 
O oficio da pregação é um trabalho que está mais atrelado ao “ser”, do que propriamente o “fazer” daquele que o realiza, uma vez que a mensagem do arauto de Deus é simplesmente uma extensão daquilo que já é ou está em processo nele mesmo. 
Fere e será ferido todo pregador que vive em desarmonia entre aquilo que anuncia daquilo que vivencia. A pregação é um sentimento de Deus em ebulição no coração de um mortal que se dispôs a viver e a testificar daquilo que é próprio de Deus para os homens. 
De modo que, pregar não se resume em falar, mas está mais atrelado para a essência do ser que transborda das boas novas do evangelho que testificam (também em palavras) da verdade de Deus em Cristo Jesus. 
Judas em sua epístola traça o perfil do ministro ou pregador que não prega, mas apenas encena para seu próprio prazer ou interesses: “Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas;”(Judas) 
No Antigo Testamento encontramos um mensageiro sem mensagem, seu nome era Aimaaz. No intuito de transmitir uma mensagem ao rei Davi passou na frente de outro mensageiro, mas quando o rei Davi perguntou pelo seu filho Absalão sua resposta foi :”...Quando Joabe me mandou a mim, o servo do rei, vi um grande alvoroço; porem não sei o que era.” (2 Reis 18.29), até que por fim, chegou o outro mensageiro comunicando a Davi que Absalão estava morto. Perceba que o mensageiro sem mensagem (Aimaaz) chegou primeiro do que aquele que de fato tinha a mensagem, e sua pseudo-mensagem era sobre um alvoroço que não sabia o que era, será que podemos perceber as mesmas semelhanças nos atuais mensageiros sem mensagens (disputa, gramour, alvoroço, barulho, mas sem conteúdo e essência) 
Observe que, a pregação não está atrelado a aparência ou ao resultado imediato segundo as percepções humana, mas antes, está intrinsecamente ligada a essência, conteúdo, e caráter daquilo que habita o pregador. Deste modo, segue abaixo uma síntese de pregadores que na realidade não pregam, de nuvens que não chovem, e de árvores que não frutificam:
– Pregador Ego (Aquele que a pregação gira em torno dele) 
– Pregador Eco (Aquele que decora e repete mensagens alheias) 
– Pregador Show (Aquele busca apenas performances teatrais e fúteis) 
– Pregador Super (Aquele que é tão poderoso que se esquece do Evangelho e de Cristo Jesus) 
– Pregador Multi (Aquele que faz tudo no púlpito e acaba se esquecendo do principal – pregar) 
– Pregador Uno ( Aquele que acha que só ele prega) 
– Pregador falso (Aquele que anuncia o outro evangelho) 
– Pregador oco (Aquele que prega, mas não vive o que prega) 
Certamente, neste tempo de confusão e extrema apostasia é válido a lembrança das palavras de Francisco de Assis: “Pregue o Evangelho em todo o tempo. Se necessário, use palavras”, como também é importante a advertência paulina ao jovem pregador Timóteo, que também serve a todos os pregadores contemporâneos: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” (1 Timóteo 4.16)

***

Samuel Torralbo é teólogo, escritor,  blogueiro e colunista do Púlpito Cristão.
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3 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pela postagem! Infelizmente temos presenciado cada vez mais pseudo-pregadores do evangelho Jesus, conduzindo muitos para fora dos caminhos do Pai, com doutrinas cheias dos manjares do secularismo, que são agradáveis aos olhos e aos ouvidos, mas é um alimento que não nutri, só serve para uma disenteria espiritual. Bem… considerando as fontes, esperaremos o quê além disso???

  2. De fato o evangelho é algo prático. Não existe evangelho sem ações verdadeiras de amor a Deus, sem que esse amor seja externado ao próximo. Caráter, mansidão, paz, compaixão e outras características gritam muito mais do que simples palavras soltas ao vento.

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