Por que a sucessão é um problema na AD?

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Por Geremias do Couto
A enquete ao lado, já encerrada, traça um quadro sombrio sobre como tem sido a percepção dos membros de nossas igrejas quando o assunto é sucessão pastoral. Embora não tenha rigor científico, como sempre reitero, foram 575 votos das mais diferentes partes do Brasil, o que nos permite fazer uma análise bastante real da situação. Para facilitar, repito aqui os dados:
1) 355 votantes (61%) acham que o problema é o apego ao poder.
2) 138 votantes (24%) acham que é o interesse em passar para o filho ou genro.
3) 41 votantes (7%) acham que está no temor da nova geração.
4) 22 votantes (3%) acham que se trata de desconfiança do sucessor.
5) 19 votantes (3%) acham que é medo de ficarem desamparados.
Creio que os líderes de nossa igreja deveríamos parar um pouco para pensar sobre o tema, pois as nossas atitudes, regra geral, estão tendo diferentes interpretações do rebanho – bastantes desfavoráveis até – que, talvez, possam não refletir o que, de fato, vai em nosso coração, embora, em muitos casos, seja visível a predominância dos dois itens mais votados da enquete: apego ao poder e interesse em passar a titularidade do pastorado para o filho ou genro. É importante que cada um veja em que condição se encontra, sem que isso nos tire o direito de “passar a limpo” esse desafio que tão de perto nos afeta.
No primeiro item não há muito o que discutir. O apego ao poder é danoso ao rebanho e se torna uma porta larga para a prática de tantas irregularidades que – um erro aqui, outro acolá – tornam cauterizada a consciência do líder que assim lidera. Ele só se mantém no cargo pela força do seu autoritarismo ou mediante a forma verticalizada em que a liderança é exercida através daqueles que recebem benesses para sustentá-lo na “cadeira papal”. É um “colégio cardinalício” oficioso dentro da igreja. O que importa é construir e manter o império. A conversão dos pecadores é apenas um detalhe. Esquecem-se que a Igreja é de Deus.
No segundo item temos de considerar duas vertentes: a primeira tem a ver com o apego ao poder. O medo de que o comando da igreja caia em mãos de terceiros faz com que logo se prepare o filho ou o genro para comandar o “grande negócio” e, assim, manter tudo dentro de casa. Mas temos de olhar o outro lado da moeda, que pouco foi citado na enquete, e tem a ver com aqueles pastores que se gastam como verdadeiros sacerdotes, mas pouco se preocupam com o futuro. Quando chega a hora de passar o cajado, o medo de ficarem desamparados os leva ao mesmo comportamento: preparar o filho ou o genro para assegurar, pelo menos, uma velhice tranquila.
Creio que os itens três e quatro acabam embutidos nos demais. De qualquer modo, o temor da nova geração sempre existirá. É um conflito permanente que só se acentua se a geração anterior não souber lidar com este processo irreversível, deixando de bem preparar os seus substitutos. A desconfiança do sucessor, por sua vez, pode ocorrer pelas razões há pouco explicitadas. Não é fácil abrir mão do poder se ele lhe traz benefícios, como também é difícil passar o bastão para alguém que, lá na frente, não terá escrúpulos em pisar sobre o antecessor jubilado. Com isso, muitas transições se tornam traumáticas e se não produzem reviravoltas maiores se deve ao fato de o povo assembleiano levar muito a sério a questão do respeito à autoridade.
Entre outras, duas coisas a ponderar:
1) Bom seria se pudéssemos voltar há algumas décadas, onde a permuta de igrejas entre pastores era bastante comum. Parece utópico, mas não custa nada sonhar. Isso traz oxigenação, renova as energias, ameniza o desgaste, apresenta novos desafios e rompe com a possibilidade da eternização do pastor em um só lugar, criando para si um império particular. Cito como modelo apenas dois exemplos. O primeiro, Alcebíades Pereira de Vasconcelos, que começou no Piauí, onde passou por algumas igrejas, foi pastor em São Cristóvão, RJ, Belém, PA, e, por fim, em Manaus, AM, onde foi chamado ao descanso eterno. O outro é o do pastor José Pimentel de Carvalho, que pastoreou em Valença, RJ, foi co-pastor em São Cristóvão, RJ, dirigiu a AD da Penha, no mesmo Estado, e terminou os seus dias no pastorado da AD em Curitiba, PR. No modelo de hoje nenhum deles teria essa oportunidade. Os estatutos das igrejas, geralmente, não permitem.
2) Entendo, por outro lado, que filhos de pastores (ou genros) não devem ser estigmatizados, como se não pudessem, também, ter a vocação pastoral. Esse é outro extremo. É óbvio que nem todos a têm e, por isso mesmo, não podem ser empurrados goela abaixo da igreja. Conheço alguns que levaram o trabalho à ruína. Ministério não é hereditariedade, como no Antigo Testamento. Mas aos que são chamados não lhes podemos negar o direito de se aprimorarem na vocação. Muitas vezes são os que menos querem, pois conhecem as lutas que o pai, como verdadeiro sacerdote, experimenta e não desejam trilhar a mesma senda. Mas quando Deus chama, não há saída. Ou obedecem ou sofrem as consequências. Em casos assim não é preciso forçar a barra porque a igreja percebe o chamado. Em outros, o filho acaba por não ficar na mesma igreja, pois Deus o leva para algum lugar distante para, ali, desenvolver a sua vocação.
Enfim, espero de coração que a enquete nos ajude, como igreja, a refletir sobre o problema da sucessão e a encontrar o equilíbrio necessário para que o rebanho sempre saia fortalecido em momentos de transição. E que tenhamos de Deus o senso de saber a hora de pararmos.
***
Fonte: Blog Geremias do Couto. Divulgação: Púlpito Cristão.

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14 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom o assunto e a sua escrita, meu caro pastor Jeremias. E' uma triste realidade essa dos feudos religiosos que atualmente proliferam no meio cristao, fazendo lembrar a igreja do milenio passado. Pergunta: O que se ha de fazer? Gosto, embora com muita tristeza, de quando voce diz; "nao custa nada sonhar" e, e' verdade, alem da oracao, o que nos resta a fazer e' sonhar com dias melhores que, creio, certamente, so' acontecerao no ce'u.
    Tempo de trevas.

  2. Amados, sou evangelista da AD e pastoreio uma congregação…conheço bem o que o nobre pastor expôe logo acima…a verticalização do poder beneficia algúns em detrimento de uma imensa maioria, que sem vez e vóz, é tratada como rebanho de ovelhas?? Não, gado…pastores que pagam pra fazer a obra enquanto algúns "edificam em alicerce alheio" e levam a fama…Este sistema injusto com certeza não agrada a Deus,mas agrada a algúns cujo deus é o ventre…
    Quando isto vai terminar nas Assembleias de Deus???Egoísmo,egocentrismo,desrespeito…faltam-me palavras…
    Que o Senhor nos possa ajudar…
    A Paz do Senhor.

  3. Eu já assisti coisas dentro da igreja que me deixou politraumatizado,é bom não relembrar,mas jamais pensei em ver,ouvir o que vi e ouvi.tito from brasília.

  4. Distintos irmãos, graça e paz!

    Se Deus ressuscitasse Daniel Berg e Gunnar Vingren, e eles viessem visitar o Brasil, certamente, sofreriam um infarte fulminante,tendo em vista a situação por que passa a Assembleia de Deus no Brasil.
    Hoje em dia, infelizmente, não chega a ser novidade a citação de nomes de "líderes" dessa honrada Instituição envolvidos em escândalos.
    Aliás, são fatos divulgados na mídia.
    Assim sendo, não se trata de invenção nossa.
    Não bastasse esse desgaste vergonhoso, ainda há "pastores" que, em alguns lugares, procuram transformar a denominação em capitanias hereditárias.
    É claro que sabemos diferençar Pastores de "pastores".
    Ilustres irmãos, que condições morais têm os que dão maus exemplos, quando vão "admoestar" os rebanhos que eles estão, infelizmente, comandando?
    A nosso ver, todos os que estão na condição mencionada, são contrários às seguites passagens; 1 Coríntios 4.1,2; 2 Coríntios 6.3; 2 Timóteo 2.15; 1 Pedro 5.1-3.
    E o pior é que, muitos deles, já estão na condição do "pastor" da Igreja de Sardes ( Apocalipse 3.1).
    No entanto, Deus ainda está dando uma oportunidade ( Apocalipse 2.4,5).
    Em Cristo,
    Tadeu de Araújo

  5. Creio que o autor focou falsas questões.

    Apego ao poder e preocupação quanto ao bem estar na velhice são comportamentos tipicamente humanos. O primeiro é um defeito, o segundo apenas uma questão de busca pela sobrevivência. Mas ambos são humanos.

    Ocorre que tais comportamentos universais não geram EFEITOS iguais em todas as instituições. Entre as igrejas mais antigas no Brasil, a AD é talvez a que tem mais problemas e defeitos quanto à sucessão. Não se deve procurar uma explicação universal para problemas que são peculiares à AD. A pergunta que o autor deveria fazer é porque o apego ao poder e a preocupação em não ser abandonado na velhice, geram efeitos tão deletérios na AD, mais do que em outras denominações antigas?

    A explicação para problemas tão peculiares à AD tem de ser procurada NAQUILO QUE É PECULIAR À AD. Certamente o sistema de governo, e mais que isso, o arcabouço cultural dos membros quanto ao que é o governo da igreja, esses são os grandes problemas.

    Antes que houvessem as novas denominações neo-petencostais, a AD era o grande exemplo de cultura caudilhista, entre as denominações evangélicas. Esse defeito se mostra ainda mais acentuado nas novas denominações petencostais, e baseia-se numa exegese equivocada, e numa cultura popular caudilhista.

  6. Esse assunto a família real da AD ignora, na realidade isso nunca irá melhorar e sim piorar, a partir do momento q pegaram gosto pelo "poder" Deus deixou de estar presente e isso é somente um dos problemas da AD. Eles não deram treinamento algum para obreiros justamente com medo de ter pessoas inteligentes e que possa vir a questioná-los. O que realmente gostam é de pessoas submissas e com medo de perder seus "cargos" assim podem mandar e desmandar quando quiserem. Participei do culto que fizeram a "votação" da diretoria, fiquei abismada com aquilo porque simplesmente o JW disse q preferia q continuasse como estava porque são pessoas de sua confiança, e disse "Amém igreja"? os coitadinhos dos irmãos responderam "Amém", o JW disse eleição feita continua tudo como já estava. Até parece piada mas não é, e claro q o vice é quem? seu filho.

  7. Não precisa ser nenhum gênio para saber que o principal foco de todas as grandes denominações é o apego ao poder.
    Só não vê quem não quer ou tem motivos nefastos para discordar dessa tragédia evangélica.
    Vai dizer que esses cartolas da fé estão preocupados com a salvação de seus rebanhos? Seria uma piada do mais baixo nível.
    Os caras querem usar a igreja para se elegerem a cargos políticos, querem ter vida de rei, mansões, aviões, iates, fazendas, empresas, cobertura na praia, viagens a Europa e EUA, ou vão dizer que são santos como apóstolo Paulo???
    Já está passando da hora de deixarmos de ser idiotas como querem que sejamos desde a 30, 40 anos atrás.
    Onde o povo acredita que esses coronéis de púlpitos são ungidos, mas na verdade são untados, deveriam responder a Receita Federal e as autoridades que deveriam ser competentes para exterminar essa Máfia da fé.
    Digo – Que tipo de igreja estamos frequentando, um palácio vil?
    Onde está a ética e o temor devido a Deus?
    Para a maioria na lata de lixo.

  8. Fica ainda uma pergunta: Porque as igrejas petencotais e neopetencostais tem problemas mais sérios de desgoverno e caudilhismo? Deve haver algum erro fundamental na mentalidade petencostal, que os faz mais sujeitos a aceitar tais disparates como normais.

    Mas não consigo atinar que erro seria esse. Sei que os petencostais brasileiros tem essa louca interpretação que diz "ai de quem tocar nos ungidos do senhor". Mas isso é típico do Brasil ou é um fenômeno mundial? Também vejo entre os petencostais a tendência de jamais procurar entender nada racionalmente, e isso deixa a porta aberta a todo tipo de sofismas.

    Seria interessante comparar os petencostais brasileiros com os de outros países, para tentar compreender se isso é um problema do petencostalismo em si ou só do petencostalismo em alguns países.

  9. CONCORDO COM TUDO O QUE FOI DITO ACIMA,É VERGONHOSA A SITUAÇÃO DA AD NO BRASIL,NASCI NA AD,MAS ASSIM QUE PERCEBI COMO FUNCIONA O SISTEMA,TROQUE DE DENOMINAÇÃO,SAÍ DE UM MINISTÉRIO ONDE O PASTOR ANTES DE MORRER PASSOU O CAMPO PARA O TESOUREIRO DA IGREJA PQ O MESMO ERA SEU AMIGO,HOJE AS IGREJAS ESTÃO CAINDO AOS PEDAÇOS E O PASTOR SÓ EMBOLSANDO O DINHEIRO,E AÍ DE QUEM OUSAR FALAR MAL DESSE "UNGIDO" VAI PRESTAR CONTAS COM DEUS É ASSIM QUE ELES NOS AMEAÇAM,QUEM NÃO TÁ SATISFEITO TEM QUE SAIR,A MINHA INDIGNAÇÃO É QUE OS MEMBROS SABEM E NINGUÉM FALA NADA.BANDO DE ALIENADOS.

  10. Na minha Igreja estou propondo, a criação do concilio de Pastores, apos o afastamento do nosso atual presidente, até para respeita-lo. O CONCILIO DE PASTORES, será um orgão superior para assuntos administrativos, doutrinario e fiscal. O presidente da Igreeja assume a sede, é apenas Pastor na Matriz, porém administrativamente gerenciará os recurso do caixa central da Igreja, será Eleito pelo concilio, sendo apenas o Pastor administrativo, subordana-do ao Concilio de Pastores. IMPORTANTE I – AS ASSEMBLEIAS SERÃO PUBLICAS, COM A PRESENÇA DE 3 MEMBROS, 3 DIÁCONOS, 3 PRESBÍTEROS, QUE ASSINARÃO A ATA COMO TESTEMUNHAS, SENDO NULA A ASSEMBLEIA SEM A PRESENÇA DESTES, OS QUAIS SERÃO CONVOCADOS PELO PRESIDENTE DO CONCILIO, RESPEITANDO UM RODIZIO, MAS AS PORTAS SERÃO ABERTAS A TODOS OS MEMBROS. IMPORTANTE II – pORTAS FECHADAS SÓ ASSUNTO INTIMO DE FAMILIA; IMPORTANTE 3 – REUNIÕES PUBLICAS SERVE PARA DAR UNIDADE NOS DISCURSOS DOS LIDERES, PORQUE EXISTEM UNS QUE PARA O POVO DIZ UMA COISA, PARA IGREJA DIZ OUTRA. NA NOSSA IGREJA ESTAMAS DEBATENDO ESTE ASSSUNTO, ACREDITO QUE ESSE É O MELHO CAMINHO, PARA AFASTAR OS LOBOS DO MEIO DO REBANHO. DEUS ABENÇOE A TODOS.

  11. Infelizmente, a parte administrativa da AD Belem e a CGADB viraram se transformaram em um grande feudo, cujo o senhor feudal é o seu presidente e a burguesia desse feudo são seus asseclas, os mesmos se apegaram à essa teta e não querem mais largar a mamação, são lobos conduzindo as ovelhas, eles acham que a igreja é o quintal de suas casas. infelizmente esse é o estado da ad belem, SALVE-SE QUEM PUDER.

  12. Se formos ver o que acontece em uma cidade mineira onde o pastor de uma microscópica congregação da AD que se intitula profeta da casa de Israel, e que devemos cobrar de Deus tudo que nos prometeu.
    Podemos assistir o descontrole moral e espiritual de pessoas que são lançadas ao inferno por sentir medo em abandonar tais regimentos chavistas.

  13. Meu amado Valdo minha Igreja tem 8 Congregações, fica em Campo Grande no Rio de Janeiro, eu sou o vice-presidente da Igreja, e poderia estar lutando para continuar o mesmo sistema, mas prefiro o Concilio de Pastores, porque não acredito, em poder absoluto na mão de um homem apenas, aido que esse homem seja eu mesmo. ESTÁ NA HORA DOS SINCEROS, EXIGIREM ISSO EM SUAS IGREJAS, PARA ESPULSARMOS OS LOBOS DO MEIO DO REBANHO.

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