Matei meu cãozinho, vocês me perdoam?

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Por Antognoni Misael
Eu sempre fui apaixonado por animais de estimação, principalmente por cães. Atualmente tenho 3, um poodle, chamado Ringo, uma vira-lata, chamada Nêga, e uma labradora, chamada Tuska (2). Em 2009 um fato triste aconteceu na minha vida: eu fui culpado pela morte de Tuska (01) e isso me gerou uma ferida grande, que demorou a sarar. Vou explicar melhor…

Tuska o1

Eu sempre tive um “sonho doméstico”, ter um cão de raça labrador. Era um desejo antigo e que eu achava que nunca se cumpriria pois por aqui onde moro, um labrador além de não ser tão barato, era raro. Mas foi em 2009 que um amigo me ofereceu um lindo filhote, fêmea, a qual, eu e Priscila (minha esposa) logo nomeamos como Tuska. A alegria foi colossal! Compramos uma casinha pra ela, brinquedos, material de higiene e demos todo carinho possível. Tuska era linda, uma cadelinha que chamava atenção onde passava, amava brincar na sala, latir, pular na rede e claro, comer e dormir bastante.
Certo dia, precisamos viajar pra João Pessoa, foi então que optamos em levá-la – até tínhamos alguém pra cuidar dela, mas, por apego e zelo achamos melhor tê-la por perto. Passamos um dos fins de semana mais agradáveis possíveis: nos divertimos, fomos ao cinema, levamos Tuskinha ao calçadão da praia pra passear, e desfilamos com ela na casa de nossos familiares. No domingo, chegou a hora de retornarmos a nossa casa, entretanto um probleminha nos fez parar no principal shooping da cidade para resolver um problema num cartão de crédito de minha esposa vinculado a uma loja. Foi então, quando apressados, que paramos no estacionamento do local, e lembro que olhei pra Priscila e disse, “você fica aí com tuska que eu vou lá e volto em um minuto”, ela respondeu, “se é rápido assim eu vou contigo”, “ok” respondi, “então vamos rápido”. Então saímos eu e Priscila em direção àquele shooping deixando Tuska dentro de uma caixinha de cachorro no banco traseiro do carro em pleno início de tarde.
Chegamos rápido no local do caixa, e em menos de 2 minutos já estávamos com a fatura na mão e de frente com a atendente, porém, surge um impasse: “seu cartão será bloqueado para compras porque você pagou a fatura com atraso de um dia ”, disse a atendente. Foi aí que começou um conflito temperado entre empresa e consumidor. Tomado por uma raiva estranha, por ser cliente a mais de anos daquela loja, eu decidi junto com Priscila que cancelaríamos nosso vinculo com ela, daí então que começou uma sessão longa cuja atendente realizou várias ligações para um suposto gerente para que este pessoalmente viesse nos convencer a não fazer isso. Ao não reconhecer que houve um equívoco, alguns funcionários da loja sugeriram uma análise minuciosa no sistema de nossas faturas, extratos, etc. para ratificação de que éramos bons clientes sem precedentes de atraso ou inadimplências. A essas alturas o que era pra durar 5 minutos no máximo, já chegava a 40 minutos fatais de esquecimento em relação a Tuska de minha parte e da parte de Priscila. Sem nada resolvido e após um enorme “chá de cadeira”, decidi ir embora e voltar outro dia mais calmo e definitivamente solucionar aquela situação.
Ao sair pelos corredores daquele local bruscamente me veio a memória… “Meu Deus, Tuska!” (Odeio lembrar essa parte). Saímos desesperados, batendo nas pessoas, parecidos com dois doidos em direção ao nosso carro. O relógio batia 14:00h, e o sol causticante sugeria uns 39 graus Celsius. Quando abrimos a porta do carro logo vi a gravidade do que fiz. Tuskinha estava agonizando, suas pulpilas dilatadas, sua linguinha de fora, babando, desmaiada… Foi quando corremos com ela nos braços em direção a um pet shopping que ficara a metros de onde estávamos e literalmente invadimos aquele lugar pedindo água e um médico veterinário urgente. Neste momento chegaram dezenas de pessoas ao nosso redor as quais diziam: “como pode, vocês fizeram isso com o pobre do animal?” – meus olhos choravam de culpa e vergonha enquanto Priscila, surpreendentemente ainda calma, tentava hidratar e reanimá-la.
Sem médico no local, entramos no carro e nos deslocamos em busca de ajuda. Inexplicavelmente, dirigindo em estado de choque, consegui chegar a um hospital de animais pra tentar salvar Tuskinha. O médico pegou-a e me disse, “ela está muito quente, mas vamos tentar salvá-la”. A culpa começava a ressoar dentro de mim dizendo que se caso ela morresse, jamais eu seria perdoado por isso. Poucos minutos depois de entregá-la ao médico, entrei na sala de atendimento e vi o mesmo tentando reanimá-la, quando instantes depois, sem haver êxito, ele me olhou nos olhos e disse, “infelizmente não deu”. Aquilo me desabou!
Talvez você pense, “poxa, como você pôde ser tão estúpido em ter esquecido seu cão no carro” ou quiçá diga “era só um animal, acontece, depois você encontra outro, não tem pra quê esse drama”. Gente, mas as consequências mexeram muito comigo em virtude do que aquilo me significava. Naquela tarde, voltamos pra casa literalmente chorando como duas crianças. Passei dias dizendo a Deus, “Senhor, que coisa é essa tão ruim dentro de mim; como pude fazer aquilo com aquele animal que com tanto carinho cuidei? Ele não tinha culpa alguma Senhor” Mas a culpa e remoço remoíam dentro de mim dia-dia. Os flash’s daquela tarde me torturavam, as fotos, os vídeos gravados com tuskinha me colocavam mais ainda pra baixo. A angustia não queria fugir de mim, principalmente quando nos momentos que eu esquecia alguém me encontrava e dizia “fiquei sabendo que houve um acidente com aquela sua linda cadela, me conta o que houve”, e a história não tinha fim.
Até que um dia Deus tratou comigo, e hoje continua a tratar enquanto escrevo este texto, e me colocou na parede pra me ensinar a lição sobre o quesito “culpa”. Foi algo profundo, extraordinário! Hoje até digo que tal aflição me trouxe aprendizados eternos.

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Tuska 02

O que senti, tentando traduzir em palavras era como se Deus me dissesse algo tipo: “lembras do teu desespero e culpa no dia em que reconhecestes quão sujo eras e me procurastes em secreto no quarto, e vergonhosamente chorastes por saber que caminhavas sem rumo e direção? Lembras que tirei essa culpa e remoço de ti e tu em seguida procurastes as pessoas para testemunhar de mim? Lembra que te tornei livre? Pois foi Eu que morri sem culpa, mas levei as suas culpas comigo. Portanto vai, e não peques mais! ”
A partir desse dia me perdoei.
Dias depois eu resolvi comprar outro cão labrador, de quebra, a irmãzinha de Tuska (01) a qual chamei de Tuska também, e passamos a viver mais felizes ainda, sarados interiormente e em paz com Deus.
***

Texto postado no Arte de Chocar.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Emocionante!

    Nunca tive cachorro mas fico pensando na situação desesperadora que vocês tiveram que suportar.
    Que esse desabafo livre outros das mesmas culpas e remorsos.

    A paz!

  2. Sabe que notei que você não tem a tendencia DE acha que por ser a ultima das criaturas de DEUS e por tanto a mais inteligente desmerece as demais criaturas, como no caso especifico o cachorro, com certeza o prejudicado já ti deu perdão, quanto mais DEUS, e te digo uma coisa quem as vezes precisa e se esquece de DEUS são os seres humanos, porque os animais por extinto já tem e estão com DEUS.

  3. tenho uma lhasa apso e tenho 9 anos..cheguei a chorar lendo esse texto lindo demais…que bom que hoje vc esta feliz com a nova Tuska, imagino como deve ser a dor.Ao ler isso me coloquei em seu lugar e imaginei me sentir sem saida nessa situação.Mas tenho certeza de que até Tuska esta feliz onde esta agora

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