Confissões de um viciado em facebook

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Por Andrew McAlister
“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” João 1:14
Volta e meia, leio algum artigo ou mais um estudo falando sobre os efeitos negativos do facebook. Já chegou até ao ponto de ser associado a casos de depressão. Coisa de louco! E aí comecei a pensar sobre o assunto…
Qual é a grande graça do facebook? Qual é a jogada que deu certo? Qual é o segredo do Mark Zuckerberg? Bem, ele simplesmente enxergou uma necessidade primordial do homem e trabalhou em cima disso. Ou será que foram os irmãos Winklevoss? Enfim. Isso aí é conversa para os tribunais.
Por que será que não conseguimos ficar longe do facebook? Entramos para passar uns dez minutinhos, e quinze minutos depois passaram-se três horas. Não vemos o tempo passar. Mas somos fisgados por essa ferramenta social. Por que? Bem… pessoas. Simplesmente. O homem não nasceu para viver só, seja casamento ou amizade. Eu preciso me socializar com outros. E o facebook “permite” justamente isso. E não só o facebook. Desde as épocas de ICQ, MSN, orkut, fotolog, fotolist, blogs, vlogs, twitter, skype, Hi5, linkedin e por aí vai. As ferramentas sempre foram das mais variadas. O objetivo continua sendo o mesmo.
Mas será que essas ferramentas são eficazes em alcançar esse objetivo?
Vamos viajar um pouco…
Quantos conhecem a Mona Lisa, o famoso quadro de Leonardo da Vinci? Difícil não conhecer. Aquela jovem sentada com vestido escuro e cabelos negros lisos com um esboço de sorriso. Tipo Gioconda. Já virou, inclusive, até piada no nosso querido facebook numa suposta propaganda de alisamento de cabelo (Mona lisa X Mona crespa). Você sabe de qual quadro estou falando. Porém, reza a lenda que quando as pessoas vão visitar o quadro em si, a tela exposta no museu do Louvre, ficam um pouco desapontadas. Como? Acham a tela pequena. Ou seja, pessoas que nunca viram a tela pessoalmente se decepcionam com o tamanho reduzido do famoso quadro. Desapontamento vem de uma esperança ou expectativa frustrada. De onde veio tamanha expectativa em torno de algo que jamais se conheceu? Bem, a fama, a reputação da senhora Lisa Gherardini se tornou algo numa proporção tão grandiosa que superou o próprio quadro em si. Não faz sentido. A origem da reputação (o quadro) está aquém da reputação construída em torno da obra. Ou seja, a origem do frisson deixa a desejar. Devido a tantas reproduções e, de certo modo, falsificações da obra, o quadro original perde valor. Cria-se um simulacro, uma reprodução imperfeita, uma simulação a tal ponto que aquilo que inicialmente lhe conferiu sentido torna-se vazio. O quadro em si, por mais que nunca tenha-se verdadeiramente conhecido, se torna uma decepção.
O que o facebook está fazendo com nossos relacionamentos? O quanto será que essa ferramenta de socialização está criando um simulacro de amizade ou até corrompendo a maneira como nos relacionamos com o próximo?
Estou beirando os dois mil amigos no facebook. Amigos? Olhando para esta lista, eu talvez conheça (e por conhecer quero dizer com quem troquei palavras ao vivo, no mínimo) metade. Dessa metade, talvez quinhentos (estou chutando alto) sejam pessoas que vejo face a face algumas vezes por ano. Há muitos colegas de colégio com quem não falo há quase dez anos. Há outros que conheci numa viagem que fiz e com quem passei uma semana muito legal. E há outros com quem se quer troquei uma palavra na vida. Não faço a mínima ideia de quem são. Quando alguém me adiciona, não faço muita questão de filtrar. Como escrevo um blog e viajo bastante pela minha função na editora, imagino que sejam pessoas que acompanham meus textos ou com quem esbarrei numa conferência. Mas além disso, nunca trocamos uma palavra se quer. Já tive quem me encontrasse num congresso e perguntasse: “Você é o Andrew do blog do Andrew?” Respondo que sim. Isso é legal, porque a partir disso inicia-se uma conversa e posso até ter uma resposta aos meus textos. Mas em outros casos, alguém chega pra mim e fala: “Oi Andrew, sou seu amigo no facebook.” E fica aquele silêncio. Respondo educadamente, mas não sei muito o que dizer. Nem ele. Continua o silêncio estranho, como se tivéssemos uma relação estabelecida anteriormente e aqui estamos “botando o papo em dia”. Mas nunca houve papo. Nunca conversamos. No lugar de começarmos uma conversa nova e criarmos algo a partir do zero, fica aquela reputação, uma ideia de que já somos amigos. Será?
Como é que se conhece alguém via facebook? De verdade? Eu não coloco tudo que sou no “face”, até por uma questão de segurança. Recentemente, um parente meu começou a namorar e me espantei quando dei de cara com ele e a menina. Minha reação inicial foi preocupante: “Mas você não atualizou seu status no facebook! Como assim você está namorando?” Só foi depois que me dei conta do que eu tinha pensado. Temos agora o timeline, para a angústia de muitos. Mais uma ferramenta para postarmos nossa vida (ou pelo menos aquilo que queremos que seja conhecido) na internet. “Fulano anda sumido, afinal, quase não posta mais no facebook.” “Estou achando que o João não vai com a minha cara, afinal, ele não respondeu à minha solicitação de amizade no facebook.” “Ela está de mal comigo. Sei disso porque ela não curtiu aquela foto em que estamos juntos. Se quer comentou no meu status hoje.”
Criamos uma nova modalidade de relacionamento, e nós estamos viciados. Sou o primeiro a admitir o quanto o facebook tem me feito mal. Estou “por dentro” da vida de pessoas que, na vida real, não fazem parte da minha realidade. Faz mais de oito anos que eu não vejo aquela menina com quem eu estudei ao longo de quinze anos. Hoje eu sei que está casada. Legal. E aí? Alguém fez aniversário, logo, mandei um recado e tá tudo certo. Quando foi a última vez que você ligou para alguém no seu aniversário? Pior, quando foi a última vez que você falou encontrou alguém na semana do seu aniversário e pensou: “Ih caramba, não dei parabéns. Mas deixei recado no face, então tá legal.” Como é que a gente foge de encontros reais e saudáveis lançando mão da praticidade do facebook? É só postar uma foto, entrar no chat, mandar uma mensagem, criar um evento e tá tudo certo.
Fico pensando em quando lançaram o cinema 3D e muitos começaram a ter dor de cabeça e náuseas (fui ver Avatar e aconteceu comigo). Li um estudo que fala que isso acontece porque o cérebro percebe o movimento e se prepara para que o corpo responda. Na falta de resposta, da reação normal à percepção de movimento, essa mistura de sinais causa esses efeitos colaterais. Será que o mesmo não acontece com o facebook? O meu cérebro percebe uma realidade e se prepara para uma interação social, mas o meu dia a dia não corresponde àquilo. Será que é daí que vem meu mal estar?
Deus nos criou à sua imagem e semelhança. Deus é um Deus relacional. Pai, Filho e Espírito Santo vivem numa eterna comunhão relacional perfeita. Ao enviar Cristo para morrer em nosso lugar, o Pai quebrou a barreira entre os mundos divino e material (dando um nó na cabeça da filosofia platônica) e se colocou como homem, ao nosso lado, para morrer em nosso lugar. Fomos criados, tanto biologicamente quanto emocionalmente, para isso. A Bíblia fala tanto da necessidade de interagir, aprender e servir o próximo e tantas coisas mais.
Por que será que o facebook causa depressão? Qual será o desapontamento causado por esse site de relacionamentos? Ele toma o lugar (teoricamente) das nossas relações humanas. Por mais que estejamos em contato com nossos amigos ao redor do planeta, continuamos a mercê da telinha intermediária que tira nosso sono com “apenas mais cinco minutinhos antes de dormir”.
Sou o primeiro a dizer o quanto o facebook tem me feito mal. O problema é que estou viciado nele e não sei como largar.
Facebook é legal, é prático. Mas nenhuma mídia, por mais social que seja, é capaz de transmitir a nuança de um sorriso, a firmeza de um aperto de mão, uma gargalhada constrangedora, um espirro dado fora de hora, uma palavra balbuciada, uma voz trêmula, um choro engasgado, um cheiro gostoso ou um abraço apertado.
Tenho que reaprender a me relacionar com pessoas, e creio que não sou o único.
***
Andrew McAlister é músico e blogueiro. Divulgação: Púlpito Cristão.

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13 COMENTÁRIOS

  1. Bem, eu faço uso do Facebook para expôr editais como por exemplo os que estão disponibilizados no púlpito.
    Como uma forma de alertar as pessoas afim de que abrarm os olhos em relação as barbaridades cometidas por meio de homens inescropulosos e ganaciosos se dizendo pastores.
    Sou um pregador deo evangelho genuino, não consigo me habituar com as modernidades escusas por parte dos mercenários nefastos.
    Levei muitos anos aprendendo com a Bíblia sagrada a não profanar as escrituras, lendo, observando, compreendendo e temendo ao Deus que não está pra brincadeiras.
    Não o faria se não achasse necessidade em utilizar tal ferramenta somente com a finalidade de divulgar as arbitrariedades de pessoas sínicas e bandidas, uma vez que os astros gospel fazem isso na televisão, rádio e até mesmo na internet.
    Posto mensagens construtivas de irmãos sóbrios e sábios na palavra, videos também para alertar aos silmpleces que não caiam na conversa torta de alcatéias de Mamom.
    Leio, vejo que a mensagem ou o video serão de grande ajuda aos sememlhantes, até mesmo aos irmãos que são reféns de pastores equivocados com o uso indevido da palavra de Deus.
    Meus amigos são reais e posso toca-los com as mãos e abraça-los carinhosamente, o Facebook só me ajuda em se tratando de divulgação de material construtivo.
    Deus abençoe o amado a a todos os irmãos em Cristo…

  2. Que benção de Texto, vou enviar para todos os meus ''amigos'' do face, graças a Deus O Senhor me libertou desse vício, atualmente uso apenas para me comunicar com minha cunhada na Africa (missionária do fogo!).
    Que O Senhor possa continuar de usando grandiosamente,
    derramando sobre sua vida sabedoria, revelação, e encargo por edificar a vida dos irmãos.

    A graça e a paz do nosso Senhor Jesus…

  3. Eu já fui radio amador durante um bom tempo, mais eu gostava de me comunica mais com as pessoas próximas, ate pelo fato de com essas pessoas eu ter uma oportunidade bem maior de se contacta pessoalmente, e mesmo assim eu me acostumei a entender as pessoas pela voz, a maneira de fala, a condição da voz, e palavra dita pela voz ela não e muito pensada, ela transmite alem do que e falado, atra vez do estado de espirito da pessoa, e isso e uma coisa que sinto que não a como ser tão perfeita atra vez da escrita, imagine o contato sendo pessoal acaba sendo melhor ainda, portanto e uma questão mais de equilíbrio, ou seja, toda tecnologia que esta ai e super interessante porem se não usarmos com moderação acaba sendo prejudicial para o nosso psiquismo, acho que essas redes sócias deveriam assim como a bebida e o cigarro bota aviso,USE COM MODERAÇÃO, o uso excessivo pode causa dependência,mais se analisarmos bem o ser humano sempre procura alguma coisa para se refugia e se socializa, EX tem pessoas que vai mais a igreja devido a solidão do que pelo objetivo, e nisso que muitos igrejas afim só do lucro se aproveitam dos frequentadores, como fazem as redes sócias que se aproveitam da carência humana para obter ganhos, o desequilíbrio emocional faz parte da vida, porem cabe tomamos consciência disso e nos controlarmos.

  4. "Estou “por dentro” da vida de pessoas que, na vida real, não fazem parte da minha realidade."

    Acho que eu também não sou a única que preciso largar o Facebook. Ele tem tomado o meu tempo, porque eu poderia estar fazendo algo produtivo, mas não… Estou no facebook mexendo nas mesmas coisas e olhando as horas passarem.
    É constrangedor! Quando menos percebo, as horas já se passaram e eu ainda continuo publicando, curtindo e dando uma olhadinha no mural das pessoas (das mesmas pessoas).
    Creio que para largarmos, precisamos ser fortes e decisivos, porque esse nova rede social tem tirado o proveito de muitas pessoas, assim como o meu.

  5. Perfeito! Relacionamento requer uma certa intimidade, conhecimento e fidelidade, o que nao se pode garantir no face, por melhor que seja.
    Precisamos reaprender a nos relacionar, com as pessoas e com nosso Deus.

  6. Na boa… Texto excelente! Mas… (o tal do MAS é que é froidz!) a forma separada 'se quer' significa 'se deseja' e ocorre em orações condicionais. Ex.: Se quer passar, peça licença. (se – conjunção + quer- flexão do verbo 'querer')

    Já 'sequer' significa 'ao menos'. Advérbio usado em frases negativas ou de sentido negativo.
    Exemplos: TODOS os casos em que no texto acima está escrito 'se quer'.

    Perdão, não me contive. Nada pessoal nem querendo constranger ninguém. Mas é que foram tantos, que o dedinho coçou, coçou… E aí não segurei a onda 🙂

    Ah! Outro vilão insistente nos textos da grande maioria dos blogueiros: a crase. Mas isso é outra história…

  7. Meu caro 'sousa'.

    'Na boa'… Por acaso você é advogado das causas perdidas? Nem o próprio autor se incomodou ih ih (Aquilo é que é classe!)

    E se isso aqui não é um centro comunitário… É o quê?

    Cá pra nós:

    Eita povo que escreve errado, Souza.

    Começa contigo: Sobrenome com a primeira letra minúscula.

    Saiba: quem se propõe a escrever ao público com o intuito de 'passar' credibilidade, tem OBRIGAÇÃO de se esmerar em tudo que está escrevendo. E revisar… E revisar… E revisar… Porque, não se engane, irá aparecer sempre um errinho nem que seja de digitação.

    Veja por exemplo em texto recente daqui do PC, cujo primeiro parágrafo já começa com um erro CRASSO e muito comum: 'MAIS' em vez de 'MAS'. Isso dói na minha retina afffff (Afffff – corruptela de 'Ave Maria' muito usado entre aqueles que não são membros da ICAR he he. He he também é permitido, licença poética). Só não assassinemos a gramática portuguesa, por favor! Socoooorro, Pasquale!!!

    Regina ('professora' chatinha/sem honorários dos centros comunitários virtuais)

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