Entre a Cruz e o Cangaço

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Por Rodrigo Ribeiro
“O Padre Amâncio estava ali no Açu porque amava a Deus. Ouvira D. Eufrásia dizendo: “Se Amâncio quisesse já era Bispo, um grande, um príncipe.” E não. Ficava no Açu para aguentar aquele povo, aquela gente. Montava a cavalo para andar seis léguas com o tempo que houvesse (…) para salvar uma alma das profundezas do inferno. Se não fosse ele, teria fugido com Dioclécio, teria fugido com homem mais feliz do mundo. O que anda pela terra, o que amava mulheres lindas e vira um milagre, uma força de Deus se exercendo. Antônio Bento vacilava assim entre o Padre Amâncio e o mundo que Dinoclécio descobrira.”.
REGO, José Lins do. In: Pedra Bonita. 14.ed. Rio de Janeiro, RJ: José Olympio, 2010, pp. 82.
Antônio Bento, protagonista desta obra do paraibano José Lins do Rêgo, foi criado pelo amoroso, piedoso, altruísta e dedicado Padre Amâncio. Aquele homem sempre foi seu referencial de abnegação, amor a Deus e ao próximo. Realmente, este personagem ainda que fictício tem traços admiráveis de devoção e compaixão. Narra o autor que ele poderia ter ascendido na hierarquia, tornando-se se Bispo, mas preferiu continuar na pequena cidade, sofrendo com e por aquelas pessoas.
Entretanto, certo dia, o jovem se depara com um forasteiro, um cantador, cangaceiro, que narra histórias incríveis, recheadas de aventuras, mulheres, milagres, e tudo num ritmo alucinante e poético. Uma vida livre e libertina. Neste instante o referencial do jovem é abalado. Ele passa a admirar aquele homem, até mesmo em confronto com a imagem criada ao redor do Padre. O cantador Dinoclécio abalou o referencial do jovem Bento. Este é o dilema desenhado no trecho do livro transcrito.
Esta perola literária nos fala profundamente a respeito de nossa natureza humana, que parece se encantar mais com aventuras libertinas, coisas vãs que nada contribuem para o crescimento de outros, do que com o sacrifício pessoal, a humildade e o altruísmo sem vaidade. É natural que o mundo, corrompido em seus pecados, não valorize e trate como tolo aquele que atenta para as palavras de Paulo: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros”. (Filipenses 2:4). No entanto, esta atitude é absolutamente equivocada para um cristão, que deve valorizar muito mais homens santos, simples e humildes, do que aqueles que se chafurdam no lamaçal do egoísmo e da vaidade, sendo bem quistos no contexto social, mas reprovados por Deus no seu modo de agir. Neste sentido, devemos sempre nos lembrar de nosso Mestre Jesus, que se humilhou por nós, tomando a forma de servo e sujeitando a morte de cruz em nosso favor (Fl. 2:5-11).
Além disso, podemos observar também o fascínio que temos pelas coisas novas, em detrimento daquilo que é antigo, mas é sempre válido e atual. Nossa sede por novidades pode nos impulsionar, facilmente, a sair dos trilhos da verdade, e enveredar por caminhos atraentes, mas que na verdade são apenas areias movediças.
Por fim, ainda podemos notar que, assim como o jovem Pedro Bento, muitas vezes pensamos e agimos como se a felicidade estivesse na satisfação de nossos desejos egoístas, em viver de forma livre, sem obrigações ou deveres morais, um verdadeiro “cangaço da vontade”, até mesmo invejando os que vivem de forma promiscua, libertina e sem qualquer pudor. Nestes momentos passamos longe da real satisfação plena e perpetua que em está em Deus. Já dizia o salmista: Tu me farás conhecer a vereda da vida; na tua presença há plenitude de alegria; à tua mão direita há delícias perpetuamente. (Salmo 16:11)
Que esta reflexão abra nossos olhos para que valorizemos sempre aqueles que são piedosos, ainda que não populares e glamorosos; aqueles que estão arraigados em valores antigos e eternos, ainda que o mundo os considere ultrapassados e anacrônicos; e saibamos que a nossa alegria não está na satisfação dos desejos meramente carnais, no nosso egoísmo, na nossa lascívia e no desejo insaciável de novas aventuras, mas sim, encontramos a plena satisfação em Deus. Que possamos dizer como o profeta: “me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:18).
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Rodrigo Ribeiro é aluno de Direito, músico e blogueiro. Escreve na UMP da Quarta e faz coluna aqui no Púlpito Cristão.

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1 COMENTÁRIO

  1. O cristão tem que ter é seguidores pelo seu exemplo.Pessoas
    que se espelhem no seu modo de agir porque ele exala a essência de Cristo. As tentações virão, outros caminhos a ser seguidos e você tem que saber dizer NÃO.Ser cristão é saber dizer NÃO. É NEGAR a própria carne para ser AFIRMADO no espírito. É não se deslumbrar com as coisas do mundo. porque tudo é passageiro até a nossa estadia aqui.O cristão tem uma responsabilidade espiritual e social com outras pessoas.O cristão quando erra é todo um "grupo"que paga. Mantemos discernimento no que é bom e o que é BOM é CRISTO.

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