Púlpito Cristão entrevista cantor João Alexandre

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No ultimo dia 18, tive a oportunidade de entrevistar o cantor e compositor João Alexandre e conhecer mais de perto sua visão sobre a igreja brasileira, a música cristã/secular, e a adoração. O resultado foi essa entrevista para o blog Púlpito Cristão. Confira a entrevista por Antognoni Misael:

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Púlpito Cristão: João, no final do ano passado (2010) foi lançado seu primeiro DVD “João Alexandre – Dois Tempos” que tem sido bastante elogiado pelo público evangélico que curte música brasileira e até por outros de diferentes segmentos religiosos. Mesmo sendo um trabalho bem sucedido, muitos já se perguntam sobre o próximo DVD. Há alguma previsão? O que terá de diferente no próximo?

João Alexandre: Mesmo não participando diretamente das edições e da finalização do primeiro DVD, que, literalmente, ganhei da UMESP, gostei da experiência, de verdade!

Talvez eu parta para um segundo DVD chamando amigos de profissão e ministério e tocando algumas canções junto com eles, além, é claro, de contar as histórias que todo mundo gosta de ouvir, sobre a vida de músico e o processo das composições também. Acho que seria muito agradável ver 2 pessoas que têm seus próprios trabalhos e carreiras diferentes dividindo e compartilhando experiências!

PC: Em seu livro “Músico: Profissão ou Ministério?” vários capítulos tratam do impasse temático da velha dicotomia cristã/secular. Em alguns momentos de sua apresentação musical você costuma fazer pontes, Pra cima Brasil / Aqui é o meu país (Ivan Lins), e citações como Deixa que eu deixo /Aza branca (Luiz Gonzaga), entre outras. Como você conjectura o secular e o “sagrado”? Essa relação é possível no âmbito da igreja?

JA: Para mim, todo dom perfeito é sagrado, porque é dado por Deus, que é Amor, incondicionalmente!

A Fé não substitui nenhum tipo de competência, de forma nenhuma!

Tem gente que tem uma Fé exemplar e não tem talento pra Música, enquanto tem gente que nem acredita em Deus e possui um talento, dado por Ele, incomparável, capaz de envergonhar qualquer músico cristão!

A vida não é secular ou profana, a vida é um dom de Deus pra “seculares” ou “profanos” e isso nos ensina a profundidade da chamada “Graça comum”, que é o fato de que Deus distribui igualmente dons e talentos a todos os homens, sem que eles se convertam ou acreditem nEle!

Não podemos esquecer que a Igreja, além de ser uma comunidade de santos que se arrependem de seus pecados todo dia, também é uma comunidade de pecadores que buscam ser santos, certo??

Seria uma falta de reconhecimento e um desastre total, pensar que só cristãos criam e praticam coisas boas enquanto os incrédulos só praticam coisas ruins!!

Vivo dentro de igrejas, trabalhando com Música há mais de 30 anos e posso garantir que, em algumas ocasiões, encontrei muito mais maldade e orgulho nas críticas “sagradas” de irmãos “pseudo” convertidos do que em amigos “seculares” que convivem comigo nesse mesmo meio, muito mais verdadeiros e humildes na hora de me aconselharem sobre qualquer coisa da vida!

Adoração não é o conjunto de práticas religiosas, mas um estilo de vida e não tem absolutamente nada a ver com Música! Se converter não significa cantar ou tocar ou ser melhor do que outra pessoa, mas ter a plena consciência de que vem de Deus tudo o que temos e somos!

A Igreja deve ser pertinente fora das 4 paredes dos templos e se tornar relevante na capacidade de enxergar, em qualquer ser humano, os traços divinos!

Afinal, Deus desceu do Céu, se fez homem, convivendo com os piores homens de Seu tempo, sendo Sal e Luz para eles e nos mostrando o Caminho do Amor incondicional!

O fato de Deus habitar em nós não é privilégio nem preferência, mas pura Graça!

PC: Como você vê a descontextualização da igreja através da música? Há como virar esse jogo? Que seriam os agentes de transformação: músicos ou líderes pastorais?

JA: Acho que a responsabilidade é de ambos, não só de um ou de outro, em relação a contextualizar a Igreja com a cultura!

Tem que haver vontade, desprendimento e alegria ao fazê-lo, pois o Brasil é culturalmente riquíssimo e esquecidamente abandonado pela Igreja nesse ponto!

Virar o jogo seria abrir as portas das congregações para manifestações culturais inseridas no meio secular, de forma insertiva e esclarecedora, coisa que muita gente morre de medo de fazer, por achar que seria se “misturar” com o Mundo!

ECLÉSIA significa chamados para fora e fazer a Comunidade ao nosso redor se enxergar dentro dos nossos templos seria um bom começo!

PC: Alguns grupos e músicos têm feito uma música de qualidade, vestida de brasilidade e coerência bíblica, mas por não se parecerem com o que se vem tocando na mídia em geral enfrentam o dilema de não serem ouvidos e/ou entendidos. Como uma artista que nada contra o “Nilo Gospel”, que conselhos você pode deixar para aqueles que decidiram esse caminho musical?

JA: “Peixe que nada a favor da maré é peixe morto”, já disse alguém!

O grande Bill Cosby, comediante dos anos 80 afirmou: “Não sei o segredo do sucesso, mas o segredo do fracasso é querer agradar a todo mundo!”

Em meus quase 30 anos de profissão, entreguei nas mãos de Deus minha decisão de fazer Música que fosse brasileira e relevante ao invés de importada e conservante e Ele tem me honrado muito, sempre, com convites e trabalhos! Cantar o que as pessoas precisam ouvir ao invés de cantar só que elas querem ouvir é um grande desafio!

Vc não vai nunca ficar rico, agradar milhões de ouvidos e ser bem quisto em todos os lugares, mas vai viver uma vida financeira digna ao buscar agradar sómente os ouvidos de Deus e ser honrado por poucas e verdadeiras pessoas que pensam e caminham como vc!

PC: Alguma consideração final?

JA: Peço oração pela minha família e pelo meu trabalho e o apoio de sempre, daqueles que nos amam e nos acompanham de perto ou de longe!!

***
João é músico, compositor, produtor, ex-integrante do “Grupo Pescador”, “Vencedores por Cristo”, “Grupo Milad”, e desde os anos 90 tem sido uma referência no cenário musical evangélico, e uma voz forte que ressoa contra o evangeliquês gospel dos importados chavões.

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13 COMENTÁRIOS

  1. Rejeitemos as infinitas opções, o Caminho é e sempre será a porta estreita.
    Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas. (Lucas 6:26)
    PARABÉNS JOÃO ALEXANDRE pela coragem e bravura.

  2. Parabéns pela entrevista!

    João é uma daquelas pessoas que naturalmente nos faz sentir à vontade, pois não tem o artificialismo religioso encontrado na maioria do artistas gospel, ou a jactância comum nas virtuoses.
    É um cara simples, que canta verdades cada vez menos presentes no cenário gospel, transformado num mercado saturado por clichês, refrões comerciais e apelos midiaticos divergentes do evangelho simples pregado por Jesus Cristo. Essa indústria tem originando canções de consumo, doutrinaria, poética e musicalmente vazias que funcionam como fundo musical para o evangelho da prosperidade ou da confissão positiva, inflando a vaidade dos "auditórios lotados ouvindo o evangelho da marcha ré", onde "é proibido pensar"

    Tive a oportunidade de passar uma tarde de papo muito agradável com esse amado irmão, (tomando guaraná Dolly e comendo sanduiche de carne louca) na cantina da igreja, quando o convidei para cantar em nossa comunidade e pudemos apreciar um trabalho de qualidade poética e musical incontestável, de quem está remando contra a maré, adorando a Deus e tentando abrir os olhos de quem tem, com a própria lã, alimentado lobos.

    Continue João!

    nEle

    Ielton Isorro
    clamandonodeserto.blogspot.com

  3. Simplesmente excelente a entrevista!!

    Nota 1000!!

    João Alexandre é um dos caras que mais admiro no meio da música cristã. Fala o que tem que ser dito.

    Parabéns ao Púlpito por mais um post de qualidade!

  4. Este o meu ouvido ouve !

    O "É proíbido pensar" sem dúvida é a música para despertar muitos "cérebros e ouvidos" para atentar para o que se anda tocando nos Mp3, micosistens, Ipods, Rádios gospel, igrejas, altofalantes etc.

  5. A letra da música É Proibido Pensar do corajoso João Alexandre descreve o retrato nu e cru dos dias atuais da “Gran igreja evangélica brasileira”

    Mas o que será que representa para nós, cristãos, as metáforas fortes usadas nessa estrofe do hino Feirante???:

    ”Lá na feira a gente compra, a gente vende,
    A gente pede, até barganha aquilo que comprou
    E te prometo que depois no fim de tudo na Quitanda da Esperança
    Eu te compro um sonho de açucar mascavo embrulhado num papel de seda azul
    Só Pra te consolar oh…"

  6. Não entendo o PC, num artigo desce o pau no DT e no outro elogia um camarada que pelo jeito ainda não se decidiu entre servir a Jesus ou o mundo… Sinceramente… Só quero ver o que dirão pra o Senhor naquele dia… Tiago 4:4 pra vcs…

  7. Gostaria de dizer ao estimado músico João Alexandre, que quando ele fala de forma generalizada dizendo que a Igreja de Cristo está “na contramão do que Deus projetou” o admirável músico ignora os incontáveis missionários que se gastam por inteiro nos sertões, tribos indígenas e em países onde o Evangelho é perseguido. Gostaria ainda de salientar que assim como o Senhor afirmou que o seu Reino não é desse mundo, os verdadeiros cristãos não pertencem a esse mundo. João capítulo 17:11-17; Quero ainda dizer ao reconhecido músico que o propósito do Verbo se encarnar, não foi para se misturar com os pecadores ou tirar férias aqui na terra, basta estudarmos ( Soteriologia, Cristologia). Mas ainda digo ao experiente músico que não conseguimos compreender biblicamente o seu conceito de perfeito, sagrado e de Graça comum, talvez seja pelo fato do exímio músico se preocupar tanto com cultura e arte e não estudar teologia, e de na visão do grande músico a Igreja Militante de Cristo não possuir excelentes teólogos e pensadores.

  8. Josival,

    Não vi esse trecho em que João fala q a igreja está na mão do q Cristo projetou, acho q é no vídeo né?. Porém entendo bem o que essa frase quer dizer – João fala da igreja (templos) e não da verdadeira igreja. Penso q ele não generaliza, afinal o alvo de suas críticas, como ele bem disse, é quem anda a favor da maré, a favor de um Evangelho conveniente ("É proibido pensar" mostra o outro lado da boiada).
    Sobre estar no mundo…eu, na minha humilde opinião penso que o sal longe da carne não faz efeito algum…e Jesus não só se fez carne, mas se envolveu com a marginalidade, com publicanos, adulteros, roubadores, excluídos. Sobre graça comum, não vejo problema nenhum em entender isso…se assim o for, temos que abdicar de todas as descobertas científicas que resultou em benefícios para o povo de Deus, pelo simples fato do inventor não ter a graça redendora, o problema é a música tornou-se a "vaca sagrada" da igreja.
    Finalizando, penso que pelo fato do João dá a cara p bater muitas vezes é mal interpretado…sua verbalização é sempre em direção aos vendilhões e ao evangeliquês moderno…
    Agora quanto ao curso de teologia dele, n posso dizer nada…rs…ele q se defenda!

    No mais, Josival…a conversa é boa pq gera pensamento e renovação de entendimento…mas que o nosso ponto de encontro seja sempre Cristo Jesus!!

    Um abração!

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