O livro de Eli: A fronteira entre a defesa da fé e a violência religiosa

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Por Leonardo Gonçalves

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Finalmente pude assistir o tão comentado filme “O livro de Eli”, protagonizado por Denzel Washington. O roteiro acontece em algum ponto do futuro, provavelmente depois da terceira guerra mundial, quando grande parte da população da Terra morre e os que conseguiram escapar da destruição encontram-se na mais absoluta miséria. A única exceção: aqueles que possuem o monopólio da água, um dos bens mais preciosos do mundo “pós-fim”.

Depois de passar por uma experiência mística, o personagem Eli recebe do céu um exemplar da Bíblia, e junto com ele a missão de protegê-lo. Toda a trama do filme gira em torno disso: Um grupo com interesses de dominar o mundo tenta possuir o último exemplar do Livro Sagrado, e Eli, por sua vez, mata todos aqueles que considera inimigos da sua fé. Para proteger o livro de Deus, mata-se com espada, com revolver e metralhadora.

Acabo de ver um documentário no Discovery Channel, no qual é possível discernir o grau de tensão que impera nas ruas de Jerusalém. Religiosos islâmicos, cristãos e judeus habitam o mesmo perímetro urbano, no entanto, cada casta permanece incomunicável, trancafiada numa redoma de fé. Ao menor sinal de provocação, a violência pode implodir.

Um dos episódios mais escuros da história do cristianismo tem seu início entre 1088 e 1099, sob a liderança do Papa Urbano II. As cruzadas, movimento expansionista religioso, eram a versão cristã da Jhijad islâmica. Durante as investidas dos soldados da cruz, morreram muçulmanos, judeus e místicos de diferentes vertentes contemplativas. Morte em nome de Deus e do cristianismo.

A “santa” inquisição que oprimiu ciganos, esotéricos, judeus, negros, muçulmanos e até estudiosos e cientistas assassinou 9 milhões pessoas, perpetuando-se como o maior massacre de todos os tempos. Os protestantes, dissidentes da figura apóstata do catolicismo, também se deixaram influenciar pelo modelo constituído, e foi assim que Genebra, em apenas quatro anos, deu cabo à vida de 57 pessoas, todos acusados de heresia.

Os fatos narrados servem para ilustrar o quanto o protagonista do filme, embora muito diferente de Cristo, se assemelha aos cristãos. É claro que Jesus foi pacífico e pacificador, e jamais insinuou uma revolução pela força. Seu plano de dominação do mundo se daria através do amor: “Assim conhecerão que vocês são meus discípulos; se vos amarem uns aos outros” (João 13.35, paráfrase). Ele nos convidou a julgar e a discernir, mas jamais conclamou seus servos a matarem em seu nome. A fé cristã não deve produzir mortes, mas gerar vidas.

O Livro de Eli é um retrato do passado da nossa fé, e nos permite reavaliar o presente afim de não construir nossa defesa sobre o cimento do ódio e das vaidades pessoais. Penso que a análise do filme é válida para fazer-nos repensar nosso trabalho, nossa paixão e pregação, pois de outro modo corremos o risco de matar em nome da vida.

***
Leonardo Gonçalves é editor do blog Púlpito Cristão

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23 COMENTÁRIOS

  1. Eu gostei e me surpreendi.
    NO inicio fiquei com impressão que o filme estimula a bibliolatria, mas do meio para final achei que questão foi bem trabalhada no sentido de que a Revelação da Palavra precede a escritura.
    Gostei da parte onde o protagonista diz que decorou cada palavra que lia mas que precisa vivê-las.
    O clima de jirad tbém me incomodou e ainda a atuação canastrissima de Denzel não ajuda, contudo o desfecho foi bem interessante.
    Eu recomendo.

  2. Discordo completamente da postura do leonardo,

    Ele nao mata todos que opoe a sua fé, va e reveja o filme leonardo! o que acontece é que em um mundo pos, apocaliptico até a carne humana é preciosa pra se alimentar, como voce disse tbm a agua.., ele tem uma missao que no filme é dada por Deus para levar o livro pro Norte e "E todos aqueles que tentam mata-lo, ele mata.." Deixando claro que é por sobrevivencia.. ja que vivem em um mundo que no primeiro encontro dele tentam come-lo, em um segundo momento querem mata-lo no bar, no terceiro momento querem mata-lo para tomar a biblia, Em muitos momentos ele tenta conversar e dialogar mas como bem mostra o filme o dialogo naqueles periodo era atraves do facao..,

    Agora voce é um cara critico admiro isso mas fundamente melhor suas criticas que essas estao sem base.,

    e outra porque vc tbm nao coloca os pontos positivos do filme que mostra outras coisas muito interessantes como o poder de manipulacao que se tinha no passado das massas, sem "caminho, guia, religiao, palavra, profecia" o povo se corrompe, que a fé é um caminho que pode tbm ser usado em beneficio do homem enfim.. vc é bom nisso entao tente explorar mais fundamentado!

    Agora seja corajoso e deixe meu post no ar ja que vc critica todos, aceite tbm quando lhe criticam

    Paz.

  3. Bruno,

    Se quiser explorar todas as nuances do filme, melhor escrever um livro, pois um blog com um texto como o que você sujere seria algo tao chato e anormal que ninguém leria. E desculpe, de blogagem eu entendo… =)

    Ainda penso que a mais forte aplicaçao que este filme pode ter é exatamente a de matar em nome da fé. E infelizmente, geralmente é bem assim que acontece: Um cara diz que foi iluminado, e ao por em prática a sua revelaçao no desempènho da missao acaba fazendo mais mal do que bem.

    Agora, nao sei qual grupo é pior: "Se sao os que matam pelo livro, ou se os que matam com o livro…"

    Paz e bem.

  4. Leonardo,
    acho que eu tenho um problema com o Denzel.Ele não me convence. Agora se vc fizer um filme e tiver um personagem que dá safanão em moça cega, chame o Gary Oldman, o cara faz um vilão como ninguém.
    Tudo é questão de gosto.
    Tbém coloquei a cachola pra funcionar, ao assistir o filme, e até ler sua resenha não havia pensado sobre esta perspectiva da verdade a qualquer custo, nem que tenhamos que matar para isto.

  5. Na minha opinião, o personagem do filme, vivido por Denzel Washington, não é alguém que simplesmente mata em nome da fé, mas que se vê obrigado a matar por autodefesa. Seria como, por exemplo, a título de comparação, um soldado ou policial cristão, que em uma situação de vida ou de morte,em um confronto com marginais assassinos ou invasores inimigos do solo pátrio, não tivesse outra opção senão abatê-los mortalmente. Neste caso, em específico, assim como no caso do policial ou soldado, não se trataria de assassinato por parte do personagem, mas de legítima defesa,
    princípio seguido, aliás, por patriarcas e profetas bíblicos como Abraão, Samuel e Davi, pois em tempos de extrema barbárie, medidas radicais tinham que ser tomadas, até mesmo por homens bons e tementes a Deus, ou então não sobraria nenhum destes para contar a história. Mas, hoje, os tempos são outros, pois vivemos (ainda) em uma sociedade onde, mal ou bem, é possível conduzir nossas vidas sobre princípios de civilidade. Por outro lado, uma coisa que me chamou bastante atenção é a mensagem do filme que aponta para a necessidade de princípios morais e religiosos, pois sem os tais, sem dúvida, qualquer sociedade transformar-se-ia em completo caos e até mesmo um paraíso viraria um inferno se não houver nele a presença de Deus. A Paz de Cristo a todos.

    Laerte

  6. Pois é não podemos destruir ninguém por causa da palavra, pois Deus não precisa de defesa, isso cabe a nós tbm, que estamos aqui sempre mostrando as heresias, e tentando mudar a cabeça de muita gente, temos que ter cuidado com isso tbm, pois todos nós somos filhos de Deus.

    Duas Marcha??

  7. Gostei do filme. Rendeu boas reflexões e boa conversa depois da sessão com os amigos que estavam comigo. Não chega a ser um roteiro 'oh, puxa vida!!', mas é bom e gosto muito dos atores. O Denzel mata a pau (e a facão também) e o Gary Oldman chega a roubar a cena como vilão. Saí do filme com uma frase na cabeça, que depois postei no meu blog "O pior cego é aquele que não quer crer".
    Paz a todos.

  8. Contextualizando para a situação da igreja cristã de hoje, o filme é bem pertinente. Claro que não sairíamos por aí passando a espada nos vendilhões da fé, mas quem nunca teve a imaginação (i.e. natureza adâmica) atiçada para esse lado?

  9. Leo, desculpe se fui um pouco agressivo!

    É que realmente não vi essa visão que voce viu., E minha opnião é a mesma do anonimo acima. Que ele se viu em auto-defesa e não matou em nome da fé, em nenhum momento ele atacou ou matou em do próposito até mesmo porque ele nao diz a ninguem que estava com a bíblia o vejo matando para não morrer.. e se matar para não morrer é matar em nome da fé, tenho que rever meus conceitos porque se um ladrão chegar na minha casa e apontar uma arma pra minha familia e talvez tentar matar minha familia se eu tiver oportunidade eu matarei primeiro.
    E vejo uma enorme mensagem no poder de manipulação da bíblia com o povo.. manipular pra onde quiser…

  10. Putz! 9 milhões de um lado e 57 (pequeno deslize, um acidente quase)do outro. Um que fosse, é verdade, já é demais. Mas mesmo pessoas sérias às vezes, para comprovar suas convicções, escorregam para a perpetuação de falsidades ao estilo Lutero-goebbelsiano…

  11. Patricia disse:

    Assisti o filme esta noite com minha família. Achamos o máximo, a história dele, o roteiro, atores maravilhosos. Acho que devemos simplesmente ver os pontos positivos do filme. Concordo com Bruno e o Anonimo, o protagonista em momento algum matou por matar, mas se vê obrigado a matar por autodefesa.
    Sou cristã, mas se um ladrão vir contra mim, entrar em em minha casa, quiser arruinar minha vida tirando minha família ou atirando contra mim, com certeza minha defesa seria matá-lo primeiro. Não sei se estou errada em pensar assim, pois sempre fui mto correta, mas acho que teria sim o perdão de Deus, afinal Ele perdoa!!!
    Achei lindo o filme, ele mostra que devemos ter fé, que sempre devemos ser guiados por ela, um mundo igual aquele em que ninguém tinha sentido na vida pois não conheciam a palavra, dai não vale a pena!!!

    Deus abençoe!!! Patricia

  12. Esse filme é baseado no mormonismo, uma vez que se deu igual ao inico do livro de mormom. E porque ele sempre vai para oeste? Pois foi no oeste de New York que josep Smith recebeu as "tabuas" do livro de mormom, e ainda no fim ele escreve ou dita, toda a biblia sozinho fazendo uma alusão que a biblia e o livro de mormom é a mesma coisa, o que na verdade não é. Irmão em Cristo Jesus fiquem vigilantes e em oração para poder dicernir as cousas deste mundo. Que a paz de Cristo esteja em cada coração.

    Jonas Dorneles

  13. Este filme é incrivelmente espetacular, pois ele relata um lado da religiosidade que muitos ignoram: a sede pelo poder, tendo como sua maior arma a bíblia. Aqueles que fazem uma reflexão superficial, pretensiosa e ignorante das Escrituras, certamente são aqueles que realmente não compreendem e não procuram ler, que por sua vez, são envolvidos pelos "supostos" conhecedores das Escrituras (lobos vorazes).

  14. O filme é muito bom, em uma sociedade sem proposito alguem ter um proposito na vida (me parece algo bem atual), e quantos não param em seus propositos, mas ele foi perceverante, não é o q falta hoje?
    Incrivel a abordagem em viver a Biblia e não só decorara…

    ???Poste acima: New York não fica a Leste dos Eua???

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