Os afroconvenientes!

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Por Márcio de Souza

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Esse post é um protesto. Um protesto contra o racismo e contra a falta de escrúpulo de alguns. Como já escrevi em outro lugar, o Brasil ainda é um país racista.

Mas veja só que paradoxo. O mesmo cara que atravessa a rua quando vê um negro mal vestido vindo em sua direção é o cara que vai fazer a inscrição pro vestibular alegando ser negro. A mesma menina que prefere ficar de pé no ônibus a sentar ao lado de um negro é aquela que vai apelar para sua cor “parda” pra entrar com mais facilidade na faculdade.

É, às vezes é conveniente ser negro, né? Mas quero ver é assumir a negritude independente de gozar de uma vantagem, apenas por orgulho de ser negro. Moreno, pardo, mulato, isso não existe, são todos negros amigão! Certa feita, um pastor amigo relatou um clássico do racismo velado. Ele entrou com sua filha numa farmácia e logo uma senhora se aproximou dela e disse: – Que moreninha linda! Logo ela respondeu: – eu não sou morena, sou negra! e a senhora retrucou: – De forma alguma, vc é morena… então o pastor entrou na jogada e fechou a conta com a seguinte frase: – Minha senhora, ela não ta dizendo que é negra? Então ela é negra e ponto final, não confunda a cabeça da minha filha, por favor.

Amigos leitores, o nosso país tem uma dívida para com os afrodescendentes gigantesca e que precisa ser paga, e não é se aproveitando da fragilidade do sistema de cotas por exemplo que essa dívida vai ser paga. Quatrocentos anos de escravidão não são quarenta segundos de depilação. A comunidade afro precisa receber mesmo o apoio de ações afirmativas como parte desse pagamento.

E no mais, tudo na mais santa paz!

***
Postou Márcio de Souza [que não é moreno; é negrão mesmo!] no Púlpito Cristão

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11 COMENTÁRIOS

  1. Aff… me perdoem, mas esse negócio de cota para afro não me desce de jeito nenhum!
    Primeiro que essa tal dívida com o povo afro nunca será paga! Como se paga um absurdo que foi esta escravidão?? Não é com cotinhas para universidade que serão pagas!

    Penso que esta cota sim é racista! O negro não é menos inteligente que ninguém para entrar numa universidade!

    Agora… quem não teve oportunidade de ter um estudo de qualidade aí é OUTRO assunto, – isto é um descaso com a população pobre!
    Mas é só minha opinião!

  2. Poxa..!! Vejo que todo o comentário em que á citação de racismo é sempre do branco contra o negro, e nunca do negro contra o branco…Tem negros que não gostam de brancos, tem mulheres brancas que nao gostam de homens brancos, mas daí ninguém fala nada..!!! è normal, como disse certa ministra…Quanto o exemplo que cistastes da pessoa que atravessaria a rua se um negro sujo e mal cheiroso lhe cruzasse o caminho, ela faria o mesmo, se um branco na mesmas condições tambem lhe cruzasse o caminho….o exemplo do onibus, é meio forçado demais, numa recente novela global, mostrou-se uma familia rica branca que rejeitou o namoro de sua filha branca contra um negro pobre, mas e se o pobre fosse branco, será que esta mesma familia aceitaria o namoro..???, mas isso também ninguém fala..!!!! Sei que vai chover comentários contra minha pessoa, Afirmo Aqui que sou contra toda a forma de discriminação, mas de ambos os lados, em relação as cotas, e como fica a situação do branco pobre e favelado, ???

  3. É lamentável essa tentativa de tratamento privilegiado de classes no Brasil. O problema do Brasil é social e não racial. Se há uma implementação de políticas públicas que deve ser feita, é a reestruturação do sistema educacional de base (Educação básica). Vejam o que propõe o sistema de cotas: o negro "rico" passa para a universidade e o branco "pobre" não passa. Estamos mesmo dispostos a defender uma proposta tão primitiva e desigual como essa? Que há uma dívida para com os negros, não temos dúvida! Mas não só com os negros, também com os índios (esses muitos mais do que os negros!), com as vítimas da ditadura, com os sem-terra, com os nordestinos, etc. A solução não é privilegiar classes, porém, estruturar o sistema de oportunidades para todos: negros e brancos; gordos e magros; homem e mulher; índios, nordestinos, etc. Qualquer política que incentive a segregação de qualquer natureza deve ser repudiada por todos, porque o Brasil nunca foi segregacionista, mas sempre pluralista. Políticas públicas que visem a inclusão social é que vai garantir a diminuição de qualquer sentimento preconceituoso em relação ao próximo.

  4. De fato, pré-conceito é uma coisa horrivel, uma lástima para qualquer sociedade. Mas essa questão jamais poderia ser resolvida atraves de 'cotas' prara negros em universidades, pois este tipo de privilégio se configura exatamente naquilo que tanto se tenta derrubar – pré-conceito racial. Esse tipo de iniciativa só faz criar segregação e incitar o p´roprio pré-conceito. Para que haja uma sociedade igualitária deve haver educação de qualidade desde à infância e as mídias devem agir com um pouco sequer de responsabilidade e inteligência para dizer o que deve ser dito: "respeitem o próximo, igualmente, cidadãos". O que tornou as sociedades repletas de pré-conceito é justamente o fator educativo (a falta e a deturpação dele): o descaso dos poderes e a desestruturação familiar.
    Cotas para pessoas de acordo com a cor da pele deveriam ser repudiadas até mesmo por aqueles que seriam supostamente agraciados com a novidade. Pois na verdade ninguém é agraciado, e ninguém ganha nada com isso – muito pelo contrário. Essa proposta de cota é apenas um "docinho" amargo, um tapa buraco hipócrita que os governos querem instalar apenas por ser uma medida mais fácil (afinal, é bem mais fácil do que investir na família e na educação da população) para se criar uma "ilusão de solução". Pois de fato, o que se cria com essas medidas hipócritas são apenas ilusões prévias, pois a longo prazo (e não muito longo) os resultados podem ser péssimos para a sociedade – que se tornaria até mais pré-conceituosa e dividida.
    Como alguém já disse antes: todos os cidadão, em seu honesto exercício de cidadania, merece e deve ter as mesmas oportunidades que qualquer outro, independentemente de cor de pele, religião, nível intelectual, opção.. enfim, é isso.

  5. O problema no Brasil é social e racial e enquanto as pessoas ficarem mascarando isso não vamos chegar a lugar nenhum. E se tem um ponto de encontro entre essas duas questões é nos afrodescendentes que são acusados de preconceito quando afirmam sua negritude porque não mais ficam quietinhos, na sua baixa estiam, batendo tambor e jogando futebol. Cota assusta porque negro(a) com diploma disputa poder, dinheiro e ergue a cabeça. Tem que ter cota sim. Nossos irmãos e irmãs afrodescendentes que habitam as periferias de nossas cidades precisam ver na educação um caminho de mudança social, minando o poder persuasivo do dinheiro "fácil" que leva ao inferno.
    E as igrejas brasileiras, salvo a Metodista e a Luterana, até onde sei, precisam deixar de lado sua herança anglo-saxã e abraçar a diversidade de nosso país para que deixem de ter em sua membresia pessoas que dizem que os africanos sofrem porque cultuam demônios. Ou que brigam com sua professora (eu) quando ela disse que Jesus era um homem de pele escura, queimado pelo sol do deserto e não aquele galã renascentista de sua imagética.

  6. "Cota assusta porque negro(a) com diploma disputa poder, dinheiro e ergue a cabeça". Isso soou meio estranho, Nathália. Afinal, nem eu e nem ninguém das centenas de pessoas que conheço (negras, brancas, católicas, evangélicas, budistas, etc) se sentiria "assustado" frente a um negro com diploma. Sinceramente isso não me desceu pela garganta – chega a ser engraçado, pois jamais me passou pela cabeça algo assim. Afinal, o que tem de diferente nisso, já que somos TODOS IGUAIS e capazes de obter sucesso na vida, com luta e determinação, não é mesmo?
    Claro que existem pessoas que pensam desse modo que citaste: pessoas pré-conceituosas, ou seja, doentes. E isso já é um caso sobre a doença do pré-conceito contra o próximo, que deve ser combatida ferrenhamente, sem dúvida. Graças a Deus, á propósito, não conheço ninguém assim.
    Acho que o importante é aceitarmos que somos todos iguais e pronto e amém. Não importa a cor da pele, as origens ou ascendências. Só pra citar, se a maioria dos que curtem ou produzem samba no Brasil seriam negros, já é mais uma questão (externa) socio-cultural construida em tempos. Gosto pessoal também é uma coisa, enfim… pessoal.
    Não acredito em afirmações internas de raça disso ou aquilo, acredito que todos nós – brancos, negros, olhos puchados, os de cabelos crespos, cabelos lisos, etc – somos seres humanos pertencentes a uma mesma espécie, a uma mesma raça, a raça humana. E devemos todos, unidos, correr atrás do nosso futuro e dos nossos sonhos e erguer a cabeça, sempre!

  7. O sistema de cotas não seria uma forma de executar a equidade em nossa sociedade? O fim da escravidão negra no Brasil tem 122 anos apenas; e não foi acompanhada por "medidas de ajuste" dessa população a acesso a bens e serviços. É evidente que os negros nesse país foram os que mais sofreram e sofrem ainda hoje com as desigualdades sociais. Exemplo disso é o % de negros nas facul, nas prisões, nas áreas mais carentes, nos púlpitos das igrejas…

    Comentei isso só para nos fazer pensar sobre a nossa história, que não é tão distante assim.

  8. O homem branco pobre é triplamente discriminado.

    É discriminado pelo crime de ser do sexo masculino.

    É discriminado pelo crime de ser de etnia clara.

    É discriminado pelo crime de ser pobre.

    O complexo de vítima é muito útil para exigir direitos especiais e eximir-se de responsabilidades.

    * * *

  9. O conceito de raça tem sido usado de forma política pelos movimentos organizados que lutam pelos direitos dos afrodescendesntes.
    Quanto a ser engraçado dizer que negro com diploma assusta, que bom que tem quem ache graça: a maioria não gosta mesmo.
    Eu acho que falta uma coisa muito simples nesse debate: compaixão. Quem não entende o racismo brasileiro deveria conversar mais com quem luta contra ele, mas parece que o calo só doi quando é no meu pé…

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