Porque alguns escolhem os samaritanos

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Por Ariovaldo Ramos

Certo homem descia de Jerusalém para Jerico, quando foi assaltado, e surrado, e deixado para morrer, na beira da estrada.

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Ele era sacerdote. Todos os sacerdotes e levitas o conheciam.

Jerico era o seu campo missionário, mas, naquele dia, ele foi impedido de chegar lá. E tudo indicava que jamais chegaria.

Casualmente, outro sacerdote descia de Jerusalém para Jerico. Tudo indicava que o sacerdote, em estado moribundo, estava salvo.

O outro sacerdote o reconheceu, mas evitou se envolver… O moribundo era tido como um bom sacerdote, mas, pensou o outro, essas coisas não deveriam acontecer a bons sacerdotes, logo, deve ter alguma coisa errada com ele. Mesmo assim, parou, mas, a distância… Se ele se mexer ou esboçar qualquer pedido de ajuda… Ajudo.

E o moribundo não se mexeu.

Nisso chega um levita, reconhece o sacerdote moribundo, todos o conheciam; conversa com o outro sacerdote, sobre o que poderia ter acontecido com tão bom sacerdote, ao que o outro sacerdote retruca, dizendo que, talvez ele não fosse tão bom sacerdote assim! Quem sabe o que teria acontecido? E sugeriu o que o levita o acompanhasse na observação… Se o moribundo se mexesse ou esboçasse qualquer pedido de ajuda… Ajudariam.

E o moribundo não se mexeu…

E eles se foram, comentando como as aparências enganam… As vezes a gente pensa que está diante de um grande sacerdote, e, sem o saber, está diante de uma vida cheia de complicações, que acaba por expor-se desnecessariamente, e aí, o inevitável acontece: é derrotado.

De fato, aquele sacerdote, deixado à própria sorte, era conhecido por sua fibra, já havia passado por poucas e boas, e resistido, não fazia sentido vê-lo em tal estado. A dupla de religiosos, também comentava isso. O que eles não sabiam é que o tal sacerdote, a exemplo do herói escocês, William Wallace, na versão cinematográfica Brave Heart, de Mel Gibson, fora atacado, e surrado, e deixado para morrer, por um amigo. William Wallace fora atacado, quando intentava contra o Rei da Inglaterra, Eduardo I, por Robert de Bruce, nobre que Wallace queria ver Rei, mas, que o traiu. O sacerdote, também, enquanto lutava contra o rei da maldade, um amigo o traiu.

O amor é mais forte do que a morte, mas, quando a morte coopta um amigo como seu agente, o amor frustado tira todo desejo de lutar pela vida.

E, por isso, o moribundo não se mexeu.

E veio um samaritano… Ele não sabia do sacerdote, apenas condoeu-se ao ver um homem à beira da morte, e correu para socorrê-lo. Chamou-o para atividades que não tinham a ver diretamente com a sua fé, mas que lhe permitiam vivê-la e anunciá-la. E ele desistiu do sacerdócio, embora, mantivesse sua fé e sua vida na comunidade. Mas ele não queria mais estar no mundo dos sacerdotes.

Entendeu que nessa nova ordem sacerdotal não havia espaço para a simples amizade.

Para essa nova ordem, ser amigo é arriscar-se muito.

Bem, essa verdade é milenar: ser amigo é arriscar-se!

Porém, na nova ordem, ninguém quer correr risco.

Todos estão prevenidos: é melhor evitar do que remediar.

A dupla religiosa que o havia deixado ao largo, comentou o fato com outros religiosos, eles, amigos, ainda que com alguma dor, resolveram, também, evitá-lo.

Parece que alguns sacerdotes estão repensando, mas, pode ser muito tarde, o nosso sacerdote está cada vez mais propenso a só andar com samaritanos.

***
Fonte: Ari, logo Ari no blog!

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6 COMENTÁRIOS

  1. Comenta-se que esse texto possa ser uma alegoria da parte do Ariovaldo à história recente do Caio Fábio. Quem sabe? E quantos outros "caiofábios" estão dispersos pelo mundo com situações similares mas que não tiveram suas mazelas expostas em público?

  2. Há dias atrás, vi sentado nos fundos da igreja, um jovem maltrapilho, barbudo e exalando um forte mal cheiro. Notei como as pessoas evitavam sentar-se nas proximidades onde ele estava. No decorrer do culto o jovem chorara copiosamente e aceitou o apelo para entregar a sua vida a Jesus, quando disse ser andarilho e usuário de drogas, e que estava disposto a passar por um tratamento nalguma casa de recuperação ou clínica para reabilitação de toxicômanos.
    Notei que o pastor e demais obreiros se interessavam em dar-lhe atenção, momento em que, findo o culto, fui para casa com minha família, sinceramente penalizado com a situação daquele jovem, comentando com minha esposa: se nossa casa não fosse tão pequena, se houvesse um cômodo externo, poderíamos recolhê-lo, dar-lhe condições para tomar banho e higienizar-se e lhe forneceríamos roupas limpas, e, na manhã do dia seguinte, segunda-feira, o levariamos a uma barbearia para cortar seu cabelo e sua barba, e, em seguida, providenciaríamos uma vaga para seu internamento numa Chácara de Recuperação que é administrada por uma Igreja Evangélica local.
    Ficamos tranquilos porque o caso estava nas mãos do Pastor e imaginamos que certamente ele iria tomar todas as providências cabíveis e necessárias ao caso.
    Dias depois perguntamos ao pastor sobre o referido rapaz, ocasião em que tomamos conhecimento de que, naquela noite, o deixaram pousar no hall de entrada da igreja, para, no dia seguinte, ser providenciada a sua internação, porém, na manhã seguinte, não mais foi encontrado, perdendo-se assim aquela oportunidade ímpar de prestar um auxílio inestimável àquele jovem.
    O pastor percebeu nossa grande frustração com o caso, dizendo: "NÃO SE PREOCUPEM, A SEMENTE FOI PLANTADA EM SEU CORAÇÃO, SE FOR DA VONTADE DE DEUS ELA DARÁ FRUTOS E ELE SAIRÁ DA SITUAÇÃO EM QUE SE ENCONTRA!"
    A grande verdade mesmo é que tanto os pastores e dirigentes de igrejas, bem como todos nós somos hipócritas e egoístas perante a dor e sofrimentos alheios e sempre imaginamos que outras pessoas ou instituições façam alguma coisa das quais não somos capazes de fazer.

  3. Mano Eli e todos os demais;

    Percebi que este texto é uma resposta a outro texto (bastante duro até) que o Caio dirigiu ao Ari, por conta de um vídeo em que este apresenta elogios e algumas críticas ao Caio e ao movimento Caminho da Graça.

    Achei o texto de uma "graça" incrível, e pude sentir um pouco de melancolia e revolta poética no Ari. Este texto me emocionou muito, pois descreve a realidade de milhares de obreiros abandonados à beira do caminho; homens que distribuiram amor durante toda a vida, mas que quando precisaram ser amados, foram abandonados… esquecidos.

    Que Deus abençoe Ariovaldo Ramos e Caio Fábio, dois gigantes da teologia ortoprática brasileira. A ambos, "!mis respetos!"

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