Um revolucionário (embora antigo) modelo de igreja

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Por Humberto Ramos
Diante de tantos modelos eclesiásticos propagados, tantos sistemas denominacionais dividindo os cristãos, penso ser profundamente pertinente falar sobre a estrutura da Igreja. Mas não para propor algo novo, não uma promessa de crescimento vertiginoso nem uma nova doutrina sobre a manifestação do corpo de Cristo na terra.

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Há em voga diversas formas de agrupamento humano. E as formas menos sadias são as que massificam as pessoas dissolvendo a personalidade e desfigurando a identidade particular dos indivíduos. Ao que tudo indica, dado ao comportamento cada vez menos intimista da sociedade, as organizações tenderão a se tornar cada vez mais massificadoras.

De fato, nem sempre é possível ou mesmo prudente privilegiar a pessoalidade dos relacionamentos. As organizações, atendendo às necessidades pós-modernas, estruturam-se de forma a otimizar as relações interpessoais. Portanto não se pode radicalizar ao ponto de condenar toda e qualquer estrutura organizacional que não prime pela personalidade humana.

Não obstante, quando se trata da Igreja não podemos perder o foco. Paralelo ao que ocorre na sociedade secular, no meio religioso há uma profusão de estruturas hierárquicas, formas de governo e modelos a serem seguidos; ocorrendo ainda o peso da “sacralização” deste ou daquele, fazendo com que existam estruturas tidas como ortodoxas e as não-ortodoxas, sedo até mesmo chamadas de heréticas.

Não dá para dizer que Jesus tenha ditado algum tipo especifico de estrutura hierárquica, com descrição exata acerca de funções e posições a serem exercidas – muito diferente do que ocorreu nas histórias do Velho Testamento, nas quais Deus mesmo entregou a lei, juntamente com todos os detalhes sobre o ofício dos Sacerdotes, Sumo-sacerdotes, e outros oficiais do templo; tendo o próprio Templo sido minuciosamente descrito a fim de direcionar sua construção.

Jesus, contudo, falou de uma nova ordem das coisas, propondo algo totalmente revolucionário e contraditório: o maior servirá o menor (Lucas 22. 26). O que percebemos com a leitura dos evangelhos é que os discípulos, a semelhança de todos os homens, possuíam sede pelo poder. Há relatos de suas discussões sobre quem seria o maior. Mas não houve espaço para a proliferação desse tipo de diálogo. Jesus cortou o mal pela raiz!

A não sistematização de uma estrutura eclesiástica é um dos fatos mais curiosos dos evangelhos. Jesus parece nos entregar totalmente à direção do Espírito Santo. De forma que a própria organização da Igreja primitiva, narrada em Atos, é apresentada como sendo resultado da espontaneidade das reuniões familiares.

Paulo foi quem tratou a coisa num tom mais específico e com certa amplitude. Ele fala da Igreja como corpo – um organismo vivo –, assume a diversidade de membros e não vê problema algum na existência da unidade a despeito da diversidade inevitável (na verdade, desejável). Para ele, o Espírito Santo é quem forma o vínculo trazendo união.

Quando escreveu sua primeira carta aos coríntios, Paulo demonstrou sua crença de que a Igreja devia ser fundamentada nos dons – contudo não da maneira como ocorria entre estes irmãos. Ele lançou mão de uma analogia da Igreja com um corpo, a qual, assim como este, possui muitos membros com distintas funções.

A finalidade da distribuição de dons não se estava ligada nem um pouco com algum tipo de poder que permitisse porventura que o agraciado pelo presente exercesse autoridade sobre os demais a fim de subjugá-los. O objetivo era muito básico, cuidar uns dos outros segundo seu próprio dom (I Co 12. 25).

Em Efésios, Paulo trata do mesmo assunto só que explicitando o objetivo da manifestação de dons no corpo. Sobre os dons, ele repetiu : “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef. 4. 11-12). E pela maneira como fala podemos entender que não somente as pessoas recebem dons mas também são dons de Deus para a Igreja, visto que “ele mesmo os deu” à Igreja.

A finalidade para qual os dons são entregues soa com muita clareza: “aperfeiçoamento dos santos para o ministério”. Tal entendimento, ainda que assumido pela maioria das Igrejas, não é levado às últimas conseqüências. Visto que uma resposta séria a tal afirmação paulina seria a capacitação dos irmãos em um nível no qual haja um momento em que estes sejam também capacitadores e não apenas ouvintes da mensagem.

O que ocorre é que as Igrejas em geral têm formado ouvintes, assistentes de culto, meros espectadores. E os modelos eclesiásticos assumidos também não favorecem em nada a manifestação e uso dos dons. Uma vez que, mesmo afirmando o sacerdócio universal dos crentes, as reuniões da Igreja giram em torno do pregador e ministros de louvor.

Os irmãos chegam no horário de início do culto, cumprimentam-se e se assentam, esperam passivamente o cumprimento de cada momento litúrgico e após a benção apostólica retornam para suas casas tentando digerir o que lhes fora dado num monólogo quase sempre insatisfatório.

A visão de uma Igreja estruturada a partir de dons não significa que se deva cair em uma neurose religiosa em busca de dons e automutilação emocional a fim saber se se tem ou não este ou aquele dom para uma possível contribuição com o corpo.

Até porque é o próprio Espírito Santo quem distribui os dons segundo lhe convém, como escreveu Paulo: “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (I Co 12. 11). De forma que se deve orar para que Deus manifeste seus dons à Igreja segundo as necessidades vigentes. Ele mesmo sabe quais são!

Um entendimento errado têm levado pessoas sinceras a escolherem quais dons desejam que se manifestem em suas vidas. Penso eu ser o resultado de uma interpretação equivocada do que Paulo quis dizer quando instou: “Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente” (I Co 12.31).

Nesta fala ele, de modo algum, está dizendo que devemos escolher quais dons queremos segundo nossa própria vontade – que, sabemos, é tendenciosa e inclinada à glória pessoal. No trecho seguinte da carta Paulo escreveu um dos mais lindos textos falando sobre o amor. E embora o mesmo texto seja muito utilizado em casamentos, seu surgimento ocorre no contexto do emprego dos dons espirituais no seio da Igreja.

A fim de esclarecer o texto, ouso parafrasear o apóstolo: “Vocês podem procurar com afinco os melhores dons, e depois de encontrá-los eu ainda terei de lhes mostrar algo ainda muito mais excelente: o amor. Qualquer desses dons sem amor nada será” (I Co 13).

Algo tão simples. Algo tão deturpado hoje em dia. Perdeu-se a compreensão do que seja uma Igreja carismática (cheia de dons). Há, sim, muitas Igrejas nominalmente chamadas de carismáticas. Contudo, isso se refere apenas a uma linha teológica assumida. Os dons são tão naturais para a Igreja quanto os órgãos para o corpo humano. Não há membro sem função no corpo humano, assim também não há membro sem dons no corpo de Cristo.

***
Humberto Ramos é editor do blog Visão Integral e colunista do Púlpito Cristão

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6 COMENTÁRIOS

  1. A Paz DO Senhor
    Muito Interessante essa reflexão, se as igrejas começassem a utilizar esse sistema seria muito mais edificante do que o que acontece hoje em Dia.
    Só uma opinião particular, sobre a maneira que o texto foi escrito, Eu percebi que no começo é utilizado palavras bem difíceis de entender, e do meio para o final fica mais fácil de entender.
    Se fosse escrito de uma forma mais popular com certeza alcançaria mais pessoas.
    Fiquem na paz do Senhor

  2. Muito bom mesmo! E' exatamente essa a cara que tem que ter a igreja descrita ao longo do Novo Testamento, mas, quem poderia subsistir dentro dela ?
    Somos todos herdeiros de caracteristicas marcantes e aqueles que nao buscam os "holofotes" buscam o "ostracismo". Estamos , quase todos, perigosamente mal educados, e viciados no poder ou querendo fugir dele.
    Oro para que o Espirito tenha chance de nos orientar nisso para que a igreja reapareca no cenario mundial e seja luz, como Jesus propunha que ela fosse.

  3. E Hoje em dia a igreja se torno uma mera espectadora de quem esta no altar, procuram sempre pelo chamado homem de Deus,são poucas as pessoas que procuram dentro de si mesmo o potencial para esta em comunhão com Deus, ate por que muitos não procuram entender e estudar as escrituras, ai são levados pelo que o homem de Deus esta falando, afinal a verdade esta com ele, por considerarem um homem de Deus, e a velha tendência humana de se oponha e idolatra determinadas pessoas, e você enfatizo muito bem, a igreja e um corpo. portando qualquer parte do corpo e fundamental para que ele funcione bem, portanto cada um tem seu potencial dado por Deus,quem lidera a verdadeira igreja e Deus e portanto e ele que merece toda glória, os membros do corpo de cristo (igreja)tem que se bota como colaboradores e não como mero espectadores.
    GRAÇA E PAZ.

  4. Que texto lindo e profundo!
    Infelizmente o que vemos hoje é uma ação verticalizada, mas na relação "homem/homem" – com o ego no centro e não Cristo.Vemos uma igreja que a longo do tempo vem perdendo sua unidade, envolvendo-se em "questões loucas" e desvarios eclesiásticos- onde os dons são a referência e não os frutos onde dizem: "…crente que não faz barulho está com defeito de fabricação"…Ora,Deus não criou homens amplificadores(no sentido sonoro), ou seres defeituosos, tampouco é surdo;o pecado sim,é que desvirtuou e perverteu tudo.
    Mas glória a Deus que ainda hoje temos pensadores, pessoas que refletem, bereanos, servos…
    Paz amados!

  5. REVELAÇÃO/EXORTAÇÃO
    Urge difundirmos na terra, a certeza de que Jesus Cristo já vive agindo entre nós, espargindo a luz do saber em sí, criando Irmãos Espirituais, e a nova era Cristã. Eu não minto, e a Espiritualidade que esperava pela sua volta, pode comprovar que digo a verdade. Por princípio, basta recompormos as 77 letras e os 5 sinais que compõe o título do 1º. livro bíblico, assim: O PRIMEIRO LIVRO DE MOISÉS CHAMADO GÊNESIS: A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA E DE TUDO O QUE NÊLES HÁ: Agora, pois, todos já podem ver que: HÁ UM HOMEM LENDO AS VERDADES DO SEU ESPÍRITO: ÊLE É O GÊNIO CRIADOR QUE ESSA AÇÃO DE CRISTO: (LC.4.21) – Então passou Jesus a dizer-lhes: Hoje se cumpriu a escritura que acabais de ouvir: (JB.14.17) – O Espírito da verdade que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem conhece, vós o conheceis; porque Ele habita convosco e estará em vós. – Regozijemo- nos ante a presença do Nosso Senhor, e façamos jus ao poder que o Filho do Homem traz às Almas Justas, para a formação da verdadeira Cristandade.

    (MT.26.24) – O FILHO DO HOMEM VAI, COMO ESTÁ ESCRITO A SEU RESPEITO, MAS AI DAQUELE POR INTERMÉDIO DE QUEM O FILHO DO HOMEM ESTÁ SENDO TRAIDO! MELHOR LHE FÔRA NÃO HAVER NASCIDO:

    E, ao recompormos as 130 letras e os 7 sinais que compõem esse texto, todos já podem ler, saber, e entender quem é o Filho do Homem:

    E O FILHO DO HOMEM É O ESPÍRITO QUE TESTA AS ALMAS DO HOMEM E DA MULHER, NA VERDADE DO SENHOR, COMO CRISTO: E EIS A PROVA QUE O FILHO DO HOMEM FOI TREINADO NA LEI CRISTÃ:

    (MC.14.41) – Chegou a hora, o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores: E hoje, quem quiser interagir com o Filho do Homem Imortal, deve buscar “A Bibliogênese de Israel”, que já está disponível na internet (Editora Biblioteca 24×7). E quem não quiser, pode continuar vivendo de esperança vã, assistindo passivamente a agonia da vida terrena, à par da auto-destruição do nosso planeta…

  6. O ideal de igreja na bíblia é a de efésios 4.11-12. Vemos hoje um distanciamento deste modelo. Estão removendo os fundamentos, o que já está se tornando problemático. Nikita

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