O púlpito pentecostal precisa de uma reforma

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Por Cícero Ramos

“É preciso que as igrejas pentecostais […] acrescentem ao nosso ardente testemunho de experiência […] esforço intelectual mais determinado a fim de expor com precisão a nossa fé. Não devemos nos deleitar com emoções profundas à custa de reflexões superficiais”.

Donald Gee, teólogo pentecostal

Considero nossa teologia pentecostal consistente. Muito embora não tenhamos uma elaboração teológica mais aprofundada e acurada como os irmãos reformados, todavia, ainda assim, podemos verificar a biblicidade de nossa teologia. Todavia, é preciso falar acerca da palavra vinda de nossos púlpitos porque carecem exatamente de uma exposição muito mais aprofundada, muito mais bíblica, e como disse Donald Gee, deleitamo-nos nas emoções profundas à custa de reflexões superficiais.

Muitos pregadores de matiz pentecostal, são especialistas, pode-se assim dizer, em suscitar emoções em sua platéia. O labor teológico não é o forte destes irmãos, mas sim, a emocionalidade que agrada em cheio ao povo pentecostal. Sabemos que, de uma forma geral, em nossas igrejas pentecostais no Brasil, a predileção é pelo pregador inflamado, que com sua técnica emocionalista, arranca muitos glórias a Deus e aleluias da igreja reunida. Mas, a estruturação das vidas pela Palavra de Deus fica prejudicada. Também se sabe que, via de regra, se o pregador da noite for um homem de estudo, um mestre, não reconhecido como um pregador “avivalista”, ele é, em alguns lugares, rejeitado pelos crentes reunidos, porque na mente de muitos a teologia torna o crente “frio” ou “mundano”.

Este tipo de mensagem de ênfase emocional é de natureza antropocêntrica. Tendo o homem como centro, os pregadores emocionalistas, avivalistas, inconscientemente, têm como alvo que seus ouvintes “sintam as emoções gloriosas do Espírito Santo”. O misticismo toma lugar em detrimento à uma reflexão bíblica que gere cristãos mais maduros, mais plenos em Cristo e que saibam reflexionar os conteúdos fundamentais da Palavra de Deus.

Desta forma, defendo aqui a reforma do púlpito pentecostal. Eu mesmo, preguei algumas vezes nesta ênfase emocionalista. Mas eu sei que foi um desperdício, preguei minhas próprias ênfases, meus próprios pensamentos, ao invés de trazer uma mensagem oriunda de uma reflexão profunda e teologicamente abalizada na Palavra de Deus. Não devemos desprezar a paixão e o ardor na pregação, não estamos aqui absolutamente falando em mensagens formais, homileticamente perfeitas, mas sem a pujança da vida no Espírito, mas sim em mensagens de origens inteiramente bíblicas e teologicamente saudáveis. Isto porque, não quero estar fascinado por uma teologia contaminada pela psicologia ou a sociologia, por exemplo, trazendo aos meus ouvintes as últimas novidades nesta área. Isto não me interessa e não é o que Deus quer que eu pregue. O Espírito Santo sempre me orientará para que eu pregue todo o conselho de Deus (At 20.27) porque não é outro o alimento espiritual de que nós precisamos – unicamente a pura Palavra de Deus.

O púlpito pentecostal deve ser reformado. Outros púlpitos também. Mas falo prioritariamente do púlpito pentecostal, porque é este de minha ambiência e experiência cristã. São más as emoções? Não, foram dadas por Deus, fazem parte da integralidade humana. São inteiramente perniciosos os insights da psicologia, da sociologia ou de qualquer outra ciência humana? Não, todavia, a Palavra de Deus não será encontrada em nenhum outro lugar a não ser em púlpitos consagrados a transmiti-la de acordo com a direção do Espírito Santo. É na Igreja e através de pastores zelosos que o conselho de Deus, a Palavra de Deus, fará o que lhe apraz (Is 55.11) nas vidas e corações.

Deus tem muito a nos falar do púlpito. Urge que hajam púlpitos realmente consagrados a transmitir a mensagem divina. Uma pregação radicalmente saturada da Bíblia e não apenas baseada nela. Uma mensagem saturada da Bíblia, plenamente cheia dela, sendo a Bíblia amplamente explicada como deve ser para que todos entendam o que Deus quer nos falar. Não devemos entreter o povo com emoções, mas saturar a mente e o coração do povo com a riqueza e profundidade de todo o conselho de Deus.

Bíblia! É disso que realmente precisamos. E nada mais.

***
Fonte: Observatório Teológico, via: Púlpito Cristão

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3 COMENTÁRIOS

  1. Concordo em genero, número e grau. Meu grande sonho é justamente ver o pentecostalismo investir cada vez mais num ministério de pregação consistente, e não dado a shows e performances pessoais.

    Por isso, no projeto 'Olhar Reformado', temos investido bastante nesta área, a fim de incentivar outros a acreditarem neste ideal. Recentemente, passamos a publicar vários sermões escritos, para que outros se sintam motivados – além dos textos especificos sobre homilética, já conhecidos dos nossos leitores.

    Parabéns pela postagem.

    Marcelo Lemos

  2. Ótima postagem. Como reformado, sou pastor presbiteriano e pentecostal, entendo que a reforma proposta não deva ficar restrita ao fim dos espetáculos proporcionados por muitos "avivalistas" mas estender-se á própria doutrina adotando parâmetros da genuína fé reformada. Não se pode dizer que é reformado, sem se aceitar os preceitos da Reforma, que parecem um pouco distantes do meio genuínamente pentecostal. A superficialidade é de uma mediocridade sem tamanho. Se perguntar à maioria dos pentecostais, a razão de sua fé, fé pentecostal, as explicações além de desprovidas de conteúdo biblico são no minimo hilariantes.
    Falo como pentecostal, não o pentecostal de "carteirinha", mas como pentecostal esclarecido, que sabe que a base de uma boa pregação está numa exegése correta, com uma correta compreensão das linguas originais em que foi escrita a Bíblia Sagrada. Acabou-se o tempo em que bastava abrir o livro Santo em qualquer parte e aí metralhava-se o povo com rajadas de linguas estranhas, para que aparentemente Deus falasse! A pregação é coisa séria! Muitas vezes para se pregar trinta minutos é preciso gastar em estudo e oração dias a fio, para que uma mensagem consubstanciada pela palavra possa fazer o que lhe apraz. Somos "Mordodmos" e nenhum mordomo é pego despreparado quando solicitado a ele o alimento do dia a dia. Comida elaborada dá trabalho, não é só jogar os ingredientes na panela, é preciso saber quais ingredintes serão colocados em seu devido tempo de cozimento.Que Deus possa despertar mais e mais pregadores para esta bendita realidade que se vislumbra no meio pentecostal!
    Sola Scriptura!

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