As experiências que passamos, decepções, traumas, abandono, solidão, todas estas crises imprimem em nossa alma uma marca profunda. Tal como o ferro incandescente marca o gado, assim também a vida, através dos seus muitos declives, imprime caráter. Para o cristão, o sofrimento é uma teopraxis: “Por muitas tribulações nos convém entrar no reino de Deus”. Ele não é uma exceção, mas a regra. “No mundo tereis aflições”, disse Jesus.
O hedonismo, a idéia de que o objetivo final desta vida é obter prazer e fugir da dor, é incompatível com o ideal cristão. A razão da nossa existência não é a comodidade, realização de sonhos e projetos pessoais, ou experimentar tantas delícias quanto nos seja possível, mas a preparação para a eternidade. Deus está preparando-nos para algo sublime, no céu, e as vezes usa a dor para imprimir em nós a sua imagem perfeita. “trago em meu corpo as marcas de Cristo”, disse o apóstolo.
Ter um Deus soberano não significa que jamais sofreremos, embora signifique que em meio ao sofrimento, Deus permanece no controle. Ele jamais abdicou da sua soberania. O trono celeste de onde Deus governa todas as coisas jamais esteve vazio.
Na encarnação, Cristo experimentou cada uma de nossas mazelas. Até mesmo a alienação decorrente do pecado foi sentida por Jesus. “Eli, Eli, lema sabactani” [Meu Deus, Meu Deus, porque me desamparaste?], foi o grito da alma de Cristo, quando nele se personificava o nosso pecado. Porém, embora tragicamente dolorosa, sua morte não foi um evento fortuito, mas um ato soberano: “ninguém pode tirar a minha vida; eu voluntariamente a dou”.
Este é o Deus que eu amo e prego: o Deus que tem as rédeas nas mãos, e que embora permita o mal, é suficientemente poderoso e inteligente para incluí-lo no seu designo, de modo que “todas as coisas cooperem para o nosso bem”. Ora, se até a “morte de Deus”, o maior dos males, foi redimido por ele e convertido em esperança de vida, em graça abundante para a humanidade, como posso duvidar que, das nossas mazelas cotidianas, Deus pode extrair um bem maior?
Eu jamais poderia crer em um Deus “não-soberano”. Uma pseudo-divindade que se abre a um futuro desconhecido por todos, e até por ele mesmo, é tudo que a igreja não precisa. Este “Deus” é pequeno demais. Não é Deus, é “deus”, uma divindade feita sob medida para ateu, fruto da vã tentativa de justificar o Justo, inocentando-o diante do mal.
Este Deus dos “teólogos” abertos eu abomino. Deus me livre de crer num “deus” assim! Eu tenho muito “medo” dele! Como confiar em um “deus” tão incompetente, uma caricatura semi-soberana que faz tudo errado e depois fica torcendo pra gente acertar?
Eu quero o Deus soberano, o Deus bíblico, que mata e faz viver, que age e ninguém impede, que conhece o fim desde o princípio, que chama o homem desde o passado eterno e infalivelmente predestina. Sim, é este que eu adoro: este que faz a luz e cria o mal, e faz o ímpio para o dia da ruína, mas que por sua graça elege o vil, santificando-o e amando-o com tal intensidade, ao ponto de por ele morrer. Um Deus que sacrificou seu filho antes da fundação do mundo, e para quem a queda não foi um “imprevisto”, mas parte de um designo eterno a revelar-se no tempo oportuno. Um Deus supralapsariano, monérgico, déspota… Opa, peraí? Déspota? Sim, o Kyrios Despotes, Soberano Senhor, cuja vontade não pode se contestada, e cujo projeto jamais será frustrado.
Soli Deo Gloria!
Para meditar: “Da perspectiva da soberania divina, aquilo que nós chamamos de mal muitas vezes é apenas um recurso pedagógico, através do qual o Sumo Professor nos instrui para a vida e a eternidade”
Pensado por Leonardo Gonçalves, no Púlpito Cristão




















Léo a Paz!
Peço permissão para postar este texto no site da minha igreja. Claro que com um link para cá.
Aguardo respostas.
Abraços!
Maxmiler Freitas,
Fique à vontade para usar este ou qualquer material deste blog.
Abração.
Obrigado!
Leonardo,
Parabéns pelo texto. Conciso e preciso.
Abraço.
Ótimo texto Leonardo.
Realmente o deus da maioria por ai é muito pequeno, quando não é outro deus que não é o Deus Soberano da Bíblia, como diriam os antigos teólogos: O Terrível Déspota Divino.
Voltemos ao Evangelho,
Vini
Que Mensagem mano! Quero continuar a servir o Deus que rege a todos os passos do meu viver…mesmo vivendo o infortúnio do presente.O Deus que trabalha em favor daqueles que nEle esperam.
Obrigado pelo texto, irmão Leonardo. Tenho refletido muito sobre esse assunto esses dias. Estamos enfrentando muitas dificuldades com membros da família com problemas de saúde, e me pergunto como buscar consolo num Deus que não tem qualquer pode para deter uma doença. Com isso não estou defendendo a teologia da prosperidade, mas o fato de que se a doença aconteceu Deus assim o quis, não ficou impotente.
E ela irá embora quando ele quiser, seja por cura, medicina ou a por seu chamado para que nossos queridos morem com ele. Esse é nosso consolo – a soberania e sabedoria divina, e a semelhança de Cristo quando sofreu aqui.
Deus abençoe o irmão
Josaías
Maravilhoso Ensaio! Posso postar no meu blog? http://discutindoabiblia.blogspot.com
Teísmo Aberto é a última picada! Deus o abençoe! Abraços
Parabens Leonardo, se olhasse-mos Deus com essa visao de um Senhor Terrivel, nao no sentido de pavoroso, mas no sentido de Um Deus eternamente ilimitado grandioso e sem a menor possibilidade de comparacao com absolutamente nada, e que nao se pudesse definir nunca e que nao coubesse em livro algum (nem na Biblia), certamente o Evangelho seria diferente, assim como, diferente seriam os portadores dessa visao e seguidores desse Evangelho.
Soli Deo Gloria…
Boa Leonardo. Como sempre, publicando otimos textos.
Porém, eu tenho uma duvida que gostaria de discutir contigo. Se possivel, me mande um e mail q eu lhe retorno: bruno_ibp@yahoo.com.br
Vlws (=