Nosso destino final não é [simplesmente] o céu

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Por Humberto Ramos

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“Sujeitar a terra produz segurança, prosperidade e beleza… Em vez de guardar a criação em seu estado original, a humanidade é chamada a guardar o mundo, uma vez que ele está sujeito ao domínio humano. É isso que significa ser plenamente humano e uma criatura à imagem de Deus. Este mundo não é lixo e não estamos apenas passando por ele em nosso caminho para o céu. Na verdade, o céu não é o nosso destino final, mas “um novo céu e uma nova terra” (Ap 21.1) – um futuro excepcionalmente material. Isso dá ao nosso trabalho diário um sentido perfeito, uma vez que ele terá (se feito em fé, esperança e amor e purificado do pecado) o seu lugar na criação renovada.”

Paul Stevens em A espiritualidade na prática, pg. 166-167 (Editora Ultimato).

Tal afirmação é por demais contundente. Talvez não para algumas poucas pessoas, mas para a maioria dos cristãos, sim! Isso porque o que aprendemos desde o frescor de nossa infância é que um dia vamos morar lá no céu – um lugar distante, demasiadamente etéreo, silencioso, de preferência branco em sua total constituição, sem muitas coisas a fazer, a não ser cantar e tocar instrumentos celestiais de sons docemente suaves.

Poderíamos dizer que esta interpretação do céu é na verdade demasiada espiritual, mas não penso assim. Não o é justamente por dessacralizar o mundo criado, não entendendo a Criação como parte integrante das tarefas implicantes da nossa vocação humana – vocação dada por Deus, por isso mesmo espiritual. Enfatiza-se a salvação da alma em detrimento da restauração integral de todas as coisas em Cristo. Por ventura a ressurreição de Cristo situou-se apenas no campo espiritual? Seu corpo – que comeu, bebeu, e tocou – não ressurgiu do túmulo? Não comeu, não bebeu e não tocou após este evento?

Pois bem, se crermos da primeira maneira (ressurreição apenas na dimensão espiritual), até podemos manter nossas atenções apenas às coisas imateriais, desvalorizado todo e qualquer trabalho aparentemente não relacionado com a alma. Contudo, se crermos da segunda forma (na ressurreição integral da pessoa de Jesus, conforme o anuncio do Evangelho), não há como deixar de lado um só aspecto do mundo criado. A crença na ressurreição do corpo nos leva a crer que nossos corpos, quando ressuscitados, habitarão um lugar material o bastante ao ponto de possibilitar que lá os indivíduos possam existir em sua humanidade plena. Afinal, alma sem corpo é fantasma…

Ok! Parece-me bastante normal e cômodo pensar no céu conforme descrito anteriormente (branquinho, silencioso e imaterial), mas esta imagem não reflete bem o que os profetas, Jesus e os apóstolos disseram acerca do céu. A descrição dos profetas, principalmente, é inteiramente voltada para algo tão concreto e material quanto as coisas mais maravilhosas, e que mais apreciamos, existentes hoje neste planeta. Em Apocalipse, conforme citado no texto do Paul Stevens, fala-se de um “novo céu e uma nova terra” (Ap 21.1) e também há a menção de que a Cidade Santa, a nova Jerusalém, desce do céu (seria ao nosso encontro?).

Ora, parece-me que as cosias celestes é que vem até nós – não nós até elas. Sempre achei o céu um lugar tão inatingível, distante, opaco pelas metáforas e ilustrações elaboradas acerca dele. Na Bíblia, contudo, o céu é apenas parte daquilo que herdaremos, parte de um todo maravilhosamente lindo. Um todo que inclui uma nova terra. E mais: um todo no qual poderemos descansar de nossos trabalhos de hoje e onde nossas obras não serão tidas como vãs, temporais, perdidas, mas nos seguirão, isto é, refletirão na eternidade (Ap 14.13).

Se é assim, o que estamos esperando? Rumo ao novo céu e nova terra, mãos à obra!!!

***
Postado por Humberto Ramos, no Visão Integral e no Púlpito Cristão

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6 COMENTÁRIOS

  1. Se o novo céu e a nova terra são a mesma que conheço, então acabo de entrar numa crise sem precedentes.

    Discordo em número, gênero e grau do texto em questão.

    O reino dos céus não tem e nunca terá nada a ver com a terra que conhecemos ainda que esta mesma terra passe por uma reforma. Se assim fosse, não seria nem eu e nem ninguém responsável por transformar esta terra em uma nova terra, pois o grau de corrupção contido neste planeta é infinitamente maior que a nossa medíocre capacidade em reverter à situação atual em que se encontra o nosso planeta.

  2. Jailson,

    No texto tratei do cosmos, do planeta terra, do jardim agora totalmente degradado pela ação pecadora do homem. Não tratei exatamente do "Reino dos Céus", que é um governo e sistema (o Governo Soberano de Deus e tudo o que procede dele), um conjunto de valores e uma vivência segundo a consciência do Evangelho.

    E entendo que, quando você fala sobre o grau de "corrupção deste planeta", creio que você esteja confundindo este sistema pecaminoso no qual jaz o maligno com o planeta terra, que por si só não é nem corrupto nem mesmo pecador — embora esteja corronpido não por vontade própria, mas pela do homem, que o sujeita em total desrespeito.

    Espero que compreenda.

  3. O assunto e', de verdade, muuuuuito polemico, se cremos que o que construimos aqui vai nos servir de alguma coisa no futuro, digo, na vida apos a ressurreicao, entao estamos com as Testemunhas de Jeova, tampouco deveriamos crer que o ceu e' um lugar de silencio e coisas brancas e sussurros… ha que se apegar a todas as informacoes passadas por Jesus e que os escritores do evangelhos registraram, ha que se considerar tambem informacoes do Apocalipse, bem como dos livros do Antigo Testamento e que juntas nos darao uma ideia, somente uma ideia, e creio que bem distante da realidade, do que seria a vida no "ceu". Jesus quando falava com um dos mestres, disse: "Se tu nao entendes quando falo das coisas terrenas, como entao vais entender quando te falar das coisas celestiais". Nao somos melhores nem mais inteligentes do que aquele mestre, portanto, quero crer, que qualquer que seja a conclusao que cheguemos, ela sempre estara aquem do que ele realmente tem preparado para os salvos.

  4. João,

    É bem por aí.

    Agora, uma ressalva apenas: alguns me dizem que o que penso se parece com o que dizem as Testemunhas de Jeová. Posso afirmar que deles nada li nem tenho muito interesse em ler.

    Mas não é porque pensamos diferente de um grupo de pessoas (aos quais ousamos chamar seita) que não podemos ter pensamentos em comum, nem que eles também não possam ter razão em algo.

    Abraço fraterno.

  5. Claro! Humberto, pensar nao e' proibido, quer dizer, em algumas igrejas ja' e'… risos… mas a gente pode compartilhar de ideias que as "testemunhas", adventistas, ou mormons, ou budistas teem. Por que nao? Afinal, todos querem o bem, nenhum deles quer o mal, e nao conheci nenhum deles que quizesse ir para o inferno… podemos ter diferencas, sim, mas ter comunhao em algumas ideias a respeito do ceu e do reino de Deus… sim!
    That is it my brother!
    Abraco.

  6. O Espírito que testifica é um só…Ele fez tudo, Ele faz tudo, está infinitamente além da religiosidade, Eu "Adriana gostaria muito de pensar que eu poderei continuar acordando as seis da manhã, correr tomar café, e escrever gostari amuito de cantar e cantar e cantar, mas creio que o homem poderá mensurar o que será este "Ceú" e nada verdade nem importa muito pois tudo que Deus faz é bom.Eu quero sim andar na contra mão "ter o céu em mim" Ser um E.T, nem ai pra economia do pais, nem ai pra nada quero terminar meus dias, caminhando, lendo a Palavra (sem ela não vai a lugar algum), escrevendo na inspiração e companhia do meu amigo Espírito Santo que é quem conhece meu deitar e meu levantar e continuar olhando pra cruz, pois foi lá que Ele morreu não só por mim, mas por todos. E Ele virá a isso é tão certo quanto o dia.

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