A ironia do legalismo

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Por Daniel Grubba

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Nós devemos tirar o chapéu para os legalistas. São eles os responsáveis por reduzir o Evangelho a um rígido e massacrante código de leis. E isto é um feito e tanto. É como colocar as Cataratas do Iguaçu dentro de uma xícara de café, ou sendo mais fíel a uma expressão bíblica, é por vinho novo em odre velho.

O evangelho, ou o pseudo-evangelho, que seus ardilosos pregadores anunciam, é um verdadeiro híbrido, uma mistura bem interessante. Bom, quais são os ingredientes? Uma grande dose de lei mosaica, um punhado de ética-moral estadunidense, raízes fortes do coronelismo nordestino, e não pode falar uma boa dosagem de regras eclesiásticas inventadas por homens. Ah… quase esqueci… uma “pitadinha de nada” da graça para parecer que é Evangelho.

Quem toma esta poção envenenada, quem que abraça esta mensagem adulterada, se torna discípulo de Moisés em nome de Jesus. É triste, mas esta é a realidade de muitas comunidades autoritárias.

No entanto, este legalismo mortal que embriaga mediante a culpa e o medo, tem seu lado irônico. Foi o teólogo Erasmo de Roterdã (1466-1536) que sacou a ironia deste movimento inimigo da cruz e da graça redentora. Ele diz que os legalistas, estes que se orgulham de sua santidade própria e obediência cega aos códigos da lei, desejam ser mais santos que Jesus. Ora, veja só, como pode isso? É ou não uma ironia? Bom, vou deixar Erasmo explicar melhor:

A maioria desses homens têm tanta confiança em suas cerimônias e pequenas tradições humanas que estão convencidos de que um paraíso é pouco para recompensá-los de uma vida passada na observância dessas coisas. Eles não pensam que Jesus Cristo, desprezando tais práticas vã, lhes perguntará se observam o grande preceito da caridade, sobre o qual está fundada a lei que deu aos homens. Um mostrará a barriga cheia de toda espécie de peixes; outro, a lista dos salmos recitados a tantas centenas por dia; um terceiro fará uma longa enumeração dos jejuns e contará quantas vezes sua barriga esteve a ponto de rebentar por ter feito só uma refeição na jornada; outros dirão que ficaram roucos de tanto cantar. Mas Jesus Cristo, interrompendo enfim essa série inesgotável de presunções, dirá: “Que nova espécie de judeus é essa? Dei somente uma lei aos homens, é a única que reconheço, e a única pela qual essa gente não me fala. Não foi a hábitos, orações, abstinências, dietas contínuas que prometi outra o reino do meu Pai, mas ao exercício de todos os deveres da caridade … Não reconheço essa gente que se gaba de suas boas obras e quer parecer mais santa que eu. Que vão procurar um paraíso diferente do meu… Quando ouvirem esta sentença e virem que são preteridos por marujos e carroceiros, com que cara imaginais que se olharão uns aos outros?”

***
Postado por Daniel Grubba, editor do Soli Deo Glória e articulista do Púlpito Cristão

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15 COMENTÁRIOS

  1. Se não é legalismo (tudo é proibido), é libertinagem (tudo é permitido): quem rejeita a orientação das Escrituras não tem equilíbrio nem bom senso.

    Vale ressaltar que, se parte da Assembleia de Deus afrouxou seu legalismo, não foi por causa de um maior esclarecimento bíblico e um reconhecimento do erro e sim por causa da concorrência da IURD.

    Daniel Grubba, apreciei muito seu posto. A única ressalva é que esses indivíduos são seguidores dos Fariseus e não de Moisés.

    Que bom seria se eles seguissem mesmo o exemplo e ensino de Moisés! Lembre-se de que Moisés era humilde, não-materialista, escreveu os dois maiores mandamentos e predisse que um dia surgiria um profeta semelhante a ele e que todos deveriam obedecer a este. Ou seja, quem realmente quiser seguir a Moisés tem que se tornar um cristão autêntico.

  2. E porque muitas igrejas proíbem o uso de brincos?

    1 SEMELHANTEMENTE, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra;
    2 Considerando a vossa vida casta, em temor.
    3 O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos vestidos;

    Um Brinco seria uma Jóia?
    Creio que sim.
    E os Homens Podem usar brincos?
    A bíblia nos fala que os brincos são sinais de escravidão, e para os que acham que essa passagem sobre escravidão é do Antigo Testamento e não pode ser usada como doutrina nos dias de Hoje, podemos resumir tudo em:

    Quem ama os valores do mundo é inimigo de Deus e descrente.1 Jo. 2:15.

    Quando imitamos a maneira de agir do Mundo vamos contra a palavra de Deus, por isso devemos ser totalmente diferentes do Mundo, não só na maneira de se vestir, mais na maneira de falar, na maneira de agir, ou seja ser diferente em um todo.

    O crente não pertence a si próprio, mas a Deus .1Cor 6:19.

    Será que Deus pede para colocarmos brincos, piercings, Tatto?
    Jesus não pede para sermos imitadores Dele, Jesus Usava Brincos, Piercings Tatto?

    O mundo e a sua cultura está sob a influência direta do Diabo 1 Jo. 5:19.

    O crente deve influenciar o mundo (pessoas) e não ser abalado nele.1 Jo.4:4

    Os padrões imorais e depravados devem ser rejeitados pelos crentes Rom 1:18-32.

    Vamos ser imitadores de Cristo Não Imitadores Do Mundo.

  3. Mais não é esse tema que quero abordar com meus comentários, mais Sim mostrar que as doutrinas orientam e ajudam os Cristãos a manterem a comunhão com Deus.

    Com certeza existem exageros, que são pregados em muitas igrejas, mais não podemos generalizar.
    A doutrina bíblica santifica o crente, mediante a Palavra de Deus.
    O ensino da Palavra de Deus, ou seja, das doutrinas bíblicas, é um dos meios que Deus usa para levar o crente a uma vida reta.

    "ORA, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus." (II Coríntios 7 : 1)

    Santificação é o processo de aperfeiçoamento gradual do ser humano em que ele se aproxima do caráter Divino e afasta-se do pecado, santificar é nós separarmos para Deus, ao invés de imitarmos o Mundo

    As mulheres devem vestir-se com sabedoria visando apenas a edificação do próximo, jamais, despertar a sensualidade ou desejos lascivos. Vestes transparentes, decotes profundos, saias e blusas curtas, calças apertadas (justas) e toda a espécie de roupas que mostram ou marcam o corpo despertando a sensualidade devem ser rejeitadas.
    Da mesma forma os Homens, seria edificante um Irmão andar vestido de regata, mostrando o corpo, (pois a regata mostra corpo), de bermuda, isso também não despertaria a sensualidade?
    Muitas vezes os “Legalistas”, pegam só o exemplo das mulheres mais esquecem dos homens.
    Devemos nos portar com santidade não só na presença de Deus (na igreja). Mais também fora dela, pois Deus está em todos os lugares.

  4. A Paz Do Senhor Irmão!

    Mais uma vez uma matéria que generaliza, pelo menos afirma que o Legalismo esvazia igreja, não só o Legalismo, mais muitas doutrinas que é imposta por certas denominações Evangélicas.
    Existe muita passagem na bíblia que mostram que Jesus Cristo tem o poder de salvar, independente da nossa vontade.
    Mais também algumas passagem que mostra que é preciso aceitar Jesus, Ou seja reconhecer que Ele é Mesmo filho de Deus para sermos salvos, abrir a porta do nosso coração, nos santificarmos, e ainda que não devemos entristecer o Espírito Santo que habita em nós vidas para o dia da redenção.
    Isso mostra que além de Jesus nos auxiliar na salvação, devemos nós esforçar e buscar à viver uma vida diferente, uma vida para Ele.
    Então não podemos ficar de braços cruzados esperando Jesus nós salvar, mais quando alcançados por Jesus (quando ouvimos a palavra) buscarmos Nele a Salvação, diferente de esperarmos Ele nos mudar.
    Com certeza creio em casos que Jesus muda a vida do individuo completamente sem o mesmo se esforçar, acontece como um milagre mesmo.
    Mais em outros casos que Jesus se apresenta e mudança ocorre aos poucos, e essa mesma pessoa se Não buscar fazer a vontade de Deus pode voltar ao primeiro estado, perdendo a comunhão com Deus e colocando em risco sua salvação.
    Mas em outros casos Jesus se apresenta ao individuo e o mesmo não quer ser salvo, buscando sempre o Erro, e nunca se arrepende, e no erro que Ele comete acaba morrendo (fisicamente), sem a salvação.
    Vemos então que podemos influenciar sim a Nossa Salvação.

  5. Tão ruim quanto, ao meu ver, é o efeito do "fermento dos fariseus" sobre aqueles que não são, pelo menos assumidamente, legalistas (se bem que quase ninguém assume).

    É que estes pregam a Graça, não creem em salvação pelas obras e etc, mas estão cheios das sutilezas do legalismos. É aquele crente que diz amar todo mundo, como Jesus ensinou, mas na hora que vê um gay, ou um divorciado, já fica com "nojo", e emite (se tiver coragem) ou apenas pensa palavras de repúdio.

    Ou então aquele que diz que é livre para fazer o quê quiser, mas sente uma "sensação esquisita" se passa perto de um cinema ou de um bar, e diz ser o Espirito Santo "tocando" ele.

    Ou seja, lá no fundo é legalista e crê mesmo que suas limpezas externas vão lhe salvar (o exterior do copo dos fariseus), e ora dando "graças à Deus por não ser como os pecadores".

    Difícil é mandar esse carinha legalista dentro de nós para fora.

  6. "…e não pode falar uma boa dosagem de regras eclesiásticas inventadas por homens". (Noto uma falha de digitação aqui).
    "Não pode FALTAR"… não é isso?
    Pois meu comentário é justamente em cima dessa dosagem que, diga-se de passagem, não é qualquer dosagenzinha, não!
    É overdose!
    E o estranho (ou seria conveniência legalista mesmo?!) é que eu conheço igrejas que cobram dos seus (in) fiéis uma RIGIDEZ enorme baseada em carta contendo medidas disciplinares específicas(como por exemplo de Paulo ao povo de Corinto) na mesma proporção que não conseguem alcançar instruções práticas para uma vida em liberdade cristã COERENTE, sincera e verdadeira, como as orientações contidas na carta do mesmo Paulo aos "gálatas INSENSATOS".
    Tô com o Erasmo (não o Carlos rss) pois certamente Jesus perguntaria mesmo, incrédulo:
    – Que nova espécie de judeus é essa?!
    Vai saber…

  7. "Soli Deo Gloria" resolveria todo o problema…

    Deuteronômio 6:5 Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder.

    O mandamento é antigo, resolveria muitos problemas dentro do meio evangélico e, é claro, desse mandamento, ou melhor, do próprio Deus, vem o segundo mandamento que instrui-nos a amar o próximo como a nós mesmos;

    Não há como amar a Deus sobre todas as coisas apenas por amar, como se fosse uma regra a ser seguida, não, é mais do que isso, inclui perseverança e vigilância em tudo, com diligência; ou se ama a Deus sobre todas as coisas ou não se ama e, a glória… não é tua, é de Deus!

    Diante do homem só pode haver um aparente reconhecimento, o que é vaidade, mas diante de Deus, podemos realmente conhecer o Verdadeiro Amigo!

  8. AO meu Ver a Assembleia De Deus (Algumas Assembleias de Deus) "afrouxou seu legalismo", pois perdeu a confiança em Deus, Pois quando confiamos em Deus de verdade temos certeza que a igreja nunca irá se esvaziar.

    E Como disse anteriormente

    O ensino da Palavra de Deus, ou seja, das doutrinas bíblicas, é um dos meios que Deus usa para levar o crente a uma vida reta.

    Ou Vocês preferem igreja por ai que pregam a seguinte doutrina:

    "Venha Como Está, e Fique como Quiser"

  9. Tenho relatado esses legalismos recheados de farisaismos golpels em varios artigos em meus blogs. Ja li Erasmo de Roterdã ha mais de vinte anos e tinha percebido uma linguagem cristã bem viva e pratica, e nem sabia ser ele teologo. O interessante é que de uma forma ou outra todos nos em algum tempo praticamos esses legalismos, pois achavamos que era a verdade, pois sempre havia um "espertinho" torcendo as escrituras para adaptar ao engano coletivo. Exemplo classico disso é Isaias 58, Zacarias 7 e Mateus 9:11-14, tem sempre uma interpretação sendo usada na tentativa de encaixar o que Deus literalmente condena diretamente nestes textos.

    Em meu blog em detalhes:http://gilson-contraheresias.blogspot.com/2009/08/por-que-obedecer-e-melhor-do-que.html

  10. Well, tudo o que sai do contexto Biblico, um dia cai na desgraca do "conformismo com o mundo", e as nossas igrejas (graaande maioria) entraram por esse caminho, fizeram de tudo para atrair o pecador pra dentro da igreja colocando toda especie de atrativos seculares na musica, nos costumes, na linguagem, nos padroes liturgicos, nas praticas de lideranca, e por ai vai, seja por causa da concorrencia com outras igrejas ou por querer mais afiliados (e com isso, consequentemente, mais dinheiro no caixa). O fato e' que depois de atrairem o pecador com artificios copiados do "mundo" la' de fora, se viram impotentes para destruir os atrativos, sob pena de perder os novos fieis, ou por outro lado, gostaram tanto do atrativo e da sua eficiencia que decidiram mante-lo e criarem outros, como os anjos esvoacantes, oleos de todo tipo e cheiro, e outras tantas coisas mais.
    O resultado?
    Esta ai! Precisamos urgente de uma reforma, regeneracao, reconstrucao, seja o que for, mas, precisamos urgente!

  11. Caro Higor!
    Não entendi bem o seu posicionamento. Você é contra ou a favor do Legalismo? Estou sem entender a sua posição! Outra coisa, não confunda "usos e costumes, com a sã doutrina". A sã doutrina é o fundamento dos apostolos e não invencionices humanas.

  12. Oi Emerson,

    Você tem razão. Nosso desafio é buscar um espiritualidade equilibrada. Se por um lado temos os legalistas, que procuram conquistar a salvação mediantes seus meritos próprios, por outro temos os liberais, que se entregam ao mundanismo sem nenhuma culpa.

    Quanto a Assembléia de Deus, eu não posso opinar. Acho que o editor deste blog é o mais indicado, pois é membro desta denominação. Ressalto que em nenhum momento eu me referi a alguma denominação. Minha intenção é refletir acerca de padrões que adoecem por completo nossa percepção da imerecida graça de Deus.

    Sobre Moíses e a lei, quis me referir a mesma crítica que Paulo faz quanto ao uso incorreto da Lei. Isto é, a obediência a lei de Moíses não justifica e nem salva. Por isso, seguir Moíses como meio de salvação é uma barca furada. Só Jesus salva. Ele é infinitamente maior.

  13. Olá Higor,
    Obrigado pela participação valiosa.

    Como você deve ter percebido, o post não se trata da importãncia da doutrina bíblica para aperfeiçoamente e santificação do cristão.Realmente, isto é inquestionável. O post quer mostrar um outro lado da doutrina, o lado humano e legalista. Não há espaço para abordar todos os pontos, por isso optei por falar apenas da distorção e da ironia do legalismo.

    A crítica chama atenção aos que obedecem DOUTRINAS HUMANAS, e com o tempo vão se achando mais santos que os demais, e tornam-se arrogantes espirituais.

    Por isso ressalto que não coloquei em questão doutrinas bíblicas, mas doutrinas inventadas por homens.

    Os dogmas, usos e costumes que você citou, não foram abordados no post. Mas ressalto que a tradição pode ser boa, mas também pode matar. E quando pode matar?

    -Quando suplanta as Escrituras
    -Quando fomenta a falsa religião
    -Quando distorce a verdade teológica
    -Quando contribui para a cegueira espiritual
    -Quando sufoca o ministério eficaz
    -Quando se torna inconsistente com a Palavra.
    -Quando obtem um resultado oposto: prisão.
    -E principalmente, quando esquecemos as prioridades de Deus.

    "Misericórida quero, e não sacrifícios". (Mt 12.7).

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