Evangélicos: Consumidores ou chorões?

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Por pastor Digão

Gosto de dar minhas filosofadas. Aliás, para mim, filosofia é algo que afeta a vida prática das pessoas, e não é, como alguns queiram deixar entender, a discussão de sexo dos anjos. A maneira como pensamos afeta completamente a maneira como agimos.

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Quer um exemplo? Vivemos em um mundo pós-moderno. Neste nosso mundo, há uma verdadeira salada de vertentes de pensamento. Todas são válidas sob o guarda-chuva da pós-modernidade, uma vez que, segundo o relativismo (filhote mais famosinho da pós-modernidade), não há uma verdade única, não há um parâmetro absoluto e estabelecido que possa nos nortear em nossa caminhada de vida. Tudo vale. Diferente da música do Tim Maia, hoje vale até mesmo dançar homem com homem e mulher com mulher. Assim, uma pessoa pode ser advogada do naturalismo e do racionalismo ao mesmo tempo em que possui cristais energéticos e miniaturas de duendes para “atrair energias positivas”. Pode ser uma pessoa que afirma não acreditar em nada daquilo que não possa ser capturado pelos nossos cinco sentidos, mas ser fã de feng-shui e i-ching. Ou, ainda, ser membro de igreja evangélica com uma mentalidade mercantil.

Os evangélicos de hoje em dia (com escassas exceções honrosas) não se portam mais como servos de Deus e irmãos uns dos outros. Portam-se, antes, como clientes vorazes, consumidores eternamente insatisfeitos. Obviamente não reconhecem ser assim, ao menos não no nível consciente e objetivo. Querem estar na “igreja da moda”. Querem se animar com o ânimo alheio – aliás, essa história de “animação” vale escrever um livro! Querem cantar “o que todo mundo canta”, ou seja música “bonitinha” (apesar de ter arranjo paupérrimo, rima indigente e teologia miserável), que dê um “tchan”. Querem uma pregação que não o incomode com essas histórias dos nossos avós, com assuntos ultrapassados como cruz, pecado, renúncia, serviço, amor ao próximo; antes, querem saber como Deus pode intervir em suas vidas somente o estritamente necessário para terem uma vida feliz, próspera, rica e robusta. Querem um culto “pra cima”, de duração não muito longa, para não perderem os gols da rodada do Fantástico ou mesmo uma pizza no fim de noite. Enfim, para esses vale o ditado “o cliente sempre tem razão”. Será?

Os evangélicos de hoje em dia não querem compromisso com Deus. Não querem ser realmente orientados no caminho do Senhor. Acham que são auto-suficientes, como só as crianças e os incapazes pensam. E, como crianças e incapazes, sendo contrariados, batem o pé e fazem beicinho, armando escândalo.

Confesso meu cansaço. Confesso que dá muita tristeza ver a igreja evangélica brasileira no atual estado em que se encontra. Confesso, porém, que há o compromisso de Deus com aqueles que são Seus. A verdadeira igreja, que perpassa a estrutura eclesiástica e vai além dela, ainda é vitoriosa, apesar da imaturidade reinante. Jesus não estava de brincadeira quando disse que as portas do inferno seriam inúteis e impotentes frente à igreja, apesar de Ele não dizer o mesmo quanto à estrutura eclesiástica atual, que carece de nova Reforma, desta vez no campo relacional, como bem disse Francis Schaeffer. Que essa mentalidade mercantil-infantil, que está arruinando a vida de muita gente, possa encontrar seu fim logo, logo, com a volta ao compromisso através de um avivamento real. Enfim, que Deus tenha (ainda mais) misericórdia de nós!

***
Fonte: blog do Rev. Digão

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3 COMENTÁRIOS

  1. É verdade…
    E sério!
    E não dá pra dissociar o consumidor do chorão, pois esse perfil é mesmo do consumidor chorão que bate o pézinho caprichoso diante de tudo que está nas prateleiras da vida e que FASCINA seus olhinhos infantis. Tipo: "eu quero" ou então "isso eu não quero" ou ainda "assim eu não quero"!
    E não é necessário um estudo profundo para se entender com tristeza que esse consumismo compulsivo (perdão pela redundância, mas cabe) está diretamente ligado ao vazio que existe em um coração que só Deus preenche.
    Eu acho que todo esse questionamento do texto nos leva a refletir sobre a cura da nossa alma viciada, doente.
    E queremos mesmo ser curados?
    Fica a reflexão!

  2. Digao, tudo oque voce diz e' a mais absoluta verdade, a igreja hoje se reduz a, praticamente, um bando de pedintes que nem sabem o que vao fazer com o que estao pedindo ,fico feliz de saber que tem muita gente percebendo isso, e continuo procurando… Onde estao os Reformadores do seculo 21?
    Reforma ja'… antes que Jesus volte e ja nao ache mais fe' por aqui.

  3. Certa vez ouví um cantor dizer que preferia cantar pra pobres ,pois pobre canta com mais graça,com o coração…As vezes penso que é desse mal que a igreja evangélica brasileira sofre. Não é implicância mas acho que certos problemas começaram a surgir na igreja brasileira apartir da conquista ,em massa,da classe média/média alta. Lembrem daquelas pequenas igrejas de antigamente,gente modesta,sem grandes motivos humanos pra se vangloriar,sem riquezas e sem muitos estudos .Rebanhos ordeiros,facilmente manobráveis (no melhor sentido) e com muita fé no coração. Agora pensem nestas igrejas moderninhas e metropólitanas,grandes templos, cheios de gente de anelão de doutor no dedo,phd ,status social (nunca renegado após a conversão…Pra quê?). Gente carregada de ideologismos mil . Ideologismo cientifico,politico,sociológico,etc. Artistas e esportistas viram celebridade na igreja quando tinham que esquecer quem foram pra partir do zero sendo um novo homem , tudo isso influenciando a igreja de alguma forma.Pois é,acho que tudo isso é que conduz essa igreja moderna do brasil. Seus pastores se converteram a propósitos humanos e se influênciaram pelo desejo e gosto do público…Nas entrelinhas é com se admitissem que seu Deus não é pleno em poder e precisa de uma mãozinha do pensamento humano pós-moderno,das técnicas de marketing e outras tecnologias .

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