Violência, um atalho para consumir

2
520
Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

Por Márcio de Souza
Ouvindo o bispo Robinson Cavalcanti, percebi que violência não é simplesmente agressão sem fundamento ou reflexos de uma cidade sem leis. Antes disso, é pautada na ânsia de obter poder aquisitivo para consumir o que a mídia e a sociedade de consumo propõem. Não vemos isso claramente porque estamos sufocados com a tarefa de condenar aquele que rouba ou de matar aqueles que traficam.

Assine o Blesss

Essa escala, por mais simplória que seja, rege os pensamentos de ricos e pobres que se deparam com a impossibilidade de adquirir artigos que vão desde um tênis da moda até o mais novo lançamento imobiliário. Essa variação é construída pela falta de oportunidade, pela necessidade de comer ou então pelo simples fato de estar adquirindo o carro que ninguém tem ou morar em um triplex porque a cobertura em Ipanema não tem mais graça. Para os pobres uma questão de sobrevivência, para os ricos uma resposta que satisfaça o status quo.

Responda-me, por favor, qual a chance de um desses meninos que estão nas favelas sendo adotados por traficantes e servindo de mulas para o transporte de drogas? Qual é a chance que um jovem de periferia tem de viver uma vida razoável quando o simples fato de sair e chegar em casa ileso já é um milagre?

Porque os pobres roubam? Eles roubam porque não tem emprego, porque as portas da sociedade estão fechadas pra ele. Ele rouba porque não tem endereço e ninguém se importa, ele rouba porque as madrugadas tem sido frias e eles precisam sobreviver a isso também.

Porque os ricos roubam? Para calar a boca daquele camarada que é tão rico quanto ele e que comprou no jantar de ontem uma belíssima garrafa de champagne Moët & Chandon para mostrar aos demais que subiu na vida.

Erramos porque colocamos a culpa de todas as coisas ruins da sociedade nas favelas, mas os favelados são peixinhos pequenos, e enquanto eles matam e morrem para divulgar a mais nova droga do mercado, os tubarões estão em suas mansões gastando seu dinheiro sujo com orgias e comemorando o sucesso dos guris que mal completaram o jardim mas agora estão ajudando na árdua tarefa de manter a ordem no morro.

Ou a igreja entra na luta como comunidade de fé, expandindo a missão integral ou ela está fadada a mofar no triste universo em que vive.

***
Postado por Márcio de Souza, no Púlpito Cristão

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

2 COMENTÁRIOS

  1. É duro admitir a triste realidade que se afirma através deste texto.

    Eu odeio admitir, mas às vezes quem não tem o que comer rouba; e quem não tem coragem para roubar, morre de fome.

    E a igreja fica nem percebe, pois está absorta em seus deleites de levitar enquanto canta e dança.

  2. A questão tem diversos lados e variáveis.

    Se houvesse menos pobreza, a criminalidade diminuiria, mas não acabaria. Muitos praticam crimes motivados pelos desejos (bens, diversão, status) e não pelas necessidades.

    Por outro lado, a maioria dos pobres não rouba e não roubaria. Possuem valores elevados e agem de acordo com eles, apesar da pressão sócio-econômica e cultural.

    Não somos robôs controlados pelo ambiente. Somos seres responsáveis.

SUA RESPOSTA

Por favor, faça seu comentário
Por favor, coloque seu nome aqui