Pastores de almas, uma espécie em extinção?

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Por Renato Vargens

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Há pouco tempo ouvi uma história a qual compartilho com vocês. Uma irmã (a qual, por questões obvias, não vou revelar o nome e igreja), passou pela seguinte experiência:

Em um final de culto, movida por um grave problema pessoal, ela procurou o seu pastor, no desejo de abrir o coração, pedindo-lhe que a ajudasse em aconselhamento pastoral. O pastor, sem poder ouvi-la naquele momento, até porque muita gente desejava lhe falar e, principalmente, cumprimentá-lo em virtude do “maravilhoso sermão “que havia pregado, solicitou à irmã que procurasse a secretaria da igreja e agendasse um encontro.

No dia seguinte a irmã procurou a secretaria, tentando agendar o encontro pastoral; no entanto, para sua surpresa, a secretária informou que o tal pastor não teria agenda livre para os próximos cinco meses, o que impossibilitaria o seu atendimento. A moça se desesperou, implorou, pediu pelo amor de Deus, mais nada pôde ser feito. A secretária explicou que o pastor tinha já agendado muitos encontros, jantares, viagens e conferências, as quais tinham que ser priorizadas, e que o máximo que ela poderia fazer seria encaixá-la num atendimento, quatro meses depois.

A moça saiu da igreja, naquela manhã de segunda-feira, pior do que entrara; na verdade, agora ela se sentia deprimida, desvalorizada e sem perspectiva alguma de ser ajudada em seu problema. O pastor, o qual ela pensava que poderia ajudá-la, infelizmente não poderia fazê-lo.

Seis meses se passaram e a moça desiludida, bem como desesperançosa, não fora mais à igreja. Para sua tristeza, ninguém, absolutamente ninguém, a procurara, querendo saber o motivo de sua ausência. Até que um dia, o pastor da igreja da qual fazia parte, encontrou-a na instituição bancária onde ela trabalhava. Ao vê-la, o pastor não esboçou nenhum comentário quanto à sua ausência; na verdade, a única coisa que falou, é que estava correndo em virtude da grande e complexa agenda.

Não sei o que você pensa e sente ao ler essa pequena história. Entretanto, quando soube do fato, fui tomado por uma grande perplexidade que me fez questionar sobre o papel pastoral nos dias de hoje. Aonde estão os pastores do povo de Deus? Aonde estão aqueles que por amor ao Rei, largam as 99 ovelhas e vão em busca de uma que se perdeu e sofre? Sem sombra de dúvidas, vivemos uma enorme crise de pessoalidade e afetividade na relação pastor-ovelha, isso porque, alguns dos ditos pastores se tornaram mega-stars da fé, imponentes pregadores, “Apóstolos desbravadores”, além de “poderosos profetas”. Junta-se a isso, o fato de que as mensagens pregadas nos púlpitos têm tido por fundamento o marketismo religioso, cujo conteúdo é humanista e secularizado. Infelizmente, sou obrigado a concordar que tais pastores têm se preocupado mais com a porta de entrada, do que com a porta de saída dos seus apriscos; mais com números do que com gente. Na verdade, ouso afirmar de que vivemos numa era onde as pessoas foram definitivamente coisificadas, onde seres humanos, criados a imagem e semelhança de Deus transformaram-se em gráficos e estatísticas.

Diante desta nebulosa perspectiva, sou tomado pela imprenssão de que essa geração necessita urgentemente de pastores de almas, de gente abnegada, que se preocupe com a dor do próximo e tenha prazer em cuidar da ovelha ferida. Para tanto, torna-se indispensável remodelar e reformar os conceitos pastorais desta geração, impregnando nos novos ministros, amor, compromisso e fidelidade para com Deus e seu Reino. Além disso, julgo também que seja imprescindível de que os pastores desse tempo, sejam plenamente comprometidos com a Santa Palavra de Deus, preocupando-se com o que ela diz, tomando-a como regra, bem como modelo de fé e comportamento para o seu ministério pessoal.

Vale a pena lembrarmos daquilo que o reformador francês João Calvino costumava dizer quanto a Palavra de Deus. (1) “A Escritura é a fonte de toda a sabedoria, e os pastores devem extrair dela tudo aquilo que expõem diante do rebanho” (2) Calvino afirmava que através da exposição da Palavra de Deus, as pessoas são conduzidas a liberdade e a segurança da fé salvadora, dizia também que a verdadeira pregação, tem por objetivo abrir a porta do reino ao ouvinte, isto é, em outras palavras o que ele está a nos dizer, é que as Escrituras Sagradas, devem ser o principal instrumento na condução, consolidação e pastoreamento do povo de Deus.

No exercício de seu pastorado, Calvino dizia que a pregação pública deveria ser acompanhada por visitas pastorais. (3) Junta-se a isso o fato, de que ele sempre procurou encorajar pessoas sobrecarregadas, as quais não conseguiam encontrar consolo mediante sua própria aproximação de Deus, a procurarem seu pastor para aconselhamento particular e pessoal.

Conforme registro de um dos seus colegas pastores em Genebra, “(…) os que lhe procuravam eram recebidos com simpatia, gentileza e sensibilidade. Ele os atendia e prontamente lhes respondia as perguntas, mesmo as mais sérias delas. Sua sabedoria era demonstrada nas entrevistas particulares tanto quanto nas conversas públicas onde ele confortava os entristecidos e encorajava os abatidos…”. [4].

Calvino também acreditava que o ensino, além de ser público nos cultos, deveria ser acompanhado por orientação pessoal e aplicado às circunstâncias específicas da vida de suas ovelhas. Atendia noivos que estavam se preparando para o casamento, pais que traziam seus problemas relacionados aos seus filhos, pessoas com dúvidas ou dificuldades doutrinárias, lutas com enfermidades, ouvia confissões de pecados, e a todos ele os recebia e levava o conforto e o encorajamento necessários. [5]

Amados irmãos, ainda que os nossos dias, sejam diferentes dos dias dos reformadores, carregamos em nosso tempo as mesmas demandas pastorais. Nossas igrejas estão cheias de individuos em crise, de familias desestruturadas, além de pessoas que foram violentamente marcadas por satanás e o pecado. Ouso afirmar que neste tempo pós moderno, onde o relativismo tem mostrado as suas garras, necessitamos urgentemente de pastores preparados e capacitados, que amem a Deus acima de todas as coisas, e que se disponham a pastorear abnegadamente o rebanho de Cristo.

Que Deus tenha misericórdia de seu povo e levante pastores segundo o seu coração.

Soli Deo Gloria!

***
Postado por Renato Vargens, no Púlpito Cristão

Notas: (1) João Calvino, As Pastorais, Comentário em I Tm 4:13, p. 123 (2) http://www.monergismo.com/textos/jcalvino/calvino_pastor_gildasio.htm – Gildásio Reis3) Calvin , John. Calvin´s Commentaries – The Epistles Of Paul – The Apostle To The Romans And To The Thessalonians. Grand R apids , Michigan : Eerdmans Publishins Company. p. 345. (3) Ao comentar I Tessalonissenses 2:11, Calvino insiste em que o pastor precisa ser um “pai” para cada pessoa. (4) Palavras de Nicolas des Gallars registradas por Richardr Staufer em The Humanness of John Calvin (New York: Abingdon Press, 1971) e citadas por Baumann. (5) Calvino , João. As Institutas da Religião Cristã. Vol. IV, 3: 6 – São Paulo, SP: Casa Editora Presbiteriana. 1989.
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11 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente está em extinção o humano com alma!
    O problema não é só os pastores,isso é reflexo do endurecimento dos corações humanos todos só enxergam o próprio umbigo e esquecem que sozinhos não são nada!
    Por mais que queiram separar-se da humanidade não conseguem,nenhuma religião torna as pessoas melhores que as outras estamos no mesmo barco,na mesma arca de Noé!
    Precisamos de mudanças urgente!

  2. Essa postagem é excelente.Pastores de almas realmente estão em extinção.Ouvindo um certo pastor pregar,em sua mensagem ele dizia que pastor de verdade ele tem cheiro de ovelha,Pois pastor de verdade,ele se preocupa com suas ovelhas.Se preocupa com sua vida espiritual,com sua condição física(saúde) e também com sua condição financeira,ainda mais quando ele(ovelha)tem família.Mais infelizmente esses pseudo pastores,só se preocupam com a condição financeira de suas ovelhas.
    Que Deus tenha misericórdia e nos livre destes pastores com pele de lobos devoradores.
    Um abraço e que Deus abençoe sua vida e contune te inspirando com sue ESPÍRITO SANTO

  3. Em 1999, percebi este evangelho da quantidade em detrimento da qualidade e vi se descortinar diante de mim um futuro de trevas para a igreja.

    E por mais que tenha visitado outras igrejas, a prioridade de cada uma delas era a mesma: a quantidade, para a quantidade aumenta a arrecadação do dízimo, aumentando o dinheiro da bolsa.

  4. Excelente artigo. Parabéns pelo tema.

    É de se imaginar os muitos que irão ou estão lendo agora esta publicação digam, como os seguidores de Jesus; "duro este discurso; quem o pode suportar?"

    Que Deus continue abençoando este ministério cada vez mais!

  5. Prezado Renato Vargens

    Infelizmente ainda reina o coronelismo no meio pastoral pentecostal. Os crentes ou fiéis vivem para satisfazer o seu pastor, e não o contrário.

    Segundo Paulo Romeiro, esse fato talvez seja um reflexo do pentecostalismo ter nascido nas regiões Norte e Nordeste.

    Segundo Karl Kepler, presidente do Conselho Brasileiro de Psicólogos Cristãos, muitos líderes de igrejas se esmeram em imprimir neuroses nos cristãos, ao reforçar o caráter falso de um Deus legalista que se relaciona com servos como se precisasse adestrá-los. O modelo que prevalece é o do escravo se relacionando com o seu senhor, e não o de um pai lidando amorosamente com seu filho.

    Quando se trata de lidar com os problemas das ovelhas, eles demonstram em suas atitudes, que ainda estão na idade da pedra. O que interessa para eles é o “Deus empresarial” que suga e ilude as massas com profecias e milagres de mentira.

    Transformaram a igreja em um circo e o pão que desceu do céu em pipoca.

    ISSO É UMA VERGOOOONHA!!!

  6. A ênfase de hoje são as estratégias de crescimento da igreja.Igrejas de dez mil membros são o supra-sumo do evangelicalismo atual,e um pastor de destaque nesta igreja ainda que queira não conseguiria atender todos os membros desta igreja,claro que uma igreja deste porte possui mais pastores,então cada caso é um caso.Uma vez marquei aconselhamento e quando cheguei no dia e hora o pastor não veio,confesso que foi muito desagradável,frustante,ele poderia mandar avisar e me poupar o desprazer de perder a viagem.Também poderia ter se desculpado pessoalmente depois,o que também não fez.O que vi de mais correto foi em uma 1ªPresbiteriana que publicava no boletim semanal a relação de presbíteros e pastores e horários de aconselhamento bem como a escala de plantão com telefone residencial e celular que estariam à disposição dos membros 24hs.Cada dia da semana tinha um presbítero de plantão, assim quanquer incidente o membro pelo boletim saberia para quem ligar.Coisa simples,né?

  7. EU TIVE O PRAZER DE SER BEM PASTOREADO , NO INÍCIO DA MINHA FÉ.
    MEU PASTOR CHORAVA , QUANDO UMA OVELHA PECAVA , SE DESVIAVA, ELE CHAMAVA PARA CONVERSAR , NOS TRATANDO COMO AMIGOS.
    TEMPOS BONS, ISSO FOI NOS MEADOS DOS ANOS 90, HOJE ELE ESTÁ ENFERMO, JÁ NÃO PODE MAIS PASTOREAR.

    JAMAIS ESQUECEREI DO MEU PRIMEIRO PASTOR, SEU NOME, PR. IDAI JUSTINO DA SILVA, ASSEMBLÉIA DE DEUS, VILA NHOCUNÉ, SÃO PAULO, CAPITAL.
    UM HOMEM DE DEUS, DE VERDADE, QUE SAUDADES…TEMPOS BONS.

  8. Conheço a história de uma menina que até pensei ser a mesma; o diferencial é que a menina se perdeu no lesbianismo, na droga, na bebeida perdeu quase tudo, sobrou seus filhos(aleluia!!) ela tinha o carater de Cristo implantou em seus filhos o mesmo, foi a sua colheita.Porém seus filhos mesmo feridos demonstraram amor aquela mãe,hoje liberta do lesbianismo da pedra, da cocaína do alcool e de suas noites de dor apaixonada pela Palavra do Senhor e completamente louca pela presença do Espírito tem alegria em levar aos feridos palavras de conforto alegria e libertação (nem pastora é) tamanha gratidão ao Senhor por ter morrido na Cruz em seu lugar liberta-la e ama-la sem méritos, opa (morrido na cruz?). Ai está. Poucos que estão na igreja (algêmado por satanaz)estão lá pelo sacrifício de Cristo a amioria estão na igreja porque adquiriram dívidas, tem familiares nas drogas na prostituição, ou ama um homem e seu casamento esta arruinado e nem entenderam o sacrifício de Cristo pra conquistar o amor de cada um de nós dai alguns anos depois "presos" na igreja se acham muito bons se comparado a uma "prostituta" um "noia" a um "pingunço". E ai qual o problema?
    O problema é que quando olhamos vidas não pessoas cada uma dela representa a Cristo (em nenhum parte da Biblia "se estiver errada me corrijam" diz que Jesus morreu pela metade da nação, nem por um quarto da nação).
    Ele morreu por todos, partindo desse princípio fica complicado se achar melhor que qualquer pessoa seja por profissão ou hierarquia religiosa complicadíssimo conheço um cara que quando quis se melhor que Deus se deu muito mal (satanáz) atentem-se a isso: nos menores encontra-se o maio CRISTO

    Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.
    Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
    E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
    E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
    E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” Mateus 25.35

    " Felizes os que irão sentar-se à mesa no Reino de Deus! Então Jesus lhe disse: – Certo homem convidou muita gente para uma festa que ia dar. Quando chegou a hora, mandou o seu empregado dizer aos convidados: "Venham, que tudo já está pronto!" – Mas eles, um por um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse ao empregado: "Comprei um sítio e tenho de dar uma olhada nele. Peço que me desculpe." – Outro disse: "Comprei cinco juntas de bois e preciso ver se trabalham bem. Peço que me desculpe." – E outro disse: "Acabei de casar e por isso não posso ir." – O empregado voltou e contou tudo ao patrão. Ele ficou com muita raiva e disse: "Vá depressa pelas ruas e pelos becos da cidade e traga os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos." – Mais tarde o empregado disse: "Patrão, já fiz o que o senhor mandou, mas ainda está sobrando lugar." – Aí o patrão respondeu: "Então vá pelas estradas e pelos caminhos e obrigue os que você encontrar ali a virem, a fim de que a minha casa fique cheia. Pois eu afirmo a vocês que nenhum dos que foram convidados provará o meu jantar!"

    Se os convidados estão ocupados demais com o prédio (igreja)e não podem ir, bora chamar os doidos que deixam tudo por este banquete, o Patrão mandou!..

    parabéns pelo blogg estou feliz por não estar sozinha

  9. Ao ler o que aconteceu com a irmã, me veio à mente: "Já vi esse filme".
    Isso se repete com várias pessoas.
    E então me lembro do versículo: "…o amor de muitos esfriará." Mateus 24.12.
    OOOpa…vou postar no meu blog bb…citando o seu.Abraço.

  10. Adriana,

    Obrigado pelo comentário. Vambora chamar os doidos, os nóias, os esculachados que não tem temor de se associar a uma figura tão subversiva quanto o Jesus bíblico, que tanto difere do Jesus institucionalizado que muitas "igrejas" pregam por aí…

    Gostaria muito de ler teu livro… Abraço;

    Leonardo.

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