Nem neste monte, nem em Jerusalém

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Por Daniel Grubba

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“E Salomão lhe edificou casa; Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?” Atos 7.47-50

No sermão que selou seu martírio, Estevão ousou questionar a milenar “noção espacial” da morada divina (Deus limitado em alguma localidade). Neste trecho acima o primeiro mártir da fé cristã estava dizendo para os judeus religiosos que centralizavam a totalidade de suas vidas no Templo que “Deus não morava ali e que nunca estará confinado em nenhuma morada construída pelo homem”. Era como se hoje falasse nos dias de hoje: “Amigos judeus, o Deus Altíssimo pode ser invocado em Israel, em suas sinagogas, e também na Palestina que vocês tanto odeiam”. Ou se dissesse para alguns religiosos modernos: Queridos, a igreja-templo que vocês construiram não é a casa do Senhor, Deus não mora ali. E naquele momento, o mesmo elemento que serviu para construir o templo, foi usado para matar Estevão. Pedras.

Não queremos dizer com isso que não é importante frequentar a igreja-templo. Não é essa a questão em pauta. Alias, você pode ir para qualquer lugar desde que seu coração seja um altar e sua vida uma morada do Espírito, posto que Jesus nos ensinou que ninguém se purifica ao participar de um evento religioso, como não se torna imundo por assentar-se na mesa com um publicano pecador. Por sinal, Jesus era tão absolutamente livre desta “noção espacial-geográfica” que podia ia ao Templo em Jerusalém com a mesma disposição com que sentava-se numa mesa com pessoas de má fama. Ele procurava a imagem de Deus nas pessoas e não em lugares ou coisas. Foi por isso que foi tão odiado pelos religiosos de pedigree. Ele reduziu ao pó a noção de que lugares, pessoas ou objetos podem tornar imundo (espiritualmente) o nosso ser – Toda sujeira que pode contaminar nosso ser, não está fora de nós, mas dentro.

“O que sai da pessoa é o que a faz ficar impura. Porque é de dentro do coração que vêm os maus pensamentos, a imoralidade sexual, os roubos, os crimes de morte, os adultérios, a avareza, as maldades, as mentiras, as imoralidades, a inveja, calúnia, o orgulho e o falar e agir sem pensar nas consequências. Tudo isto vem de dentro e faz com que as pessoas fiquem impuras.” (Marcos 7.21-22) – NTLH

Ainda pensando na velha noção, alguns voltaram-se para Jesus e disseram: “Olha mestre, que lugar maravilhoso construimos para Deus”. Então, ele olhava tudo aquilo, a construção belíssima, e dizia: Não ficará pedra sobre pedra. (Lc. 21 : 6) Pois, em três dias eu reconstruirei um novo templo, não feito por mãos de homens. (Marcos 14 : 58). E João em seu evangelho, posteriormente, interpretou a fala de Jesus explicando para nós que Ele se referia ao “templo do seu corpo”. Ou seja, o local da adoração em espírito e em verdade não é um espaço construído por mãos de homens, mas seu eterno corpo. Não é Jerusalém ou Gerizim. Nem ainda Templo Maior ou casinha de sapê. Jesus afirmou: Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo.” (Mateus 12 : 6) Por isso podemos dizer com convicção: onde dois ou mais estiveram reunidos em nome de Jesus, ali ele estará, e não importa o lugar. (Mt 18 : 20)

Posto isto, devemos dizer que Ele não é um deus limitado geograficamente e sua esfera de atuação transcende todas as nossas minúsculas concepções. Não é panteísmo (Deus em tudo e em todos). Trata-se antes da máxima de Jesus – tanto faz adorar a Deus em Jerusalém (local considerado o mais santo da terra) quanto em Gerizim (território considerado imundo pelos judeus de sua época) . Porque adora-se em espírito e em verdade (Jo 4 : 23)

Aliás, o Templo de Jerusalém foi destruído em 70 d.C. E os judeus continuaram a invocar a Javé, pois pouco tempo antes da destruição alguns judeus piedosos foram para Jamnia, liderados por Yachanan Ben Zakai, estudar a Torah e os profetas, centralizando a fé em torno das Escrituras, se desvinculando aos poucos da vida templária. Em virtude deste ato inovador, a cultura judaica perpetuou-se na história. E os cristãos de semelhante modo, continuaram a invocar seu Deus, pois estavam centralizados em Cristo – Pedra Viva (I Pe 2 : 4), e nada mais. Em unidade e comunhão, adoravam o Pai, mediante o templo do corpo de Jesus. Os cristãos se tornaram, por assim dizer, em casa espiritual e sacerdócio santo (I Pe 2 : 5). Nós, imundos em virtude de nossa natureza caída, nos tornamos pela infinita misericórdia, em “morada do Espírito” (I Co 6 : 19). E aquele que podia escolher habitar em palácios indizíveis, escolheu morar em nós.

Portanto, não espere o “santo domingo” para adorar. Você é a Casa do Senhor. Faça como Jesus ensinou e deixe que a adoração pública de domingo seja extensão de uma vida íntima com o Pai. “Entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”- (Mt. 6 : 6)

***
Postado por Daniel Grubba, editor do Soli Deo Gloria e colaborador do Púlpito Cristão
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6 COMENTÁRIOS

  1. Pastor Silas,

    Obrigado. Foi um presente de um amigo. Eu também estou impressionado com o trabalho legal que ele fez.

    O que eu gosto do Daniel é que, assim como nós, ele enxerga os defeitos da igreja institucional, mas não se separou dela e nem deseja destruí-la, mas ajudá-la a encontrar seu caminho, assim como nós.

    Um grande abraço,

    Leonardo.

  2. Ficou muito bom o novo púlpito. Vou orar para mudar o meu humilde espaço também…rs
    Obrigado pelo carinho Léo. Mesmo distante, você tem sido um grande companheiro de fé.
    Pr. Silas, obrigado pelas palavras de apoio.

    Abçs,
    Daniel

  3. Rapaz, a mesma linha de artigo que publiquei em meu blog com o titulo de: Sera que Jesus da tanta importancia a templos?

    Creio que o problema começa no púlpito. No ensino da Palavra, na unção do Espírito, no amor para com as ovelhas. Nós muitas vezes ensinamos o crente (membro em geral) a ser hipócrita.
    Como assim? Vou explicar. Dizemos: irmãos este lugar é santo (se referindo ao templo e não ao nosso próprio corpo), damos mais valor espiritual ao tijolo e cimento do que as pessoas.

    Quando Jesus “TABERNACULOU”, ou seja habitou entre nós, o sentido é no coração e vida daqueles que o amam e crêem nele (nas suas palavras) e uma das principais são: Eis que estou covosco todos os dias até a consumação dos séculos, Mt 28 ; farei morada dentro daqueles que crêem em minhas palavras, e também o Espírito Santo e o próprio Pai, João 14 e 16. E tudo isso se dá pela fé ao ouvir a palavra de Deus.

    O jovem por exemplo pensa assim: oh, na igreja (templo de tijolo) eu devo ser santo. Saindo dela ele vira outra coisa. Igreja somos nós. Moradas do Espírito Santo, de Jesus e do Pai.

    Deus não habita em templos feitos por mãos humanas. Raro é um membro ter essa noção (de morada do próprio Deus nele na prática diária), porque não é ensinado na verdade, e sim de outra forma que a bíblia não dá nenhuma importância.

    A revelação de Deus em sua palavra é gradual, por exemplo:
    Da semente da mulher nascerá um que …Gn 3/ Eis que uma virgem concebera e dara a luz…Is 7 / Salve agraciada, darás luz a um filho e Jesus sera seu nome… Mt e Lc.

    Essa casa é agora casa de sacrifício 2 cr 7:11 (será que podemos aplicar isso hoje nas congregações?) . Alegrei-me quando me disseram vamos …Sl/ Deus não habita em templos feito por mãos humanas. / Escreverei minhas leis nos seus corações …Jr31:31.

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